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UFC 151: o evento que não aconteceu e que não tem hora para acabar

Pôster do UFC 152, por enquanto - Foto: Divulgação

Pôster do UFC 152, por enquanto – Foto: Divulgação

O UFC 151 foi cancelado, mas parece que não tem hora para acabar. Cada dia que passa, pinta uma nova historinha, um detalhezinho aqui e ali que aumentam ainda mais o debate sobre a bizarrice toda.

Primeiro, foi Jon Jones quem assumiu a culpa. Quer dizer, ele disse que a culpa foi dele, mas que a decisão foi acertada. Algo como, “fiz o certo, galera, mas, sabe como é”. Dá a nítida impressão que é mais um caso de a corda estourando no lado mais fraco.

“Estou carregando a cruz da minha decisão. Se há alguém que pode ser culpado, eu assumo toda a responsabilidade pelo UFC 151 ter sido cancelado. Peço as mais sinceras desculpas a todos atletas e fãs que desperdiçaram tempo ou dinheiro. Estou me sentindo péssimo por tudo isso.”

“As criticas me incomodam, mas tenho de enfrentar minha decisão, de ser o homem que eu sou. Quanto mais a audiência, maiores são as críticas. Muita gente sempre estará me avaliando, mas tenho de ficar feliz com o que é melhor para mim. No fim do dia, sei que fiz a melhor escolha para mim e para minha família.”

Bom, minha opinião sobre o assunto segue a mesma e pode ser lida no post anterior, no irrepreensível texto “Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White”.

O detalhe sórdido ficou a cargo de Dan Henderson, até então, o mocinho da história. Afinal, ele se machucou em cima da hora, certo? Bem, mais ou menos. O veterano admitiu que a lesão no joelho não aconteceu bem na véspera do evento, mas duas semanas antes. Ok, tudo bem, a gente compreende, o cara achava que ia se recuperar a tempo, mas não rolou. Tudo isso seria normal se não fosse por uma observação: Chael Sonnen é da mesma equipe que Hendo.

Daí, o anúncio da lesão às vésperas não teria nada a ver com se recuperar a tempo ou não, mas sim como estratégia para ajudar o amigo de treino que está subindo de categoria e já pinta como um contender. Com Sonnen aparecendo como rival de Jones a oito dias do evento, não teria como o campeão dizer “não”. Mas, sabe como é, o MMA é uma caixinha de surpresas, e o campeão disse o improvável “não”.

Hendo, é claro, negou a teoria da conspiração. Mais: disse que o boato foi plantado pelo técnico de Jones, Greg Jackson, que foi apontado por Dana White como uma espécie de diabo na terra. Foi dele o improvável “não” que culminou no cancelamento do UFC 151.

Quero acreditar que Hendo agiu de maneira correta, tentou se recuperar até onde deu e viu que não dava mesmo. No entanto, o que tem de bandido travestido de mocinho no mundo do esporte – e o MMA não é uma exceção – não é brincadeira. Fatalmente, esse jogo de equipe será um boato eterno, ou melhor, será a grande notícia do UFC que não aconteceu até que surja a próxima historinha, o próximo detalhezinho. E, assim, o UFC 151 entra para os almanaques como o evento que não aconteceu e que não tem hora para acabar.

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Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White

Jones x Belfort, UFC 152 - Reprodução/UFC.com

Jones x Belfort, UFC 152 – Reprodução/UFC.com

Depois da desistência de Dan Henderson, por lesão…

Depois de Jon Jones não aceitar o combate com Chael Sonnen…

Depois de Lyoto Machida ser anunciado como rival de Jones…

Veio a bomba. Em plena madrugada brasileira, explodiu a notícia de que Lyoto acabara de desistir de enfrentar o campeão dos meio-pesados. Eis que surge Vitor Belfort como uma espécie de salvador da pátria, e o UFC confirma o carioca como o rival de Jones no UFC 152, dia 22 de setembro, em Toronto, no Canadá.

Segundo o site oficial da entidade, a nova mudança foi mais um capítulo da “série de eventos bizarros do dia”. Muita gente, muita gente mesmo, desceu a lenha em Jones. Mas, vamos por partes na “série de eventos bizarros do dia”:

Episódio 1: Dan Henderson – o cara se machucou a oito dias do evento, paciência. Uma lesão no joelho em qualquer garotão inspira cuidados. Em um cara de 42 anos, por melhor que seja o seu corpo e sua forma física, é algo, no mínimo, preocupante. Ou seja, culpa zero para o veterano na história.

Episódio 2: Chael Sonnen – sem Hendo, Chael, que já estava falando um monte contra Jones, apareceu como candidato à vaga. Dana White gostou da ideia, afinal, colocaria um tempero a mais no evento. Papo daqui, papo de lá, e a bola passou para as mãos do campeão.

Episódio 3: Jon Jones – Com a bola na mão, Jones conversa com seu staff. Entra em cena um cara chamado Greg Jackson, chefão da equipe que cerca o campeão. O técnico fura a bola cheia de Dana e Chael e diz “não”.

Episódio 3: Dana White – O dono do UFC fica puto, faz biquinho, fala um monte e cancela o UFC 151, primeira vez que algo do tipo acontece em 11 anos. Vou passar rapidamente por esse ponto, mas volto no assunto (abaixo, sob o título “A culpa de Dana”, tem toda a minha opinião sobre o tema). Em seguida, surge o nome de Lyoto, em nova data, em novo evento. Pôster feito, notícia confirmada, vamos que vamos.

