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UFC 151: o evento que não aconteceu e que não tem hora para acabar

Pôster do UFC 152, por enquanto - Foto: Divulgação

Pôster do UFC 152, por enquanto – Foto: Divulgação

O UFC 151 foi cancelado, mas parece que não tem hora para acabar. Cada dia que passa, pinta uma nova historinha, um detalhezinho aqui e ali que aumentam ainda mais o debate sobre a bizarrice toda.

Primeiro, foi Jon Jones quem assumiu a culpa. Quer dizer, ele disse que a culpa foi dele, mas que a decisão foi acertada. Algo como, “fiz o certo, galera, mas, sabe como é”. Dá a nítida impressão que é mais um caso de a corda estourando no lado mais fraco.

“Estou carregando a cruz da minha decisão. Se há alguém que pode ser culpado, eu assumo toda a responsabilidade pelo UFC 151 ter sido cancelado. Peço as mais sinceras desculpas a todos atletas e fãs que desperdiçaram tempo ou dinheiro. Estou me sentindo péssimo por tudo isso.”

“As criticas me incomodam, mas tenho de enfrentar minha decisão, de ser o homem que eu sou. Quanto mais a audiência, maiores são as críticas. Muita gente sempre estará me avaliando, mas tenho de ficar feliz com o que é melhor para mim. No fim do dia, sei que fiz a melhor escolha para mim e para minha família.”

Bom, minha opinião sobre o assunto segue a mesma e pode ser lida no post anterior, no irrepreensível texto “Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White”.

O detalhe sórdido ficou a cargo de Dan Henderson, até então, o mocinho da história. Afinal, ele se machucou em cima da hora, certo? Bem, mais ou menos. O veterano admitiu que a lesão no joelho não aconteceu bem na véspera do evento, mas duas semanas antes. Ok, tudo bem, a gente compreende, o cara achava que ia se recuperar a tempo, mas não rolou. Tudo isso seria normal se não fosse por uma observação: Chael Sonnen é da mesma equipe que Hendo.

Daí, o anúncio da lesão às vésperas não teria nada a ver com se recuperar a tempo ou não, mas sim como estratégia para ajudar o amigo de treino que está subindo de categoria e já pinta como um contender. Com Sonnen aparecendo como rival de Jones a oito dias do evento, não teria como o campeão dizer “não”. Mas, sabe como é, o MMA é uma caixinha de surpresas, e o campeão disse o improvável “não”.

Hendo, é claro, negou a teoria da conspiração. Mais: disse que o boato foi plantado pelo técnico de Jones, Greg Jackson, que foi apontado por Dana White como uma espécie de diabo na terra. Foi dele o improvável “não” que culminou no cancelamento do UFC 151.

Quero acreditar que Hendo agiu de maneira correta, tentou se recuperar até onde deu e viu que não dava mesmo. No entanto, o que tem de bandido travestido de mocinho no mundo do esporte – e o MMA não é uma exceção – não é brincadeira. Fatalmente, esse jogo de equipe será um boato eterno, ou melhor, será a grande notícia do UFC que não aconteceu até que surja a próxima historinha, o próximo detalhezinho. E, assim, o UFC 151 entra para os almanaques como o evento que não aconteceu e que não tem hora para acabar.

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Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White

Jones x Belfort, UFC 152 - Reprodução/UFC.com

Jones x Belfort, UFC 152 – Reprodução/UFC.com

Depois da desistência de Dan Henderson, por lesão…

Depois de Jon Jones não aceitar o combate com Chael Sonnen…

Depois de Lyoto Machida ser anunciado como rival de Jones…

Veio a bomba. Em plena madrugada brasileira, explodiu a notícia de que Lyoto acabara de desistir de enfrentar o campeão dos meio-pesados. Eis que surge Vitor Belfort como uma espécie de salvador da pátria, e o UFC confirma o carioca como o rival de Jones no UFC 152, dia 22 de setembro, em Toronto, no Canadá.

Segundo o site oficial da entidade, a nova mudança foi mais um capítulo da “série de eventos bizarros do dia”. Muita gente, muita gente mesmo, desceu a lenha em Jones. Mas, vamos por partes na “série de eventos bizarros do dia”:

Episódio 1: Dan Henderson – o cara se machucou a oito dias do evento, paciência. Uma lesão no joelho em qualquer garotão inspira cuidados. Em um cara de 42 anos, por melhor que seja o seu corpo e sua forma física, é algo, no mínimo, preocupante. Ou seja, culpa zero para o veterano na história.

Episódio 2: Chael Sonnen – sem Hendo, Chael, que já estava falando um monte contra Jones, apareceu como candidato à vaga. Dana White gostou da ideia, afinal, colocaria um tempero a mais no evento. Papo daqui, papo de lá, e a bola passou para as mãos do campeão.

