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Joel, o técnico mais demitido do Brasil

Joel Santana no Flamengo - Foto: Bruno Turano/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Joel Santana no Flamengo – Foto: Bruno Turano/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Nunca na história recente desse país um técnico foi tanta vezes demitido como Joel Santana no Flamengo. É impressionante: basta o time jogar para que ele entre em campo na corda bamba. A partida termina, e ele balança, balança, balança. Até agora, cair, que é o que muita gente quer, não cai.

É curioso ver que, no dia seguinte após qualquer jogo, bom ou ruim, com vitória, empate ou derrota, rola uma reunião da diretoria. Eu imagino os caras fechados em uma bela sala refrigerada, tomando um cafezinho e beliscando aquele biscoito Globo, quando alguém resolve começar o papo: “E o Joel, hein?”. Duas horas depois, as portas são abertas, e a decisão é que o técnico fica.

Enquanto isso, acho que os amigos jornalistas que trabalham no Rio já cansaram de deixar pronto o texto da demissão. Sabe como é, como o cara pode cair a qualquer momento, é melhor estar previnido. Até eu teria o meu lide, algo como:

O técnico Joel Santana foi demitido do comando do Flamengo nesta xxxx. A decisão, anunciada nesta tarde por Zinho, diretor de futebol, foi tomada depois de uma reunião da cúpula rubro-negra. O motivo foi a série de maus resultados da equipe no Campeonato Brasileiro.

Ou:

O técnico Joel Santana pediu demissão nesta xxxx demitido do comando do Flamengo. A decisão foi anunciada pelo próprio treinador, depois de reunião com Zinho, diretor de futebol, e outros integrantes da cúpula rubro-negra. O motivo foi a série de maus resultados da equipe no Campeonato Brasileiro.

Ou ainda:

Joel Santana não é mais o técnico do Flamengo . A decisão, em comum acordo, foi anunciada nesta tarde por Zinho, diretor de futebol, depois de uma reunião da cúpula rubro-negra com o treinador. O motivo foi a série de maus resultados da equipe no Campeonato Brasileiro.

Acho que Joel ainda não caiu por duas razões. A primeira é o valor da multa rescisória, algo em torno de R$ 2 milhões. Outra é o fato de nenhum medalhão estar disponível no mercado. Sabe como é, na atual fase do Flamengo, o melhor é contratar um véio de guerra, né? Sem palavras.

Enfim, hoje é dia de mais uma reunião no Flamengo…

P.S.: Atualizando às 15h00, obrigado, Flamengo, por demitir o Joel bem no dia desse post. Que mancada…

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São Paulo, enfim, contrata um técnico; falta só um presidente

Ney Franco, novo técnico do São Paulo - Foto: Divulgação

Ney Franco, novo técnico do São Paulo – Foto: Divulgação

(Colocando o papo em dia, parte 1) Sempre achei que a contratação de Emerson Leão pelo São Paulo era algo, digamos, ilusório. Para mim, o clube ainda procurava um técnico. A renoação de contrato com ele não me fez mudar de ideia. Mas, a chegada de Ney Franco, sim.

Um indício é o período de contrato, até dezembro do ano que vem. Muito diferente dos dois meses propostos – e aceitos – por Leão no primeiro contrato. Claro, tenho certeza que contrato, a maioria das vezes, é feito para ser quebrado, mas, vai saber.

Outro fato são as categorias de base. O clube do Morumbi sempre foi uma espécie de celeiro de bons jogadores, mas muitos não conseguiram se firmar no time principal. Outros, nem foram aproveitados. Com pouco dinheiro no bolso, usar o que é produzido em casa é a única saída. E Ney Franco me parece a escolha certa para isso.

Aliás, foi com ele que Lucas fez a melhor apresentação de sua carreira, nos 6 a 0 sobre o Uruguai, na última rodada do Sul-Americano Sub-20, em fevereiro do ano passado. O resultado, além do título, levou o Brasil às Olimpíadas de Londres. Naquele dia, o meia-atacante fez chover, marcando três gols e dando dribles e mais dribles. Casemiro e Willian José também estavam naquele time.

