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A foto do ano?

Julius Kipyego Keter - Foto: Raul Arboleda/AFP

Julius Kipyego Keter - Foto: Raul Arboleda/AFP


Vi essa foto na revista da ESPN, edição de outubro, e acho que é uma das mais belas imagens esportivas do ano, se não for a mais bonita. O personagem é o queniano Julius Kipyego Keter, logo após conquistar o tri da Meia-Maratona de Medellín, na Colômbia. O autor do clique é Raul Arboleda. É, realmente, uma imagem marcante. Compre a revista e veja a foto em duas páginas: vale a pena.

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O melhor da semana (5): o mundo das Fabianas

Fabianas Beltrame (e) e Murer, campeãs do mundo - Foto: AP/Reuters

Fabianas Beltrame (e) e Murer, campeãs do mundo - Foto: AP/Reuters

Não precisa dizer muito. Elas são brasileiras e são campeãs do mundo em esportes individuais. Isso é algo digno de uma reverência eterna. As xarás Fabianas merecem, e muito. São humildes, guerreiras. Que venham mais e mais conquistas! O topo do mundo é pouco para vocês!

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Fabiana Murer, o ouro, Bubka e a conquista do “povo brasileiro”

Fabiana comemora a conquista do título mundial - Foto: AP

Fabiana comemora a conquista do título mundial - Foto: AP

É muito legal acordar, ligar a TV e descobrir que uma das atletas que eu mais gosto no atletismo nacional estava no topo do mundo. Fabiana Murer acabara de conquistar o título no Mundial da Coreia do Sul. Um feito inédito.

Não tenho muito dessa de gostar mais de esportes individuais ou coletivos. Ambos têm predicados muito interessantes. Mas é fato que, no um contra um, o fator psicológico, a força mental, a concentração total, enfim, a cabeça é relevante demais. É ela que vai determinar o sucesso ou não. O corpo pode estar mais do que preparado, mas, se o cérebro não agir, já era.

Fisicamente e tecnicamente, Fabiana sempre foi muito bem preparada. Mas, de uns dois anos pra cá, ela teve um ganho mental absurdo. O sumiço das varas nas Olimpíadas de 2008 foram uma lição mental e tanto para a saltadora. Tanto que, depois disso, em torneios internacionais, com exceção do Mundial de 2009, quando foi quinta colocada, ela sempre foi ao pódio. Dois segundos lugares  (Meeting de Donetsk e Final Mundial) e um título (Sul-Americano) em 2009. No ano seguinte, três títulos (Ibero-Americano, GP de Birmingham e a sensacional participação no Mundial indoor em Doha, no Qatar). Recentemente, em junho, ela já havia faturado o Sul-Americano.

Nesta terça-feira, ela coroou sua ascensão com o título na Coreia do Sul. É muito legal ver a atleta sorrindo e comemorando ainda no ar, logo após passar o sarrafo, sabendo que tinha feito, ali, o salto dourado.

Ainda no ar, Fabiana comemora o salto dourado no Mundial - Foto: EFE

Ainda no ar, Fabiana comemora o salto dourado no Mundial - Foto: EFE

Também foi muito legal ver Fabiana sendo cumprimentada por Sergey Bubka, uma lenda no salto com vara. Fabiana treinou inúmeras vezes com Vitaly Petrov, que foi o treinador do mito ucraniano. O sorriso de Bubka é a mostra de que todo o trabalho foi recompensado.

É uma conquista inédita para Fabiana e, degraus abaixo, para o atletismo brasileiro, mas nunca do povo brasileiro. Cada atleta sabe os perrengues pelos quais passou para conseguir a classificação para um Mundial, por exemplo. Cada atleta sabe as dificuldades que têm para conseguir treinar, muitas vezes, em condições precárias. E essa realidade, no nosso país, inúmeras vezes, faz parte do cotidiano de atletas de ponta, daqueles que a gente, o povo brasileiro, cobra resultados, sem saber o sufoco que o cara teve para conseguir entrar na pista.

Venhamos e convenhamos, os esportes individuais, no Brasil, são formados por abnegados, por pessoas com dons especiais e uma força de vontade absurda para conseguir algo. O algo pode ser um título regional, nacional, ou até mundial, por que não? Mas é um título individual. Ou, no máximo, de um pequeno número de pessoas, aqueles que estão ali do lado todo dia, treinadores e preparadores tão abnegados quanto os atletas.

A conquista de Fabiana é histórica. Histórica para ela. O “povo” pode ir às ruas e comemorar (você imagina alguém indo para a Avenida Paulista dando a volta olímpica?), mas saiba que, com um apoio maior, leia-se, com vontade política, títulos como o da Fabiana seriam bem mais corriqueiros. Ou melhor, os atletas brasileiros teriam condições reais de chegar às competições internacionais em condições de brigar por conquistas.

Imagine só se a festa com as verbas públicas para a Copa do Mundo, destinadas a levantar montes inúteis de concreto, fosse “desviada” para a formação de atletas? Aí, sim, seria uma vitória brasileira. Hoje, a vitória é de Fabiana. Deve ser reverenciada e comemorada, mas o ouro é dela. Só dela.

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