Episódio 3: Jon Jones – Com a bola na mão, Jones conversa com seu staff. Entra em cena um cara chamado Greg Jackson, chefão da equipe que cerca o campeão. O técnico fura a bola cheia de Dana e Chael e diz “não”.

Episódio 3: Dana White – O dono do UFC fica puto, faz biquinho, fala um monte e cancela o UFC 151, primeira vez que algo do tipo acontece em 11 anos. Vou passar rapidamente por esse ponto, mas volto no assunto (abaixo, sob o título “A culpa de Dana”, tem toda a minha opinião sobre o tema). Em seguida, surge o nome de Lyoto, em nova data, em novo evento. Pôster feito, notícia confirmada, vamos que vamos.

Episódio 4: Lyoto Machida – Há exatos 20 dias, no UFC on Fox 4, Lyoto nocauteou Ryan Bader. Bela luta do brasileiro, bacana, legal, mais uma vez o brasileiro apareceu como um contender. Mas, quem se prepara para uma competição, sabe que, ao fim dela, no período de descanso, descanso é descanso. E foi isso que Lyoto fez. Apenas para constar, nos últimos dias, ele postou em seu Twitter oficial, @lyotomachidafw, dia 19, uma foto de seu churrasco à brasileira nos EUA. No mesmo dia, publicou que estava gravando um comercial (aqui, aqui e aqui, nas duas últimas, já no dia 20). No dia 22, já em Belém, dois posts, “Já estou na área galera,preparem se pra inauguração da nova academia na pedreira!!!!” e “Na Pedro Miranda!!Faltam poucos dias!!!”. Pedro Miranda é uma avenida em Belém, localizada no bairro Pedreira. Churrasco e comercial nos EUA, lançamento da academia em Belém. Acho que deu para perceber, apenas batendo o olho nos últimos eventos, que treinar não estava muito no calendário de Lyoto. E não tem nada de mal nisso, afinal, o cara lutou outro dia. Daí, é extremamente plausível a decisão de, depois do “sim”, pensar bem e falar um “não”.

Episódio 5: Vitor Belfort – O “não” de Lyoto não vazou para a imprensa e circulou, ao que parece, apenas nos bastidores do MMA. Pelo menos, aqui do Brasil, ninguém falava nisso. Mas, na madrugada, o próprio Vitor foi o primeiro a confirmar a desistência do seu compatriota e anunciar que enfrentaria Jones. Mais uma vez, o meio de comunicação foi o Twitter, em seu perfil oficial, @vitorbelfort. Abaixo, a mensagem com a última mudança de rumos do evento:

Mais ou menos ao mesmo tempo, Ariel Helwani, o melhor repórter do planeta quando o assunto é MMA, confirmava a mudança no conceituado site MMAFighting.com. A fonte do cara era outra, Dana White. Segundo o que Ariel apurou com o chefão, Lyoto achava que precisava de mais tempo para treinar e, durante o dia, Belfort já havia se oferecido para a vaga. Com a desistência de Lyoto, ao que parece, o único lutador de alto nível disponível era o carioca. E o martelo foi batido.

No meio disso tudo, quem ouviu poucas e boas foi Jon Jones, praticamente crucificado por Dana e pelos irmãos Fertitta, os caras que mandam no UFC. Pelo que falaram, deu até a impressão que a ideia era encerrar o contrato do campeão. Afinal, muita grana foi perdida com o cancelamento do evento. Mas, olhando por outros ângulos, será que Jones é o único culpado de tudo isso?

A culpa de Dana
Gosto de Dana. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente no UFC 100, em 2009, e o o cara dá entrevistas belíssimas, sinceras. Mas, nessa, sou obrigado a discordar de praticamente tudo que ele falou e, principalmente, fez.

O primeiro fato é: por que cancelar um evento inteiro apenas por causa da desistência de um dos lutadores do card principal? Ok, é a luta principal, um contender ao título se machucou, mas, peraí. O evento em si é tão fraco assim que nenhuma outra luta poderia assumir a vaga? Olhando bem, é isso mesmo, é fraco pra caramba. O co-main event era Jake Ellenberger versus Jay Hieron, e ouço daqui vocês pensando “quem contra quem?”. Pois é, a aposta foi tamanha em Jones x Hendo que esqueceram das outras lutas. Culpa de Dana? Sim. Culpa de Joe Silva, o matchmaker, o responsável por “casar” as lutas do UFC? Sim também.

Mas a chefia errou mais, e a culpa de Dana não para por aí.

