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Nenê x LeBron: quando um toco vale mais que mil palavras

O toco de Nenê em LeBron: antológico - Foto: Getty

O toco de Nenê em LeBron: antológico – Foto: Getty

Toco. Block, chame como quiser. O fato é que a jogada é uma das mais especiais do esporte. O objetivo do basquete, claro, é a cesta. O toco é a “anti-cesta”, o momento em que a frustração de quem o leva se mistura com a euforia de quem o aplica. É nessa hora que os imortais percebem do que uma mão espalmada batendo na bola é capaz. É nessa hora que os imortais se tornam se sentem meros mortais.

Quarta-feira, 15 de julho. Washington Wizards 114 x 97 Miami Heat. O placar, nesse caso, nada importa. O que valeu mesmo não demorou nem 1min para acontecer. Contragolpe do Heat, bola nas mãos de LeBron James. Explosão, velocidade, apetite pela cesta. A cena se repete noite após noite na NBA: lá vem mais uma jogada absurda do herdeiro de Michael Jordan.

Quando uma cena se repete muito, a gente sabe o que vai acontecer. Talvez Nenê Hilário, em um daqueles lampejos que sabe deus de onde surgem, soubesse desde o início. LeBron arranca. O brasileiro, no meio do garrafão, parece desistir da jogada. O gênio do Heat acelera e passa fácil por dois rivais. O pivô, “morto” no meio do garrafão, também. O craque voa. O gigante, idem. O monstro ensaia e executa uma bandeja. Uma mão estratosférica surge no caminho, um tapão na bola daqueles ecoa. A cena de sempre, pasmem, teve um novo final. O imortal, pasmem, trombou com um mortal. O imortal, pasmem, acaba a jogada no chão. O imortal, pasmem, se vê como um ser humano normal.

O lance é um dos mais espetaculares da temporada da NBA. Esqueçam que Nenê é brasileiro. O ponto é outro: parar LeBron é quase impossível. No ar, então, fazendo o que mais sabe, que é atacar a cesta, a tarefa é praticamente impraticável. O que geralmente se faz é parar, ver o que vai rolar e bater palma: ponto para o Heat, mais uma jogada para o DVD infinito de melhores momentos do craque. É assim o script.

Mas o pivô subverteu a ordem natural das coisas. Ousou. Os passos, contei dois aqui, foram rápidos, precisos. O salto, o tapa na bola, enfim, o movimento todo foi extremamente sincronizado. E LeBron, que cansou de fazer cestas assim, se viu estatelado no chão.

É óbvio que não foi o primeiro toco que LeBron levou na vida. É óbvio que não será o último. Mas foi “o” toco. com todos os ingredientes de crueldade que um block tem. Chame como quiser, e esse texto de seis parágrafos tenta, tenta, mas não explica nada. É a imagem que vale. E Nenê mostrou para uma das lendas vivas do esporte mundial que um belo toco vale mais que mil palavras.

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Pierce x LeBron: olhos nos olhos para a história

Os olhos nos olhos de Paul Pierce x LeBron James - Foto: Twitter/@jose3030

Paul Pierce x LeBron James. duelo com momento épico – Foto: Twitter/@jose3030

Olhos nos olhos. Tempo passando, escorrendo para o final. Olhos nos olhos. Público de pé. Olhos nos olhos. Tensão no ar. Olhos nos olhos. Barulho ensurdecedor. Olhos nos olhos.

De um lado, Paul Pierce com a bola. Veterano de 36 anos. Cara que comeu o pão que o capeta amassou antes de saborear o título e a glória nos Celtics.

De outro, LeBron James na marcação. Aos 29 anos, o cara surgiu como uma nova lenda da NBA. E é. Não é?

Olhos nos olhos.

O que passa na cabeça desses monstros em uma hora como essa? Se eu, em casa, sentado no meu sofá, levantei para ver e fiquei com o coração na mão, imagina quem está no ginásio? E quem está com a bola na mão? E quem está marcando?

Olhos nos olhos.

Em noite de apelidos na camisa, era “Truth” contra “King James”. “A verdade” contra o “Rei”. Haja simbolismo!

Olhos nos olhos.

