Arquivo do mês: novembro 2011

Ricardo Teixeira, Andres Sanchez, Ronaldo, Luisa Marilac e questões de necessidade

Ricardo Teixeira, presidente da CBF - Foto: Divulgação

Ricardo Teixeira, presidente da CBF - Foto: Divulgação

“E teve boatos que eu ainda estava na pior. Se isso é tá na pior, pohan, quê que quer dizer tá bem, né?”, disse a filósofa Luisa Marilac. Quando se está ou se aparenta estar na pior, das duas, uma: ou você desmente com garbo e elegância, ou você se cerca de gente capaz disso e sai dos holofotes.

Quem diria que Ricardo Teixeira, até outro dia uma espécie de ser supremo do futebol, estaria em uma pior. Acuado cá e lá por uma avalanche de denúncias, ele até ameaçou desmentir com garbo e elegância, mas, sabe como é, optou por sair de fininho e colocar gente de sua confiança em posições estratégicas. Por posições estratégicas, leia-se: gente que vai dar a cara para bater.

Andres Sanchez foi o primeiro a aparecer. A relação com Teixeira foi se estreitando desde que ele assumiu a presidência do Corinthians. Não podemos esquecer que foi ele o chefe da delegação na Copa do Mundo de 2010. Agora, foi anunciado como diretor de seleções da CBF e, num futuro próximo, muito antes do que se imagina, será o novo presidente da entidade.

Em seguida, Ronaldo, que já foi Fenômeno nos gramados, entrou na barca. Ele deve confirmar em breve o que todo mundo já noticiou: foi convidado por Teixeira e aceitará ser o comandante do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014.

Vamos lembrar, rapidamente e sem detalhes, apenas três fatos cruciais do drama de Teixeira. A Fifa, na voz do não menos ardiloso Jérôme Valcke, secretário geral, já havia pedido mudanças nos interlocutores da Copa e colocado Teixeira de escanteio. Orlando Silva Jr. caiu no Ministério do Esporte. E ainda levou pau de Romário publicamente e viu sua bancada da bola ficar caladinha. Os boatos de que estava numa pior, na verdade, eram a mais pura verdade.

Do drama, Teixeira passou à trama. Precisava agir. Precisava encontrar quem assumisse os cargos que exigem a cara para bater, o confronto com a imprensa, as assinaturas aqui e ali e as explicações sobre isso e aquilo. Sabe como é, Teixeira não tem mais idade nem mais saco para isso tudo. A família está garantida por gerações, não precisa mais disso, né?

A filósofa Luisa Marilac

A trama foi, então, bem costurada. Andres, aquele que falou a torto e a direito que nunca seria presidente da CBF, disse que “não poderia virar as costas para a nação” e aceitou o cargo de diretor. Cargo para inglês ver, certo? É óbvio que o cargo é apenas um aquecimento para assumir a cadeira felpuda de Teixeira.

O mesmo aconteceu com Ronaldo. Entre tapas e afagos, eles novamente estão abraçados. Teixeira conseguiu tirar Ronaldo da tranquila posição de empresário para colocá-lo simplesmente no olho do furacão. Sabe como é, o Fenômeno tem carisma, é boa praça, a galera vai pegar mais leve com ele e deixar passar, a olhos nus, muita coisa que deveria ser vista, combatida, enjaulada.

O fato é que Teixeira precisava de Andres agora, assim como Andres precisou de Teixeira para barrar o Morumbi e conseguir a construção do tão sonhado estádio corintiano. Uma troca de favores, na qual o meu maior medo é ver a megalomaníaca criatura se tornar ainda maior que o criador. Ronaldo? Bem, ele não precisava de Teixeira, mas Teixeira precisava dele. O dono do futebol brasileiro precisou de uma bela pasta, um belo vinho, um belo convite e um belo “sim” para sorrir no final.

