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Renan Barão, a conquista do cinturão e o seleto “Clube dos 9”

Renan Barão, campeão do UFC - Foto: Nick Laham/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Renan Barão, campeão do UFC – Foto: Nick Laham/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Existe um seleto grupo brasileiro no UFC. Para entrar na confraria, a regra é simples: comer muito feijão com arroz, ganhar de algumas babas, ganhar de muita gente casca grossa e ganhar o cinturão. Simples assim.

O seleto grupo era conhecido mundialmente como “Clube dos 8”. Na verdade, acabei de inventar o termo, mas ele já nasce defasado. Isso por que, na madrugada deste domingo, graças a um cara chamado Renan Barão, o “Clube dos 8” virou “Clube dos 9”.

Barão se credenciou a entrar na patotinha – e a mudar o nome da turminha – com a vitória sobre Urijah Faber no UFC 149, resultado que garantiu ao potiguar o cinturão interino do peso galo. Dane-se que é interino, cinturão é cinturão.

Mas que raios é “Clube dos 9”? Curioso isso… O UFC conta com mais de 2000 lutas em quase 19 anos de história, com 350 lutadore, sendo 60 deles brasileiros. Hoje, o MMA é um fenômeno mundial, e boa partes dos brasileiros fala de lutas como fala de futebol. Mas, olha só que coisa estranha, apenas 9 (leia-se NOVE) lutadores do Brasil conseguiram um cinturão.

Esqueça, por enquanto, dos primórdios. Pense apenas na era de disputas por cinturões, era que vivemos até hoje. Nessa era, o número de brasileiros campeões é 9. Pareciam mais, não? Além dos atuais Anderson Silva (médio), José Aldo (pena) e Junior Cigano (pesado), a lista conta com Murilo Bustamante (médios, UFC 35), Vitor Belfort (meio-pesados, UFC 46), Minotauro (interino dos pesados, no UFC 81), Lyoto Machida (meio-pesados, UFC 98) e Maurício Shogun (meio-pesados, UFC 113).

Se contar a era dos campeões em um dia e dos GPs, que durou mais ou menos até o UFC 17 (há controvérsias), são apenas mais três caras na lista: Royce Gracie (campeão nos UFCs 1, 2 e 4), Marco Ruas (UFC 7) e Belfort (UFC 12). Some os vencedores do TUF, e chegamos ao enorme número de 15 campeões: Diego Brandão (TUF 14), Rony Jason e Cezar Mutante (ambos TUF Brasil). E acabou.

São tantos caras bons, fala-se tanto de MMA no Brasil, que a minha impressão é o número de brasileiros campeões era gigante, e achei curioso encontrar esse número pequeno, o tal 9. Talvez, a leitura seja outra: “Clube dos 9” é um baita clube, afinal, são 9 campeões no evento que reúne os principais lutadores do planeta. Analisando por esse ângulo, 9 deixa de ser pequeno e se torna, no mínimo, respeitável.

Pequeno ou respeitável, o fato é que o seleto clube conta agora com um cara chamado Renan Barão. Um cara que perdeu uma luta na carreira – na estreia – e ganhou “apenas” 29 combates quase seguidos (teve um no contest no meio disso) para ter a chance de lutar pelo cinturão. Lutou e ganhou. Hoje, está no patamar de Anderson, Aldo e Cigano. E foi o responsável por mudar o número e criar o “Clube dos 9”. Esse, sim, um feito gigante e respeitável.

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Jones, Rashad, cinco rounds e um round

Jon Jones mantém o cinturão - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Jon Jones mantém o cinturão - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

O resultado foi o esperado: vitória de Jon Jones. Eu sei, eu sei, não foi em dois rounds como a minha bola de cristal me disse, e a culpa é toda dela. Foram cinco rounds de algumas cacetadas e pelo menos três lições.

A primeira: Jones é muito superior, especialmente quando o assunto é forma física, que qualquer rival. Quanto mais a luta durar, melhor para ele.

Diante disso, a segunda lição é: seja lá qual for o adversário, é bom ir para cima de Jones no primeiro round. Como? Aí o problema é de quem entrar no octógono. O fato é que, a partir do segundo, o campeão passa a sobrar fisicamente, e a vida complica.

A terceira lição quem deu foi Rashad Evans, que achou um ou outro espaço na guarda de Jones e balançou o campeão pelo menos duas vezes. Ou seja, é ver e rever como os golpes entraram e tentar achar alguma brecha por aí.