Foi com Ney Franco, também, que o Brasil foi campeão mundial sub-20, em agosto de 2011. Bruno Uvini, Casemiro, Willian José e até Henrique formavam aquela equipe. Henrique, hoje emprestado ao Vitória, foi eleito o melhor jogador do mundo. Em sua carreira profissional no São Paulo, foram 14 jogos e 1 gol. Aliás, como profissional, foram 39 partidas, e apenas 6 gols marcados. Apenas para comparar, com Ney, no Mundial, ele foi o artilheiro, com 5 gols em 7 jogos.

Se vai dar certo ou não, o tempo vai dizer. Mas o fato é que, depois de nove meses, o São Paulo, enfim, contrata um técnico. Falta, agora, abrir eleições presidenciais. Aí, sim, o clube terá comando e não mandos e desmandos.

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São Paulo procura técnico desde outubro, mas precisa de um presidente há muito tempo

Emerson Leão é demitido do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão é demitido do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão chegou ao São Paulo em outubro do ano passado, inicialmente com um contrato de dois meses. Mais de oito meses depois, ele é demitido do cargo. Minha opinião sobre isso se mantém intacta, é a mesma de “São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?”, texto que publiquei aqui no blog na data da contratação.

Leão não conseguiu transformar o São Paulo em um time, equipe. Acho que o principal problema foi a ausência de habilidade do treinador no que deveria ser sua especialidade, ou seja, treinar. Sabe aquele lance de prazo de validade? Pois é, deve ser por isso. O choque na chegada camufla os erros táticos, mas, a longo prazo, eles vão aparecendo. No caso do São Paulo, está escancarado que o time não tem o mínimo de organização.

Quando o São Paulo contratou Leão, minha impressão era que o clube continuava atrás de um técnico. Aliás, em todo o seu período no clube, o ex-goleiro nunca teve um apoio maciço da diretoria, alguém que batesse na mesa e deixasse o cara trabalhar em paz. Pelo contrário, o treinador foi sabotado ali dentro em várias oportunidades. A mais clara delas foi o caso Paulo Miranda, que evidenciou a total falta de comando do clube.

E é aí o grande problema. Dane-se quem será o próximo treinador. Na verdade, o principal problema do São Paulo é o seu presidente. Juvenal Juvêncio ficou completamente entorpecido pelo poder. Perdeu o foco com a ausência do Morumbi na Copa do Mundo de 2014 e, dali para a frente, seu mandato degringolou. Mandato, aliás, perpetuado graças a uma manobra jurídica. Ou seja, tudo errado.

O São Paulo já foi, sim, um clube de vanguarda no assunto administração. Deu a cara para bater contra mandos e desmandos aqui e ali, achou soluções criativas para uma série de assuntos cá e acolá. Mas isso faz tanto tempo que parece estar num passado distante, quase esquecido.

Hoje, o São Paulo passa por uma crise política das mais graves de sua história. Nau à deriva. No comando, cambaleante, mas com um nariz empinado que só o dele, está lá Juvenal, impassivo, “soberano”. E é aí, por se achar tão “soberano” assim, slogan que estampou o tricampeonato brasileiro, que o dirigente se afundou. E vem afundando o time junto com ele.

Desde outubro o São Paulo procura um novo técnico. Mas, sinceramente, o buraco é mais embaixo. Ao invés de trocar de treinador, o clube deveria procurar uma renovação política e mudar, principalmente, de presidente, de diretoria. Se um dia, o sonho é voltar a ser vanguardista, tem que dar o primeiro passo agora. Arrumar a casa é o primeiro ato para arrumar o futebol. Sem Juvenal e sem tanta gente que já passou do tempo por ali.

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

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Grêmio, “panejamento”, “pôjeto” e o preço do “pofexô”

Luxemburgo no Grêmio - Foto: Reprodução / Site oficial do Grêmio

Luxemburgo no Grêmio - Foto: Reprodução / Site oficial do Grêmio

O Grêmio fez bons negócios no início da temporada. Se está jogando bem, se deu liga, é outro papo, mas não dá para reclamar que o clube não se mexeu no fim do ano. Entre outros, contratou Marcelo Moreno e Kléber, que podem formar uma boa dupla de ataque. Trouxe Marco Antônio antes de perder Douglas. Negociou Adílson, mas se reforçou com Léo Gago. Enfim, o bom elenco do ano passado ganhou umas peças bacanas para 2012.