O grande motivo de o card ser fraco atende pelo nome de “ganância” e não se admire se cruzar com outros cards bem “meia-bocas” por aí. O UFC tem contrato com 352 lutadores (61 brasileiros), e essa galera tem que trabalhar, ou seja, entrar no octógono. Assim, a companhia que fazia 12, 14 eventos por ano, agora trabalha, por enquanto, com 31 eventos apenas em 2012. O dobro, quase o triplo do que era há três, quatro anos. O negócio cresceu, inchou, e o jeito é fazer evento atrás de evento, mesmo com cards péssimos encabeçados por uma grande luta, como era o UFC 151. Claro, o card com nomes ruins pode acabar se tornando uma noite memorável de MMA, mas, no caso do UFC 151, deu para perceber que os outros nomes escalados eram tão fracos que o evento inteiro acabou cancelado, ou seja, nem a chefia gostou do que tinha pela frente.

Uma outra saída seria mudar apenas a luta principal e manter o restante do card. Seria um UFC ruim? Muita gente ia reclamar? Nêgo não ia comprar um PPV sequer? Dane-se. Aconteceu um imprevisto, mas nós, do UFC, vamos arcar com as consequências, inclusive financeiras, e vamos tocar o barco. Vai ter 15 caras na torcida? Beleza, encaramos essa. Mas acho que nem isso foi cogitado. Seria até uma maneira de respeitar o torcedor, aquele cara que se programou, que comprou ingresso, que comprou passagem, que reservou hotel. Sei lá, enche o torcedor de mimos, dá camiseta, boné, desconto de 70% na próxima compra de ingresso, paga a estadia do cara (consta que o Mandalay Bay, onde seria o evento, é da família Fertitta, ou seja, libera quarto e comida de graça pra galera, além de fichas pro cara se divertir no cassino). As opções para agradar são imensas. Garanto que, com atitudes assim, o prejuízo poderia ser financeiro, mas a imagem de uma “companhia do bem” ficaria inabalada. E mais: o torcedor seria tratado com um respeito ímpar. Mas…

Outro fator atende pelo nome de Sonnen. O cara pode não ser o melhor do mundo, mas não é um lutador que cai tão fácil. Vide Anderson Silva volume 1, Anderson Silva primeiro round – volume 2. Você pode dizer que o Spider destruiu o falastrão, e foi isso mesmo, mas pode confessar, ninguém está ouvindo: deu um friozinho na barriga quando ele comandou o primeiro assalto da última luta, não? Passou um filminho na cabeça, né? Somado a isso, se preparar para pegar o Hendo, um cara que adora a trocação e é bom nela, é uma coisa. Pegar Sonnen, um cara de chão, atuando num peso acima do dele, é outra. E, se foi dada a opção de Jones dizer “não”, por que tanto alarde, hein, mister Dana?

Tem mais, o possível combate com Sonnen só teria um perdedor: Jones. Se ganhasse, não teria feito mais do que a obrigação de derrotar um cara que subiu de peso apenas para essa luta e que entrou na fila rumo ao título principalmente pelo excelente trabalho de falar – muito e muito e muito – e promover muito bem as suas aparições. Se perdesse, a imagem de Jones ficaria, aí sim, extremamente arranhada: como um campeão pode ser derrotado por um cara que subiu de peso e blábláblá? Pintaria a dúvida: será que ele é tão bom assim? E garanto, garanto mesmo, que viria a frase: “Por que Jones aceitou esse tipo de luta?”.

Aí, Dana joga tudo no ventilador e diz coisas do tipo:

“Chael Sonnen aceitou a luta com Jon Jones na última noite. Lá pelas oito ou nove horas da noite de ontem, aconteceu o que achei que não aconteceria em milhões de anos. Jon Jones disse ‘eu não enfrentarei Chael Sonnen com um aviso a oito dias do evento’. Isso nunca tinha acontecido com um campeão do UFC.”

“Nunca um lutador se recusou a enfrentar outro. Especialmente um cara, que não é apenas campeão mundial, mas supostamente é tido por muitos como o melhor pound-for-pound do mundo. Não posso fazer ninguém lutar contra ninguém. Não posso dizer ‘você vai lutar contra tal cara neste sábado e você tem que fazer isso’. Ou você é um lutador ou não é. Eu não posso te obrigar a lutar, mas não lutar, provavelmente, não é uma boa ideia.”

“Não acredito que essa é uma decisão que vai tornar Jon Jones popular com os torcedores, patrocinadores, distribuidores de TV a cabo, executivos de redes de TV ou outras figuras. Jon Jones tem sido um campeão que não é muito popular. Acho que algo como isso não vai fazer maravilhas com a sua popularidade.”

“Esse cara é um assassino do esporte. Greg Jackson nunca mais deveria ser entrevistado na vida, só por um psiquiatra.”

“Nós perdemos um monte de dinheiro. Dinheiro que já havia sido gasto. Estamos há oito dias do evento. O quanto isso vai nos machucar eu ainda não sei, pois é a primeira vez que acontece.”

