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Chegou a hora de vender o Brocador e, quem sabe, já esperar pela sua volta

Hernane Brocador rumo ao "mundo árabe" - Foto: Divulgação/Fla Imagem

Hernane Brocador rumo ao “mundo árabe” – Foto: Divulgação/Fla Imagem

Origem: Emirados Árabes. Destino: Al Jazira. Proposta: 6 milhões de euros, quase R$ 20 milhões. Flamengo vende ou não vende Hernane, o Brocador? Eu bateria o martelo na hora, sem pensar duas vezes.

O atacante fez uma bela campanha em 2013, muito, muito além de qualquer expectativa. Foi, com certeza, um dos ídolos mais improváveis do futebol nacional. Agora, bate à porta uma fortuna: é hora de vender. E, como a idolatria e os gols mexeram com a galera, já faria a coisa pensando em trazer o artilheiro de volta.

A multa para contratar Brocador é de 8 milhões de euros, a proposta é de 6. O clube receberia 50% disso, coisa de R$ 9 milhões e uns bons quebrados. A outra metade ficaria com um grupo de empresários. Ou seja, ele furou tanto que encontrou uma mina de ouro. É a tal da chamada “proposta irrecusável”.

Justificar uma venda dessa é simples. Venhamos e convenhamos, sabe-se lá até quando vai o momento iluminado do artilheiro. Boa fase todo atacante tem. Anos e anos de gols e mais gols são privilégio para poucos. O que mais se vê são artilheiros de ocasião, de bons seis meses e trocentos temporadas de uma carreira irregular. Brocador tem tudo para ser mais um exemplo.

Obviamente, posso estar errado. Brocador pode ser uma das melhores coisas do futebol nacional nos últimos anos? Pode. Aí, acontece o movimento natural de todo jogador que vai para o “mundo árabe”, esse espaço físico único no globo terrestre: volta. E volta, olha só, para o Flamengo. Simples.

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Virada de mesa, um bem para o futebol brasileiro

Torcida brasileira merece uma virada de mesa para o bem do futebol - Foto: Vanderlei Almeida/AFP

Futebol merece uma virada de mesa – Foto: Vanderlei Almeida/AFP

A virada de mesa é a melhor coisa que pode acontecer no futebol brasileiro em 2014. Não é questão de justiça, dane-se isso. A vida não é justa, o futebol, espelho do mundo fora dos gramados, não tem a menor obrigação de ser justo. O que manda é, sim, o bom senso. E o bom senso manda uma virada de mesa já.

Chegou a hora de um Brasileiro com 24 times, que é o melhor formato possível. A balela dos pontos corridos já deu. A fórmula perfeita une campeonato e torneio, classificação e mata-mata. É a hora de mudar.

Por quê?, pergunta você. Respondo eu: virar a mesa é a salvação do Brasileirão. Mais times, mais jogos, mais tudo. Entra mais dinheiro para os clubes com venda de ingressos e publicidade, os torcedores poderão ver mais suas equipes de coração – ao vivo no estádio, ao vivo em pay-per-view. Fomenta a economia: mais partidas, mais anunciantes, mais dinheiro sendo movimentado no país. Em um ano de Copa, é a dádiva que se esperava!

A ação do Ministério Público é uma falácia, assim como foram os argumentos mais do que flácidos dos torcedores da Portuguesa. O clube, sim, agiu corretamente: sem defesa, mal se defendeu. Com isso, abriu uma brecha para a virada de mesa. Foi a Lusa, sem querer ou querendo, quem criou a melhor situação possível para o futebol nacional.

O Flamengo, idem. Errou e não se defendeu. Apenas cumpriu tabela no tribunal. Se quisesse, mostrava sua força dos bastidores e faria de tudo para não perder pontos, mas não fez. Ponto positivo!

Ponto positivo também para o Fluminense! Agiu da forma mais correta possível, indo aos tribunais e mostrando argumentos extremamente convincentes. No entanto, nem era necessário: a Portuguesa já havia feito toda uma situação positiva para o futebol, e a presença tricolor foi nada mais nada menos do que mera formalidade jurídica.

