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MMA na moda: Chael Sonnen vira “Tio Sam” em camiseta

Tio Sam, quem diria, virou "Tio Sonnen" - Foto: Divulgação

Tio Sam, quem diria, virou "Tio Sonnen" - Foto: Divulgação

Confesso que eu não tinha visto e sei que a notícia é velha, bem velha, mas achei bacana e digna de considerações. Principalmente pelo MMA chegar a esse ponto de popularização.

Tio Sam é um dos símbolos mais famosos da história dos EUA. Agora, quem diria, pode ser chamado de “Tio Sonnen”.

Chael Sonnen já desafiou Anderson Silva em tudo que é entrevista e mídia social. A falácia invadiu até o mundo da moda, em uma camiseta, digamos, descolada. Para os fãs do americano, ela pode ser comprada na MMA Warehouse por US$ 29,99 (cerca de R$ 52).

A loja entrega no Brasil. Simulei a compra e, por salgados US$ 31,75 (cerca de R$ 55) ou US$ 40,95 (cerca de R$ 70), você recebe em sua casa. Quer dizer, há o risco de a Alfândega brecar a entrega e cobrar uma nova taxa para que você retire nos Correios. Ou seja, você aí, torcedor do Sonnen que quiser a iguaria, vai ter que abrir a carteira!

O que realmente chamou minha atenção foi ver Sonnen com a camisa. De “Tio Sonnen” no peito, falou que Anderson “não é um lutador”, que só “pensa em dinheiro” e ainda comparou o brasileiro a Mike Tyson, que tem números expressivos, “mas nunca lutou contra ninguém”.

Não sei em que pé andam as vendas, mas fico curioso para saber como o MMA, ainda marginalizado – o preconceito continua -, chegou ao ponto de usar um dos símbolos nacionais dos EUA para promover um lutador.

Claro que, com a internet, eu, você e qualquer criança com o mínimo de noção pode brincar com uma foto e estampar aquela imagem em uma camiseta. Agora, quando o negócio é oficial, quando o próprio Sonnen veste a camisa, é sinal que a coisa é bem mais séria.

Fico pensando se o UFC ou os patrocinadores de Anderson não pensam em fazer algo semelhante por aqui. Não tenho nenhuma sugestão, mas, pelas minhas peregrinações pelos UFCs (uma Fan Expo em Las Vegas e as duas edições no Rio), deu para perceber que a procura por qualquer item, de camiseta a chaveiro, passando por réplicas de cinturões, é absurda. E olha que os preços estão longe de ser acessíveis.

Se eu compraria uma camiseta esperta de Anderson? Não sei. Teria de ser bem legal e por um preço bem camarada. Acho a camiseta de Sonnen sensacional como símbolo de cultura pop, mas também não a compraria. Afinal, jornalista tem de ser imparcial, certo?

P.S.: Silva x Sonnen? VAI SILVA!

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Minotauro, uma entrevista e um fato: os brutos também amam

Minotauro e seu bulldogue, Temaki - Foto Jorge Bispo/Trip

Minotauro e seu bulldogue, Temaki - Foto Jorge Bispo/Trip

Desde agosto, quando o UFC aconteceu no Rio, o MMA, ou melhor, os lutadores brasileiros, viraram celebridades. Primeiro, foi Anderson Silva, que apareceu na TV em tudo que é programa, além de estampar inúmeros comerciais. José Aldo, Shogun, idem. Agora, Junior Cigano. E, por fim, Minotauro.

O MMA foi alçado, enfim, a esporte. Isso, claro, traz trocentas leituras. Pretendo, claro, debater tudo que é ponto de vista aqui e expor o meu, que, pasmem, pode mudar se alguém tiver uma visão melhor que a minha. Uma coisa, é fato: se tivesse brasileiro só apanhando seria essa festa? Talvez não e, com certeza, não chegaria à TV aberta na Globo.

