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Ronaldinho, um conto de fadas para Atlético-MG ver

Ronaldinho Gaúcho no Atlético-MG - Foto: Bruno Cantini/Divulgação

Ronaldinho Gaúcho no Atlético-MG – Foto: Bruno Cantini/Divulgação

Ronaldinho deixou o Flamengo pela porta dos fundos, sorrateiro, na calada da noite. Mas chegou ao Atlético-MG à luz do dia, sem a mesma festa dos tempos da Gávea, mas com trabalho, muito trabalho.

Colocou o uniforme, bateu bola com os companheiros, correu, suou. Animou os outros jogadores com o seu ânimo de jogar.

Diminuiu bastante a sua pretensão salarial. Ou seja, dane-se o dinheiro, que ele já tem muito: agora é a hora de jogar bola, de mostrar a que veio.

Ronaldinho, enfim, está com sangue nos olhos.

Tem tudo para ser aquele cara que encantou o mundo com a camisa do Barcelona. Dribles desconcertantes e inesquecíveis. Passes mirabolantes, vesgos, daqueles de olhar para a frente e mandar a bola lá do outro lado, redonda, limpa, para o atacante marcar.

Estão de volta as cobranças de falta magníficas. Aquele olhar fixo na bola, na barreira, no gol, na bola, na barreira, no gol, marca registrada do Gaúcho, vão abrilhantar o futebol mineiro.

É a hora da redenção, de botar para quebrar, de mostrar que quem é rei nunca perde a majestade.

É agora que Ronaldinho vai fazer tudo o que já fez, aquele futebol moleque, quase irresponsável, somado a uma objetividade ímpar. Aquele futebol que o fez ser comparado a deuses como Maradona e até Pelé.

Serão gols e mais gols, dribles e mais dribles. Haja replay para mostrar tanta habilidade, tanta maestria.

Ronaldinho, enfim, será Ronaldinho. E vai mostrar para o mundo que esse lapso na sua carreira foi apenas um lapso, uma página a ser virada. Daqui pra frente, é escrever de vez o nome na história do mundo da bola. Com letras maiúsculas!

Você acredita em tudo isso? Eu não. De pé junto, “duvideodó”. Mas parece que tem gente que ainda acredita. Até quando?

Capa do Jornal Meia Hora, edição de 05/06/12 - Foto: Divulgação

Capa do Jornal Meia Hora, edição de 05/06/12 – Foto: Divulgação

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Como parar Neymar: a visão do meu porteiro, a minha e uma admiração

Neymar - Foto: Flickr/Santos

Neymar – Foto: Flickr/Santos

Um dos porteiros do meu prédio é são-paulino. Sei que alguns vão achar que a sequência de palavras é redundância, mas é daqueles são-paulinos chatos mesmo, sabe? Tão chato que irrita até outros são-paulinos. Além de achar que Lucas é melhor que Messi e Cristiano Ronaldo juntos, ele odeia o Neymar. E tem táticas para parar o santista.

Segundo ele, basta quebrar a perna de Neymar. Simples assim. A cada jogo do Santos, todas as vezes que eu cruzo com meu porteiro, a frase é quase sempre a mesma: “Ricardo, se eu vejo ele na minha frente, pisaria no tornozelo dele”. O que muda, basicamente, é o local do corpo a ser atingido: canela, tornozelo, joelho. Mas a fratura é sempre a solução.

Por outro lado, vira e mexe, meu porteiro sempre fala a mesma coisa: “Rapaz, como é legal o cara ganhar a vida com o dom que Deus deu, né? Esse Neymar aí ganha muito dinheiro para jogar bola, né?”. E aí o papo vira em torno do salário milionário do santista.

Fico pensando algumas coisas sempre que eu falo com o meu porteiro. A primeira delas é que ele tem razão: é sensacional ver uma pessoa ganhar a vida com um dom, seja esportivo, seja musical, seja de qualquer coisa. A outra é que, para quebrar a perna de Neymar, meu porteiro teria que fazer uma falta nele, certo? Mas eu duvido que ele – ou eu ou uns 99,9% da população mundial – tenha a capacidade de encostar em Neymar em uma disputa de bola, quanto mais fazer uma faltinha.

Diante disso, fico com a minha solução para parar Neymar: com a bola nos pés, esportivamente falando, não há. Claro que existe a pólvora e tudo mais, mas essa ideia eu não vou dar para o meu porteiro.

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Messi e, quadro a quadro, uma pintura de gol – parte 2

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

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Messi e, quadro a quadro, uma pintura de gol – parte 1

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

Messi e uma pintura de gol - Foto: Reprodução, Arte/Ricardo Zanei

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Eu tenho medo do Messi. De Neymar. E de mariposa.