Episódio 4: Lyoto Machida – Há exatos 20 dias, no UFC on Fox 4, Lyoto nocauteou Ryan Bader. Bela luta do brasileiro, bacana, legal, mais uma vez o brasileiro apareceu como um contender. Mas, quem se prepara para uma competição, sabe que, ao fim dela, no período de descanso, descanso é descanso. E foi isso que Lyoto fez. Apenas para constar, nos últimos dias, ele postou em seu Twitter oficial, @lyotomachidafw, dia 19, uma foto de seu churrasco à brasileira nos EUA. No mesmo dia, publicou que estava gravando um comercial (aqui, aqui e aqui, nas duas últimas, já no dia 20). No dia 22, já em Belém, dois posts, “Já estou na área galera,preparem se pra inauguração da nova academia na pedreira!!!!” e “Na Pedro Miranda!!Faltam poucos dias!!!”. Pedro Miranda é uma avenida em Belém, localizada no bairro Pedreira. Churrasco e comercial nos EUA, lançamento da academia em Belém. Acho que deu para perceber, apenas batendo o olho nos últimos eventos, que treinar não estava muito no calendário de Lyoto. E não tem nada de mal nisso, afinal, o cara lutou outro dia. Daí, é extremamente plausível a decisão de, depois do “sim”, pensar bem e falar um “não”.

Episódio 5: Vitor Belfort – O “não” de Lyoto não vazou para a imprensa e circulou, ao que parece, apenas nos bastidores do MMA. Pelo menos, aqui do Brasil, ninguém falava nisso. Mas, na madrugada, o próprio Vitor foi o primeiro a confirmar a desistência do seu compatriota e anunciar que enfrentaria Jones. Mais uma vez, o meio de comunicação foi o Twitter, em seu perfil oficial, @vitorbelfort. Abaixo, a mensagem com a última mudança de rumos do evento:

Mais ou menos ao mesmo tempo, Ariel Helwani, o melhor repórter do planeta quando o assunto é MMA, confirmava a mudança no conceituado site MMAFighting.com. A fonte do cara era outra, Dana White. Segundo o que Ariel apurou com o chefão, Lyoto achava que precisava de mais tempo para treinar e, durante o dia, Belfort já havia se oferecido para a vaga. Com a desistência de Lyoto, ao que parece, o único lutador de alto nível disponível era o carioca. E o martelo foi batido.

No meio disso tudo, quem ouviu poucas e boas foi Jon Jones, praticamente crucificado por Dana e pelos irmãos Fertitta, os caras que mandam no UFC. Pelo que falaram, deu até a impressão que a ideia era encerrar o contrato do campeão. Afinal, muita grana foi perdida com o cancelamento do evento. Mas, olhando por outros ângulos, será que Jones é o único culpado de tudo isso?

A culpa de Dana
Gosto de Dana. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente no UFC 100, em 2009, e o o cara dá entrevistas belíssimas, sinceras. Mas, nessa, sou obrigado a discordar de praticamente tudo que ele falou e, principalmente, fez.

O primeiro fato é: por que cancelar um evento inteiro apenas por causa da desistência de um dos lutadores do card principal? Ok, é a luta principal, um contender ao título se machucou, mas, peraí. O evento em si é tão fraco assim que nenhuma outra luta poderia assumir a vaga? Olhando bem, é isso mesmo, é fraco pra caramba. O co-main event era Jake Ellenberger versus Jay Hieron, e ouço daqui vocês pensando “quem contra quem?”. Pois é, a aposta foi tamanha em Jones x Hendo que esqueceram das outras lutas. Culpa de Dana? Sim. Culpa de Joe Silva, o matchmaker, o responsável por “casar” as lutas do UFC? Sim também.

Mas a chefia errou mais, e a culpa de Dana não para por aí.

O grande motivo de o card ser fraco atende pelo nome de “ganância” e não se admire se cruzar com outros cards bem “meia-bocas” por aí. O UFC tem contrato com 352 lutadores (61 brasileiros), e essa galera tem que trabalhar, ou seja, entrar no octógono. Assim, a companhia que fazia 12, 14 eventos por ano, agora trabalha, por enquanto, com 31 eventos apenas em 2012. O dobro, quase o triplo do que era há três, quatro anos. O negócio cresceu, inchou, e o jeito é fazer evento atrás de evento, mesmo com cards péssimos encabeçados por uma grande luta, como era o UFC 151. Claro, o card com nomes ruins pode acabar se tornando uma noite memorável de MMA, mas, no caso do UFC 151, deu para perceber que os outros nomes escalados eram tão fracos que o evento inteiro acabou cancelado, ou seja, nem a chefia gostou do que tinha pela frente.

Uma outra saída seria mudar apenas a luta principal e manter o restante do card. Seria um UFC ruim? Muita gente ia reclamar? Nêgo não ia comprar um PPV sequer? Dane-se. Aconteceu um imprevisto, mas nós, do UFC, vamos arcar com as consequências, inclusive financeiras, e vamos tocar o barco. Vai ter 15 caras na torcida? Beleza, encaramos essa. Mas acho que nem isso foi cogitado. Seria até uma maneira de respeitar o torcedor, aquele cara que se programou, que comprou ingresso, que comprou passagem, que reservou hotel. Sei lá, enche o torcedor de mimos, dá camiseta, boné, desconto de 70% na próxima compra de ingresso, paga a estadia do cara (consta que o Mandalay Bay, onde seria o evento, é da família Fertitta, ou seja, libera quarto e comida de graça pra galera, além de fichas pro cara se divertir no cassino). As opções para agradar são imensas. Garanto que, com atitudes assim, o prejuízo poderia ser financeiro, mas a imagem de uma “companhia do bem” ficaria inabalada. E mais: o torcedor seria tratado com um respeito ímpar. Mas…