Brasileiros em alta são um prato cheio para qualquer emissora de TV. O vôlei, que ganha tudo, passa na TV aberta, não? Bem ou mal, sim. O basquete, que não ganha nada há décadas, foi sumindo. O futsal, desde Manoel Tobias e passando por Falcão, é uma festa nas manhãs de domingos, bem como o futebol de areia e o vôlei de praia, modalidades moldados para a TV. É de se pensar.

Mas a exposição desses caras na TV tem um lado positivo: desmistifica. Um lutador de MMA não é um super-herói, não tem superpoderes, não é um ser mitológico, nem quando seu apelido é Minotauro. Por acaso, vi ontem a entrevista do lutador baiano no programa da Marília Gabriela, no GNT. Não sei quando foi ao ar originalmente, mas foi bem legal.

Minotauro comemora nocaute sobre Schaub no Rio - Foto: TV/Arte

Minotauro comemora nocaute sobre Schaub no Rio - Foto: TV/Arte

Marília Gabriela é a melhor “perguntadora” desse país. E tem, a seu favor, o enorme qualidade de ouvir o que o entrevistado fala. Ela cria um clima leve, de bate papo, mas, ao mesmo tempo, tem a habilidade de bater quando tem que bater, ou de falar coisas que nenhum outro falaria.

Com Minotauro, não foi diferente. Pelo lado esportivo, Marília Gabriela arrancou de Minotauro confissões do tipo “passei muito tempo sem assistir a uma luta” e “já fiquei de saco cheio de lutar”. Mas é o lado pessoal que me chama a atenção: por exemplo, alguém aí já disse que ele tem as mãos mais lisas que as suas? Alguém aí já perguntou como é o lado feminino de um cara que vive e respira um ambiente predominantemente masculino? Ou alguém comentou sobre a foto de um brutamontes com um cachorrinho no colo, e o gigante ficou todo feliz com isso?

Foi uma bela entrevista e um exemplo de como tirar o lado super-herói que paira sobre os lutadores de MMA. Os caras são como qualquer outro esportista: tem casa, amigos, família, namoradas e, claro, um cachorro amigão chamado “Temaki”. Os brutos também amam? Sim, e dão boas entrevistas quando as perguntas certas são feitas.

P.S.: O link para um trechinho da entrevista de Minotauro com Marília Gabriela está no site do GNT. Acho que o pedacinho foi mal escolhido, poderia ser coisa melhor, mas dá uma palinha de como foi o papo.

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Ou o futebol está ficando chato, ou eu estou ficando velho e ainda mais chato

Obra Bola Murcha, de Vik Muniz, 1989 - Foto: Divulgação

Obra Bola Murcha, de Vik Muniz, 1989 - Foto: Divulgação

Demorei para escrever sobre algumas coisas apenas por causa dos jogos da Liga dos Campeões, que começou nesta terça-feira. A competição sempre foi uma das minhas preferidas, daquelas de arrepiar. Mas, dessa vez, nada aconteceu.

Tenho achado o futebol chato demais. Claro, lances geniais de caras como Messi e Neymar são sensacionais, mas são exceções. E eu também não espero que todo jogador seja sensacional. A regra é ter muito jogador médio para poucos acima da média. É assim em toda a profissão, não?

Independentemente disso, a coisa toda está perdendo a graça. Ir ao estádio se tornou um martírio. Minha última experiência foi tão maçante, o jogo em si foi tão sem sal nem açúcar que, ao fim da noite, eu estava mais puto do que feliz. Em casa, o ritual também não se parece tão bacana: ficar duas horas em frente à TV para ver alguns segundos legais tem me soado como desperdício de tempo.

Claro, acompanho o meu time de coração, fico ansioso quando ele está em campo, mas é curioso que sinto mais emoção quando não sei nada do jogo do que quando estou assistindo à partida. Por isso, esperei a Liga, para ver se a magia que estava indo embora era apenas relacionada ao futebol nacional, ou já estava em águas internacionais.

