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“LAZIO MERDA”: o esquecível Michel Bastos inesquecível para Roma e Lazio

Michel Bastos e a faixa da idolatria – ou discórdia – Foto: Twitter

Michel Bastos é um daqueles caras esquecidos na história. Tente lembrar todos os convocados para a Copa de 2010. Se faltou algum, pode apostar que é ele. E se, daqui alguns dias – semanas, meses ou anos, tanto faz -, você refizer a lista, pode acreditar: ele sumirá de novo da sua memória.

Lateral de velocidade, arrancada, chute potente e preciso, virou uma espécie de ponta na Europa, aquele meia com cara de ponta que joga aberto na segunda linha de quatro homens. Assim, se deu bem na França, onde chegou depois de voar no Figueirense. Do Lille para o Lyon – e para a Copa -, do Lyon para o Schalke 04, de lá para ganhar uma grana no Al Ain. Bolso em dia, veio a Roma.

A apresentação não foi preparada para ser das mais pomposas, mas ser visto e aplaudido pela torcida antes de um clássico contra a Juventus não é de se jogar fora. Aí veio a bomba, o primeiro canhão de Michel Bastos na Roma. Visto, ok. Aplaudido? Digamos, ovacionado. E, claro, execrado.

Com um cachecol escrito “LAZIO MERDA”, (devidamente em letras maiúsculas ou, se preferir, com o CAPS LOCK ligado) ele virou uma espécie de ídolo instantâneo da torcida romana. Afinal, chegar xingando o arquirrival publicamente é, sim, para poucos.

A Roma se desculpou, disse que o cachecol foi jogado pela torcida, e que o jogador o mostrou a todos sem ver o que estava escrito. Posso até acreditar, mas não é necessário ser nenhum estudioso de italiano, muito menos de português, para saber que “LAZIO MERDA” é “LAZIO MERDA” do Coliseu ao Oiapoque.

Se rolou uma idolatria de um lado, é fato que Michel Bastos terá sérios problemas com o outro. Além da rivalidade intensa, a seção fascista dos torcedores azuis, os temidos e inconsequentes Irriducibili, já deve ter espalhado a imagem da apresentação por tudo que é canto. Lembrando que o jogador é negro, a coisa pode ser ainda pior. “Procurado vivo ou morto”, manja? Tenso!

Torcida à parte, a minha é para que Michel Bastos jogue muita bola, se firme na Roma e vire ídolo por lá, boleiristicamente falando. E que a frase fique esquecida na história. Falando em esquecida, alguém se lembra dos 23 convocados por Dunga em 2010? Faltou um? Uma dica: joga na Itália, é ídolo romanista e inimigo laziale.

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Seedorf, a estrela solitária

O futebol e o mundo precisam de mais Seedorfs - Foto: Vitor Silva / SSPress

O futebol e o mundo precisam de mais Seedorfs – Foto: Vitor Silva / SSPress

Sou fã daqueles jogadores que são mais do que jogadores, daqueles que sabem que o futebol – ou qualquer outra coisa que mexe com o coração – é maior do que a arte em si, daqueles que entendem que bola, campo e, até mesmo, gol, é apenas parte de um mundo muito maior. Seedorf é um desses caras.

Perceber a sua grandiosidade sem soberba é outra virtude que me chama a atenção. Posso saber que sou bom, muito bom mesmo, mas a maneira como encaro as minhas qualidades pode jogar tudo por água abaixo.

Entender que viver o futebol, um clube, e a paixão toda que o envolve, é muito mais do que beijar o escudo na apresentação, ou fazer um gol e ir pra galera, repetindo gestos tradicionais das organizadas. Isso é publicidade barata, pobre, rasa. Viver a paixão do futebol é dar ao torcedor a sensação de que o ingresso valeu cada gota de suor derramada. Dane-se a vitória ou a derrota, viver a paixão do futebol é se doar, com o perdão do clichê, de corpo e alma.

Mais ainda: é saber que tem gente ali do seu lado que precisa de você. É ter humildade para dar ouvidos a quem precisa falar. É ter consciência de que o aprendizado é eterno, mesmo quando seu papel é de professor.

