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Boca e Libertadores e um capeta chamado Riquelme: feitos um para o outro

Riquelme comemora gol - Foto: Ivan Alvarado/Reuters, Arte/Ricardo Zanei

Riquelme comemora gol – Foto: Ivan Alvarado/Reuters, Arte/Ricardo Zanei

Existem jogadores que foram feitos para determinados clube e funcionam perfeitamente em determinadas competições. É o caso de Riquelme, Boca Juniors e Libertadores.

É curioso como os times brasileiros ficam contando vantagem ao falar de suas conquistas continentais. Santos e São Paulo dividem a primazia e as provocações com três títulos cada um. Riquelme tem três: 2000, 2001 e 2007.

Claro que ele não joga sozinho, mas, em todos os títulos, teve papel fundamental. Pergunte para qualquer palmeirense se o nome de Riquelme é bem visto? Pergunte para torcedores de Palmeiras, Vasco, Grêmio e tantos outros, e a resposta será a mesma: ele é o capeta. São calafrios e pesadelos até hoje.

É curioso que, quando se pensa em Boca, a imagem que vem à cabeça é de um rime guerreiro, raçudo, que dá carrinho e come grama. Riquelme é a antítese disso: refinado, sempre em pé e de cabeça erguida.

Em tempos de correria e de velocidade extrema, de jogadores polivalentes, de atacar, marcar, atacar, marcar, Riquelme é o porto seguro. Enquanto todos correm, ele, em slow motion, pensa. Parece que o mundo desacelera quando o meia está com a bola. E, num passe de mágica, está lá a redonda, mais veloz do que nunca, enquanto o camisa 10 segue o seu ritmo, impassível.

Mais do que pensar o jogo, Riquelme é o cara quando o assunto é decisão. Pode errar feio, mas peca pela tentativa, nunca pela omissão. Nesse sentido, ele é mais Boca do que qualquer xeneize. Só para citar, bateu e converteu pênalti na decisão contra o Palmeiras em 2000 e na final contra o Cruz Azul em 2001, fez três gols na duelo contra o Grêmio (um no primeiro jogo, dois no segundo) em 2007. Um capeta.

Além do Boca, o meia passou pelo Barcelona, sem sucesso, e pelo Villarreal, no qual foi o grande nome do time que conseguiu o terceiro lugar inédito no Campeonato Espanhol em 2004-2005. Na Liga dos Campeões 2005-2006, levou a equipe amarela ao seu melhor resultado continental. Passou invicto pela fase de grupos, deixando em último o monstruoso Manchester United. Eliminou os Rangers nas oitavas e a monstruosa Inter de Milão nas quartas. Só parou na semi, contra o Arsenal: Riquelme perdeu um pênalti e nunca mais jogou bem pelo time espanhol.

Tantas e tantas vezes ouvimos o nome de Riquelme sendo comentado como possível reforço de um time brasileiro. Nunca deu certo, e acredito que nunca daria: por sua história, pela maneira de jogar, mesmo com o sucesso no Villarreal, ele é Boca. E “só”.

Os brasileiros são fortes, a Universidad do Chile é muito boa, o Vélez é bem arrumado, mas ninguém bota mais medo na Libertadores do que Riquelme. O Boca tem um timinho bem meia-boca (há), e ele tem sido a salvação nos momentos de tensão. O que ele fez contra o Unión Española foi de arrepiar. O Boca precisa dele, ele sabe disso, e esse é o maior problema.

O Fluminense tem muito mais bola que o Boca. Tem Deco, Fred, Sóbis. Mas não tem Riquelme. Ele, Boca e Libertadores formam uma tríade daquelas de tirar o sono. Calafrios e pesadelos. Um capeta esse Riquelme.

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Grêmio, “panejamento”, “pôjeto” e o preço do “pofexô”

Luxemburgo no Grêmio - Foto: Reprodução / Site oficial do Grêmio

Luxemburgo no Grêmio - Foto: Reprodução / Site oficial do Grêmio

O Grêmio fez bons negócios no início da temporada. Se está jogando bem, se deu liga, é outro papo, mas não dá para reclamar que o clube não se mexeu no fim do ano. Entre outros, contratou Marcelo Moreno e Kléber, que podem formar uma boa dupla de ataque. Trouxe Marco Antônio antes de perder Douglas. Negociou Adílson, mas se reforçou com Léo Gago. Enfim, o bom elenco do ano passado ganhou umas peças bacanas para 2012.

Ah, o time mudou de técnico. Saiu Celso Roth e veio Caio Júnior. Era o nome certo? Ele encontrou o time?Pecou pelas troca seguidas na equipe? Não sei, mas tenho certeza que ele não teve tempo para trabalhar. Contratar um cara no dia 5 de dezembro e demiti-lo 77 dias depois é atestar incompetência. E, claro, jogar o atestado no colo do treinador.

Várias cartas na mesa, boatos aqui e ali, e o escolhido foi Vanderlei Luxemburgo. Porto Alegre vai receber, pela primeira vez, o “panejamento, o pôjeto do pofexô”. E aí, eu pergunto de novo: era o nome certo? Há alguns anos, eu diria que sim. Mas, hoje, a resposta é simples: não.

