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Jordan ou LeBron?

Existem discussões eternas, especialmente no mundo do esporte, sobre quem é melhor que quem. Pelé, Maradona ou Messi? Senna ou Schumacher? Jordan ou LeBron? A lista segue eternamente. São sete nomes nesse parágrafo: cada um com pontos a serem (arduamente) defendidos.

E se, sugestão breve, ao invés de ficar debatendo quem é melhor, quem sabe a gente resolvesse, vez ou outra, apreciar a genialidade desses caras? E se, quem sabe, e quem sou eu pra dizer, a gente trocasse a ranzinzice de brigar por A ou B e para aproveitar dribles, ultrapassagens e enterradas com sorrisos nos rostos?

Um exemplo. Apenas para esclarecer o ponto:

Quem é “viúva” de Michael Jordan levanta a mão?
Eu.

Quem acha que ele é um gênio?
Eu.

Quem torce para o Chicago Bulls por causa dele?
Eu.

Quem gosta de LeBron James?
Eu, bem, não.

Por quê?
Pela patacoada de sua saída de Cleveland.

Ok, dane-se o motivo. Ele é bom?
Sim.

Ele é muito bom?
Sim, muito.

Ele é um gênio?
Sim.

Ele é melhor que Jordan?
Não.

Ele será melhor que Jordan?
Não sei. E daí?

E daí que eu não vou discutir. Minhas razões para não gostar do que LeBron fez são as mesmas de trocentas outras pessoas, mas isso não me impede de achar que o cara é um monstro. É o cara mais perto de chegar no Olimpo de Jordan. É o cara que pode superar o reinado do eterno Michael. É o cara!

Perceba que há uma linha tênue entre o amor e o, digamos, ódio. Perceba que o não gostar bate de frente toda hora com a admiração. Perceba que prefiro ficar com a minha discussão interna e me divertir vendo o cara fazer coisas que ninguém fez do que ficar batendo boca sobre isso ou aquilo.

A linha tênue é tão fina que me animou a torrar mais dinheiro do que precisava para ver um Orlando Magic se arrastando contra um Miami Heat voando ao vivo e a cores só para contar para os netos que, se não vi Jordan em ação, vi, sim, LeBron “cara a cara”.

Mais que um? LeBron bate lance livre em quadra e no telão na vitória sobre o Magic - 20/11/2013 - Fonte: Ricardo Zanei

Mais que um? LeBron bate lance livre em quadra e no telão na vitória sobre o Magic – 20/11/2013 – Fonte: Ricardo Zanei

É legal discutir se ele é melhor que Jordan? É sim. É tema de bar, do pingado matinal à cerveja da madruga. Mas, às vezes, quem sabe, é mais legal deixar o bate-boca infinito de lado e ficar babando com as maravilhas que estamos testemunhando. Sabe aqueles senhores que falam de Pelé e Garrincha com um olhar invejoso (inveja boa) no passado, relembrando tempos geniais? Pois é, esse passado está ao vivo agora para quem quiser aproveitar.

Pensando nisso, LeBron fez coisas inacreditáveis nos últimos dias. Destaco duas delas. A primeira, contra os Lakers: uma enterrada de canhota. Uma enterrada de canhota em velocidade absurda. Uma enterrada de canhota em velocidade absurda com um olho no aro e outro na tabela, que passou milímetros de sua cabeça. Um lance para ser estudado pela ciência pela plasticidade, pela aceleração, pela sincronia, por tudo isso e muito mais. Uma jogada absurda.

A segunda: uma assistência. Dia: 30 de dezembro. Vítima: Nuggets. Foi cesta: não. Não deu em nada então? Ah, foi falta para o Heat, em cima do Mario Chalmers. Então… Então, foi genial! Sport Science se faz mais do que necessário para entender como o cara olha para a bola, vê um companheiro a meia quadra à frente e, com um tapa, repito, um TAPA, manda a bola na mão do amiguinho. Aguardo explicações lógicas para tal fato.

Quem é melhor? Pelé, Maradona ou Messi? Senna ou Schumacher? Jordan ou LeBron? Amanhã a gente discute!