Outro fator atende pelo nome de Sonnen. O cara pode não ser o melhor do mundo, mas não é um lutador que cai tão fácil. Vide Anderson Silva volume 1, Anderson Silva primeiro round – volume 2. Você pode dizer que o Spider destruiu o falastrão, e foi isso mesmo, mas pode confessar, ninguém está ouvindo: deu um friozinho na barriga quando ele comandou o primeiro assalto da última luta, não? Passou um filminho na cabeça, né? Somado a isso, se preparar para pegar o Hendo, um cara que adora a trocação e é bom nela, é uma coisa. Pegar Sonnen, um cara de chão, atuando num peso acima do dele, é outra. E, se foi dada a opção de Jones dizer “não”, por que tanto alarde, hein, mister Dana?

Tem mais, o possível combate com Sonnen só teria um perdedor: Jones. Se ganhasse, não teria feito mais do que a obrigação de derrotar um cara que subiu de peso apenas para essa luta e que entrou na fila rumo ao título principalmente pelo excelente trabalho de falar – muito e muito e muito – e promover muito bem as suas aparições. Se perdesse, a imagem de Jones ficaria, aí sim, extremamente arranhada: como um campeão pode ser derrotado por um cara que subiu de peso e blábláblá? Pintaria a dúvida: será que ele é tão bom assim? E garanto, garanto mesmo, que viria a frase: “Por que Jones aceitou esse tipo de luta?”.

Aí, Dana joga tudo no ventilador e diz coisas do tipo:

“Chael Sonnen aceitou a luta com Jon Jones na última noite. Lá pelas oito ou nove horas da noite de ontem, aconteceu o que achei que não aconteceria em milhões de anos. Jon Jones disse ‘eu não enfrentarei Chael Sonnen com um aviso a oito dias do evento’. Isso nunca tinha acontecido com um campeão do UFC.”

“Nunca um lutador se recusou a enfrentar outro. Especialmente um cara, que não é apenas campeão mundial, mas supostamente é tido por muitos como o melhor pound-for-pound do mundo. Não posso fazer ninguém lutar contra ninguém. Não posso dizer ‘você vai lutar contra tal cara neste sábado e você tem que fazer isso’. Ou você é um lutador ou não é. Eu não posso te obrigar a lutar, mas não lutar, provavelmente, não é uma boa ideia.”

“Não acredito que essa é uma decisão que vai tornar Jon Jones popular com os torcedores, patrocinadores, distribuidores de TV a cabo, executivos de redes de TV ou outras figuras. Jon Jones tem sido um campeão que não é muito popular. Acho que algo como isso não vai fazer maravilhas com a sua popularidade.”

“Esse cara é um assassino do esporte. Greg Jackson nunca mais deveria ser entrevistado na vida, só por um psiquiatra.”

“Nós perdemos um monte de dinheiro. Dinheiro que já havia sido gasto. Estamos há oito dias do evento. O quanto isso vai nos machucar eu ainda não sei, pois é a primeira vez que acontece.”

“Quanto ao relacionamento com a gente, eu e Fertitta [Lorenzo] estamos enojados.”

Peraí, peraí, peraí… Como assim? Até outro dia, Jones era o queridinho da Zuffa, do UFC, do MMA, de todo o mundo. Ou não foi ele quem entrou com uniforme patrocinado justamente pelo UFC contra Rashad Evans em abril? A marca UFC, essa mesma, poderosa, que movimenta bilhões, pagou uma bolsa extra para ter o lutador que era a “cara” da franquia lutar usando o logotipo, não?

Peraí, peraí, peraí… Do dia 5 de fevereiro de 2011, quando ganhou de Ryan Bader, até 22 de setembro deste ano, serão 595 dias. Nesse período, Jones terá lutado seis vezes, contando Bader e já contabilizando Belfort. Em média, uma luta a cada 99 dias. E tudo lutinha tranquila: Bader, Shogun, Rampage, Lyoto, Rashad, Belfort. Uma pelo cinturão, quatro defesas de título. Desses, só Bader não teve o gostinho de ser campeão. Alguém, nos últimos tempos, entrou mais vezes no octógono do que Jones, com a responsabilidade de, aos 25 anos, derrubar todos esses cascas grossas?

Peraí, peraí, peraí… Ah, claro, eu ia me esquecendo: em todos esses eventos, há compromissos comerciais, não? Entrevistas coletivas, patacoadas de patrocinadores, um monte de perda de tempo para o atleta, mas que, no fim, gera dinheiro para o lutador (uma parte) e para o UFC (a maior parte do montante). Jones estava em todos eles, não? Fora as vezes em que apareceu no telão em algum UFC em que não estava lutando, inclusive aqui, no Rio, fazendo graça com a camisa da seleção brasileira. Esqueceu de tudo isso, Dana?

Peraí, peraí, e prometo que é o último peraí… Não foi Jones quem, outro dia, assinou contrato com a Nike e se tornou o primeiro, repito, o primeiro lutador do MMA da história a fechar com a superhipermega empresa de material esportivo? Ok, Anderson Silva luta com Nike, mas o contrato é com o Corinthians, não? Mas, voltando ao Jones, será que a Nike, aquela que tem contrato com caras como Michael Jordan e Ronaldo, apenas para citar dois exemplos dos mais simplórios, ia entrar no MMA assinando o primeiro contrato da história com um lutador sem prestígio ou popularidade?