Ao ver o Barcelona em campo, sempre se espera um show de bola. Criou-se o inconsciente coletivo de que o time é uma máquina (no bom sentido) de jogar bola. Mas tem gente que esquece que são jogadores, e não robôs, que estão ali. Tem dia que as coisas não dão muito certo, tem dia que dá tudo errado. É assim comigo, com você, com o Messi…

Barcelona x Milan foi um jogo, digamos, bom. Foi legal o Milan ter feito 1 a 0 com 24 segundos para dar aquela movimentada. Os espanhóis, como sempre, tiveram uma posse de bola absurda, mas as coisas não estavam rolando ontem. Iniesta passou mal e saiu, Xavi parecia não achar para quem passar a bola, Messi estava bem marcado. Enfim, nada de muito sensacional acontecia.

Aí Messi foi o único a acreditar em um lance perdido, e o Barça empatou. Villa acertou uma daquelas cobranças de falta espetaculares e virou. E foi aí que eu tirei vantagem de trabalhar em casa e, por volta de 35min, cochilei. Acordei com os caras se cumprimentando, crente que o Barça tinha vencido. Aí vejo o placar, vejo que empatou, vejo o gol de Thiago Silva nos acréscimos. Para alguns, deve ter sido um jogo sensacional, loucura total. Para mim, acho que o cochilo foi providencial e que não perdi muita coisa.

Por outro lado, outros esportes me trazem sentimentos muito mais divertidos e marcantes do que o futebol atual. Por exemplo:

– Ainda não sei descrever a emoção que eu senti ao ver o UFC Rio ao lado do meu sobrinho amado, todo o clima, toda a atmosfera, enfim, tudo que aconteceu foi mais do que sensacional.

– A abertura da temporada da NFL foi algo genial, tensão a cada lance e um show de bola entre Green Bay Packers e New Orleans Saints.

– Depois desse jogo, quem disse que eu conseguia dormir à espera da abertura da Copa do Mundo de rúgbi? Confesso que o sono me venceu mais de 6h da matina, mas tive a chance de ver, ao vivo, o comecinho de Nova Zelândia x Tonga. Dormir ao som do haka é dormir rejuvenescido!

– Aí vem o sábado, aniversário da sobrinho, e vejo o finzinho de Brasil x República Dominicana. Vai dizer que não foi emocionante ver aquela molecada vibrando como criança com o tão sonhado sonho olímpico?

– Alguém viu o pega entre Lewis Hamilton e Michael Schumacher no GP de Monza? Animal!

– Passa o domingo, volto para casa na madrugada de segunda, e me vejo vibrando com a vitória, sim, vitória do meu Buffalo Bills na estreia. Yeah, baby!

– Vem a segunda, e Djokovic e Nadal protagonizam um dos maiores jogos da história (da minha história, com certeza). Foi mais do que um jogo de tênis: um tirava um golpe da cartola e recebia em troca um golpe ainda mais espetacular. A final virou um show de mágica. Inesquecível.

– Saio para jantar com a namorada, chego em casa a tempo de perceber que estou xingando Kyle Orton, quarterback do Denver Broncos, por ser um mané em campo. Não tenho nenhuma ligação com o Denver, mas eu só queria ver mais um pouquinho do jogo contra o Oakland Raiders. Problemas de proteção ao quarterback à parte, queria mesmo que Orton levasse o time ao empate, apenas para eu acompanhar a prorrogação. Mané!

– E aí vem o Barça, eu durmo no fim e nem fico meio assim em ter perdido o gol de empate…

Não sei se vocês perceberam, eu evito falar de futebol aqui, mesmo sendo o esporte que me acompanha desde que eu lembro de alguma coisa e que me levou para a faculdade, para o jornalismo e para essa minha carreira de estonteante sucesso. Existem zilhões de blogs mais gabaritados para falar de futebol, existem muitas grifes mais famosas para comentar sobre o assunto. Não espero que alguém entre aqui para saber o que achei da rodada, se Messi é um gênio mesmo sem brilhar na Argentina, blábláblá. Não vou entrar nessas discussões (aliás, as mesas redondas e os politicamente corretos estão cada vez mais malas, não?).