São poucos segundos que carregam história, emoção, passado e legado. Como pode? É um daqueles momentos sublimes do esporte, quando caras geniais se vêem frente a frente literalmente. O coletivo vira individual, o duelo vira pessoal. O mundo para e só tem um ao outro. Cara a cara. Haja metáfora para explicar tudo isso.

Olhos nos olhos!

P.S.1: O lance não deu em nada, o arremesso de Pierce namorou com a cesta, mas passeou pelo aro e saiu. Prorrogação. Mas, tanto faz, o que valeu foi o momento mágico dos olhos nos olhos.
P.S.2: LeBron já estava fora de quadra, eliminado por faltas, quando Norris Cole empatou a segunda prorrogação. Pierce teve, de novo, a bola decisiva nas mãos, novo erro, nova prorrogação.
P.S.3: Enfim, Nets 104 x 95 Heat. Que partida de Shaun Livingston! Que jogo, que jogo, QUE JOGO! Tudo sobre o jogaço, inclusive com o vídeo do lance genial e de outros mais, está aqui!

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Jordan ou LeBron?

Existem discussões eternas, especialmente no mundo do esporte, sobre quem é melhor que quem. Pelé, Maradona ou Messi? Senna ou Schumacher? Jordan ou LeBron? A lista segue eternamente. São sete nomes nesse parágrafo: cada um com pontos a serem (arduamente) defendidos.

E se, sugestão breve, ao invés de ficar debatendo quem é melhor, quem sabe a gente resolvesse, vez ou outra, apreciar a genialidade desses caras? E se, quem sabe, e quem sou eu pra dizer, a gente trocasse a ranzinzice de brigar por A ou B e para aproveitar dribles, ultrapassagens e enterradas com sorrisos nos rostos?

Um exemplo. Apenas para esclarecer o ponto:

Quem é “viúva” de Michael Jordan levanta a mão?
Eu.

Quem acha que ele é um gênio?
Eu.

Quem torce para o Chicago Bulls por causa dele?
Eu.

Quem gosta de LeBron James?
Eu, bem, não.

Por quê?
Pela patacoada de sua saída de Cleveland.

Ok, dane-se o motivo. Ele é bom?
Sim.

Ele é muito bom?
Sim, muito.

Ele é um gênio?
Sim.

Ele é melhor que Jordan?
Não.

Ele será melhor que Jordan?
Não sei. E daí?

E daí que eu não vou discutir. Minhas razões para não gostar do que LeBron fez são as mesmas de trocentas outras pessoas, mas isso não me impede de achar que o cara é um monstro. É o cara mais perto de chegar no Olimpo de Jordan. É o cara que pode superar o reinado do eterno Michael. É o cara!

Perceba que há uma linha tênue entre o amor e o, digamos, ódio. Perceba que o não gostar bate de frente toda hora com a admiração. Perceba que prefiro ficar com a minha discussão interna e me divertir vendo o cara fazer coisas que ninguém fez do que ficar batendo boca sobre isso ou aquilo.

A linha tênue é tão fina que me animou a torrar mais dinheiro do que precisava para ver um Orlando Magic se arrastando contra um Miami Heat voando ao vivo e a cores só para contar para os netos que, se não vi Jordan em ação, vi, sim, LeBron “cara a cara”.

Mais que um? LeBron bate lance livre em quadra e no telão na vitória sobre o Magic - 20/11/2013 - Fonte: Ricardo Zanei

Mais que um? LeBron bate lance livre em quadra e no telão na vitória sobre o Magic – 20/11/2013 – Fonte: Ricardo Zanei

É legal discutir se ele é melhor que Jordan? É sim. É tema de bar, do pingado matinal à cerveja da madruga. Mas, às vezes, quem sabe, é mais legal deixar o bate-boca infinito de lado e ficar babando com as maravilhas que estamos testemunhando. Sabe aqueles senhores que falam de Pelé e Garrincha com um olhar invejoso (inveja boa) no passado, relembrando tempos geniais? Pois é, esse passado está ao vivo agora para quem quiser aproveitar.

Pensando nisso, LeBron fez coisas inacreditáveis nos últimos dias. Destaco duas delas. A primeira, contra os Lakers: uma enterrada de canhota. Uma enterrada de canhota em velocidade absurda. Uma enterrada de canhota em velocidade absurda com um olho no aro e outro na tabela, que passou milímetros de sua cabeça. Um lance para ser estudado pela ciência pela plasticidade, pela aceleração, pela sincronia, por tudo isso e muito mais. Uma jogada absurda.

