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Grêmio, “panejamento”, “pôjeto” e o preço do “pofexô”

Luxemburgo no Grêmio - Foto: Reprodução / Site oficial do Grêmio

Luxemburgo no Grêmio - Foto: Reprodução / Site oficial do Grêmio

O Grêmio fez bons negócios no início da temporada. Se está jogando bem, se deu liga, é outro papo, mas não dá para reclamar que o clube não se mexeu no fim do ano. Entre outros, contratou Marcelo Moreno e Kléber, que podem formar uma boa dupla de ataque. Trouxe Marco Antônio antes de perder Douglas. Negociou Adílson, mas se reforçou com Léo Gago. Enfim, o bom elenco do ano passado ganhou umas peças bacanas para 2012.

Ah, o time mudou de técnico. Saiu Celso Roth e veio Caio Júnior. Era o nome certo? Ele encontrou o time?Pecou pelas troca seguidas na equipe? Não sei, mas tenho certeza que ele não teve tempo para trabalhar. Contratar um cara no dia 5 de dezembro e demiti-lo 77 dias depois é atestar incompetência. E, claro, jogar o atestado no colo do treinador.

Várias cartas na mesa, boatos aqui e ali, e o escolhido foi Vanderlei Luxemburgo. Porto Alegre vai receber, pela primeira vez, o “panejamento, o pôjeto do pofexô”. E aí, eu pergunto de novo: era o nome certo? Há alguns anos, eu diria que sim. Mas, hoje, a resposta é simples: não.

Ouso dizer que Luxemburgo foi um dos melhores treinadores da história do país. Foi a mente brilhante que comandou times brilhantes. Sem pensar muito, posso dizer que talvez tenha sido, depois de Telê, o técnico que eu mais gostei de ver no comando. Isso, até, digamos, o Santos de 2004. Dali em diante…

Nos últimos anos, Luxemburgo protagonizou uma sucessão de erros e equívocos bizarros no comando de tudo que é time, incluindo o Real Madrid. Ele poderia ter se eternizado, virado um daqueles anjos sagrados do futebol mundial, mas se perdeu. Os motivos, bem, vocês sabem…

Agora, é a vez de o Grêmio pagar para ver. Curioso é que uma propaganda no site oficial do clube diz que “O Grêmio tem um plano para quem vibra com o clube”. Impressiona como ainda tem gente que acredita nele, que cai na ladainha do “pôfexo”, falando de “panejamento” e “pôjeto”. A lábia e a lógica luxemburguianas são boas, quase imbatíveis na teoria, mas o preço que se paga é alto demais. Luxemburgo, também. Aliás, hoje, Luxemburgo, de graça, é caro. Espero errar nessa, mas o Grêmio já já vai sentir saudades de Caio Júnior.

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O que você poderia comprar com o novo salário de Eto’o

Samuel Eto'o, um zilionário no futebol - Foto: AP

Samuel Eto'o, um zilionário no futebol - Foto: AP

Samuel Eto’o trocou a Inter de Milão pelo Anzhi Makhachkala. Não tem nada de futebolístico na transferência: ela só se concretizou por causa da grana.

Segundo a agência AP, o atacante vai receber a mixaria de US$ 29 milhões por temporada, cerca de R$ 47 milhões por ano. Dinheiro de pinga, diria o outro.

(Abre parênteses: o clube desmentiu os valores, mas isso não vai atrapalhar na minha brincadeira)

Só para ter ideia de como a grana é alta, Cristiano Ronaldo recebe US$ 17,4 milhões (cerca de R$ 28 milhões) no Real Madrid, e Lionel Messi ganha US$ 15,2 milhões (R$ 24,5 milhões) do Barcelona. Dá pra fazer uma bela feira, diria aquele outro.

Comparando com os esportes americanos, no quesito salário (não entram os contratos publicitários), Eto’o só receberia menos do que Alex Rodriguez, jogador de beisebol, estrela do New York Yankees, com um salarinho humilde de US$ 32 milhões por temporada (quase R$ 52 milhões).