O fato é que o futebol não me emociona mais como antes, enquanto esportes como basquete, futebol americano, MMA e tantos outros me fazem sorrir. Não sei o que acontece, mas, das duas, uma: ou o futebol está ficando chato, ou eu estou ficando velho e chato demais para o futebol.

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Ah, se valesse dinheiro: UFC Rio e meus palpites

Minotauro atropela Schaub no UFC Rio - Foto: Divulgação

Minotauro atropela Schaub no UFC Rio - Foto: Divulgação

Na sexta-feira, deixei meus pitacos sobre o UFC Rio aqui. Acabei de fazer a contagem dos votos. Segue a apuração:

CARD PRINCIPAL

Anderson Silva vs Yushin Okami (Médio – Disputa de cinturão)
PALPITE: Spider nocauteia no primeiro round
VIDA REAL: Spider por nocaute no segundo round
PLACAR: Quem levou? Zanei 1 a 0. Como levou? Zanei 0 x 1

Mauricio “Shogun” Rua vs Forrest Griffin (Meio-Pesado)
PALPITE: Luta complicada, mas vou de Shogun, nocaute no segundo
VIDA REAL: Shogun por nocaute no primeiro round
PLACAR: Quem levou? Zanei 2 a 0. Como levou? Zanei 0 x 2

Rodrigo Minotauro vs Brendan Schaub (Pesado)
PALPITE: Quero muito que o Minotauro ganhe, mas é difícil também; vamos lá, Minotauro, por imobilização, no terceiro round
VIDA REAL: Minotauro por nocaute no primeiro round
PLACAR: Quem levou? Zanei 3 a 0. Como levou? Zanei 0 x 3

Edson Barboza vs Ross Pearson (Leve)
PALPITE: Vai Brasil! Fenômeno no primeiro round
VIDA REAL: Barboza em decisão dos juízes
PLACAR: Quem levou? Zanei 4 a 0. Como levou? Zanei 0 x 4

Luiz “Banha” Cané vs Stanislav Nedkov (Meio-Pesado)
PALPITE: Taí uma luta que vai acabar cedo, e eu não faço ideia de quem vai ganhar; acho que nessa não dá Brasil: Nedkov no segundo
VIDA REAL: Nedkov por nocaute no segundo round
PLACAR: Quem levou? Zanei 5 a 0. Como levou? Zanei 1 x 4

CARD PRELIMINAR

Thiago Tavares vs Spencer Fisher (Leve)
PALPITE: Tavares, em três rounds
VIDA REAL: Tavares por nocaute no segundo round
PLACAR: Quem levou? Zanei 6 a 0. Como levou? Zanei 1 x 5

Paulo Thiago vs David Mitchell (Meio-Médio)
PALPITE: Thiago, em três rounds
VIDA REAL: Thiago em decisão dos juízes
PLACAR: Quem levou? Zanei 7 a 0. Como levou? Zanei 2 x 5

Erick Silva vs Luis “Beição” Ramos (Meio-médio)
PALPITE: Acho que dá Beição, por pontos
VIDA REAL: Erick por nocaute no primeiro round
PLACAR: Quem levou? Zanei 7 a 1. Como levou? Zanei 2 x 6

Rousimar “Toquinho” Palhares vs Dan Miller (Médio)
PALPITE: Toquinho, em três rounds
VIDA REAL: Toquinho em decisão dos juízes
PLACAR: Quem levou? Zanei 8 a 1. Como levou? Zanei 3 x 6

Felipe “Sertanejo” Arantes vs Yuri “Marajó” Alcantara (Pena)
PALPITE: A luta com os melhores nomes da noite poderia terminar empatada, mas Marajó leva
VIDA REAL: Marajó por pontos
PLACAR: Quem levou? Zanei 9 a 1. Como levou? Zanei 4 x 6

Ian Loveland vs Yves Jabouin (Galo)
PALPITE: Loveland em dois rounds
VIDA REAL: Jabouin em decisão dividida dos juízes
PLACAR: Quem levou? Zanei 9 a 2. Como levou? Zanei 4 x 7