Se eu esperava um nocaute no segundo round, é claro que fiquei decepcionado com a decisão em cinco. Esperava, claro, um Jones mais ligado, mais veloz, mais ativo no ataque. Claro que, mesmo em slow motion, ele é melhor que qualquer um. Tanto que ganhou. Mas poderia ter acelerado mais a luta.

E aí eu acho que o fator “adversário” pesou. Ex-amiguinho, ex-companheiro de treino… Jones respeitou demais Rashad. Teve chance de derrubar o ex-brother em algumas oportunidades, mas meio que deixou a luta rolar. Se fosse qualquer outro, acho que Jones iria para cima sem dó. Contra Evans, rolou uma certa compaixão pelo passado. Isso é bom? Não, mas é apenas uma suposição.

Jones agora tem Dan Henderson pela frente. O cara é veterano, mas ainda tem uma mão pesada. Foi ele o responsável pelo meu primeiro nocaute ao vivo, quando apagou Michael Bisping no UFC 100. Ainda tenho a cena completamente nítida na memória. Mas nem isso nem os bons resultados recentes serão capazes de melhorar a vida do desafiante contra o campeão. Para vencer, ele tem um round, um round. Depois, Jones sobra.

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Jones, Rashad e dois rounds

Jones x Evans  - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Jones x Evans - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei


Dessa vez eu não vou dar pitacos em tudo que é luta do UFC. A edição 145, que acontece neste sábado, tem o duelo entre Jon Jones, dono do cinturão dos meio-pesados, e Rashad Evans como combate principal. E, por isso, vou direto para o prato principal.

Quem acompanha um pouco sabe que eles eram amiguinhos, mas agora são inimiguinhos. Trocaram farpas desde que a luta foi definida. O clima esfriou nas últimas semanas, mas a pesagem foi tensa. Faltou pouco para que eles saíssem no tapa. De qualquer forma, o circo está pronto.

Já gostei mais de Rashad. É um cara com um bom jogo de chão, bom na trocação. Enfim, é um bom lutador. Mas, às vezes, ser bom não é o suficiente para que você fique no topo. Talvez por isso ele tenha apenas uma derrota na carreira, justamente quando na única vez que colocou seu cinturão em jogo: levou uma aula de Lyoto Machida e perdeu o título.

Pelo fato de ser bom e de ser “ex-amigo”, Rashad vai durar um pouco mais no octógono. Um round, com certeza. Três, se Jones quiser brincar. Como o atual campeão não é muito de enrolação, a luta acabará no segundo round. Nocaute, nocaute técnico, finalização, sabe Deus como Jones vai encerrar o assunto, mas, para mim, está claro que ele vai destruir e permanecer com o cinturão.

O palpite, então, é simples: Jones no segundo round. Podem cobrar depois.

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MMA na moda: Chael Sonnen vira “Tio Sam” em camiseta

Tio Sam, quem diria, virou "Tio Sonnen" - Foto: Divulgação

Tio Sam, quem diria, virou "Tio Sonnen" - Foto: Divulgação

Confesso que eu não tinha visto e sei que a notícia é velha, bem velha, mas achei bacana e digna de considerações. Principalmente pelo MMA chegar a esse ponto de popularização.

Tio Sam é um dos símbolos mais famosos da história dos EUA. Agora, quem diria, pode ser chamado de “Tio Sonnen”.

Chael Sonnen já desafiou Anderson Silva em tudo que é entrevista e mídia social. A falácia invadiu até o mundo da moda, em uma camiseta, digamos, descolada. Para os fãs do americano, ela pode ser comprada na MMA Warehouse por US$ 29,99 (cerca de R$ 52).

A loja entrega no Brasil. Simulei a compra e, por salgados US$ 31,75 (cerca de R$ 55) ou US$ 40,95 (cerca de R$ 70), você recebe em sua casa. Quer dizer, há o risco de a Alfândega brecar a entrega e cobrar uma nova taxa para que você retire nos Correios. Ou seja, você aí, torcedor do Sonnen que quiser a iguaria, vai ter que abrir a carteira!

O que realmente chamou minha atenção foi ver Sonnen com a camisa. De “Tio Sonnen” no peito, falou que Anderson “não é um lutador”, que só “pensa em dinheiro” e ainda comparou o brasileiro a Mike Tyson, que tem números expressivos, “mas nunca lutou contra ninguém”.

Não sei em que pé andam as vendas, mas fico curioso para saber como o MMA, ainda marginalizado – o preconceito continua -, chegou ao ponto de usar um dos símbolos nacionais dos EUA para promover um lutador.