O que era para ser um UFC se tornou, pra mim, uma tese que envolve organização, marketing, contratos de publicidade, obrigações de atletas, enfim, uma coisa de uma proporção gigantesca. Para quase todo o mundo, o grande culpado atende pelo nome de Jon Jones. Para mim, ele é apenas parte do processo e, no fim, o cara que mais tinha a perder. Dana, um cara que eu admiro, e várias outros integrantes do UFC erraram na condução e na solução do problema. Agora, terão de se contentar com Jones x Belfort, e meu palpite, desde já, é que o campeão continuará o mesmo. E aí, como será o clipe de apresentação de Jones? Será que a galera ainda vai encher a bola dele? Mais: será que Dana ficará feliz em colocar o cinturão mais uma vez em Jones? Cenas imperdíveis nos próximos capítulos…

P.S.: Nunca escrevi um post tão grande nesse blog, nunca demorei tanto para escrever um post. Afinal, são 5h26 da matina. Por isso, não vou reler. Se alguém chegou até aqui, por favor, me avise dos erros de português e digitação. Sabe como é, a essa altura do campeonato, quem está nocauteado sou eu.

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Quando o MMA é esporte, quando o MMA é briga

O pavor de Chael Sonnen - Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC UFC

O pavor de Chael Sonnen – Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC UFC

Fui de um amadorismo tremendo ao escrever o texto “Silva x Sonnen 2: quando a luta vira briga”. Anderson Silva deu o show que todo mundo viu e, ainda no octógono, calou a minha boca.

“Não tenho nada contra o Chael. Ele desrespeitou meu país, mas isso é só uma luta. Acima de tudo, isso é esporte.”

Anderson Silva

“Acima de tudo, isso é esporte”, esse foi o grande detalhe que eu esqueci. Detalhe que separa o profissional vencedor, no caso, Anderson, do amador perdedor, no caso, eu e meu texto meia-boca.

Como já afirmei, a luta ganhou a proporção gigantesca especialmente pelas palavras de Chael Sonnen. Se foi orquestrado ou não, se foi “de coração” ou não, pouco importa. O que importa é que foi o “combate do século”, com uma vitória incontestável de um dos melhores lutadores que o esporte já viu. O olhar de terror de Sonnen na foto que abre esse post é uma das melhores fotos da história e ilustra bem o tamanho da genialidade do brasileiro.

Esporte, aliás, que ainda abre espaço para críticas, especialmente quando a agressividade se torna violência pura. Quando isso acontece? Quando o juizão fica ali vacilando e não para uma luta já encerrada. Foi isso que aconteceu no UFC on Fuel TV 4, justamente na luta principal.

Com uma bela cotovelada, Chris Weidman “apagou” Mark Muñoz, que caiu desacordado. Eu vi, você viu, até Mr. Magoo, famoso personagem cego dos desenhos animados, viu. Quem não viu foi Josh Rosenthal, o árbitro, ali do lado. Enquanto isso, Weidman batia sem dó no desacordado Muñoz. Duas horas depois, Rosenthal percebeu o estrago e pagou a luta (dá para ver o nocaute no vídeo abaixo, enquanto o UFC não tira do ar).

É por essas e outras que o MMA ainda sofre com críticas. Eu adoro o esporte, acho sensacional, espetacular, mas não dá para admitir um vacilo como esse. Afinal, é a vida do cara em jogo ali. Os árbitros, não apenas Rosenthal, têm que ficar mais ligador e, nesse caso, que paguem pelo excesso de zêlo ao invés de deixar a porrada comer solta.

O MMA, como provou Anderson Silva e, por que não, Chael Sonnen, é um baita esporte. Mas falhas como essa do juizão só dão pano pra manga para se perder torcedores e, pior, aumentar a antipatia. Pior ainda, com razão. Aí, o MMA vira briga. E briga é coisa de amador, não de profissional, nem de esportista.

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Silva x Sonnen 2: quando a luta vira briga

Silva x Sonnen - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Silva x Sonnen – Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

O esporte ficará de lado em Silva x Sonnen 2. Nada de cumprimentos, de “touch gloves”, de abraços emocionados ao fim. Nada de fair play, mesmo que muitos achem que fair play, em MMA, é balela. Neste sábado, nada de luta: é briga.

O segundo duelo entre Anderson Silva e Chael Sonnen ganhou o status de “luta do século” graças ao americano. Primeiro, em 7 de agosto de 2010, ele bateu no brasileiro como e quando quis. Foram quase 23min de pancadaria, com Anderson se segurando para não cair. Bastou um segundo de vacilo para Sonnen perder e se tornar uma celebridade.

Segundo, desde que a luta acabou, começou o falatório. Foram 700 dias de provocações, de frases fortes contra Silva, contra o Brasil, contra os brasileiros. Um ano e 11 meses de trash talking. Nisso, Sonnen é bom, muito bom.

Muitos acham que o tom do americano é desrespeitoso. Acho que, às vezes, ele passa dos limites. Mas, venhamos e convenhamos, quem seria Sonnen se não fosse a língua afiada? Mais: essa luta seria a “luta do século” se, nas 100 semanas que separaram o primeiro do segundo confronto, todos ficassem quietinhos?

Sonnen falou o que quis nesse período de tempo. Fez uma revanche ganhar uma proporção de outro mundo. Você já imaginou uma leva de brasileiros gritando “uh, vai morrer” em plena Las Vegas? Pois é, preste atenção no UFC 148 e você ouvirá isso. Coisa de outro mundo.