Bom, em meio a toda essa grana, o site KCKRS.com fez uma lista sobre cinco coisas que Eto’o poderia comprar com a bolada que vai receber:

– um Chinook, aquele helicóptero de guerra dos EUA, com o objetivo de morar em Moscou e viajar para Makhachkala a cada jogo da equipe

– 128.888 ingressos para a temporada do Blackburn no Campeonato Inglês

– contratar 209 jogadores da MLS, a liga americana de futebol, como seus empregados, baseado na média salaria de R$ 138.169 revelada pela entidade

– 690 ridículos relógios feitos por designers

– patrocinar a camisa do Arsenal por três temporadas e meia, já que a Emirates desembolsa £ 5 milhões por ano para estampar sua marca no uniforme do clube

Pensando nisso, fiz uma listinha simples aqui com o que você poderia fazer com a grana de Eto’o, apenas nesse fim de ano:

– levar 78.333 pessoas para assistir ao show de Britney Spears no Anhembi, com ingressos a R$ 600

– no valor de R$ 2.599, comprar 18.083 iPads 2 de 64GB,  com Wi-Fi + 3G; se for na humildade, por R$ 1.649, dá para adquirir 28.502 iPads 2 de 16GB, só com Wi-Fi

– desembolsando R$ 80 mil, alugar o Pacaembu para 587,5 jogos de futebol entre amigos

– pelo valor de R$ 585 (setor Premium com adicional de comidinhas e estacionamento VIP), assistir 80.341 vezes o espetáculo Varekai, do Cirque du Soleil, que estreia em breve no Brasil

– pagando R$ 79 por um ingresso na bilheteria, mais R$ 105 para pular de bungee jump, mais R$ 30 de estacionamento, ir 219.626 dias – ou 601 anos – seguidos no Hopi Hari (sem pedágio)

Tudo isso para dizer: deve ser bacana ser Eto’o por um dia, não?

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Lukaku, o Chelsea e uma história de cinema

Lukaku deixa o Anderlecht e realiza sonho no Chelsea - Foto: PA

Lukaku deixa o Anderlecht e realiza sonho no Chelsea - Foto: PA

Quem joga videogame, especialmente Pro Evolution Soccer, já deve ter ouvido falar de Romelu Lukaku. Atacante belga, de 18 anos, ele sempre está com um preço baratinho na Master League. Tem a vantagem de ser novo e crescer de rendimento rapinho. Canhoto, meio trombador, meio velocista, sósia de Didier Drogba, é certeza de bom investimento.

Assim deve ter pensado o Chelsea, que contratou a jovem promessa do Anderlecht, da Bélgica. Mal sabia o clube inglês que estava realizando um sonho de Lukaku.

A história é sensacional. No ano passado, a emissora de TV Eén realizou uma espécie de reality show tendo Lukaku como tema, chamado “De School Van Lukaku”, algo como “A Escola de Lukaku”. Por um ano, a produção seguiu os passos do jogador e de seus companheiros na Saint-Guidon Institute, escolha que abriga os atletas das categorias de base do Anderlecht.

Em um dos capítulos, em 2009, a patota foi para Londres, visitar justamente o Stamford Bridge, estádio do Chelsea. Por pouco mais de 1min, a câmera fica em Lukaku, então com 16 anos, embasbacado com o lugar. As frases que se seguem são geniais:

“Me dê uma bola, eu ficarei jogando aqui por cinco horas.”

“Que estádio. O dia que eu estiver jogando neste aqui será o único dia na minha vida eu chorar.”

A mais legal delas está guardada para o final, quando uma espécie de inspetor de aluno vem falar com Lukaku, meio que o chamando para ir embora:

“Sonho? Não estou sonhando. Um dia eu vou jogar aqui. Tenho certeza.”

Dito e feito. Lukaku vai jogar ali em breve, muito breve. Fatalmente, sua história vai virar especial de televisão ou, no mínimo, um curta-metragem. Se bem conheço o fanatismo inglês, o belga precisa de uma, duas boas temporadas para virar até tema de livro. Mas, independentemente do que acontecer, sua história já está mais do que escrita. História de cinema.

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