Claro que, com a internet, eu, você e qualquer criança com o mínimo de noção pode brincar com uma foto e estampar aquela imagem em uma camiseta. Agora, quando o negócio é oficial, quando o próprio Sonnen veste a camisa, é sinal que a coisa é bem mais séria.

Fico pensando se o UFC ou os patrocinadores de Anderson não pensam em fazer algo semelhante por aqui. Não tenho nenhuma sugestão, mas, pelas minhas peregrinações pelos UFCs (uma Fan Expo em Las Vegas e as duas edições no Rio), deu para perceber que a procura por qualquer item, de camiseta a chaveiro, passando por réplicas de cinturões, é absurda. E olha que os preços estão longe de ser acessíveis.

Se eu compraria uma camiseta esperta de Anderson? Não sei. Teria de ser bem legal e por um preço bem camarada. Acho a camiseta de Sonnen sensacional como símbolo de cultura pop, mas também não a compraria. Afinal, jornalista tem de ser imparcial, certo?

P.S.: Silva x Sonnen? VAI SILVA!

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UFC 144, um exemplo de como errar palpites e um tal jornalismo

Ben Henderson (à dir.), o novo campeão dos leves - Foto: Divulgação/UFC

Ben Henderson (à dir.), o novo campeão dos leves - Foto: Divulgação/UFC

“Enfim, abaixo, os palpites totalmente científicos para o UFC 144. Não tenho medo de errar todos. Aliás, seria divertido se isso acontecesse.”

No sábado, fiz um post com os meus palpites sobre o UFC 144, intitulado “Pitacos do UFC 144: Japão imprevisível”. A frase acima, digna de Nostradamus, faz parte desse post e só comprova algo bem legal que está acontecendo no MMA: a surpresa.

Seria simples falar que foi falta de sorte de A ou B, que C acertou um daqueles golpes impossíveis e que D teve melhor estratégia que o rival. O fato é que o card do Japão já deixava no ar que seria bem difícil acertar quem ganharia cada luta. Os palpites, meramente chutados, mostraram que meu pé estava bem torto. E isso me deixa feliz.

A surpresa é um dos fatores que movem o esporte. Nem sempre o melhor vence, nem sempre o cara mais bem preparado tem sua mão levantada do fim do combate. Claro, quem treina e estuda mais tem mais chance, mas, sabe como é, um instante de vacilo e já era. O “Japão imprevisível” se confirmou.

Também é legal para mostrar duas coisas sobre aquele jornalista sabichão. A primeira: o cara pode estudar pra caramba sobre determinado assunto, mas, quando se fala em palpite, é meramente uma escolha. A segunda: o cara pode escolher antes e fazer uma análise “criteriosa” para justificar sua escolha. No fim, ambas convergem para o mesmo ponto: uma criança de dois anos poderia apontar os vencedores e ter mais sucesso que qualquer um.

Palpite é palpite e é legal, pro ego, acertar. Mas, se você erra, sinceramente, dane-se. Se você acerta tudo, aproveite a maré e jogue na Mega-Sena. Esse palpite aí eu queria acertar…

P.S.: Só pra constar, das 12 lutas do UFC 144, errei apenas 10 palpites e, graças a Jacke Shields e Riki Fukuda, o “vexame” não foi ainda pior.

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Pitacos do UFC 144: Japão imprevisível

Pôster do UFC Japão - Foto: Divulgação

Pôster do UFC Japão - Foto: Divulgação

Vi e revi esse car do UFC 144 para dar meus pitacos. Por melhor que seja o “casamento”, existem lutas em que você bate o olho e sabe quem vai vencer. Mas o evento japonês traz tanta coisa “além” do octógono que fica quase impossível pitacar.

Há o lado emocional da coisa, do retorno do UFC ao Japão, e só por isso as lutas já ficam mais tensas. É o palco do Pride, e todo mundo que já viu um evento do Pride vai lembrar um pouco do que era. A torcida japonesa é maluca, são vários lutadores locais em ação, e a galera vai empurrar. É mais ou menos como um UFC no Brasil: tudo pode acontecer.

Quando a coisa fica assim, o cara pode dizer que estudou muito e que o lutador A vai vencer. Mas, vamos falar a verdade: eu fiquei horas olhando o card e todos meus palpites são, basicamente, chutes. Isso não tira o fato de eu achar mesmo que o lutador A vai bater o B. Mas todos esses fatores podem jogar as suas previsões no limbo.