Então, se tudo está certo, por que a virada de mesa? Porque a melhor maneira de agradar gregos e troianos é agradar todos. Unanimidade, sim, é a saída! Com 24 times, o Brasileirão se salva, acaba a discussão, acaba ação do MP, enfim, começa o futebol como deve ser de verdade, com quem deve estar na elite jogando na elite. Afinal, time grande não cai!

A virada de mesa é o que de melhor pode acontecer para o futebol brasileiro. Não vejo outra saída. É um murro na mesa, uma posição firme e coerente para salvar o esporte bretão. Mais do que uma necessidade, é uma obrigação moral e ética. É o sopro de decência que nós, como sociedade, precisamos.

P.S.: Leia também, “A falta que um sinal de ironia faz”

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Joel, o técnico mais demitido do Brasil

Joel Santana no Flamengo - Foto: Bruno Turano/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Joel Santana no Flamengo – Foto: Bruno Turano/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Nunca na história recente desse país um técnico foi tanta vezes demitido como Joel Santana no Flamengo. É impressionante: basta o time jogar para que ele entre em campo na corda bamba. A partida termina, e ele balança, balança, balança. Até agora, cair, que é o que muita gente quer, não cai.

É curioso ver que, no dia seguinte após qualquer jogo, bom ou ruim, com vitória, empate ou derrota, rola uma reunião da diretoria. Eu imagino os caras fechados em uma bela sala refrigerada, tomando um cafezinho e beliscando aquele biscoito Globo, quando alguém resolve começar o papo: “E o Joel, hein?”. Duas horas depois, as portas são abertas, e a decisão é que o técnico fica.

Enquanto isso, acho que os amigos jornalistas que trabalham no Rio já cansaram de deixar pronto o texto da demissão. Sabe como é, como o cara pode cair a qualquer momento, é melhor estar previnido. Até eu teria o meu lide, algo como:

O técnico Joel Santana foi demitido do comando do Flamengo nesta xxxx. A decisão, anunciada nesta tarde por Zinho, diretor de futebol, foi tomada depois de uma reunião da cúpula rubro-negra. O motivo foi a série de maus resultados da equipe no Campeonato Brasileiro.

Ou:

O técnico Joel Santana pediu demissão nesta xxxx demitido do comando do Flamengo. A decisão foi anunciada pelo próprio treinador, depois de reunião com Zinho, diretor de futebol, e outros integrantes da cúpula rubro-negra. O motivo foi a série de maus resultados da equipe no Campeonato Brasileiro.

Ou ainda:

Joel Santana não é mais o técnico do Flamengo . A decisão, em comum acordo, foi anunciada nesta tarde por Zinho, diretor de futebol, depois de uma reunião da cúpula rubro-negra com o treinador. O motivo foi a série de maus resultados da equipe no Campeonato Brasileiro.

Acho que Joel ainda não caiu por duas razões. A primeira é o valor da multa rescisória, algo em torno de R$ 2 milhões. Outra é o fato de nenhum medalhão estar disponível no mercado. Sabe como é, na atual fase do Flamengo, o melhor é contratar um véio de guerra, né? Sem palavras.

Enfim, hoje é dia de mais uma reunião no Flamengo…

P.S.: Atualizando às 15h00, obrigado, Flamengo, por demitir o Joel bem no dia desse post. Que mancada…

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Ronaldinho, um conto de fadas para Atlético-MG ver

Ronaldinho Gaúcho no Atlético-MG - Foto: Bruno Cantini/Divulgação

Ronaldinho Gaúcho no Atlético-MG – Foto: Bruno Cantini/Divulgação

Ronaldinho deixou o Flamengo pela porta dos fundos, sorrateiro, na calada da noite. Mas chegou ao Atlético-MG à luz do dia, sem a mesma festa dos tempos da Gávea, mas com trabalho, muito trabalho.

Colocou o uniforme, bateu bola com os companheiros, correu, suou. Animou os outros jogadores com o seu ânimo de jogar.

Diminuiu bastante a sua pretensão salarial. Ou seja, dane-se o dinheiro, que ele já tem muito: agora é a hora de jogar bola, de mostrar a que veio.

Ronaldinho, enfim, está com sangue nos olhos.

