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Alvaro Pereira, o novo Jorge Wagner de Muricy

Alvaro Pereira na estreia - Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Alvaro Pereira na estreia – Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

“Acertamos na contratação.”

Alvaro Pereira chegou como um desconhecido para uns, uma esperança para outros. Lateral da seleção uruguaia, famoso por ser bom no apoio e por bater bem na bola, precisou de apenas alguns minutos em sua estreia para deixar bem claro: o São Paulo não contratou Alvaro Pereira, mas, sim, um novo Jorge Wagner para Muricy.

Jorge Wagner virou um dos símbolos da era vitoriosa do treinador no Morumbi. Cito alguns motivos: bom passe na saída de bola, bom posicionamento na defesa e no ataque e facilidade em botar a bola na área, além de ser o “rei” das bolas paradas. O meia nunca foi um gênio, mas um jogador dos mais úteis, especialmente sob o comando de Muricy.

Bastaram alguns instantes na estreia para perceber que Alvaro Pereira vai cair como uma luva no esquema do técnico. Logo, tem tudo para se tornar, rapidamente, um dos ídolos da torcida. Os motivos, e quaisquer semelhanças com Jorge Wagner não são, em hipótese alguma, um acaso:

– é o desafogo – ou seria a solução? – para a saída de bola

– compõe razoavelmente na defesa (Jorge Wagner defendia melhor), é extremamente útil no ataque (Alvaro Pereira tem mais explosão)

– sabe bater bem na bola, tanto para chutar a gol como, principalmente, especialmente, para cruzar a redonda para a área

– obviamente, graças ao motivo acima, dominou as bolas paradas

– ambos são canhotos; coincidência?

– não é um motivo, mas não duvido que, logo logo, o uruguaio deixará a lateral e virará meia

“Acertamos na contratação.”

Ganha uma mariola quem acertar o autor da frase. Muricy, claro. Ele fez ressalvas, mas aprovou o reforço logo na estreia. As razões são mais do que óbvias. O São Paulo contratou Alvaro Pereira, mas, para o treinador, ele ganhou um Jorge Wagner novinho em folha. Presentão!

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“LAZIO MERDA”: o esquecível Michel Bastos inesquecível para Roma e Lazio

Michel Bastos e a faixa da idolatria – ou discórdia – Foto: Twitter

Michel Bastos é um daqueles caras esquecidos na história. Tente lembrar todos os convocados para a Copa de 2010. Se faltou algum, pode apostar que é ele. E se, daqui alguns dias – semanas, meses ou anos, tanto faz -, você refizer a lista, pode acreditar: ele sumirá de novo da sua memória.

Lateral de velocidade, arrancada, chute potente e preciso, virou uma espécie de ponta na Europa, aquele meia com cara de ponta que joga aberto na segunda linha de quatro homens. Assim, se deu bem na França, onde chegou depois de voar no Figueirense. Do Lille para o Lyon – e para a Copa -, do Lyon para o Schalke 04, de lá para ganhar uma grana no Al Ain. Bolso em dia, veio a Roma.

A apresentação não foi preparada para ser das mais pomposas, mas ser visto e aplaudido pela torcida antes de um clássico contra a Juventus não é de se jogar fora. Aí veio a bomba, o primeiro canhão de Michel Bastos na Roma. Visto, ok. Aplaudido? Digamos, ovacionado. E, claro, execrado.

Com um cachecol escrito “LAZIO MERDA”, (devidamente em letras maiúsculas ou, se preferir, com o CAPS LOCK ligado) ele virou uma espécie de ídolo instantâneo da torcida romana. Afinal, chegar xingando o arquirrival publicamente é, sim, para poucos.

A Roma se desculpou, disse que o cachecol foi jogado pela torcida, e que o jogador o mostrou a todos sem ver o que estava escrito. Posso até acreditar, mas não é necessário ser nenhum estudioso de italiano, muito menos de português, para saber que “LAZIO MERDA” é “LAZIO MERDA” do Coliseu ao Oiapoque.

Se rolou uma idolatria de um lado, é fato que Michel Bastos terá sérios problemas com o outro. Além da rivalidade intensa, a seção fascista dos torcedores azuis, os temidos e inconsequentes Irriducibili, já deve ter espalhado a imagem da apresentação por tudo que é canto. Lembrando que o jogador é negro, a coisa pode ser ainda pior. “Procurado vivo ou morto”, manja? Tenso!

Torcida à parte, a minha é para que Michel Bastos jogue muita bola, se firme na Roma e vire ídolo por lá, boleiristicamente falando. E que a frase fique esquecida na história. Falando em esquecida, alguém se lembra dos 23 convocados por Dunga em 2010? Faltou um? Uma dica: joga na Itália, é ídolo romanista e inimigo laziale.