Enfim, abaixo, os palpites totalmente científicos para o UFC 144. Não tenho medo de errar todos. Aliás, seria divertido se isso acontecesse. E só colocaria o evento japonês na lista dos melhores da história, ou da década, ou do ano…

Arianny Celeste e a ring girl convidada para o UFC 144, Azusa Nishigaki, Miss Japão Universo 2008 - Foto: Divulgação/UFC

Arianny Celeste e a ring girl convidada para o UFC 144, Azusa Nishigaki, Miss Japão Universo 2008 - Foto: Divulgação/UFC

CARD PRINCIPAL

– Frankie Edgar (EUA) x Ben Henderson (EUA) – leve
– Henderson é bom, mas tendo a achar que Edgar vai atropelar. Campeão vence por submissão.

– Quinton Rampage Jackson (EUA) x Ryan Bader (EUA) – meio-pesado
– Mesmo depois da balança, mantenho o palpite. Adoro Bader, mas Rampage vence por nocaute e adia a sua aposentadoria

– Mark Hunt (NZL) x Cheick Kongo (FRA) – pesado
– Outra luta que promete. Kongo vence por nocaute e volta a sonhar mais alto no UFC

– Yoshihiro Akiyama (JAP) x Jake Shields (EUA) – meio-médio
– Lutão, hein, parte 2? Palpite polêmic: acho que Shields cala Saitama e vence por decisão

– Yushin Okami (JAP) x Tim Boetsch (EUA) – médio
– Lutão, hein? Okami se recupera da derrota para Anderson Silva e vence por submissão

– Hatsu Hioki (JAP) x Bart Palaszewski (POL) – pena
– Lutinha enrolada, mas Palaszewski nocauteia

– Anthony Pettis (EUA) x Joe Lauzon (EUA) – leve
– Aí é torcida mesmo, Lauzon vence por submissão

CARD PRELIMINAR

– Takanori Gomi (JAP) x Eiji Mitsuoka (JAP) – leve
– Puro chute. O estreante Mitsuoka vence por submissão

– Norifumi Yamamoto (JAP) x Vaughan Lee (ING) – galo
– Será que a torcida ajuda? Acho que sim, e Yamamoto leva por decisão

– Riki Fukuda (JAP) x Steve Cantwell (EUA) – médio
– Fukuda vence por decisão e acaba com a saga de Cantwell no UFC

– Takeya Mizugaki (JAP) x Chris Cariaso (EUA) – galo
– Torcida ajuda, e Mizugaki vence por decisão

– Zhang Tiequan (CHN) x Issei Tamura (JAP) – pena
– Tiequan vence por submissão

Pesagem – UFC 144

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UFC 144, Pride e a volta do MMA ao Japão

UFC está de volta ao Japão - Foto: Divulgação

UFC está de volta ao Japão - Foto: Divulgação

Você escolhe. O Japão esperou 4.089 dias – ou 11 anos, 2 meses e 10 dias – para rever um evento do UFC. Desde o fim do Pride, já se vão 1.667 dias – ou 4 anos, 6 meses e 22 dias – sem uma grande apresentação de MMA no país. Enfim, o bom filho à casa torna, e a “meca” das artes marciais se reencontra com o UFC.

O Japão já teve o evento de maior prestígio do mundo das lutas, o Pride. Pode se dizer que era a maior competição de vale-tudo do planeta. As regras eram menos rígidas, o que gerava golpes mais violentos e lutas mais sangrentas. Só de lembrar dos “tiros de meta” dá calafrios…

Agora, o país vê o MMA, com normas que servem justamente para proteger os combatentes. Foi esse MMA, agressivo, mas sem a violência do vale-tudo, que conquistou o planeta. E, agora, tenta reconquistar o Japão.

O último UFC no Japão - Foto: Divulgação

O último UFC no Japão - Foto: Divulgação

Fuçando aqui, descobri que o último UFC por lá foi o 29, justamente o último antes da venda da franquia da SEG para a Zuffa. Foi lá que Tito Ortiz e Pat Miletich mantiveram seus cinturões. Foi lá que Dennis Hallman massacrou Matt Hughes em apenas 20 segundos, e Chuck Liddell venceu Jeff Monson após 15 minutos de combate. Foi lá que acabou o UFC “à moda antiga” e foi dado o primeiro passo rumo ao UFC que conhecemos hoje.

