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São Paulo, enfim, contrata um técnico; falta só um presidente

Ney Franco, novo técnico do São Paulo - Foto: Divulgação

Ney Franco, novo técnico do São Paulo – Foto: Divulgação

(Colocando o papo em dia, parte 1) Sempre achei que a contratação de Emerson Leão pelo São Paulo era algo, digamos, ilusório. Para mim, o clube ainda procurava um técnico. A renoação de contrato com ele não me fez mudar de ideia. Mas, a chegada de Ney Franco, sim.

Um indício é o período de contrato, até dezembro do ano que vem. Muito diferente dos dois meses propostos – e aceitos – por Leão no primeiro contrato. Claro, tenho certeza que contrato, a maioria das vezes, é feito para ser quebrado, mas, vai saber.

Outro fato são as categorias de base. O clube do Morumbi sempre foi uma espécie de celeiro de bons jogadores, mas muitos não conseguiram se firmar no time principal. Outros, nem foram aproveitados. Com pouco dinheiro no bolso, usar o que é produzido em casa é a única saída. E Ney Franco me parece a escolha certa para isso.

Aliás, foi com ele que Lucas fez a melhor apresentação de sua carreira, nos 6 a 0 sobre o Uruguai, na última rodada do Sul-Americano Sub-20, em fevereiro do ano passado. O resultado, além do título, levou o Brasil às Olimpíadas de Londres. Naquele dia, o meia-atacante fez chover, marcando três gols e dando dribles e mais dribles. Casemiro e Willian José também estavam naquele time.

Foi com Ney Franco, também, que o Brasil foi campeão mundial sub-20, em agosto de 2011. Bruno Uvini, Casemiro, Willian José e até Henrique formavam aquela equipe. Henrique, hoje emprestado ao Vitória, foi eleito o melhor jogador do mundo. Em sua carreira profissional no São Paulo, foram 14 jogos e 1 gol. Aliás, como profissional, foram 39 partidas, e apenas 6 gols marcados. Apenas para comparar, com Ney, no Mundial, ele foi o artilheiro, com 5 gols em 7 jogos.

Se vai dar certo ou não, o tempo vai dizer. Mas o fato é que, depois de nove meses, o São Paulo, enfim, contrata um técnico. Falta, agora, abrir eleições presidenciais. Aí, sim, o clube terá comando e não mandos e desmandos.

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São Paulo procura técnico desde outubro, mas precisa de um presidente há muito tempo

Emerson Leão é demitido do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão é demitido do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão chegou ao São Paulo em outubro do ano passado, inicialmente com um contrato de dois meses. Mais de oito meses depois, ele é demitido do cargo. Minha opinião sobre isso se mantém intacta, é a mesma de “São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?”, texto que publiquei aqui no blog na data da contratação.

Leão não conseguiu transformar o São Paulo em um time, equipe. Acho que o principal problema foi a ausência de habilidade do treinador no que deveria ser sua especialidade, ou seja, treinar. Sabe aquele lance de prazo de validade? Pois é, deve ser por isso. O choque na chegada camufla os erros táticos, mas, a longo prazo, eles vão aparecendo. No caso do São Paulo, está escancarado que o time não tem o mínimo de organização.

Quando o São Paulo contratou Leão, minha impressão era que o clube continuava atrás de um técnico. Aliás, em todo o seu período no clube, o ex-goleiro nunca teve um apoio maciço da diretoria, alguém que batesse na mesa e deixasse o cara trabalhar em paz. Pelo contrário, o treinador foi sabotado ali dentro em várias oportunidades. A mais clara delas foi o caso Paulo Miranda, que evidenciou a total falta de comando do clube.

E é aí o grande problema. Dane-se quem será o próximo treinador. Na verdade, o principal problema do São Paulo é o seu presidente. Juvenal Juvêncio ficou completamente entorpecido pelo poder. Perdeu o foco com a ausência do Morumbi na Copa do Mundo de 2014 e, dali para a frente, seu mandato degringolou. Mandato, aliás, perpetuado graças a uma manobra jurídica. Ou seja, tudo errado.

O São Paulo já foi, sim, um clube de vanguarda no assunto administração. Deu a cara para bater contra mandos e desmandos aqui e ali, achou soluções criativas para uma série de assuntos cá e acolá. Mas isso faz tanto tempo que parece estar num passado distante, quase esquecido.

Hoje, o São Paulo passa por uma crise política das mais graves de sua história. Nau à deriva. No comando, cambaleante, mas com um nariz empinado que só o dele, está lá Juvenal, impassivo, “soberano”. E é aí, por se achar tão “soberano” assim, slogan que estampou o tricampeonato brasileiro, que o dirigente se afundou. E vem afundando o time junto com ele.

Desde outubro o São Paulo procura um novo técnico. Mas, sinceramente, o buraco é mais embaixo. Ao invés de trocar de treinador, o clube deveria procurar uma renovação política e mudar, principalmente, de presidente, de diretoria. Se um dia, o sonho é voltar a ser vanguardista, tem que dar o primeiro passo agora. Arrumar a casa é o primeiro ato para arrumar o futebol. Sem Juvenal e sem tanta gente que já passou do tempo por ali.

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

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Andrés x Juvenal: o que eles falam e o que a gente ouve

Andrés Sanchez e Juvenal Juvêncio - Foto: Tom Dib/Lancepress

Andrés Sanchez e Juvenal Juvêncio - Foto: Tom Dib/Lancepress

Particularmente, acho muito divertido o bate-boca entre Andrés Sanchez e Juvenal Juvêncio. É uma troca de farpas das mais engraçadas, sempre com um cutucando o que mais incomoda no outro. Essa tiração de sarro é das mais saudáveis, e isso é ótimo para o futebol.

Acredito que essas picuinhas entre os dois deve ser encarada dessa maneira, como bobagem, tiração de sarro, trash talk, como bem dizem os americanos.

Pensem bem: o São Paulo empatou com o Inter e só se falava na entrevista do Juvenal. O Corinthians acabara de perder para o Botafogo e quem foi o primeiro a dar entrevista? Andrés. Qual foi a primeira pergunta? “Hoje, o Juvenal disse isso, aquilo e aquilo outro”… O foco saiu totalmente do campo “futebol” e ficou nas asneiras que foram ditas. Ponto para os presidentes, que tiraram toda a pressão dos jogadores depois de resultados adversos.

O grande problema, no entanto, é a diferença entre o que eles falam e o que a gente ouve.

Tem muito torcedor por aí que deve levar ao pé da letra tudo o que os dirigentes falam. Quando isso acontece, obviamente, estamos a um passo do extremismo e da violência. O caso João Vitor está aí para comprovar como a linha é tênue entre a paixão e o ódio no futebol.

Andrés e Juvenal falam asneiras para nos divertir. No fim do dia, eles enchem seus copos de uísque (com gelo ou sem?) até o talo e racham o bico das besteiras que, cirurgicamente, adoraram falar aos microfones. Não se enganem: se bobear, até brindam juntos. Claro, vende jornal, dá clique pra caramba na Internet, ou seja, fica todo mundo feliz e contente. Mas não dá para levar a sério. Eu não levo. E, se eu fosse você, não levaria também.

P.S.: Claro que eu acho que Juvenal passou do ponto no que falou no feriado, foi além do que deveria, mas, venhamos e convenhamos, podia ser bem pior.

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