A segunda: uma assistência. Dia: 30 de dezembro. Vítima: Nuggets. Foi cesta: não. Não deu em nada então? Ah, foi falta para o Heat, em cima do Mario Chalmers. Então… Então, foi genial! Sport Science se faz mais do que necessário para entender como o cara olha para a bola, vê um companheiro a meia quadra à frente e, com um tapa, repito, um TAPA, manda a bola na mão do amiguinho. Aguardo explicações lógicas para tal fato.

Quem é melhor? Pelé, Maradona ou Messi? Senna ou Schumacher? Jordan ou LeBron? Amanhã a gente discute!

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LeBron, Durant, dois abraços e grandes histórias

Cena 1

LeBron James abraça Kevin Durant - Foto: Don Emmert/AFP

LeBron James abraça Kevin Durant – Foto: Don Emmert/AFP

LeBron James, enfim, conquista o seu primeiro título da NBA. Um dos maiores jogadores da história da liga tem, agora, o carimbo de campeão. Era, basicamente, o que faltava.

Seu primeiro ato como campeão foi um abraço apertado em Kevin Durant. Um encontro emocionante entre presente e presente do basquete. A estrela do Oklahoma City Thunder é, pra mim, top 3 entre os melhores da liga e está a poucos passos do rol de imortais.

Isso tudo aos 22 anos, com foi com LeBron no passado. O abraço representa muito, muito mesmo. Imagino o cara que chegou ao Olimpo dizendo: “Meu amigo, eu já estive aí, já perdi, mas, veja só, ganhei agora. O próximo é você”. Emocionante, emocionante!

A entrevista

Doris Burke, da ESPN, é uma das melhores perguntadoras do jornalismo mundial, não apenas quando o assunto é esporte. Sem rodeios, ela tem o sangue frio de arrancar dos caras, ainda no calor do momento, respostas das mais francas. Quem é jornalista sabe que isso é uma arte.

A pergunta que me chamou a atenção foi: “Você dominou a final em um contraste com o que vimos na final do último ano. O que te colocou no trilho para voltar a ser LeBron James?”. É, ao mesmo tempo, uma pergunta crítica, pelo sumiço do craque na decisão da última temporada, e elogiosa, pela ascensão da fera na decisão de agora.

“Losing in the Finals last year put me back in place.”

Cena 2

Kevin Durant é consolado por seus familiares - Foto: Reprodução de TV

Kevin Durant é consolado por seus familiares – Foto: Reprodução de TV

Perder a final para o Dallas Mavericks na última temporada foi o “turning point” para LeBron. Talvez não apenas pela derrota em si, mas pela maneira como foi: fora de quadra, repleta de comentários pejorativos contra os rivais; com a bola nas mãos, apática.

Perder a final fez LeBron acordar, perceber que só se ganha no basquete com um jogo coletivo. Michael Jordan, Julius Erving, Magic Johnson, Wilt Charberlain, Bill Russell, Kobe Bryant, Larry Bird, monstros sagrados da história do esporte, nunca venceram nada sozinhos.

Perder a final fez LeBron crescer, amadurecer. O louco da história é constatar que, jogando coletivamente, o desempenho individual do craque floresceu, renasceu e, mais do que isso, explodiu. LeBron foi o cara das finais não porque pegou a bola e fez tudo sozinho. Foi o cara das finais porque soube o momento de decidir, soube o momento – e isso deve doer para quem tem habilidade para decidir – de passar a bola para alguém nem tão bom como ele soltar o braço.

Aí, as câmeras mostram a saída dos jogadores do Thunder. Durant, visivelmente abatido e abalado com aquele turbilhão de emoções, encontra os pais. Um abraço daqueles que enche os olhos de lágrimas só de lembrar. É mais do que o ato de colocar aos braços ao redor da cria: é acolher um gigante que, naquele momento, nada mais é do que uma criança cambaleante, sem destino, querendo apenas o colo dos pais.

