Arquivo do mês: março 2013

Meu encontro com Chorão

O Offspring veio ao Brasil em 1997. Eu gostava de Offspring e ainda me divirto com uma ou outra música, mas isso não vem ao caso. O fato é que, ao lado de três amigos, saímos de Santo André rumo ao finado Olympia para ver os caras. No show de abertura, Charlie Brown Jr. Skatistas pra todo lado. E, do que eu lembro, foi um baita show. O primeiro de uns quatro, cinco que vi dos caras na minha vida. Sempre, do que eu lembro, muito bons.

Naquela noite, entre um show e outro, fui ao banheiro. O caminho era meio que um corredorzinho que desembocava em um corredor de verdade, dividido por uma barra. Do lado, digamos, de lá, era o caminho da galera VIP. Do lado de cá, uma rampinha e a porta do banheiro.

Saio do banheiro e dou de cara com Chorão, encostado ali na barra, como um cara “normal” curtindo a noite. Minha reação foi adolescente – se bem que eu tinha uns 19 anos – e sincera: “Meu, você é foda, puta show”, disse eu (ou foi mais ou menos isso), fazendo o tradicional gesto de cumprimentar alguém.

O que eu não contava, a parte “meu, tu não sabe o que aconteceu” da cena, é que Chorão tinha um cigarro na mão direita. Logo, meu gesto mandou o tubo de nicotina pra casa do cacete. “Porra, era meu último”, disse ele. Fiz menção de pedir um cigarro pra alguém, mas não deu tempo: juntou uma galerinha em volta do cara. Acabei saindo dali. E ele ficou sem cigarro. Pelo menos, sem aquele.

P.S.: Prometi a mim mesmo que não escreveria nada sobre a morte de Chorão. Até queria, mas o enorme teor de pieguice e idiotice das redes sociais me deixou enojado. O que acho é mais ou menos o que o André Forastieri escreveu no blog dele. O resto, um dia, a gente conversa num boteco por aí.

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