E, no meio disso tudo, rir, se divertir, curtir. Quem sabe, chorar.

“Na vida, quando a oportunidade vem, você tem que pegar. E o futebol dá muitas oportunidades de crescer como profissional e como homem. O que construímos aqui juntos é o que me dá tranquilidade para este novo desafio. Cada um de vocês me fez pensar e raciocinar. Agradeço a todos pelo apoio e por aceitarem meu jeito de ser. O mais importante foi a mentalidade que construímos. Meu sonho é sempre ver esse espírito vencedor. Tinha muita vontade de ajudar mais e tenho orgulho de ter feito parte deste grupo.”

Seedorf aproveitou todas as oportunidades que teve não apenas em campo, mas muito mais fora dele. Desbravou o Brasil de uma maneira inesperada, em um clube inesperado. É, acima de tudo, um cara diferente. O adeus emocionado comprova isso: ele é uma estrela. Uma estrela solitária.

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Santos não ganha doce por Damião e fica com dívida salgada

Se eu te ofereço um acordo que é bom para mim e ruim para você, e você aceita, quem vacila na história? Leandro Damião acertou com o Santos via a parceira Doyen Sports. Até aí, normal. O problema é que, o que todo mundo achava que seria de graça, na verdade, terá um custo salgado. Bola à parte, o papo aqui é grana, meu filho.

A matéria da intrépida Camila Mattoso no ESPN.com.br, “Santos vai ter de pagar por Leandro Damião, diz Doyen Sports”, é elucidativa. Pior, mostra o que já estava escancarado: em nota oficial, a parceira santista disse, em outras palavras, que não há nada de graça nesse mundo, e que o atacante só desembarcou na Vila Belmiro porque uma quantia vultuosa foi emprestada ao clube. O valor: míseros R$ 42 milhões, quantia é gigantesca, estratosférica.

Damião não vive grande momento e, de esperança de gols na seleção e candidato a 9 no Brasil na Copa, virou reserva no Inter. Ou seja, grana “braba” por um artilheiro que não tem arrancado suspiros há tempos. Parece um negócio fadado ao fracasso.

Claro, o objetivo de Damião é comer a bola e reconquistar Felipão. Convocado para a Copa, a meta é fazer gols no Mundial. Se isso se concretizar, o mercado europeu vai abrir os olhos e, principalmente, o bolso. O que fica no ar é que o Santos trabalha não para lucrar – lembremos, muito, mas muito mesmo do futebol é negócio -, mas para, no mínimo, se recuperar do “prejuízo”.

Obviamente, torço para que ele se recupere e voe na Vila. Mas o que me deixa encucado é que tem o Santos que torcer para que muitos “ses” aconteçam para que a conta se feche. Conta essa que está longe de ser barata ou fácil de ser quitada. De acordo com levantamento do ESPN.com.br, apenas 10 jogadores na história foram vendidos para o exterior por um valor maior que os R$ 42 milhões de Damião. Tenso, muito tenso.

Quando anunciada, a contratação de Damião pareceu um doce na boca dos santistas. Aos poucos, o sabor parece que vai mudando.

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Chegou a hora de vender o Brocador e, quem sabe, já esperar pela sua volta

Hernane Brocador rumo ao "mundo árabe" - Foto: Divulgação/Fla Imagem

Hernane Brocador rumo ao “mundo árabe” – Foto: Divulgação/Fla Imagem

Origem: Emirados Árabes. Destino: Al Jazira. Proposta: 6 milhões de euros, quase R$ 20 milhões. Flamengo vende ou não vende Hernane, o Brocador? Eu bateria o martelo na hora, sem pensar duas vezes.

O atacante fez uma bela campanha em 2013, muito, muito além de qualquer expectativa. Foi, com certeza, um dos ídolos mais improváveis do futebol nacional. Agora, bate à porta uma fortuna: é hora de vender. E, como a idolatria e os gols mexeram com a galera, já faria a coisa pensando em trazer o artilheiro de volta.