Ah, o time mudou de técnico. Saiu Celso Roth e veio Caio Júnior. Era o nome certo? Ele encontrou o time?Pecou pelas troca seguidas na equipe? Não sei, mas tenho certeza que ele não teve tempo para trabalhar. Contratar um cara no dia 5 de dezembro e demiti-lo 77 dias depois é atestar incompetência. E, claro, jogar o atestado no colo do treinador.

Várias cartas na mesa, boatos aqui e ali, e o escolhido foi Vanderlei Luxemburgo. Porto Alegre vai receber, pela primeira vez, o “panejamento, o pôjeto do pofexô”. E aí, eu pergunto de novo: era o nome certo? Há alguns anos, eu diria que sim. Mas, hoje, a resposta é simples: não.

Ouso dizer que Luxemburgo foi um dos melhores treinadores da história do país. Foi a mente brilhante que comandou times brilhantes. Sem pensar muito, posso dizer que talvez tenha sido, depois de Telê, o técnico que eu mais gostei de ver no comando. Isso, até, digamos, o Santos de 2004. Dali em diante…

Nos últimos anos, Luxemburgo protagonizou uma sucessão de erros e equívocos bizarros no comando de tudo que é time, incluindo o Real Madrid. Ele poderia ter se eternizado, virado um daqueles anjos sagrados do futebol mundial, mas se perdeu. Os motivos, bem, vocês sabem…

Agora, é a vez de o Grêmio pagar para ver. Curioso é que uma propaganda no site oficial do clube diz que “O Grêmio tem um plano para quem vibra com o clube”. Impressiona como ainda tem gente que acredita nele, que cai na ladainha do “pôfexo”, falando de “panejamento” e “pôjeto”. A lábia e a lógica luxemburguianas são boas, quase imbatíveis na teoria, mas o preço que se paga é alto demais. Luxemburgo, também. Aliás, hoje, Luxemburgo, de graça, é caro. Espero errar nessa, mas o Grêmio já já vai sentir saudades de Caio Júnior.

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Por que o futebol ainda é legal

Renard carrega Musonda; exemplo de amizade - Foto: Reprodução de TV

Renard carrega Musonda; exemplo de amizade - Foto: Reprodução de TV

Quem lê esse blog sabe que eu sou meio pessimista em relação ao futebol atual e, principalmente, ao rumo que o esporte está tomando. No entanto, algumas cenas mostram que ainda há esperança, não só no mundo da bola, mas também no ser humano.

Fim da Copa Africana de Nações, Zâmbia campeã, emoção à flor da pele. Jogadores fazem aquela festa absurda no gramado. Título inédito para uma seleção que poderia ter entrado no mapa da bola na Copa do Mundo de 1994, mas um acidente aéreo vitimou 18 jogadores de uma talentosa geração um ano antes do Mundial. Enfim, justiça.

Aí, as câmeras captam o técnico Herve Renard carregando Joseph Musonda no colo. O jogador de Zâmbia havia se lesionado no início da decisão contra Costa do Marfim e mal tinha condições de ficar de pé. O treinador, então, não teve dúvida: colocou o comandado nos braços e o levou para a festa do título.

A cena é das mais belas dos últimos tempos não apenas quando o assunto é futebol. Ali, você pode achar exemplo para um monte de coisa: amizade, companheireismo, bondade, doação, união… Você escolhe a palavra e, ali, quase com certeza, achará um pouco disso.

A atitude de Renard foi uma das mais louváveis. Claro, é a comemoração por um título inédito, e acredito que tem jogador que nem lembrou do companheiro machucado. Mas o treinador foi direto ali e só comemoçou a celebrar depois de contar com a companhia física, ali do lado, de seu comandado, ferido, justamente, na batalha decisiva.

Ainda há esperança no futebol e, por que não, no mundo? Há, sim. E o que aconteceu na final da Copa Africana é o mais límpido exemplo disso.

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Luxemburgo, Joel Santana e o bom-mocismo

Vanderlei Luxemburgo - Foto: Nina Lima/VIPCOMM

Vanderlei Luxemburgo - Foto: Nina Lima/VIPCOMM

Luxemburgo foi demitido de mais um time. Nenhuma novidade. A carreira do técnico parece estar em queda livre há alguns anos. Novidade seria um trabalho vitorioso, sem nenhum bate-boca com jogador (leia-se, a estrela do elenco) e, principalmente, títulos. Mas, dessa vez, o erro principal não foi dele.