Neymar - Foto: AP/Andre Penner

Neymar - Foto: AP/Andre Penner

Não sou aquele cara corajoso, mas, sabe como é, tenho medo de algumas coisas. Todo homem tem. Quem fala que não tem está mentindo. Por exemplo, eu tenho medo de mariposa. Borboleta, tudo bem. Mariposa, não dá, é um bicho estranho. Depois dos últimos acontecimentos, tenho medo de Messi. E de Neymar.

Não vi nada ao vivo do show do Barcelona. Procurei, depois, ver tudo. No fim, não tem muito o que dizer, a não ser: o que é o Messi? É assustador o que esse rapaz faz com a bola. Tudo nele, parece especial. Ao mesmo tempo, você olha para aquele argentino e não vê nada demais. Simples, como o seu futebol.

E a Catalunya Radio, da Espanha, disse que o comprimido tomado por Messi antes da partida era para dor de cabeça. Sério? Sério mesmo? Só pode ser piada… Imagina sem a pílula mágica?

Aí vem o Neymar e faz o que faz. E eu pergunto: o que é o Neymar? Impressionante. A capacidade de improvisão e de mudar de direção em alta velocidade faz com que ele seja completamente “imarcável”. Mas nem com um tanque de guerra você consegue parar o santista.

“Preciso ver na televisão para entender o que eu fiz nos gols. Só sei que fui passando, driblando e, quando vi, estava na cara do gol”

Impressionante.

Imagino o pavor e o terror que os jogadores que vão enfrentar esses caras sentem. Deve dar aquele frio glacial na barriga. Pior de tudo é saber que não tem muito o que fazer, né? Basicamente é bater palma.

O que me deixa extremamente feliz é saber que estamos vendo a história ser feita. Se Messi será – ou já é – melhor do que Maradona, se Neymar será o rei da bola no mundo, só Deus sabe. Mas o que eles estão construindo é extremamente bonito. E está aí pra gente ver.

Por falar em ver, depois do que eu vi e lembrando do que eu já tinha visto, cheguei à conclusão que eu tenho medo do Messi. E do Neymar. Mas pavor, mesmo, só de mariposa.

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Messi e Barcos, a quarta-feira argentina e uma caixinha de surpresas

O dia de Messi e Barcos - Foto: Reuters e AE, Arte/Ricardo Zanei

O dia de Messi e Barcos - Foto: Reuters e AE, Arte/Ricardo Zanei

É curioso como as histórias de dois caras completamente diferentes podem ter algo em comum no mesmo dia. Aliás, em comum, além da nacionalidade argentina, foi o fato de brilharem na mesma quarta-feira. A qualidade é incomparável, as torcidas são diferentes, mas Lionel Messi e Hernán Barcos fizeram a felicidade de muitos torcedores no planeta.

Começando pelo astro, parece até que foi a estreia de Messi com a camisa da Argentina. Mas ouso dizer que foi a primeira vez que ele se sentiu tão à vontade com o uniforme nacional. Parecia que ele era o 10 dos “hermanos” há décadas.

Mas o mais engraçado é que Messi fez basicamente o que faz no Barcelona. Aliás, essa era (era ou é?) a grande crítica sobre ele: o Messi da Argentina não é o mesmo Messi do Barça. Dessa vez, o cara que joga na Espanha se apresentou na melhor forma possível e atropelou a Suíça.

Tem gente que falou e vai falar “também, contra a Suíça, é obrigação”. O Brasil pega trocentas galinhas mortas por aí, zilhões de Suíças, e nem por isso tem jogador deitando e rolando. Também acho que jogar bem contra a Suíça é obrigação, e Messi cumpriu a dele com louvor. Batemos palmas, pois!

O lance do primeiro gol é um primor, dá vontade de emoldurar e colocar na parede. A arrancada tradicional de Messi, o passe preciso para Aguero, a assistência em um calcanhar socrático, a ajeitadinha já clássica e o tiro certeiro, letal, no cantinho. De chorar.

Suíça 1 x 3 Argentina

O curioso é que, mesmo com a imagem fechada, contei 11 suíços no campo de defesa. Quando Messi recebe a bola, são 7 caras à pequena ou média distância do craque. E ele não faz nada absurdo: gira o corpo, dá dois toques, passa para Aguero, recebe de volta, ajeita e bate. Talvez seja esse o segredo dele, a simplicidade. Monstruoso!