A multa para contratar Brocador é de 8 milhões de euros, a proposta é de 6. O clube receberia 50% disso, coisa de R$ 9 milhões e uns bons quebrados. A outra metade ficaria com um grupo de empresários. Ou seja, ele furou tanto que encontrou uma mina de ouro. É a tal da chamada “proposta irrecusável”.

Justificar uma venda dessa é simples. Venhamos e convenhamos, sabe-se lá até quando vai o momento iluminado do artilheiro. Boa fase todo atacante tem. Anos e anos de gols e mais gols são privilégio para poucos. O que mais se vê são artilheiros de ocasião, de bons seis meses e trocentos temporadas de uma carreira irregular. Brocador tem tudo para ser mais um exemplo.

Obviamente, posso estar errado. Brocador pode ser uma das melhores coisas do futebol nacional nos últimos anos? Pode. Aí, acontece o movimento natural de todo jogador que vai para o “mundo árabe”, esse espaço físico único no globo terrestre: volta. E volta, olha só, para o Flamengo. Simples.

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Bayern, um time que não precisa de nada

Campo de futebol em branco; que pena do torcedor do Bayern - Foto: Ricardo Zanei

Campo de futebol em branco; que pena do torcedor do Bayern – Foto: Ricardo Zanei

Janeiro, época em que o mercado de transferências pega fogo. Eu fazia listas de jogadores que eu queria que meu time contratasse. Fazia duas, pelo menos: a real e a dos sonhos. Zidane cairia bem com a 5 na maiúca no Morumbi, não? Chegaria até de helicóptero. Recepção de gala. Sonho meu.

Imagino o torcedor do Bayern de Munique fazendo a sua lista de desejos. Aquela folha em branca, bonitinha, limpa, esperando para ser rabiscada, para receber campinhos e esquemas táticos imaginários e nada. Nada.

Goleiro? Neuer. Defensores? Lahm, Rafinha, Dante, Boateng, Alaba, Van Buyten, Badstuber, Contento. Meias? Sério, é sacanagem brincar com Javi Martínez, Shaqiri, Schweinsteiger, Kroos, Thiago Alcântara, Gotze. Atacantes? Ribéry, Robben, Muller, Mandzukic, Pizarro e, a partir do meio do ano, Lewandowski, desnecessária cereja no bolo.

Se o técnico fosse uma tranqueira, teria aquela dose de emoção. Mas nem isso. Um time desse comandado pelo mais badalado, consagrado e outros “ados” treinadores do planeta, Pep Guardiola. Coisa de videogame.

Qual é a graça? Meu time precisa de trocentos reforços. Trocentos e um, para ser mais exato. Esse aí, não precisa de nada. Absolutamente nada.

Sinto pena da folhinha em branco.

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O dinheiro e a bola: Bayern, reforços, traidores e mercenários

Mario Gotze brilhou com a camisa do Borussia Dortmund. Foi para o Bayern. Robert Lewandowski idem e idem. Trocar um time para um rival é sempre complicado para quem sai, delicioso para o time que compra. Quando se tira não um, mas dois craques do adversário, a complicação é dobrada para um lado. A festa, para o outro, é infinita.

Primeiro, o lado do Dortmund. A venda de Gotze foi simples: o Bayern pagou e levou. A de Lewandowski foi doída. Saiu de graça, seis meses antes do fim de seu contrato. Requintes de crueldade.

Para o torcedor do Borussia – pasmem, convivo com alguns deles -, a sensação é a mesma. Traidores. Mercenários.

Para o torcedor do Bayern – idem sobre o pasmem acima -, a sensação é a mesma. Novos ídolos chegando. Êba!

A coisa toda, no fundo, é extremamente simples. Quem manda é o dinheiro. Sou forte e tenho dinheiro no bolso (não necessariamente nessa ordem). Sou bem forte, ganho tudo, e multiplico a minha fortuna. Mesmo sendo gigante, sempre tem alguém que pode me atrapalhar. Atrapalhou, abro a carteira. Fim de papo. Craques adversários só são adversários por um tempo.ç Logo menos, estão do meu lado. Poder financeiro, poder boleiro, não necessariamente nessa ordem.