Raphael Assunção vs Johnny Eduardo (Galo)
PALPITE: Luta para três rounds, vitória apertada de Raphael
VIDA REAL: Raphael em decisão dos juízes
PLACAR: Quem levou? Zanei 10 a 2. Como levou? Zanei 5 x 7

PLACAR FINAL

12 lutas, Zanei Dinah acertou o vencedor em 10, errou em duas. Dos combates, Zanei Dinah acertou como terminariam 5 combates, errou 7. Acho que tá bom, não? Se valesse dinheiro…

LEIA TAMBÉM: Sejam bem-vindos ao UFC ou o dia em que o Rio tremeu

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Sejam bem-vindos ao UFC ou o dia em que o Rio tremeu

Octógono montado na Arena HSBC para a realização do UFC Rio - Foto: Ricardo Zanei

Octógono montado na Arena HSBC para a realização do UFC Rio - Foto: Ricardo Zanei

É difícil traduzir em palavras a emoção que foi o UFC Rio. Na verdade, o evento em si foi apenas o ápice de uma espera que começou no longínquo 15 de dezembro, quando o chefão Dana White anunciou, de forma oficial, o retorno da competição ao Brasil.

O tempo foi passando, rolou enquete no site para definir quem ia lutar, o card foi tomando corpo… Pedi demissão do UOL, ou seja, minhas chances de cobrir o evento beiravam 0%. Chegou a venda de ingressos, a decepção por não conseguir comprar, a felicidade em finalmente garantir as entradas na segunda leva… Quando vamos? Como vamos? Onde ficar? Enfim, mais de oito meses depois, estávamos (eu e meu sobrinho) lá, de frente para o octógono, para testemunhar ao vivo a “brincadeira”.

Praticamente perdemos a sexta-feira. Saímos de São Paulo às 8h10, chegamos umas 10h20 no hotel, em Copacabana. O itinerário era almoçar e ir para a Arena HSBC, local do evento, para acompanhar a pesagem, que começaria às 16h. Peguei indicações com o meu primo de como chegar lá. E que maratona, hein? Descemos do metrô no Leblon, pegamos um ônibus para a Barra que, na teoria, demoraria uma horinha. Um acidente (depois, ouvimos falar que foram dois) fez com que o trajeto demorasse quase 3h. Descemos no Barra Shopping e pegamos um táxi. Resultado: perdemos a pesagem e nem conseguimos trocar os ingressos (sobrinho esqueceu um documento no hotel, acontece), mas, pelo menos, o moleque bateu foto ao lado do Paulo Thiago, que eu conheci no UFC 100, em Las Vegas, que eu cobri pelo UOL. Um cara humilde, que merece tudo de bom.

No sábado, dia da luta, para evitar qualquer problema, pegamos carona com nossos amigos do UOL. Saímos do hotel às 13h30, chegamos lá por volta de 14h30. Deu tempo de trocar o ingresso, almoçar e pegar uma agradável fila. Fizemos amizade com dois cariocas e um casal gaúcho. Por total falta de noção de minha parte, não anotei nomes nem telefones. Mas foi bacana, o tempo passou rápido e, às 17h, os portões foram abertos.

“Boa tarde, sejam bem-vindos!”. Foi assim, com sorriso no rosto, que os seguranças recebiam os torcedores. A educação e a cordialidade da entrada serviam apenas para ampliar a ansiedade de quem entrada na arena à espera de muita pancadaria.

Como ainda havia tempo, deixei meu sobrinho guardando os lugares (arquibancada laranja) e fui dar uma olhada na loja do UFC. O esquema era bacana: você escolhia os produtos, o vendedor montava uma sacolinha com suas coisas ali mesmo, na sua frente, e te dava uma senha para pagar. Aí, começava o martírio: um caixa para sei lá quantas dezenas de compradores foi um absurdo. Graças a isso, perdi a primeira luta e consegui voltar para o meu lugar praticamente no fim da segunda.