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Messi, 234 e contando

Messi, 234 comemorações - Foto: Josep Lago/AFP, Arte/Ricardo Zanei

Messi, 234 comemorações - Foto: Josep Lago/AFP, Arte/Ricardo Zanei

Messi, 234 gols pelo Barcelona, maior artilheiro da história do clube catalão em jogos oficiais. Sim, 234 gols. E ele tem 24 anos. Sim, 24 anos. Impressionante.

Concorde ou não, o argentino já está na lista dos maiores jogadores de sempre. Muito se fala: Neymar ou Messi? Messi ou Maradona? Maradona ou Pelé? Penso diferente e acho melhor trocar o “ou” pelo “e”. Neymar e Messi e Maradona e Pelé. Já imaginou isso? Inacreditável.

Não dá para negar isso a importância histórica de Messi. E o melhor é que está aí, na sua, na minha TV, quase todos os dias. Ao invés de discutir se ele é bom ou não, melhor é assisti-lo e bater palma, não?

Messi, 24 anos, 234 gols pelo Barcelona. E contando.

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Cabelo de Neymar, marra de Romário, sonho de ser Messi

Neymar e Messi - Foto: AFP, Arte/Ricardo Zanei

Neymar e Messi - Foto: AFP, Arte/Ricardo Zanei

Ainda falando sobre a Copa Danone, meu programa do domingão, é bater o olho no gramado que você percebe que Neymar fez a cabeça da galera. Literalmente. Cada time tem pelo menos um garoto com um moicano daqueles. Isso quando não são dois, três…

É engraçado ver o penteado da molecada e impressiona ver como Neymar influencia. Gelzinho, cabelinho todo arrepiado. Isso quando não tem alguns com a cabeleira tingida das cores mais diversas. E é molecada mesmo, sub-12!

Mas o mais curioso foi saber que, se Neymar está na cabeça, o sonho, no pé, é de ser Messi. Tudo que é moleque que você pergunta quem é o ídolo, se ele se inspira em alguém, o nome do argentino é citado. “E o Neymar?”. “Neymar também”. É sempre assim, Messi em primeiro, Neymar vem depois.

Também fica clara a globalização da bola. Hoje, se você assina um pacote de TV a cabo com os canais esportivos disponíveis, sem contar o pay-per-view, fatalmente vai ver mais jogo do Messi do que de qualquer outro time brasileiro. Por exemplo, é mais fácil para qualquer garoto se espelhar nele do que, sei lá, no Ronaldinho jogando no Flamengo, caso o Ronaldinho estivesse jogando, de fato, no Flamengo.

A influência negativa é a marra da molecada. Lembra do Romário, na fase áurea, de como era marrento? É bem assim. Tem garoto de 10 anos falando como se realmente jogasse como o Messi, ganhasse o salário do Messi, tivesse os títulos do Messi, mas com o cabelo do Neymar. E não é falando todo tímido não: tem moleque que sabe falar, mas fala exatamente como um profissional mascarado.

O garoto, já com 9, 10 anos, sabe que é melhor do que muitos outros. Não só sabe como fala que é melhor mesmo. Muitos deles já jogam em times grandes de São Paulo (leia-se Estado, não apenas cidade). A maioria tem noção que, se pintar o cabelo, ou fazer um penteado invocado, chama mais a atenção. Muitos, infelizmente, se bobear, já têm empresário. Acabou o futebol moleque, meu caro. Agora, chegou outro tempo. Tempo de cabelo de Neymar, de marra de Romário, mas ainda com o sonho distante de ser Messi. Espero que o cabelo e a marra não deixem o sonho ficar pelo caminho…

P.S.: Uma outra coisa que chama a atenção é a enorme quantidade de garotos que torce para o Santos, reflexo total do sucesso da geração de Diego e Robinho. Se o time é sub-12, molecada nasceu em 2000, 2001. A geração de Diego e Robinho explodiu por ali, ganhando o Brasileirão de 2002. Dois anos depois, repetiu o feito, ainda com Robson de Souza no time. Ou seja…

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Messi e, quadro a quadro, uma pintura de gol – parte 2

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

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Messi e, quadro a quadro, uma pintura de gol – parte 1

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

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Xandão, o gol de calcanhar e as lendas do futebol

Xandão (93) antes do calcanhar e do golaço - Foto: Francisco Seco/AP

Xandão (93) antes do calcanhar e do golaço - Foto: Francisco Seco/AP

Tinha tanto para escrever sobre isso, mas é tão inacreditável que eu resolvi reciclar um post antigo. Quando Deivid perdeu aquele gol, sabe, aqueeeele, eu escrevi as linhas abaixo. Quando Xandão, aquele Xandão, sabe, aqueeeele, que teve uma passagem de sucesso estrondoso no São Paulo, faz um gol de calcanhar na Liga Europa, o mundo para.