Luisa Marilac postou um dos virais mais famosos do Youtube para mostrar, com garbo e elegância, que não estava numa pior. Ricardo Teixeira foi pelo outro lado, fechou acordos com amigos capazes de defendê-lo para começar a sair dos holofotes. Imagino, agora, o presidente da CBF em casa, numa piscina, cercado por um belo sol europeu, tomando uns “bons drink” e dando uma mergulhadinha. Ele sai da água e manda aquele já histórico “E teve boatos que eu ainda estava na pior. Se isso é tá na pior, pohan, quê que quer dizer tá bem, né?”. Tudo, no fim, não passa de uma questão de necessidade.

P.S.: Para se ter ideia do tamanho do buraco, aconselho uma espiada no post no Blog do Juca Kfouri, “A última jogada de Ricardo Teixeira”. A foto diz mais que zilhões de palavras.

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Durant, o melhor da NBA sem NBA

Durant enterra na greve da NBA - Foto: Reprodução de TV

Durant enterra na greve da NBA - Foto: Reprodução de TV

A NBA está prestes a voltar, e todo fantático por basquete não vê a hora de isso acontecer. A greve teve algo de bom, sim: serviu para que acompanhássemos como os feras trataram o período de descanso. E Kevin Durant sobrou.

Teve jogador que colocou o passaporte em dia e viajou o mundo inteiro, como Dwight Howard. Outros ampliaram a agenda de compromissos com os patrocinadores, como LeBron James. Alguns misturaram passeios com publicidade com vida social, como Kobe Bryant. Outros casaram e já separaram, como Kris Humphries. Todos, sem exceção, entraram em quadra em algum momento. Mas ninguém jogou tanta bola como Durant.

Claro que o período maior de férias serve para que os atletas coloquem as baterias em dia e recuperem a energia. Foi o tempo de passear e rever a família. Mas, como todo fim de ano de futebol, jogador não consegue ficar longe da bola. Sem a NBA, as Ligas de verão e uma série de jogos beneficentes pipocaram ao redor do mundo. Durant parecia que estava em todos eles.

Não vi nenhum levantamento de minutos em quadra, mas tenho a impressão que a estrela do Oklahoma City Thunder foi quem mais bateu sua bolinha na greve. Mais do que isso, jogou bem, muito bem mesmo. Ao fim de tudo que era jogo, o que se via era um Durant com 30, 40, 50 pontos. Sobraram dribles e enterradas para todos os gostos.

É necessário ponderar que um jogo fora de competição tem um jeitão de pelada, com o objetivo de divertir, tanto o público como quem está em quadra. Vendo por esse ângulo, Durant foi a grande diversão da greve.

Abaixo, um vídeo com grandes momentos de Durant no período sem NBA. Sabe aquele DVD que os empresários fazem dos seus jogadores? O clipe poderia bem ser usado pelo ala para mostrar como ele passou bem as suas férias. Um dia, se um futuro filho de Durant perguntar sobre o “locaute”, a resposta está na ponta da língua: “moleque, eu fui o melhor da NBA sem NBA”.

P.S.: O que quer dizer o fato de Durant ter sido o melhor da NBA durante a greve? Nada. A temporada dele pode ser ridícula, mas vai me dizer que não que é bacana ver o que ele fez nas férias forçadas?

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Ufa, e a NBA está de volta

Demorou, demorou, mas, finalmente o acordo foi fechado, e a temporada da NBA, agora em versão pocket show, está salva. A diversão está garantida e matará a saudade dos fanáticos, como eu. Abaixo, um videozinho dos mais bem feitos sobre o retorno das estrelas à quadra:

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Minotauro, uma entrevista e um fato: os brutos também amam

Minotauro e seu bulldogue, Temaki - Foto Jorge Bispo/Trip

Minotauro e seu bulldogue, Temaki - Foto Jorge Bispo/Trip

Desde agosto, quando o UFC aconteceu no Rio, o MMA, ou melhor, os lutadores brasileiros, viraram celebridades. Primeiro, foi Anderson Silva, que apareceu na TV em tudo que é programa, além de estampar inúmeros comerciais. José Aldo, Shogun, idem. Agora, Junior Cigano. E, por fim, Minotauro.