Sobre a briga desta noite… Aposto – e aí, topas? – que Anderson vai atropelar, mas não sei o caminho. Pode ser algo avassalador, coisa de segundos, ou algo com tons de crueldade: sabe aquele vilão que faz o mocinho sofrer e não “mata” o jogo (não estou dizendo que Silva é o vilão, hein)? O brasileiro pode adotar a vingança fria para dar mais gostinho de bater no rival. Saindo do muro, aposto na primeira opção: rápido, fácil, indolor.

Neste sábado, uma parte do planeta vai se desligar do mundo para ver Silva x Sonnen, uma “luta do século” com cara de briga de rua. Mas, cuidado, não pisque. Pode ser que você só veja o fim no replay.

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MMA na moda: Chael Sonnen vira “Tio Sam” em camiseta

Tio Sam, quem diria, virou "Tio Sonnen" - Foto: Divulgação

Tio Sam, quem diria, virou "Tio Sonnen" - Foto: Divulgação

Confesso que eu não tinha visto e sei que a notícia é velha, bem velha, mas achei bacana e digna de considerações. Principalmente pelo MMA chegar a esse ponto de popularização.

Tio Sam é um dos símbolos mais famosos da história dos EUA. Agora, quem diria, pode ser chamado de “Tio Sonnen”.

Chael Sonnen já desafiou Anderson Silva em tudo que é entrevista e mídia social. A falácia invadiu até o mundo da moda, em uma camiseta, digamos, descolada. Para os fãs do americano, ela pode ser comprada na MMA Warehouse por US$ 29,99 (cerca de R$ 52).

A loja entrega no Brasil. Simulei a compra e, por salgados US$ 31,75 (cerca de R$ 55) ou US$ 40,95 (cerca de R$ 70), você recebe em sua casa. Quer dizer, há o risco de a Alfândega brecar a entrega e cobrar uma nova taxa para que você retire nos Correios. Ou seja, você aí, torcedor do Sonnen que quiser a iguaria, vai ter que abrir a carteira!

O que realmente chamou minha atenção foi ver Sonnen com a camisa. De “Tio Sonnen” no peito, falou que Anderson “não é um lutador”, que só “pensa em dinheiro” e ainda comparou o brasileiro a Mike Tyson, que tem números expressivos, “mas nunca lutou contra ninguém”.

Não sei em que pé andam as vendas, mas fico curioso para saber como o MMA, ainda marginalizado – o preconceito continua -, chegou ao ponto de usar um dos símbolos nacionais dos EUA para promover um lutador.

Claro que, com a internet, eu, você e qualquer criança com o mínimo de noção pode brincar com uma foto e estampar aquela imagem em uma camiseta. Agora, quando o negócio é oficial, quando o próprio Sonnen veste a camisa, é sinal que a coisa é bem mais séria.

Fico pensando se o UFC ou os patrocinadores de Anderson não pensam em fazer algo semelhante por aqui. Não tenho nenhuma sugestão, mas, pelas minhas peregrinações pelos UFCs (uma Fan Expo em Las Vegas e as duas edições no Rio), deu para perceber que a procura por qualquer item, de camiseta a chaveiro, passando por réplicas de cinturões, é absurda. E olha que os preços estão longe de ser acessíveis.

Se eu compraria uma camiseta esperta de Anderson? Não sei. Teria de ser bem legal e por um preço bem camarada. Acho a camiseta de Sonnen sensacional como símbolo de cultura pop, mas também não a compraria. Afinal, jornalista tem de ser imparcial, certo?

P.S.: Silva x Sonnen? VAI SILVA!

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Pitacos do UFC on Fox 2

Um retorno ainda tímido, só para dar meus palpites sobre o UFC on Fox 2, neste sábado, em Chicago. Só para constar, do UFC 142, no Rio, acertei 8 vencedores, errei 1. Mas foram 10 lutas, né? Venhamos e convenhamos, Erick Silva ganhou aquela de Carlo Prater. Seria 9 a 1 nos pitacos. Ah, se eu ganhasse uma grana com isso… Abaixo, o polêmico gabarito do evento deste sábado.

CARD PRINCIPAL

– Rashad Evans (EUA) x Phil Davis (EUA) – meio-pesado
– Acho que dá o azarão, Davis, por nocaute no primeiro round, e Jon Jones pegará Dan Henderson

– Chael Sonnen (EUA) x Michael Bisping (ING) – médios
– Sonnen vence e, enfim, teremos a tão sonhada luta com Anderson Silva

– Demian Maia (BRA) x Chris Weidman (EUA) – médios
– Gosto do Demian, mas acho que Weidman mantém a sua invencibilidade

CARD PRELIMINAR

– Evan Dunham (EUA) x Nik Lentz (EUA) – leves
– Dunham leva por pontos

– Mike Russow (EUA) x John-Olav Einemo (NOR) – pesados
– Os caras são gigantes, mas Russow nocauteia no segundo round

– Cub Swanson (EUA) x George Roop (EUA) – pena
– Lutinha enrolada, mas dá Swanson

– Charles do Bronx (BRA) x Eric Wisely (EUA) – pena
– Outra luta enrolada, mas acho que Chales vence

– Michael Johnson (EUA) x Shane Roller (EUA) – leves
– Roller leva

– Joey Beltran (EUA) x Lavar Johnson (EUA) – pesados
– Complicado, mas acho que dá Johnson

– Chris Camozzi (EUA) x Dustin Jacoby (EUA) – médios
– Jacoby nocauteia

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Pitacos do UFC 136: uma vitória apertada

José Aldo encara Kenny Florian no UFC 136 - Foto: Divulgação/UFC.com

José Aldo encara Kenny Florian no UFC 136 - Foto: Divulgação/UFC.com

Dois chutes no vácuo (Stann e Maynard) fizeram com que a minha vitória nos palpites do UFC 136 fosse apertada. Mas foi vitória, fica a lição pro UFC 137!