Ontem, hoje, amanhã
É aí que passado e presente se unem. É aí que o círculo se fecha: a derrota de LeBron na última temporada, o abraço dele em Durant e o encontro da fera do Thunder com os pais. É aí que o tropeço – e, mais do que isso, a dor profunda que traz esse tropeço – de um ano vira aprendizado para o dia seguinte, o jogo seguinte, a final seguinte, o título inédito.

Durant talvez seja o LeBron de amanhã. Talvez seja mais, talvez seja menos. O futuro vai dizer. Mas deixam no ar que esses abraços, essa vitória e essa derrota significam muito, muito mesmo, para o esporte. Derrota e vitória, dor e sorriso unidos por um abraço. Nada mais bonito.

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Dwight Howard imita Barkley e LeBron

Dwight Howard é meio engraçadolho e, convenhamos, não é um excelente imitador. Mas bem que parece Charles Barkley falando. Já o LeBron James ficou ruim pra caramba, mas, fazer o quê…

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Enquanto a NBA está em greve (2)… LeBron, Kobe e Rose se divertem

Ninguém sabe se terá temporada 2011-2012 da NBA. Enquanto isso… LeBron James se divertiu participando de um joguinho da Drew League, brincadeirinha de verão que coloca um monte de craque em quadra. Em sua estreia na liga, LeBron fez 30 pontos, 7 assistências, 7 rebotes e pelo menos dois tocos geniais. O vídeo abaixo tá aí pra mostrar a estrela do Miami Heat em ação:

Quem também tem brincado de basquete é Kobe Bryant e Derrick Rose. A duplinha participou de um amistoso nas Filipinas e arquitetou uma jogada MVP. Kobe, MVP em 2007-2008, faz uma ponte aérea genial para Rose, MVP em 2010-2011.

De volta às ligas de verão… Esse lance foi na semana passada, mas enterrada é enterrada. Nick Young, do Washington Wizards, foi o autor da proeza. A galera foi ao delírio.

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Yao se aposenta, mas sempre teremos Shaq

Shaq fantasiado de mulher - Fonte: Twitter/@SHAQ

Shaq fantasiado de mulher - Fonte: Twitter/@SHAQ

Yao Ming se aposentou nesta quarta-feira. Shaquille O’Neall anunciou o fim de sua carreira no dia 1º de junho, via Twitter. Dois pivôs que deixam as quadras, com uma diferença: sempre teremos Shaq, agora como comentarista.

Shaq ajudou a moldar o basquete como conhecemos hoje. Gigante, pesado, era difícil de ser tirado do caminho e atropelava os marcadores por ter explosão e velocidade absurdas para um cara do seu tamanho (2,16 m, 147 kg nos tempos áureos). Se fosse mais técnico, seria um novo Wilt Chamberlain.

Na semana passada, a TNT anunciou a contratação de Shaq como comentarista de basquete do canal, mesmo sem saber se teremos temporada da NBA. E, em uma das suas primeiras inserções, nesta terça, dia 19, ele já nos divertiu.

Ao falar sobre o Miami Heat, ele citou LeBron James e Dwayne Wade, chamando a dupla de “Big Two”. Para quem acompanha a NBA, com a chegada de LeBron e Chris Bosh antes da última temporada, o time da Flórida tinha o “Big Three”, a espinha dorsal estrelar da equipe: Wade-LeBron-Bosh.

No vídeo abaixo (encontrado via InsideHoops.com, Shaq fala do poder defensivo de LeBron e Wade, de como o time pode melhorar com o apetite e a intensidade que os dois terão depois do fracasso nas finais contra o Dallas. Bosh é sumariamente esquecido, mas o apresentador tenta lembrar Shaq do ala-pivô. De novo, o comentarista fala de LeBron e Wade e esquece Bosh.

Várias questões surgem ao ouvir Shaq falar: Será que o Heat precisa de mais um homem forte para o garrafão? Se sim, de onde vai tirar grana para isso? Seria melhor ter esperado mais duas temporadas e tentado um tiro certeiro em um pivôzão como Dwight Howard? Será que Wade e LeBron vão segurar a onda e conquistar o título “sem” Bosh?

Não tenho ideia das respostas, mas sei que sempre teremos Shaq. Ele sempre foi engraçado, irônico, bonachão, piadista, e dono de um carisma absurdo. Isso tudo não se aposenta. Ainda bem!

Shaq e o Big Two do Miami Heat

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