O caso Dortmund é o mais claro exemplo. É o time que conseguiu rivalizar com o gigante de Munique nos últimos tempos. Bateu de frente, de igual para igual. O preço pago por isso é alto, a revanche se dá fora do campo, com reflexo nele. Paguei para ter Gotze, há, agora você vai se dar mal. Sério que esse tal de Lewandowski está me importunando? Pois bem, vou jogar com a regra e tirá-lo daí, mas quem mandou me encher o saco: agora, será sem gastar nenhum tostão. Há de novo! Quem riu por último agora, Muralha Amarela? Ouse passar pelo meu caminho de novo, que eu vou aí e tiro mais um. Ou dois, quem sabe. Pra quem tirou dois do seu lado, qual é o limite?

Não há limite. Enquanto o Bayern tiver dinheiro e ganhar títulos, pode se tornar – se já não é – uma espécie de galáctico alemão. Um novo Real Madrid à la Florentino Pérez? Vai saber. Só fico mal pelos rivais de Munique. Uma pena.

P.S.: Matéria do ESPN.com.br explica bem como o Bayern “rouba” craques dos rivais, não só do Dortmund.

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São Paulo procura técnico desde outubro, mas precisa de um presidente há muito tempo

Emerson Leão é demitido do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão é demitido do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão chegou ao São Paulo em outubro do ano passado, inicialmente com um contrato de dois meses. Mais de oito meses depois, ele é demitido do cargo. Minha opinião sobre isso se mantém intacta, é a mesma de “São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?”, texto que publiquei aqui no blog na data da contratação.

Leão não conseguiu transformar o São Paulo em um time, equipe. Acho que o principal problema foi a ausência de habilidade do treinador no que deveria ser sua especialidade, ou seja, treinar. Sabe aquele lance de prazo de validade? Pois é, deve ser por isso. O choque na chegada camufla os erros táticos, mas, a longo prazo, eles vão aparecendo. No caso do São Paulo, está escancarado que o time não tem o mínimo de organização.

Quando o São Paulo contratou Leão, minha impressão era que o clube continuava atrás de um técnico. Aliás, em todo o seu período no clube, o ex-goleiro nunca teve um apoio maciço da diretoria, alguém que batesse na mesa e deixasse o cara trabalhar em paz. Pelo contrário, o treinador foi sabotado ali dentro em várias oportunidades. A mais clara delas foi o caso Paulo Miranda, que evidenciou a total falta de comando do clube.

E é aí o grande problema. Dane-se quem será o próximo treinador. Na verdade, o principal problema do São Paulo é o seu presidente. Juvenal Juvêncio ficou completamente entorpecido pelo poder. Perdeu o foco com a ausência do Morumbi na Copa do Mundo de 2014 e, dali para a frente, seu mandato degringolou. Mandato, aliás, perpetuado graças a uma manobra jurídica. Ou seja, tudo errado.

O São Paulo já foi, sim, um clube de vanguarda no assunto administração. Deu a cara para bater contra mandos e desmandos aqui e ali, achou soluções criativas para uma série de assuntos cá e acolá. Mas isso faz tanto tempo que parece estar num passado distante, quase esquecido.

Hoje, o São Paulo passa por uma crise política das mais graves de sua história. Nau à deriva. No comando, cambaleante, mas com um nariz empinado que só o dele, está lá Juvenal, impassivo, “soberano”. E é aí, por se achar tão “soberano” assim, slogan que estampou o tricampeonato brasileiro, que o dirigente se afundou. E vem afundando o time junto com ele.

Desde outubro o São Paulo procura um novo técnico. Mas, sinceramente, o buraco é mais embaixo. Ao invés de trocar de treinador, o clube deveria procurar uma renovação política e mudar, principalmente, de presidente, de diretoria. Se um dia, o sonho é voltar a ser vanguardista, tem que dar o primeiro passo agora. Arrumar a casa é o primeiro ato para arrumar o futebol. Sem Juvenal e sem tanta gente que já passou do tempo por ali.

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

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