Ouso dizer que Luxemburgo foi um dos melhores treinadores da história do país. Foi a mente brilhante que comandou times brilhantes. Sem pensar muito, posso dizer que talvez tenha sido, depois de Telê, o técnico que eu mais gostei de ver no comando. Isso, até, digamos, o Santos de 2004. Dali em diante…

Nos últimos anos, Luxemburgo protagonizou uma sucessão de erros e equívocos bizarros no comando de tudo que é time, incluindo o Real Madrid. Ele poderia ter se eternizado, virado um daqueles anjos sagrados do futebol mundial, mas se perdeu. Os motivos, bem, vocês sabem…

Agora, é a vez de o Grêmio pagar para ver. Curioso é que uma propaganda no site oficial do clube diz que “O Grêmio tem um plano para quem vibra com o clube”. Impressiona como ainda tem gente que acredita nele, que cai na ladainha do “pôfexo”, falando de “panejamento” e “pôjeto”. A lábia e a lógica luxemburguianas são boas, quase imbatíveis na teoria, mas o preço que se paga é alto demais. Luxemburgo, também. Aliás, hoje, Luxemburgo, de graça, é caro. Espero errar nessa, mas o Grêmio já já vai sentir saudades de Caio Júnior.

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Esses jogadores e seus cabelos es…quisitos (3): Fábio Ferreira

No Corinthians (e no Grêmio), o penteado era esse…

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

No Botafogo, começou assim…

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Depois, passou a ser assim…

Foto: Agência O Globo/Cezar Loureiro
Foto: Agência O Globo/Cezar Loureiro

Aí, confesso que não tenho ideia se primeiro ficou assim…

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Ou assim…

Foto: Jorge William/O Globo
Foto: Jorge William/O Globo

Ou, ainda, assim…

Foto: Márcio Mercante/Agência O Dia
Foto: Márcio Mercante/Agência O Dia

Só sei que não dá para explicar o que, literalmente, se passa na cabeça do zagueiro o Botafogo. Fábio Ferreira usa um misto de rastafári com porco espinho com gel/gumex com trancinhas com moicano com tingimento com punk com uma total falta de noção. Mas, cabelo feio à parte, o cara vive a melhor fase da carreira no Botafogo. Vai ver que é a cabeleira quem tem intimidado os atacantes rivais. Eu, confesso, tenho medo.

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Quando o sumiço vira o assunto de um Brasil x Argentina

Mário Fernandes - Foto: Neco Varella/Freelancer

Mário Fernandes - Foto: Neco Varella/Freelancer

Agora, toda a semana, tem um Brasil x Argentina. Ok, exagero, mas, semana sim, semana não, fica sem graça. Não que esse torneiozinho mequetrefe tivesse alguma relevância, mas, ainda assim, só desvaloriza o confronto.

Pior: o que era para ser um clássico, para ter uma polêmica aqui ou ali entre os “inimigos”, virou assunto justamente pela ausência de um jogador. Nada de polêmica na convocação. Ele, Mário Fernandes, do Grêmio, foi chamado, mas resolveu não ir.

Segundo a CBF, “Mário Fernandes enviou ainda mensagem ao técnico Mano Menezes em que justifica a desconvocação por razões estritamente pessoais”. Mano respondeu, também no site oficial da entidade, ao dizer que “respeita os motivos abordados pelo jogador, mas ressalta que considera não serem os mesmos suficientes para futuras decisões envolvendo a seleção brasileira”.

Mas o mais divertido de toda a história é a sequência de fatos. Em 2009, pouco depois de ter trocado o São Caetano pelo Grêmio, no dia 13 de março, ele desapareceu. Surgiu quatro dias depois, na casa de um tio, em Jundiaí, dizendo que não iria mais para o clube tricolor. Em seguida, mudou de ideia.

Contratado pelo Grêmio como zagueiro, foi utilizado ora como lateral, ora na zaga. Teve lesões nos ombros, perdeu espaço, voltou ao time e se firmou. Ganhou a torcida, os técnicos que passaram pelo Grêmio, até ser chamado para a seleção principal.

Na segunda-feira, dia 5 de setembro, ele foi convocado para o primeiro jogo com a Argentina, o 0 a 0 sem graça no dia 14, em Córdoba. Brincou com a situação ao dizer: “Não posso sumir da seleção, né? É minha chance e espero aproveitar da melhor maneira”.

Não foi utilizado na partida, mas, depois dela, se mostrou satisfeito por fazer parte do grupo. “Quando a gente é convocado para a seleção é uma felicidade muito grande, então, é mostrar meu trabalho no Grêmio para ser convocado mais vezes.”

Aí, o cara é chamado mais uma vez, perde o voo, alega problemas pessoais e resolve não ir para a seleção. Parece piada! Mas, ainda bem que tivemos um Mário Fernandes para criar assunto antes desse Brasil x Argentina. Se não, seria a lenga-lenga de sempre. Aliás, deve ser por isso que o gremista resolveu ficar em casa…

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