Foi graças ao Pride que alguns brasileiros conquistaram fama e prestígio internacional, em combates de tirar o fôlego. De cabeça, lembro das duas lutas entre Wanderlei Silva e Quinton Rampage Jackson, de Wanderlei contra Mirko Cro Cop, de Minotauro renascendo das cinzas contra Cro Cop e Bob Sapp, de Shogun e Minotouro em um duelo de arrepiar.

Tirando os brasileiros, o Japão foi palco da formação da lenda sobre Fedor Emelianenko e é a terra de um cara que foi muito odiado por aqui, Kazushi Sakuraba, o “Caçador de Gracies”, que ganhou nada mais nada menos de Royler Gracie, Renzo Gracie, Ryan Gracie e Royce Gracie. Um fenômeno.

Você deve estar se perguntando por que o UFC demorou tanto para voltar a um país que tem uma tradição milenar em lutas, não? Mesmo depois que a Zuffa comprou o Pride, em março de 2007, o domínio dos eventos de artes marciais seguiu nas mãos de gente graúda no Japão, e o UFC simplesmente não conseguia negociar com esses caras. As arestas foram se aparando e, depois de muito papo e muito mais dinheiro, chegou-se a um acordo.

A minha expectativa é que, além de renascer o MMA no país, a realização de um UFC sirva como o primeiro passo para a recuperação de algumas artes marciais no Japão. O milenar sumô, por exemplo, está à beira da falência, graças a desvios absurdos e resultados combinados em bolsas de apostas. O UFC não é o messias, longe disso, mas pode servir de exemplo e alavancar outras modalidades de lutas no país.

Música de abertura do Pride

Historinhas à parte, o evento deste fim de semana lembra, e muito, os realizados no Brasil. Alguns combates são bem legais, outros, especialmente do card preliminar, reúnem estrelas ou promessas locais. Confesso que tem lutador ali que eu nem sabia que existia. A novidade é um card principal inchado, com sete lutas, provavelmente atendendo a uma solicitação dos promotores japoneses.

O foco são as duas lutas principais, com Quinton Rampage Jackson x Ryan Bader e a disputa do cinturão dos leves entre Frankie Edgar e Ben Henderson. Mas uma outra luta me chama a atenção: Anthony Pettis x Joe Lauzon. São dois caras que adoram uma pancadaria, uma luta aberta. Lauzon é um dos lutadores que eu mais gosto de ver, principalmente pela versatilidade e pelo enorme coração. Ainda tem Yushin Okami x Tim Boetsch, Yoshihiro Akiyama x Jake Shields, e Cheick Kongo x Mark Hunt. Diversão garantida!

P.S.: Caros, já disse aqui e repito: em qualquer esporte, você tem que ser agressivo. Por isso, acho que o MMA e qualquer outra modalidade de luta agressiva, não violenta. O vale-tudo, sim, era violento, briga de rua. Goste ou não, o MMA é um esporte.

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Anderson Silva, Jon Jones, GSP e a luta que ninguém quer ver

Jon Jones, Anderson Silva e GSP - Foto: Reprodução/UFC

Jon Jones, Anderson Silva e GSP - Foto: Reprodução/UFC

Julho de 2009. Logo depois do UFC 100, em Las Vegas, cruzo com um integrante da equipe de mídia da Zuffa, dona da franquia de lutas. No caminho para a sala de imprensa, falamos sobre a vitória de Georges St-Pierre sobre Thiago “Pitbull” Alves. O canadense não deu chances para o brasileiro e seguiu com o cinturão do peso meio-médio.

“Ele é um ‘mister picture boy’, né? Lutou cinco rounds e parece que acabou de tirar o terno”, disse o rapaz, cujo nome me reservo a não citar. E é bem assim, GSP sai da luta como se não tivesse lutado. Na época, ainda com a adrenalina do meu primeiro UFC in loco pulsando, concordei com a análise e me calei. Hoje, provavelmente, perguntaria: “mas será que isso é tão legal assim?”.

Leio no excelente blog Na Grade do MMA, comandado pelo amigo Jorge Corrêa (e não é pela amizade que o blog é excelente), uma entrevista de Anderson Silva à “ESPN” nos EUA. Nela, o brasileiro admite enfrentar GSP.

“GSP é uma pessoa muito educada e gosto muito dele. Contra ele seria uma grande, grande, grande luta e isso realmente pode acontecer.”