Está meio óbvio que Luxemburgo tem prazo de validade, mas ainda tem clube que vai lá e contrata o homem. No caso, o Flamengo, esse gigante rumo à falência. E vai lá esse mesmo Flamengo e torra zilhões para ter o treinador e toda a galerinha que o acompanha.

A coletiva dada por Luxemburgo depois da vitória sobre o Potosí foi exemplar. Deixou a bomba na mão da diretoria. Se quiserem demitir, o problema é de vocês, demitam. Claro, com uma multa de R$ 4 milhões, eu também deixaria a coisa toda explodir. E explodiu.

Na coletiva dada por Luxemburgo nesta sexta, ela falou em “fritura”, “uma das maiores frituras que eu vi em toda a minha carreira”. Não duvido. O Flamengo está uma zona. De longe, tenho a impressão que todo mundo manda, que só tem cacique. Assim, não sobra ninguém com juízo para obedecer.

Luxemburgo não fez um bom trabalho, ficou anos-luz daquele técnico vencedor das antigas, mas saiu, pasmem, como o bom-moço da história. Além de sua, pasmem, postura em todo o caso, o que mais me chamou a atenção foi a sequência de fatos.

Foi o Flamengo anunciar a demissão de Luxemburgo que Joel Santana pediu para sair do Bahia. Efeito dominó. Caiu um no Rio, caiu outro em Salvador. Está mais do que na cara que Joel “will to be” o novo técnico rubro-negro.

Agora, imaginem se a sequência inversa de fatos. Joel cai no Flamengo e, em seguida, Luxemburgo pede demissão do Bahia. Obviamente, Luxemburgo seria tratado como um mau caráter de mão cheia, mercenário, blablabla. Mas, como é Joel, e Joel é gente boa, é “broder”, deixa pra lá…

Não tenho procuração para defender Luxemburgo. Aliás, acho Luxemburgo indefensável. Mas, no caso Flamengo, a culpa de tudo isso é de quem contratou, fez uma cláusula de rescisão absurdamente alta e ainda demorou para mandar embora. Uma sequência de equívocos, de asneiras.

No meio de tudo isso, acho que só um dos lados da história saiu por cima. Não é santo, longe disso, mas, pasmem de novo, Luxemburgo saiu como bom-moço. Ah, se Joel fosse o Luxa. Ah, o futebol. Nada como um dia após o outro…

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São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?

Leão em sua primeira passagem pelo São Paulo - Foto: São Paulo/site oficial

Leão em sua primeira passagem pelo São Paulo - Foto: São Paulo/site oficial

Desde que Adilson Batista foi demitido, vejo, ouço e leio que o São Paulo quer um técnico de nome forte para chacoalar o elenco. Emerson Leão foi anunciado há pouco, e enxergo a contratação como mais uma questão de semântica do que de bola (belo trocadilho, hein?).

Para mim, é fato que o São Paulo precisa de algum técnico. As bolas da vez, pelo que dizem, eram Muricy, Autuori e Felipão, todas impossíveis hoje. Que outro nome seria o ideal para o time? Não sei, mas, a primeira vista, é até justificável a contratação de Leão, especialmente pela “tradição” que o treinador traz consigo.

O papo é o mesmo sempre que Leão chega a algum clube: ele mexe com o time, mas tem prazo de validade. Para tiro curto, ele é um mestre, seja para levar um time ao título/vaga na Libertadores, seja para fugir do rebaixamento. Passado o positivo choque inicial, o trabalho do técnico se choca com os egos de jogadores e vice-versa.

O contrato de Leão é até o fim do ano, com possibilidade de renovação. Prazo de validade? É para pensar.

É claro que o retrospecto de Leão no São Paulo é extremamente positivo. Entre 2004 e 2005, foram 45 jogos sob o comando do técnico, com 27 vitórias, 12 empates, 6 derrotas e um título paulista. O aproveitamento foi de 69% o que, hipoteticamente, daria a liderança do Brasileirão ao time do Morumbi.

Leão era o nome forte tão sonhado pela diretoria? Na vida real, não, mas, por questão de semântica, claro, sempre. Gosto do nome de Leão? Também não. Mas pode dar certo. E, pelo tempo de contrato, fica a impressão que o São Paulo continua atrás de um novo técnico.

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