Card preliminar (dá pra ver no Facebook):

– Steve Cantwell (EUA) x Mike Massenzio (EUA)
PALPITE: Massenzio vence em decisão dos juízes
VIDA REAL: Massenzio vence em decisão dos juízes
PLACAR: Zanei 1 a 0, com louvor

– Aaron Simpson (EUA) x Eric Schafer (EUA)
PALPITE: Simpson vence no segundo round
VIDA REAL: Simpson vence em decisão dos juízes
PLACAR: Zanei 2 a 0, invicto

– Zhang Tie Quan (CHN) x Darren Elkins (EUA)
PALPITE: Equilibrada, Quan vence no terceiro roud
VIDA REAL: Eklins vence em decisão dos juízes
PLACAR: Zanei 2 a 1, tropeço

– Joey Beltran (EUA) x Stipe Miocic (EUA)
PALPITE: Estreia de Miocic no UFC; Beltran vence em decisão dos juízes
VIDA REAL: Miocic vence em decisão dos juízes
PLACAR: Que vacilo, 2 a 2

Card preliminar (Spyke TV):

– Anthony Pettis (EUA) x Jeremy Stephens (EUA)
PALPITE: Pettis ganha em decisão dos juízes
VIDA REAL: Pettis ganha em decisão dos juízes
PLACAR: Zanei se recupera, 3 a 2

– Demian Maia (BRA) x Jorge Santiago (BRA)
PALPITE: Demian vence no segundo round
VIDA REAL: Demian vence em decisão dos juízes
PLACAR: Zanei avança, 4 a 2

Card principal (Combate):

– Melvin Guillard (EUA) x Joe Lauzon (EUA)
PALPITE: Lauzon vence no segundo round
VIDA REAL: Lauzon vence no primeiro round
PLACAR: Ah, garoto, Zanei 5 a 2

– Leonard Garcia (EUA) x Nam Phan (EUA)
PALPITE: Garcia vence em decisão dos juízes
VIDA REAL: Phan vence em decisão dos juízes
PLACAR: Na trave, Zanei 5 a 3

– Chael Sonnen (EUA) x Brian Stann (EUA)
PALPITE: Será? Vou arriscar vitória de Stann no segundo round
VIDA REAL: Sonnen vence no segundo round
PLACAR: Arriscado, Zanei 5 a 4

– José Aldo (BRA) x Kenny Florian (EUA)
PALPITE: Aldo leva, vai dar show e nocauteia no segundo round
VIDA REAL: Aldo vence em decisão dos juízes
PLACAR: Zanei 6 a 4

– Frankie Edgar (EUA) x Gray Maynard (EUA)
PALPITE: Outro chute arriscado: Maynard, nocaute, terceiro round
VIDA REAL: Edgar vence no quarto round
PLACAR: Zanei vence apertado, 6 a 5

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Fotos bacanas do UFC 136

Muito se falou sobre o UFC 136, e muita gente já viu tudo isso, mas resolvi inovar e fazer um post basicamente com fotos do evento. Lutas bacanas, legais, e fotos sensacionais. Não tem a máxima que uma imagem vale mais que mil palavras? Então, vale a pena curtir.

Zhang Tie Quan x Darren Elkins - Foto: Divulgação/UFC.com

Zhang Tie Quan x Darren Elkins - Foto: Divulgação/UFC.com

Aaron Simpson x Eric Schafer (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Aaron Simpson x Eric Schafer (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Aaron Simpson x Eric Schafer (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Aaron Simpson x Eric Schafer (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Aaron Simpson x Eric Schafer (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Aaron Simpson x Eric Schafer (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Leonard Garcia x Nam Phan (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Leonard Garcia x Nam Phan (e) - Foto: Divulgação/UFC.com

Anthony Pettis (d) x Jeremy Stephens - Foto: Divulgação/UFC.com

Anthony Pettis (d) x Jeremy Stephens - Foto: Divulgação/UFC.com

Frankie Edgar (d) x Gray Maynard - Foto: Divulgação/UFC.com

Frankie Edgar (d) x Gray Maynard - Foto: Divulgação/UFC.com

Demian Maia (d) x Jorge Santiago - Foto: Divulgação/UFC.com

Demian Maia (d) x Jorge Santiago - Foto: Divulgação/UFC.com

Leonard Garcia após a luta com Nam Phan - Foto: Divulgação/UFC.com

Leonard Garcia após a luta com Nam Phan - Foto: Divulgação/UFC.com

José Aldo (e) x Kenny Florian - Foto: Divulgação/UFC.com

José Aldo (e) x Kenny Florian - Foto: Divulgação/UFC.com

José Aldo x Kenny Florian (d) - Foto: Divulgação/UFC.com

José Aldo x Kenny Florian (d) - Foto: Divulgação/UFC.com

Frankie Edgar após a luta com Gray Maynard - Foto: Divulgação/UFC.com

Frankie Edgar após a luta com Gray Maynard - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran (e) x Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran (e) x Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran (e) x Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran (e) x Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran (e) x Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran (e) x Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran após a luta com Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

Joey Beltran após a luta com Stipe Miocic - Foto: Divulgação/UFC.com

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UFC 136: Aldo, Sonnen e uma luta principal sem alarde

Pôster de apresentação do UFC 136 - Foto: Divulgação

Pôster de apresentação do UFC 136 - Foto: Divulgação

Houston recebe na noite deste sábado o UFC 136. Curiosamente, meu interesse pela luta principal não é tão absurdo assim. Claro que vai ser bacana ver o terceiro episódio da saga Frankie Edgar x Gray Maynard, mas, venhamos e convenhamos: todo mundo quer ver José Aldo e Chael Sonnen em ação.

