Arquivo do mês: janeiro 2012

Pitacos do UFC on Fox 2

Um retorno ainda tímido, só para dar meus palpites sobre o UFC on Fox 2, neste sábado, em Chicago. Só para constar, do UFC 142, no Rio, acertei 8 vencedores, errei 1. Mas foram 10 lutas, né? Venhamos e convenhamos, Erick Silva ganhou aquela de Carlo Prater. Seria 9 a 1 nos pitacos. Ah, se eu ganhasse uma grana com isso… Abaixo, o polêmico gabarito do evento deste sábado.

CARD PRINCIPAL

– Rashad Evans (EUA) x Phil Davis (EUA) – meio-pesado
– Acho que dá o azarão, Davis, por nocaute no primeiro round, e Jon Jones pegará Dan Henderson

– Chael Sonnen (EUA) x Michael Bisping (ING) – médios
– Sonnen vence e, enfim, teremos a tão sonhada luta com Anderson Silva

– Demian Maia (BRA) x Chris Weidman (EUA) – médios
– Gosto do Demian, mas acho que Weidman mantém a sua invencibilidade

CARD PRELIMINAR

– Evan Dunham (EUA) x Nik Lentz (EUA) – leves
– Dunham leva por pontos

– Mike Russow (EUA) x John-Olav Einemo (NOR) – pesados
– Os caras são gigantes, mas Russow nocauteia no segundo round

– Cub Swanson (EUA) x George Roop (EUA) – pena
– Lutinha enrolada, mas dá Swanson

– Charles do Bronx (BRA) x Eric Wisely (EUA) – pena
– Outra luta enrolada, mas acho que Chales vence

– Michael Johnson (EUA) x Shane Roller (EUA) – leves
– Roller leva

– Joey Beltran (EUA) x Lavar Johnson (EUA) – pesados
– Complicado, mas acho que dá Johnson

– Chris Camozzi (EUA) x Dustin Jacoby (EUA) – médios
– Jacoby nocauteia

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Pausa para começar de novo

Mais uma vez, as obrigações profissionais fizeram com que esse blog ficasse meio esquecido. Mas, nos próximos dias, ele volta com força total e, quem sabe, com uma cara nova. Até lá!

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UFC 142: previsões ao lado da arena

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Simples, direto e reto, os pitacos pra o UFC 142, na noite deste sábado, no Rio de Janeiro. Mais uma vez, estaremos lá, no meio da galera. Aliás, eu e meu sobrinho louco por MMA estamos longe da Arena HSBC. Dá para ver na foto abaixo: à esquerda, o sucateado Maria Lenk; à direita, o palco do UFC. Ô vida dura…

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CARD PRINCIPAL

– José Aldo (BRA) x Chad Mendes (EUA) – pena
– Aldo, nocaute, segundo round

– Vitor Belfort (BRA) x Anthony Johnson (EUA) – médio
– Lutinha complicada essa, mas vai dar Vitor, nocaute, terceiro round

– Rousimar Palhares (BRA) x Mike Massenzio (EUA) – médio
– Outra luta enrolada, mas vamos de Toquinho por pontos

– Erick Silva (BRA) x Carlo Prater (BRA) – meio-médio
– Erick leva, nocaute, segundo round

– Edson Barboza (BRA) x Terry Etim (ING) – leve
– Edson por pontos

CARD PRELIMINAR
– Thiago Tavares (BRA) x Sam Stout (CAN) – leve
– Thiago, nocaute, segundo round

– Gabriel Gonzaga (BRA) x Ednaldo Oliveira (BRA) – pesado
– Napão por pontos

– Yuri Alcantara (BRA) x Michihiro Omigawa (JAP) – pena
– Acho que dá Yuri por pontos

– Ricardo Funch (BRA) x Mike Pyle (EUA) – meio-médio
– Luta enrolada… Pyle por pontos

– Felipe Arantes (BRA) x Antonio Carvalho (CAN) – pena
– Carvalho por pontos

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Marcos: santo, imortal e a história de um “quase” palmeirense

Marcos e sua reza - Foto: Epitacio Pessoa/AE

Marcos e sua reza - Foto: Epitacio Pessoa/AE

Nasci são-paulino. Em casa, todo mundo era tricolor. Quer dizer, quase todo mundo. Minha mãe, essa intrusa no clã, era palmeirense. Todo mundo que conhece um torcedor alviverde sabe da insanidade que é conviver com esse tipo de pessoa. E eu tive o enorme prazer de crescer e viver ao lado de uma delas.