LEIA TAMBÉM
Blog do Mauro Cezar Pereira – Suásticas na arquibancada: tensão e nazi-fascismo nos duelos entre Lazio e Roma
Futebol Magazine – Irriducibili, a claque mais temida da Europa

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De Ronaldo a Seedorf e Forlán, sem ser motivo de chacota

Seedorf com a bandeira do Botafogo - Foto: AGIF, Arte/Ricardo Zanei

Seedorf com a bandeira do Botafogo – Foto: AGIF, Arte/Ricardo Zanei

(Colocando o papo em dia, parte 3) Foi em um dia 9 de dezembro, no já longínquo ano de 2008, que o Corinthians anunciava a contratação de Ronaldo. E daí, né? O cara até já parou de jogar. Sim, mas o retorno do Fenômeno abriu as portas do futebol brasileiro para voos mais ousados, contratações de peso, que culminaram com Seedorf e Diego Forlán.

Antes de Ronaldo, falar que o melhor jogador da última Copa do Mundo e um dos meias mais talentosos do planeta nas duas últimas décadas seriam contratados por clubes brasileiros viraria motivo de piada. Se você ousasse dizer isso no boteco, ia ouvir o resto da noite. Era meio que fazer o time dos sonhos, e aí colocar esse tipo de jogador nele. Só em sonho pra esses caras jogarem aqui.

Forlán com a camisa do Inter - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Forlán com a camisa do Inter – Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Mas aí, Ronaldo veio. Veio a crise econômica mundial, veio a “marolinha” de Lula. E as coisas começaram a andar juntas, culminando no que está acontecendo nos últimos anos. Antes, grandes jogadores só voltavam para aquele seis meses de “me engana que eu gosto” e acabou. Hoje, eles voltam para jogar, ganhando a mesma bala que ganhavam lá fora. Afinal, o dinheiro do futebol não é tão diferente do dinheiro do mundo.

As contratações de Seedorf e Forlán são exemplos claros disso, como foram as de D’Alessandro, Deco, Fred, Ronaldinho Gaúcho, Luís Fabiano, Renato, Alex, Danilo, Jadson… A lista tem grandes jogadores, jogadores enormes, jogadores médios. Todos atuando aqui, em uma maré que eu temo que termine, mas isso é papo para outro boteco.

Não sei qual Seedorf vai jogar pelo Botafogo, nem qual Forlán vai defender a camisa do Inter. Se é bom ou ruim, se a conta fecha ou não, são outros quinhentos. Mas, hoje, o torcedor pode achar que é possível. E falar no boteco sem ter medo de sofrerr com piadas no resto da bebedeira…

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São Paulo, enfim, contrata um técnico; falta só um presidente

Ney Franco, novo técnico do São Paulo - Foto: Divulgação

Ney Franco, novo técnico do São Paulo – Foto: Divulgação

(Colocando o papo em dia, parte 1) Sempre achei que a contratação de Emerson Leão pelo São Paulo era algo, digamos, ilusório. Para mim, o clube ainda procurava um técnico. A renoação de contrato com ele não me fez mudar de ideia. Mas, a chegada de Ney Franco, sim.

Um indício é o período de contrato, até dezembro do ano que vem. Muito diferente dos dois meses propostos – e aceitos – por Leão no primeiro contrato. Claro, tenho certeza que contrato, a maioria das vezes, é feito para ser quebrado, mas, vai saber.

Outro fato são as categorias de base. O clube do Morumbi sempre foi uma espécie de celeiro de bons jogadores, mas muitos não conseguiram se firmar no time principal. Outros, nem foram aproveitados. Com pouco dinheiro no bolso, usar o que é produzido em casa é a única saída. E Ney Franco me parece a escolha certa para isso.

Aliás, foi com ele que Lucas fez a melhor apresentação de sua carreira, nos 6 a 0 sobre o Uruguai, na última rodada do Sul-Americano Sub-20, em fevereiro do ano passado. O resultado, além do título, levou o Brasil às Olimpíadas de Londres. Naquele dia, o meia-atacante fez chover, marcando três gols e dando dribles e mais dribles. Casemiro e Willian José também estavam naquele time.

Foi com Ney Franco, também, que o Brasil foi campeão mundial sub-20, em agosto de 2011. Bruno Uvini, Casemiro, Willian José e até Henrique formavam aquela equipe. Henrique, hoje emprestado ao Vitória, foi eleito o melhor jogador do mundo. Em sua carreira profissional no São Paulo, foram 14 jogos e 1 gol. Aliás, como profissional, foram 39 partidas, e apenas 6 gols marcados. Apenas para comparar, com Ney, no Mundial, ele foi o artilheiro, com 5 gols em 7 jogos.

Se vai dar certo ou não, o tempo vai dizer. Mas o fato é que, depois de nove meses, o São Paulo, enfim, contrata um técnico. Falta, agora, abrir eleições presidenciais. Aí, sim, o clube terá comando e não mandos e desmandos.