Aldo é uma espécie de Anderson Silva do peso pena. Suas lutas são sempre das mais movimentadas, e ele é um dos mais criativos lutadores de MMA do planeta. Só para se ter ideia do poder do atual campeão, em sua carreira, são 20 lutas, com 19 vitórias e uma derrotas, em 2005, para Luciano Azevedo. Ou seja, seu currículo dos mais sólidos.

Contagem regressiva: Aldo x Florian

O adversário de Aldo é Kenny Florian, um norte-americano gente boa, que fala português e tinha umas namoradinhas perdidas por aqui. Tive o prazer de entrevistá-lo no UFC 100, em Las Vegas. Agora, ele desceu de peso para enfrentar o campeão, mas não deve ser páreo duro. Até já admitiu que vai tomar muita porra esta noite. Florian que me desculpe, mas é o que eu espero.

Outra luta das mais aguardadas tem Chael Sonnen como protagonista. O lutador mais falastrão do UFC encara Brian Stann, que nunca, em toda a sua vida, teve uma torcida tão grande: obviamente, todos os brasileiros vão torcer, e muito, muito mesmo, contra Sonnen.

Depois de mais de um ano parado, estou curioso para ver como Sonnen vai entrar no octógono. Será que ele vai manter a intensidade que teve contra Anderson Silva? É possível, mas pouco provável. Assim como não acho que seria nenhuma idiotice achar que Stann pode surpreender e vencer. O cara está em forma, vem de três vitórias e vai para a sua quarta luta no ano. Acho que será um dos combates mais explosivos do UFC 136.

Tenho interesse em outras duas lutas. Primeiro, o duelo brasileiro entre Demian Maia e Jorge Santiago. Os dois perderam seus últimos combates e buscam a redenção. Mais do que isso, uma vitória pode ser o primeiro passo para voos mais altos na categoria. Lembrando que Maia já disputou o cinturão com Anderson Silva, e Santiago retornou ao UFC após cinco anos.

O outro combate interessante é entre Melvin Guillard e Joe Lauzon. O curioso é que são dois caras mais novos com um currículo enorme no UFC: Guillard tem 28 anos e 14 lutas (10 vitórias e 4 derrotas, contando The Ultimate Fighter), enquanto Lauzon é um ano mais novo e contabiliza 10 combates (7 vitórias e 3 derrotas). Guillard tem um chão consistente, mas sabe bater. Já Lauzon é um dos caras que eu mais gosto de ver lutar: sempre parte para cima, e seus combates dificilmente duram três rounds. Vai sair faísca.

Contagem regressiva: Edgar x Maynard

Enfim, a noite terminará com Edgar x Maynard. Edgar é o campeão do peso leve e tem apenas uma derrota na carreira, justamente para Maynard, em 2008. No dia 1º de janeiro, eles se enfrentaram pela segunda vez naquela que foi considerada a “luta do ano”, com porrada pra todo lado. Os juízes deram empate, e Edgar manteve o cinturão.

Assim, nada melhor do que um tira-teima para ver quem merece o título. Edgar é bom, muito bom mesmo. Maynard, idem. Curiosamente, Maynard nunca perdeu um combate: são 10 vitórias, 1 empate e 1 luta que acabou sem vencedor porque nenhum dos lutadores (o outro era Rob Emerson) tinham condições de continuar no octógono. Acho que, em Houston, chegou a vez dele manter a invencibilidade e ganhar o cinturão, dando pano pra manga para um quarto duelo com Edgar. É a luta principal da noite e tem tudo para ser bacana, mas, por outro lado, ficou meio de lado no card, especialmente para os brasileiros.

Pesagem do UFC 136

Abaixo, meus pitacos para os combates do UFC 136. Podem cobrar depois:

Card preliminar (dá pra ver no Facebook):

– Steve Cantwell (EUA) x Mike Massenzio (EUA)
Massenzio vence em decisão dos juízes

– Aaron Simpson (EUA) x Eric Schafer (EUA)
Simpson vence no segundo round

– Zhang Tie Quan (CHN) x Darren Elkins (EUA)
Equilibrada, Quan vence no terceiro roud

– Joey Beltran (EUA) x Stipe Miocic (EUA)
Estreia de Miocic no UFC; Beltran vence em decisão dos juízes

Card preliminar (Spyke TV):

– Anthony Pettis (EUA) x Jeremy Stephens (EUA)
Pettis ganha em decisão dos juízes

– Demian Maia (BRA) x Jorge Santiago (BRA)
Demian vence no segundo round

Card principal (Combate):

– Melvin Guillard (EUA) x Joe Lauzon (EUA)
Lauzon vence no segundo round

– Leonard Garcia (EUA) x Nam Phan (EUA)
Garcia vence em decisão dos juízes

– Chael Sonnen (EUA) x Brian Stann (EUA)
Será? Vou arriscar vitória de Stann no segundo round

– José Aldo (BRA) x Kenny Florian (EUA)
Aldo leva, vai dar show e nocauteia no segundo round

– Frankie Edgar (EUA) x Gray Maynard (EUA)
Outro chute arriscado: Maynard, nocaute, terceiro round

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Jon Jones, Anderson Silva e o cenário para o futuro do UFC

Anderson Silva e Jon Jones - Foto: Divulgação

Anderson Silva e Jon Jones - Foto: Divulgação

Seria pedante demais traçar quais serão os próximos passos do UFC diante do cenário atual do MMA. Mas, claro, como sempre, a gente dá pitacos aqui e ali e tenta entender, de uma maneira mais ampla e não apenas no âmbito esportivo, como as coisas acontecem.