Tem tudo para ser aquele cara que encantou o mundo com a camisa do Barcelona. Dribles desconcertantes e inesquecíveis. Passes mirabolantes, vesgos, daqueles de olhar para a frente e mandar a bola lá do outro lado, redonda, limpa, para o atacante marcar.

Estão de volta as cobranças de falta magníficas. Aquele olhar fixo na bola, na barreira, no gol, na bola, na barreira, no gol, marca registrada do Gaúcho, vão abrilhantar o futebol mineiro.

É a hora da redenção, de botar para quebrar, de mostrar que quem é rei nunca perde a majestade.

É agora que Ronaldinho vai fazer tudo o que já fez, aquele futebol moleque, quase irresponsável, somado a uma objetividade ímpar. Aquele futebol que o fez ser comparado a deuses como Maradona e até Pelé.

Serão gols e mais gols, dribles e mais dribles. Haja replay para mostrar tanta habilidade, tanta maestria.

Ronaldinho, enfim, será Ronaldinho. E vai mostrar para o mundo que esse lapso na sua carreira foi apenas um lapso, uma página a ser virada. Daqui pra frente, é escrever de vez o nome na história do mundo da bola. Com letras maiúsculas!

Você acredita em tudo isso? Eu não. De pé junto, “duvideodó”. Mas parece que tem gente que ainda acredita. Até quando?

Capa do Jornal Meia Hora, edição de 05/06/12 - Foto: Divulgação

Capa do Jornal Meia Hora, edição de 05/06/12 – Foto: Divulgação

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Ronaldinho, Flamengo, a culpa de quem contrata e a dança

Ronaldinho e a bola - Foto: Maurício Val/Vipcomm

Ronaldinho e a bola – Foto: Maurício Val/Vipcomm

O Flamengo finge que paga, um monte de jogador finge que joga. Faz tempo que a máxima “vampetiana” existe e dá brecha para qualquer um entrar na Justiça com justiça. Assinou, meu caro, tem que pagar. Pelo menos deveria ser assim.

Ronaldinho não joga bola faz tempo. Se existe um cara que personifica a frase “ex-jogador em atividade”, é ele. Está estampado que não dá mais. Falta tesão, falta vontade, falta suor, sobra balada. É assim. Faz tempo.

Nada mais justo o torcedor flamenguista xingar o Ronaldinho. Mas, sabe como é, a culpa é só dele?

Todos os lugares que eu trabalhei contam com uma espécie de processo seletivo. Não basta ser indicado por alguém. Tem que ser indicado por alguém bom. Além disso, é prova, entrevista, dinâmica de grupo, enfim, trocentos pesos e medidas são usados. Hoje, isso é prática de qualquer empresa que se preze. Não dá mais para contratar batendo o olho no currículo.

Analisando o parágrafo acima, você vê como todos as variáveis depõem contra Ronaldinho. Talvez o fato de ele ser indicado pelo Pelé não adiantasse. Na prova de embaixadinha, seria capaz de deixar a bola cair. Em dinâmica de grupo, só passaria se fosse uma roda de pagode daquelas. E o currículo… Bem, faz tempo que nada de sensacional aparece no currículo dele.

Aí, eu penso: o Flamengo não sabia de tudo isso quando contratou? Quando fechou o negócio por zilhões de reais? Não estava na cara que seria um negócio de risco? A resposta, todos nós sabemos.

É claro que Ronaldinho tem culpa, já que não joga nada há muito tempo. O Flamengo também tem culpa, muita culpa, já que prometeu mundos e fundos para um cara que seria um gênio, mas foi apenas um rabisco. Enfim, um finge que paga, outro finge que joga.

Enfim, futebol das dancinhas, dançaram os dois, clube e ex-craque. Mais o clube, que fica, que o ex-craque, que passa. E como passa.

Mas, calma, torcedor, calma. O Adriano vem aí.