Meu pai morreu quando eu tinha 5 anos. Meus irmãos, filhos do primeiro casamento dele, são bem mais velhos do que eu (25 e 23 anos). Quando minha mãe ficou viúva, eles já beiravam os 30 e estavam cuidando de começar as suas respectivas família. Normal. Mas isso teve um impacto, digamos, alviverde na minha criação futebolística…

O primeiro jogo que eu fui ver no estádio foi com meu irmão mais velho, bem mais fanático que o do meio, um glorioso Santo André 2 x 1 XV de Jaú, no não menos glorioso estádio Bruno José Daniel, nos idos de 1983 (a foto do ingresso e a legenda escrita pela minha mãe não me deixam mentir). Mas a minha primeira lembrança de ver um jogo ao vivo tem íntima ligação com o Palmeiras.

Minha estreia nos gramados, em vitória do poderoso Santo André - Foto: Arquivo pessoal

Minha estreia no estádio, em vitória do poderoso Santo André - Foto: Arquivo pessoal

No dia 24 de maio de 1987, do alto dos meus quase 9 anos, fui com a louca da minha mãe assistir a um Santo André x Palmeiras. Estávamos nas cadeiras cobertas, e o teto balançava, tremia de dar medo. Na TV, à noite, descobrimos o motivo: uma invasão em massa tomou conta da cobertura das cadeiras. Zetti, então um jovem goleiro, que acabara de assumir a titularidade alviverde, perdeu ali, num chute do veterano Luís Pereira (sim, eu vi Luís Pereira jogar, ao vivo), sua invencibilidade de 1.238 minutos sem levar gol. Foi ali que a minha ligação com o Palmeiras começou a ficar mais, digamos, íntima.

Dois outros fatores levaram a isso: a minha mãe insana e a logística, já que era (e ainda é) bem mais fácil sair de Santo André e chegar ao Palestra do que deixar a cidade mais sensacional do ABC e vislumbrar o gigante Morumbi.

Minha mãe era do tipo de torcedora de estádio, de arquibancada. Pouco depois, quando eu passei a ter uma idade aceitável, uns 12, 13 anos, ela me carregava sempre que dava para o Palestra. Engana-se quem pensa que a gente ia de carro, estacionava lindamente e assistia aos jogos das cadeiras. Nada disso: o trem de Santo André até a Barra Funda demorava uns 50 minutos, e o ingresso era de arquibancada. E não ia só na boa, não: guardo até os ingressos de todos os jogos do time na Série B, que ela, orgulhosa, acompanhou ali, de pertinho. Tomei muita chuva naquele concreto!

Foi graças à idolatria materna que eu conheci Ademir da Guia, Leão, Luís Pereira, César Maluco… Minha mãe amava esses caras, assim como amava Evair, Edmundo, César Sampaio, e um goleiro que começou a ganhar espaço no clube, um tal de Marcos. Mal sabia ele, ela, e tudo quanto é palmeirense, que aquele moleque que fez muita gente chorar com o título da Libertadores de 1999 se tornaria um dos maiores nomes da história da bola.

Não demorou muito para ganhar o apelido de “santo”, “São” Marcos. Um santo que se fere nas batalhas. Um santo que comete erros, que fala o que vem à cabeça, que tropeça, cai e levanta. Um santo verdadeiro. Um santo mortal em tudo o que faz e fez, e imortal exatamente por tudo que fez e faz. Um santo que, como todo santo, realizou milagres e levou milhares de fiéis ao delírio. Marcos foi um ídolo para a minha mãe, o maior ídolo de todos, e acho que peguei um pouquinho dessa idolatria dela para mim. É, de fato, o melhor goleiro que eu vi jogar, capaz de coisas impossíveis. Impossíveis, sim. Afinal, o cara é santo.

P.S.1: Antes que encham o meu saco, sou são-paulino, repito, mas não tenho medo de falar que Marcos foi o melhor goleiro que eu vi em campo, goleiro, aquele cara que fica entre as traves fazendo defesas inacreditáveis. E não é crime isso não! Depois dele, vem Zetti e, em terceiro, Rogério Ceni. Como ídolo, claro que Raí marcou a minha geração, mas é inegável que Ceni, pelo conjunto da obra, como personagem da história da bola, é um monstro.

P.S.2: Foi convivendo com minha mãe que eu, anos depois, descobri que ela havia me ensinado a respeitar as diferenças, a perceber que o esporte é legal, divertido, e é assim que tem que ser. Foi por isso que fiz jornalismo, e é por isso que você, único leitor desse blog, lê essas linhas. “Dona” Zélia era uma esportista de mão cheia, e só perdia a linha quando o neto, então um pequenino corintiano, malinha que só ele, mal esperava o juiz apitar um tropeço alviverde para ligar em casa e encher o saco da vó. Hoje, se ela estivesse viva, com certeza, daria risada de tudo isso.

P.S.3: A imagem que abre esse texto é a imagem mais marcante, para mim, de Marcos. Todo jogador de futebol tem as suas mandingas. Goleiro, então, nem se fala. Mas a maneira simples e intensa que Marcos se benzia antes dos jogos era sensacional. Curioso é que se repetia em todas as partidas, mas, para mim, sempre parecia algo novo. Coisa de santo…

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