Messi é um gênio, Neymar é um gênio, mas, diante das qualidades dos jogadores envolvidos, o gol de Xandão é uma das coisas mais inacreditáveis do futebol mundial. Da história da bola. É algo que rompe as leis da física, da química e, claro, do bom-senso. Paradigmas caíram. Enfim, só o texto abaixo para tentar explicar o que aconteceu.

O drible de Garrincha.

O chapéu de Pelé.

A magia de Maradona.

O passe de Didi.

O lançamento de Gerson.

A volúpia de Puskas.

A trivela de Rivellino.

A classe de Carlos Alberto Torres.

O arranque de Messi.

A explosão de Jairzinho.

A leveza de Tostão.

A versatilidade de Cruijff.

A falta de Rogério Ceni.

A frieza de Romário.

A delicadeza de Zidane.

Os gols de Ronaldo.

A cadência de Ademir da Guia.

O requinte de Baggio.

O faro de Careca.

O toque de Zico.

O chute de Van Basten.

A decisão de Rivaldo.

A enciclopédia de Nilton Santos.

O talento de Di Steffano.

As mãos de Gilmar.

A finta de Neymar.

A velocidade de Cristiano Ronaldo.

A bicicleta de Leônidas.

A lenda de Friedenreich.

O sonho de Milla.

A taça de Bellini.

A liderança de Beckenbauer.

O calcanhar de Sócrates.

O milagre de Marcos.

O gol de calcanhar de Xandão.

Texto original: “Deivid, o gol perdido e as lendas do futebol”, 23/03/12.

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Eu tenho medo do Messi. De Neymar. E de mariposa.

Neymar - Foto: AP/Andre Penner

Neymar - Foto: AP/Andre Penner

Não sou aquele cara corajoso, mas, sabe como é, tenho medo de algumas coisas. Todo homem tem. Quem fala que não tem está mentindo. Por exemplo, eu tenho medo de mariposa. Borboleta, tudo bem. Mariposa, não dá, é um bicho estranho. Depois dos últimos acontecimentos, tenho medo de Messi. E de Neymar.

Não vi nada ao vivo do show do Barcelona. Procurei, depois, ver tudo. No fim, não tem muito o que dizer, a não ser: o que é o Messi? É assustador o que esse rapaz faz com a bola. Tudo nele, parece especial. Ao mesmo tempo, você olha para aquele argentino e não vê nada demais. Simples, como o seu futebol.

E a Catalunya Radio, da Espanha, disse que o comprimido tomado por Messi antes da partida era para dor de cabeça. Sério? Sério mesmo? Só pode ser piada… Imagina sem a pílula mágica?

Aí vem o Neymar e faz o que faz. E eu pergunto: o que é o Neymar? Impressionante. A capacidade de improvisão e de mudar de direção em alta velocidade faz com que ele seja completamente “imarcável”. Mas nem com um tanque de guerra você consegue parar o santista.

“Preciso ver na televisão para entender o que eu fiz nos gols. Só sei que fui passando, driblando e, quando vi, estava na cara do gol”

Impressionante.

Imagino o pavor e o terror que os jogadores que vão enfrentar esses caras sentem. Deve dar aquele frio glacial na barriga. Pior de tudo é saber que não tem muito o que fazer, né? Basicamente é bater palma.

O que me deixa extremamente feliz é saber que estamos vendo a história ser feita. Se Messi será – ou já é – melhor do que Maradona, se Neymar será o rei da bola no mundo, só Deus sabe. Mas o que eles estão construindo é extremamente bonito. E está aí pra gente ver.

Por falar em ver, depois do que eu vi e lembrando do que eu já tinha visto, cheguei à conclusão que eu tenho medo do Messi. E do Neymar. Mas pavor, mesmo, só de mariposa.

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