Enfim, o MMA estava rolando. Quando voltei para o meu lugar, a arena estava praticamente lotada. Acho que ninguém queria perder nenhum momento do evento. A energia era sensacional, a torcida animada pra caramba. Tudo perfeito para uma noite daquelas.

Para não ficar maçante, vou usar tópicos:

– Erick Silva foi responsável pelo primeiro grande momento da noite, um nocaute absurdo, um pombo sem asa que derrubou Luis “Beição” Ramos.

– Paulo Thiago, soldado do Bope de Brasília, entrou ao som de “Tropa de Elite”, da banda Tihuana, tema do filme homônimo. O ginásio veio abaixo e, se ele não foi brilhante, foi superior em toda a luta. Só não ganhou por finalização porque David Mitchell foi salvo pelo gongo.

– Rousimar Palhares, o Toquinho, teve que ganhar duas vezes de Dan Miller, na luta que acabou, depois não acabou (o brasileiro viajou, o árbitro, Herb Dean, não indicou que o combate tinha terminado em nenhum momento) e só foi definida nos pontos

– Thiago Tavares precisava, e muito, da vitória. Nocauteou Spencer Fisher e comemorou ajoelhado, dando dois murros no octógono. Da arquibancada, deu pra ouvir nitidamente o som das pancadas. Assustador!

Paulo Thiago e sua entrada no UFC Rio

Enfim, o card principal. Bruce Buffer, o narrador oficial do UFC, soltou o seu “We Are Liiiiive!”, anunciando que a transmissão ao vivo entrara no ar, levando o ginásio à loucura. A derrota de Luiz Cane, o Banha, não mudou o ânimo da torcida, afinal, Minotauro era o próximo a lutar.

Bruce Buffer: “We Are Liiiiiiive!”

Foi, para mim, o momento de mais emoção da noite. Por tudo que Minotauro já fez e pelo que representa, ele merecia a vitória. Brendan Schaub, o rival, vinha de apenas uma derrota na carreira, com um cartel de oito vitórias. Mais novo, empolgado, era um adversário de peso para um Minotauro afastado há um ano e meio do octógono. Foi bom demais ver, ao vivo, ali, na minha frente, que o velho Minota estava inteiro. Chegou a balançar, mas respirou e, enquanto a torcida pedia “chão”, sua especialidade, arrasou Schaub na trocação. De chorar…

Monotauro atropela Schaub e leva torcida ao delírio

Desconhecido da galera, Edson Barboza ganhou a torcida com seu estilo “striker”, à la Mirko Cro Cop, e deformou Ross Pearson. Foi sua terceira vitória no UFC e, pela segunda vez seguida, ganhou como “luta da noite”. São nove vitórias no currículo, nenhuma derrota. Aos 25 anos, ainda precisa de um pouco mais de experiência, mas já pode começar a sonhar com um cinturão.

Por falar em cinturão, o Shogun entrou no octógono para desafiar Forrest Griffin em um duelo de ex-campeões. Eles haviam se encontrado em 2007, com vitória do americano. O brasileiro vinha de uma derrota para Jon Jones, quando perdeu o cinturão, e precisava vencer para voltar a sonhar em buscar o título. Shogun atropelou, não deu chances para o rival e nocauteou sem dó nem piedade. A luta deveria ser parada bem antes: o americano apagou, o juiz não viu, e Shogun seguiu marretando o indefeso rival. Os gritos de “o campeão voltou” devem dar um ânimo ainda maior para que o brasileiro volte a brigar pelo cinturão.

Shogun atropela Griffin: “o campeão voltou”

Faltava a cereja do bolo. Anderson Silva contra Okami, japonês que ousou ganhar do Spider em janeiro de 2006, quando o brasileiro desferiu um chute ilegal. O nipônico é um bom lutador, e só. Isso quer dizer: não dá para competir com Anderson. O primeiro round serviu apenas como aquecimento para o brasileiro, que até “brincou” no segundo, quando deu seu show: baixou a guarda, deixou a cara livre para os golpes de Okami, que não achou nada. Anderson atacou e deu dó do japonês. Era o fim épico de um dia épico.