O MMA foi alçado, enfim, a esporte. Isso, claro, traz trocentas leituras. Pretendo, claro, debater tudo que é ponto de vista aqui e expor o meu, que, pasmem, pode mudar se alguém tiver uma visão melhor que a minha. Uma coisa, é fato: se tivesse brasileiro só apanhando seria essa festa? Talvez não e, com certeza, não chegaria à TV aberta na Globo.

Brasileiros em alta são um prato cheio para qualquer emissora de TV. O vôlei, que ganha tudo, passa na TV aberta, não? Bem ou mal, sim. O basquete, que não ganha nada há décadas, foi sumindo. O futsal, desde Manoel Tobias e passando por Falcão, é uma festa nas manhãs de domingos, bem como o futebol de areia e o vôlei de praia, modalidades moldados para a TV. É de se pensar.

Mas a exposição desses caras na TV tem um lado positivo: desmistifica. Um lutador de MMA não é um super-herói, não tem superpoderes, não é um ser mitológico, nem quando seu apelido é Minotauro. Por acaso, vi ontem a entrevista do lutador baiano no programa da Marília Gabriela, no GNT. Não sei quando foi ao ar originalmente, mas foi bem legal.

Minotauro comemora nocaute sobre Schaub no Rio - Foto: TV/Arte

Minotauro comemora nocaute sobre Schaub no Rio - Foto: TV/Arte

Marília Gabriela é a melhor “perguntadora” desse país. E tem, a seu favor, o enorme qualidade de ouvir o que o entrevistado fala. Ela cria um clima leve, de bate papo, mas, ao mesmo tempo, tem a habilidade de bater quando tem que bater, ou de falar coisas que nenhum outro falaria.

Com Minotauro, não foi diferente. Pelo lado esportivo, Marília Gabriela arrancou de Minotauro confissões do tipo “passei muito tempo sem assistir a uma luta” e “já fiquei de saco cheio de lutar”. Mas é o lado pessoal que me chama a atenção: por exemplo, alguém aí já disse que ele tem as mãos mais lisas que as suas? Alguém aí já perguntou como é o lado feminino de um cara que vive e respira um ambiente predominantemente masculino? Ou alguém comentou sobre a foto de um brutamontes com um cachorrinho no colo, e o gigante ficou todo feliz com isso?

Foi uma bela entrevista e um exemplo de como tirar o lado super-herói que paira sobre os lutadores de MMA. Os caras são como qualquer outro esportista: tem casa, amigos, família, namoradas e, claro, um cachorro amigão chamado “Temaki”. Os brutos também amam? Sim, e dão boas entrevistas quando as perguntas certas são feitas.

P.S.: O link para um trechinho da entrevista de Minotauro com Marília Gabriela está no site do GNT. Acho que o pedacinho foi mal escolhido, poderia ser coisa melhor, mas dá uma palinha de como foi o papo.

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De volta

Era para ser uma semaninha de “descanso”, mas a vida corrida obrigou esse blog a quase um mês de monotonia. Agora, estou de volta, ainda na correria, mas com as baterias renovadas. Tanta coisa passou, mas, agora, é bola pra frente. Vida nova! Espero que você, leitor único, aprove o retorno. E mãos à obra!

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Parada obrigatória

Você aí, leitor único desse blog, deve ter percebido que não escrevi nessa semana. Sabe como é, a vida está corrida pra caramba, e fui obrigado a deixar esse blog, que é uma espécie de serviço voluntário, de lado. Espero que, na próxima semana, as coisas estejam em dia e, assim, eu poderei retomar o blog como nos velhos tempos. Até logo!

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