O combate entre Anderson e GSP já foi tratado como um sonho pelo próprio UFC. O duelo seria algo como uma luta suprema, que definiria o melhor lutador “pound by pound” (em todos os pesos) da história. Seria mítico, inesquecível, histórico. Os superlativos aqui tratados foram lidos por mim nos últimos anos na imprensa especializada. Mas, fico com um único questionamento: será?

É fato que Anderson é um dos lutadores mais criativos da história. O cara sabe como poucos esconder seus golpes até o último momento e, via de regra, surpreende os rivais. Até hoje, no UFC, surpreendeu todo mundo. Parece que ele sempre tem um coelho na cartola, uma carta na manga…

Já GSP é uma espécie de robô do MMA. Tem técnica? Claro que tem, se não, não seria campeão por tanto tempo – ganhou seu segundo cinturão em agosto de 2008, defendeu o título em seis lutas e só não foi para a sétima por causa de lesão. Não espere um drible, uma finta, uma ginga sensacional dele. Não discuto a eficiência, mas suas lutas, venhamos e convenhamos, são chatas, mas muito, muito, muito chatas.

Enquanto Anderson é capoeira, é mutante, GSP é, digamos, ciência exata.

Se Anderson x GSP já foi um sonho, hoje, não é mais. Parece até meio sem sentido pensar num duelo entre os dois. Pelo momento, pela técnica, pela carreira… O brasileiro é infinitamente superior. Se já foi um combate dos mais esperados, hoje, ninguém quer ver.

Por outro lado, a luta mais esperada do momento reuniria Anderson e sua versão nos meio-pesados, Jon “Bones” Jones. São dois caras com estilos semelhantes, com golpes que fogem da lógica. Mas, ao que parece, esse é um duelo que só vai rolar no videogame. Pelo menos é que o brasileiro afirmou e o Na Grade do MMA reproduziu:

“Não pretendo mais subir de categoria. Ele tem outro peso. Treino com caras maiores, como Lyoto Machida e Minotauro e sei como é complicado. Sempre que encontro Jones, falo para ele manter o foco, pois se fizer isso, não terá adversários. Ele é melhor de todos. Ele levaria muita vantagem, é bem mais novo que eu e não seria algo tão interessante.”

Será, Anderson? Vou discordar de você. Seria interessante demais, uma daquelas lutas memoráveis. Seria tão dramático para o brasileiro subir de peso? Ele já lutou nos meio-pesados e, somados, James Irvin e Forrest Griffin duraram 4min24 no octógono (1min01 e 3min23, respectivamente). Dá para afirmar, com todas as letras, que seria “A” luta, de tirar o fôlego, de ser vista e revista e, sim, aquela que mereceria todos os superlativos citados acima.

Ao que parece, em breve, quem sabe no fim deste ano ou no ano que vem, teremos um Anderson x GSP. É claro que terá uma audiência absurda, mas, acredito, com aquele sentimento de “Puts, e se fosse o Jon Jones ali?”. Essa, sim, a luta que todo mundo quer ver.

P.S.: Não sei para as outras plataformas, mas, quem baixou o demo do game “UFC Undisputed 3” para PlayStation 3 tinha duas opções de luta: ou Wanderlei Silva x Quinton Rampage Jackson no ringue do extinto Pride, ou Anderson Silva x Jon Jones no octógono do UFC. Pelo menos no videogame, dava jogo. E como!

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Pitacos para o UFC 143

Roy Nelson em miniatura - Foto: Divulgação

Roy Nelson em miniatura - Foto: Divulgação

Sem rodeios, seguem os pitacos para o UFC 143.

CARD PRINCIPAL
– Nick Diaz (EUA) vence Carlos Condit (EUA) – campeão interino dos meio-médios

– Fabricio Werdum (BRA) vence Roy Nelson (EUA) – pesados
*comentário adicional e irrelevante: Roy Nelson é ídolo

– Josh Koscheck (EUA) vence Mike Pierce (EUA) – meio-médios

– Renan Barão (BRA) vence Scott Jorgensen (EUA) – galo

– Clifford Starks (EUA) vence Ed Herman (EUA) – médios

CARD PRELIMINAR
– Dustin Poirier (EUA) vence Max Holloway (EUA) – pena

– Edwin Figueroa (EUA) vence Alex Caceres (EUA) – galo

– Chris Cope (EUA) vence Matt Brown (EUA) – meio-médios

– Henry Martinez (EUA) vence Matthew Riddle (EUA) – meio-médios

– Rafael Natal (BRA) vence Michael Kuiper (HOL) – médios

– Stephen Thompson (EUA) vence Dan Stittgen (EUA) – meio-médios

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