Bruce Buffer: “It’s Tiiiime!” e apresentação de Anderson x Okami

Quem nunca foi a um UFC, vá. O clima criado para cada luta é uma das coisas mais legais que eu já vi. Esse clima, somado a uma torcida animada ao extremo, faz com que o evento seja inesquecível, com uma atmosfera única. Sentir tudo isso, vibrar com cada instante, extravasar a cada golpe, comemorar cada vitória como um título, é algo único demais. E tudo isso, ao lado de um sobrinho que você pegou no colo e hoje se tornou um cara que, se não fosse meu parente, eu queria muito que fosse meu amigo, não tem preço. No sábado, a terra tremeu no Rio: golpes vorazes, corpos caindo, tocida gritando. Se, na entrada, me disseram “seja bem-vindo”, hoje, eu retribuo: UFC, seja bem-vindo ao Brasil!

Cereja no bolo: Anderson Silva finaliza Okami

P.S.1: Compromissos profissionais, leia-se excesso de trabalho, fizeram com que eu demorasse décadas para escrever esse post.

P.S.2: Não vou entrar na discussão do “gosto” ou “não gosto”, dos superlativos e adjetivos, dos heróis e mitos, nem na defesa do esporte. Eu gosto, você não, e ponto, o assunto acaba aí. Não vou perder meu tempo tentando te convencer que é legal, nem perca o seu tentando me convencer que não é. E é isso!

P.S.3: Os vídeos estão tremidos, desfocados e com alguns palavrões. E tinham de ser assim, como foi o clima da arena mesmo!

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Pitacos do UFC Rio e blog em recesso

Êta semaninha complicada… Depois de 8767867 horas em frente ao computador, o blog entra em recesso e retoma suas atividades na segunda-feira. Se der, volta antes, mas o dono da parada não vai se esforçar muito para isso. O motivo: ida para o Rio de Janeiro, acompanhar o UFC Rio ao lado do sobrinho doido por MMA. Ansiedade, tensão. Caramba, não começa!

Na saideira, vou deixar os pitacos, só para ser cobrado depois. E bom UFC pra todos nóis!

CARD PRINCIPAL

Anderson Silva vs Yushin Okami (Médio – Disputa de cinturão)
– Spider nocauteia no primeiro round

Mauricio “Shogun” Rua vs Forrest Griffin (Meio-Pesado)
– Luta complicada, mas vou de Shogun, nocaute no segundo

Rodrigo Minotauro vs Brendan Schaub (Pesado)
– Quero muito que o Minotauro ganhe, mas é difícil também; vamos lá, Minotauro, por imobilização, no terceiro round

Edson Barboza vs Ross Pearson (Leve)
– Vai Brasil! Fenômeno no primeiro round

Luiz “Banha” Cané vs Stanislav Nedkov (Meio-Pesado)
– Taí uma luta que vai acabar cedo, e eu não faço ideia de quem vai ganhar; acho que nessa não dá Brasil: Nedkov no segundo

CARD PRELIMINAR

Thiago Tavares vs Spencer Fisher (Leve)
– Tavares, em três rounds

Paulo Thiago vs David Mitchell (Meio-Médio)
– Thiago, em três rounds

Erick Silva vs Luis “Beição” Ramos (Meio-médio)
– Acho que dá Beição, por pontos

Rousimar “Toquinho” Palhares vs Dan Miller (Médio)
– Toquinho, em três rounds

Felipe “Sertanejo” Arantes vs Yuri “Marajó” Alcantara (Pena)
– A luta com os melhores nomes da noite poderia terminar empatada, mas Marajó leva

Ian Loveland vs Yves Jabouin (Galo)
– Loveland em dois rounds

Raphael Assunção vs Johnny Eduardo (Galo)
– Luta para três rounds, vitória apertada de Raphael

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UFC Rio: tá chegando a hora

Sábado, 18h, Rio de Janeiro. Estarei lá, testemunha ocular da história.

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