LEIA TAMBÉM
14/02/12 – Ronaldinho e a coerência de Mano
28/07/11 – Ronaldinho, um óbvio mistério do futebol

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Flamengo dança

A dança de Ronaldinho e Vagner Love - Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

A dança de Ronaldinho e Vagner Love - Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

Tenho como convicção que, para jogar futebol, tem que ter coração. Coração é raça, é vontade. É jogar o arroz com feijão no momento de seriedade, é enxergar a brecha e colocar entre as pernas no momento de picardia. É, antes de tudo, alma. Pode perder, mas tem que ter alma Por tudo isso, hoje, deve ser difícil demais torcer para o Flamengo.

Vi o VT do jogo contra o Olimpia. A desvantagem é que você perde toda a emoção da surpresa. O lado bom é que, sabendo mais ou menos como foram as coisas, você fica mais atento e consegue perceber os detalhes, ou melhor, consegue visualizar o tamanho das bobagens.

LEIA MAIS: Sobre a alma e o “Bamos!”

Não vou enumerar os inúmeros erros da equipe de Joel Santana. Aliás, chamar o Flamengo de equipe é ser muito legal. É um bando de jogadores, sem a menor organização tática, cometendo falhas absurdas e infantis. E não dando a mínima.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a falta de coração. O Flamengo é um time morto, derrotado. A vontade de ganhar é ridícula, inexistente. Parece que os jogadores estão ali apenas para um momento: marcar um gol, sabe-se lá como, e cair na dança na comemoração.

LEIA MAIS: Ronaldinho, um óbvio mistério do futebol

Nada contra as coreografias, acho até divertido. Mas tem coisa que soa falso demais. Em um time sem coração, sem raça, sem vontade, comemorar gol dançando sei lá o quê me parece uma afronta, uma provocação ao torcedor. Esse, sim, sofre com o time.

A realidade, para mim, é clara. O jogador dança ao fazer gol, o torcedor dança ao se esgoelar pelo time, e o Flamengo dança na Libertadores. No mesmo ritmo.

LEIA MAIS: Ronaldinho e a coerência de Mano

Melhores momentos – Olimpia 3 x 2 Flamengo

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Futebol e uma questão de justa causa

Pesos e medidas diferentes. Dá a impressão que a gente tem que se acostumar com isso na vida. Não, não tem, e tem que se revoltar com certos pesos e medidas, justiças e injustiças.

Léo Rocha perdeu o pênalti ridículo para o Treze contra o Botafogo. Não mudo uma vírgula do que escrevi sobre o assunto. Daí, para o jogador ser demitido, vai uma distância muito grande.

“O campo, a bola, nada atrapalhou. Foi erro meu mesmo, eu peguei um pouco no canto da bola, a bola foi um pouco pro lado ali, fui infeliz. Todos os jogos que eu tive a oportunidade de bater pênalti eu bati no meio, então eu não tenho que provar nada para ninguém, para diretor nenhum. Eu não me arrependo de ter batido assim, só me arrependo de ter pegado mal na bola.”

Léo Rocha errou? Errou. Foi infantil? Sim. Assim como outros jogadores do time desperdiçaram cobranças de pênalti, perderam chances de gol, falharam na marcação, erraram em trocentos lances. O erro de Léo Rocha apenas foi o último e mais ingênuo, mas demissão? Demagogia, não?

Aí o Corinthians solta uma nota oficial dizendo que Adriano foi demitido por justa causa. No Rio, dizem que o Imperador pretende ir à Justiça contra o clube, alegando falta de tratamento médico. Hmmm. Peraí… Não era o Adriano que faltava às sessões – dizem, mais de 40! – de fisioterapia marcadas pelo clube? Não era Adriano que chegava sabe lá como para treinar?

É esse o mesmo Adriano, demitido por justa causa, que será contratado já já pelo Flamengo, a peso de ouro, com pompas de gênio. Já Léo Rocha…

“Ninguém gosta de perder o emprego né, foi uma notícia que me deixou muito triste.”

A frase acima, com certeza, não é de Adriano. Parecem mundos diferentes, mas são histórias do mesmo mundo, o da bola. Pesos e medidas distintos, causa justa, justa causa. É o futebol imitando a vida. Infelizmente.

P.S.: As frases em destaque foram retiradas da entrevista de Léo Rocha para a ESPN Brasil e podem ser vista aqui. Já a nota oficial da demissão de Adriano foi veiculada pelo site do Corinthians e pode ser vista aqui.

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