Messi, 1º gol contra a Suíça - Foto: Reprodução de TV e Arte/Ricardo Zanei

Messi, 1º gol contra a Suíça - Foto: Reprodução de TV e Arte/Ricardo Zanei

O outro argentino que roubou a cena na quarta-feira foi Barcos, do Palmeiras. Quem diria que esse cara ia ter tanto sucesso em tão pouco tempo, hein? Acho que nem Felipão, que bancou a sua contratação, achava que isso ia acontecer. Sonhar, sonhava, mas acreditar mesmo, acho que não.

A única pessoa que acreditava que Barcos teria sucesso no Palestra era o próprio Barcos. Como um cara que acaba de desembarcar em outro país fala que vai marcar 27 gols na temporada? Confiança, meus caros! E isso, ele tem de sobra. Já são cinco gols em seis jogos, faltam “só” 22. Corro o risco de uma análise precoce, mas acho que é o melhor centroavante que o Palmeiras teve desde a última passagem de Vágner Love pelo Palestra. Finalmente, o torcedor alviverde pode dizer que tem um camisa 9.

O primeiro gol contra o São Paulo mostrou que Barcos tem qualidade. O domínio de bola, o corte nos zagueiros, o chute de canhota: foi um belo lance. Agora, contra o Linense, ele fez um gol, digamos, à la Messi. Brigou para ganhar a bola no meio-campo. Arrancou para o ataque, deu uma meia-lua desconcertante no zagueiro. Aí, pensei que ele ia soltar aquela cacetada. Que nada, resolveu a situação com um toquinho por cobertura no goleiro. Que golaço! Ficaria bem bonito ao lado do de Messi na minha parede!

Golaço de Barcos contra o Linense

A narração de Cléber Machado, para uns, deprecia o futebol de Barcos. Para mim, é precisa: “Vai se revelando como um jogador com bons recursos. Ele é lento, ele não é habilidoso. Ele deu um pique bom. E deu uma meia-lua espetacular no Pablo. E para completar, um toque sutil”. O que o narrador global quer dizer é que o argentino está longe de ser um gênio da bola, mas também está longe de ser um troglodita. E, fazendo, gol, quem se importa?

Com Messi e Barcos, a quarta-feira teve um gostinho argentino. Quem diria que esse craque e esse artilheiro que o futebol brasileiro começa a conhecer seriam protagonistas no mesmo dia. E mais: com golaços e com elogios. Não tem mais bobo no futebol, mas o futebol continua a ser uma caixinha de surpresas.

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Durant, o melhor da NBA sem NBA

Durant enterra na greve da NBA - Foto: Reprodução de TV

Durant enterra na greve da NBA - Foto: Reprodução de TV

A NBA está prestes a voltar, e todo fantático por basquete não vê a hora de isso acontecer. A greve teve algo de bom, sim: serviu para que acompanhássemos como os feras trataram o período de descanso. E Kevin Durant sobrou.

Teve jogador que colocou o passaporte em dia e viajou o mundo inteiro, como Dwight Howard. Outros ampliaram a agenda de compromissos com os patrocinadores, como LeBron James. Alguns misturaram passeios com publicidade com vida social, como Kobe Bryant. Outros casaram e já separaram, como Kris Humphries. Todos, sem exceção, entraram em quadra em algum momento. Mas ninguém jogou tanta bola como Durant.

Claro que o período maior de férias serve para que os atletas coloquem as baterias em dia e recuperem a energia. Foi o tempo de passear e rever a família. Mas, como todo fim de ano de futebol, jogador não consegue ficar longe da bola. Sem a NBA, as Ligas de verão e uma série de jogos beneficentes pipocaram ao redor do mundo. Durant parecia que estava em todos eles.

Não vi nenhum levantamento de minutos em quadra, mas tenho a impressão que a estrela do Oklahoma City Thunder foi quem mais bateu sua bolinha na greve. Mais do que isso, jogou bem, muito bem mesmo. Ao fim de tudo que era jogo, o que se via era um Durant com 30, 40, 50 pontos. Sobraram dribles e enterradas para todos os gostos.

É necessário ponderar que um jogo fora de competição tem um jeitão de pelada, com o objetivo de divertir, tanto o público como quem está em quadra. Vendo por esse ângulo, Durant foi a grande diversão da greve.

Abaixo, um vídeo com grandes momentos de Durant no período sem NBA. Sabe aquele DVD que os empresários fazem dos seus jogadores? O clipe poderia bem ser usado pelo ala para mostrar como ele passou bem as suas férias. Um dia, se um futuro filho de Durant perguntar sobre o “locaute”, a resposta está na ponta da língua: “moleque, eu fui o melhor da NBA sem NBA”.

P.S.: O que quer dizer o fato de Durant ter sido o melhor da NBA durante a greve? Nada. A temporada dele pode ser ridícula, mas vai me dizer que não que é bacana ver o que ele fez nas férias forçadas?

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