Eu ia abrir esse texto falando sobre a vitória de Jon Jones sobre Quinton Rampage Jackson, mas acho que até a sua avó já tocou no assunto. Em resumo, o atual campeão não deu o show esperado e ficou longe de ser aquela luta sensacional que todos queriam ver (e, venhamos e convenhamos, dificilmente as disputas por título são assim, à exceção dos combates de Anderson Silva). Mas Jones é bom, muito bom mesmo, e ganhou de Rampage no chão. Show de bola!

Assim, o cenário do UFC no assunto disputa por títulos fica bem menos nebuloso. Abaixo, um raio-X do que pode acontecer nos próximos meses:

Pesados: obviamente, Cain Velásquez e Junior Cigano é o combate do ano. Quem ganhar deve enfrentar o vencedor de Brock Lesnar e Alistair Overeem, ex-Strikeforce, no UFC 141, dia 30 de dezembro. Minotauro corre por fora. As grandes lutas dos pesados saem desse grupinho de cinco gigantes. Frank Mir, Shane Carwin, Roy Nelson e companhia lideram o segundo pelotão. Fabricio Werdum pode voltar a brilhar se retornar ao UFC.

Meio-pesados: talvez seja a categoria com mais caras bons e, ao mesmo tempo, com um campeão muito melhor que eles (pelo menos atualmente). Pense bem, entre altos e baixos nas respectivas carreiras, Brandon Vera, Dan Henderson, Forrest Griffin, Lyoto Machida, Mauricio Shogun Rua, Minotouro, Phil Davis, Rampage, Rich Franklin e Ryan Bader estão na luta. Jones, absoluto na categoria não pela longevidade de seu cinturão (exatos 192 dias), mas pela ascensão meteórica de sua trajetória, vai colocar em jogo o título contra Rashad Evans. Acho que ninguém pensa em outro resultado que não seja uma nova vitória do campeão. Se isso acontecer, quem pega Jones? Revanche com Shogun? Disputa com Lyoto? O invicto Phil Davis? Ou a resposta que todos queriam ouvir: Anderson Silva?

Médios: outra categoria extremamente definida, já que não há ninguém no planeta capaz de deter Anderson Silva. Você pega a lista de lutadores da categoria e parece que o campeão já venceu todos eles 500 vezes. Dentro do peso, o único combate que eu vislumbro e que seria bem legal de acontecer por tudo que envolve é o round 2 entre Silva e Chael Sonnen. Quem sabe, depois, um round 2 contra Vitor Belfort. E é isso, não?

Meio-médios: também está ficando chato. Georges St-Pierre conseguiu o cinturão pela terceira vez em 2008 e, desde então, são seis vitórias e 1256 dias como campeão. Seu próximo rival seria Nick Diaz, mas o mané não foi a uma coletiva do evento e vai ser substituído por Carlos Condit na briga pelo cinturão no UFC 137, dia 29 de outubro. Diaz pega, no mesmo evento, BJ Penn. Ainda acho que BJ é um dos mais talentosos da categoria, mas sabe-se lá o que passa pela cabeça dele: tem hora que está animadão e superpreparado, tem hora que não está nem aí. Jon Fitch e Jake Ellenberger devem ser os próximos no caminho de St-Pierre.

Leve: Frankie Edgar é o campeão defende o título agora, no próximo UFC, o 136, dia 8 de outubro, contra Gray Maynard. O combate deve ser bacana: será a terceira vez que eles vão se encontrar, e Maynard é responsável pela única derrota da carreira de Edgar. Em janeiro, eles duelaram pela segunda vez, com empate (um juiz deu vitória de Maynard por 48-46, o outro deu vitória de Edgar pelo mesmo placar, e o terceiro anotou empate, 47-47). Se Edgar ganhar, pode ser o início de uma dinastia. Se perder, fica tudo em aberto, já que caras como Clay Guida, Ben Henderson, Thiago Tavares, Joe Lauzon, enfim, qualquer um pode se candidatar a brigar pelo título.

Pena: José Aldo é o cara e coloca o cinturão em jogo no UFC 136, contra Kenny Florian. A expectativa é de nova vitória do brasileiro, que vem sobrando na categoria e nunca perdeu no WEC/UFC (9 lutas, 9 vitórias). Hatsu Hioki, Chad Mendes, Diego Nunes e Tyson Griffin são os possíveis candidatos a disputar o cinturão com Aldo, uma espécie de Anderson Silva do peso pena.

Galo: a categoria, que, assim como o peso pena, veio do extinto WEC (divisão do UFC para os pesos mais leves), tem Dominick Cruz como atual campeão e disputa pelo título agora, dia 1º de outubro, contra Demetrious Johnson. O combate promete ser bem divertido, assim como tem sido a categoria, repleta de bons candidatos ao cinturão, como Brian Bowles, Joseph Benavidez, Miguel Torres e Urijah Faber, entre outros.

Mas, diante de todo esse cenário, a pergunta que fica no ar é: dane-se Silva x St-Pierre, queremos Silva x Jones. A bola está com o senhor, Dana White. O UFC não é melhor que o boxe por que dá para os torcedores as lutas que os torcedores querem ver? Pois bem, queremos Silva x Jones. E logo! Depois, pode até fechar o UFC, “mister” Dana.

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