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São Paulo procura técnico desde outubro, mas precisa de um presidente há muito tempo

Emerson Leão é demitido do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão é demitido do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão chegou ao São Paulo em outubro do ano passado, inicialmente com um contrato de dois meses. Mais de oito meses depois, ele é demitido do cargo. Minha opinião sobre isso se mantém intacta, é a mesma de “São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?”, texto que publiquei aqui no blog na data da contratação.

Leão não conseguiu transformar o São Paulo em um time, equipe. Acho que o principal problema foi a ausência de habilidade do treinador no que deveria ser sua especialidade, ou seja, treinar. Sabe aquele lance de prazo de validade? Pois é, deve ser por isso. O choque na chegada camufla os erros táticos, mas, a longo prazo, eles vão aparecendo. No caso do São Paulo, está escancarado que o time não tem o mínimo de organização.

Quando o São Paulo contratou Leão, minha impressão era que o clube continuava atrás de um técnico. Aliás, em todo o seu período no clube, o ex-goleiro nunca teve um apoio maciço da diretoria, alguém que batesse na mesa e deixasse o cara trabalhar em paz. Pelo contrário, o treinador foi sabotado ali dentro em várias oportunidades. A mais clara delas foi o caso Paulo Miranda, que evidenciou a total falta de comando do clube.

E é aí o grande problema. Dane-se quem será o próximo treinador. Na verdade, o principal problema do São Paulo é o seu presidente. Juvenal Juvêncio ficou completamente entorpecido pelo poder. Perdeu o foco com a ausência do Morumbi na Copa do Mundo de 2014 e, dali para a frente, seu mandato degringolou. Mandato, aliás, perpetuado graças a uma manobra jurídica. Ou seja, tudo errado.

O São Paulo já foi, sim, um clube de vanguarda no assunto administração. Deu a cara para bater contra mandos e desmandos aqui e ali, achou soluções criativas para uma série de assuntos cá e acolá. Mas isso faz tanto tempo que parece estar num passado distante, quase esquecido.

Hoje, o São Paulo passa por uma crise política das mais graves de sua história. Nau à deriva. No comando, cambaleante, mas com um nariz empinado que só o dele, está lá Juvenal, impassivo, “soberano”. E é aí, por se achar tão “soberano” assim, slogan que estampou o tricampeonato brasileiro, que o dirigente se afundou. E vem afundando o time junto com ele.

Desde outubro o São Paulo procura um novo técnico. Mas, sinceramente, o buraco é mais embaixo. Ao invés de trocar de treinador, o clube deveria procurar uma renovação política e mudar, principalmente, de presidente, de diretoria. Se um dia, o sonho é voltar a ser vanguardista, tem que dar o primeiro passo agora. Arrumar a casa é o primeiro ato para arrumar o futebol. Sem Juvenal e sem tanta gente que já passou do tempo por ali.

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

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São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?

Leão em sua primeira passagem pelo São Paulo - Foto: São Paulo/site oficial

Leão em sua primeira passagem pelo São Paulo - Foto: São Paulo/site oficial

Desde que Adilson Batista foi demitido, vejo, ouço e leio que o São Paulo quer um técnico de nome forte para chacoalar o elenco. Emerson Leão foi anunciado há pouco, e enxergo a contratação como mais uma questão de semântica do que de bola (belo trocadilho, hein?).

Para mim, é fato que o São Paulo precisa de algum técnico. As bolas da vez, pelo que dizem, eram Muricy, Autuori e Felipão, todas impossíveis hoje. Que outro nome seria o ideal para o time? Não sei, mas, a primeira vista, é até justificável a contratação de Leão, especialmente pela “tradição” que o treinador traz consigo.

O papo é o mesmo sempre que Leão chega a algum clube: ele mexe com o time, mas tem prazo de validade. Para tiro curto, ele é um mestre, seja para levar um time ao título/vaga na Libertadores, seja para fugir do rebaixamento. Passado o positivo choque inicial, o trabalho do técnico se choca com os egos de jogadores e vice-versa.

O contrato de Leão é até o fim do ano, com possibilidade de renovação. Prazo de validade? É para pensar.

É claro que o retrospecto de Leão no São Paulo é extremamente positivo. Entre 2004 e 2005, foram 45 jogos sob o comando do técnico, com 27 vitórias, 12 empates, 6 derrotas e um título paulista. O aproveitamento foi de 69% o que, hipoteticamente, daria a liderança do Brasileirão ao time do Morumbi.

Leão era o nome forte tão sonhado pela diretoria? Na vida real, não, mas, por questão de semântica, claro, sempre. Gosto do nome de Leão? Também não. Mas pode dar certo. E, pelo tempo de contrato, fica a impressão que o São Paulo continua atrás de um novo técnico.

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