“Quanto ao relacionamento com a gente, eu e Fertitta [Lorenzo] estamos enojados.”

Peraí, peraí, peraí… Como assim? Até outro dia, Jones era o queridinho da Zuffa, do UFC, do MMA, de todo o mundo. Ou não foi ele quem entrou com uniforme patrocinado justamente pelo UFC contra Rashad Evans em abril? A marca UFC, essa mesma, poderosa, que movimenta bilhões, pagou uma bolsa extra para ter o lutador que era a “cara” da franquia lutar usando o logotipo, não?

Peraí, peraí, peraí… Do dia 5 de fevereiro de 2011, quando ganhou de Ryan Bader, até 22 de setembro deste ano, serão 595 dias. Nesse período, Jones terá lutado seis vezes, contando Bader e já contabilizando Belfort. Em média, uma luta a cada 99 dias. E tudo lutinha tranquila: Bader, Shogun, Rampage, Lyoto, Rashad, Belfort. Uma pelo cinturão, quatro defesas de título. Desses, só Bader não teve o gostinho de ser campeão. Alguém, nos últimos tempos, entrou mais vezes no octógono do que Jones, com a responsabilidade de, aos 25 anos, derrubar todos esses cascas grossas?

Peraí, peraí, peraí… Ah, claro, eu ia me esquecendo: em todos esses eventos, há compromissos comerciais, não? Entrevistas coletivas, patacoadas de patrocinadores, um monte de perda de tempo para o atleta, mas que, no fim, gera dinheiro para o lutador (uma parte) e para o UFC (a maior parte do montante). Jones estava em todos eles, não? Fora as vezes em que apareceu no telão em algum UFC em que não estava lutando, inclusive aqui, no Rio, fazendo graça com a camisa da seleção brasileira. Esqueceu de tudo isso, Dana?

Peraí, peraí, e prometo que é o último peraí… Não foi Jones quem, outro dia, assinou contrato com a Nike e se tornou o primeiro, repito, o primeiro lutador do MMA da história a fechar com a superhipermega empresa de material esportivo? Ok, Anderson Silva luta com Nike, mas o contrato é com o Corinthians, não? Mas, voltando ao Jones, será que a Nike, aquela que tem contrato com caras como Michael Jordan e Ronaldo, apenas para citar dois exemplos dos mais simplórios, ia entrar no MMA assinando o primeiro contrato da história com um lutador sem prestígio ou popularidade?

O que era para ser um UFC se tornou, pra mim, uma tese que envolve organização, marketing, contratos de publicidade, obrigações de atletas, enfim, uma coisa de uma proporção gigantesca. Para quase todo o mundo, o grande culpado atende pelo nome de Jon Jones. Para mim, ele é apenas parte do processo e, no fim, o cara que mais tinha a perder. Dana, um cara que eu admiro, e várias outros integrantes do UFC erraram na condução e na solução do problema. Agora, terão de se contentar com Jones x Belfort, e meu palpite, desde já, é que o campeão continuará o mesmo. E aí, como será o clipe de apresentação de Jones? Será que a galera ainda vai encher a bola dele? Mais: será que Dana ficará feliz em colocar o cinturão mais uma vez em Jones? Cenas imperdíveis nos próximos capítulos…

P.S.: Nunca escrevi um post tão grande nesse blog, nunca demorei tanto para escrever um post. Afinal, são 5h26 da matina. Por isso, não vou reler. Se alguém chegou até aqui, por favor, me avise dos erros de português e digitação. Sabe como é, a essa altura do campeonato, quem está nocauteado sou eu.

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Jones, Rashad, cinco rounds e um round

Jon Jones mantém o cinturão - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Jon Jones mantém o cinturão - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

O resultado foi o esperado: vitória de Jon Jones. Eu sei, eu sei, não foi em dois rounds como a minha bola de cristal me disse, e a culpa é toda dela. Foram cinco rounds de algumas cacetadas e pelo menos três lições.

A primeira: Jones é muito superior, especialmente quando o assunto é forma física, que qualquer rival. Quanto mais a luta durar, melhor para ele.

Diante disso, a segunda lição é: seja lá qual for o adversário, é bom ir para cima de Jones no primeiro round. Como? Aí o problema é de quem entrar no octógono. O fato é que, a partir do segundo, o campeão passa a sobrar fisicamente, e a vida complica.

A terceira lição quem deu foi Rashad Evans, que achou um ou outro espaço na guarda de Jones e balançou o campeão pelo menos duas vezes. Ou seja, é ver e rever como os golpes entraram e tentar achar alguma brecha por aí.

Se eu esperava um nocaute no segundo round, é claro que fiquei decepcionado com a decisão em cinco. Esperava, claro, um Jones mais ligado, mais veloz, mais ativo no ataque. Claro que, mesmo em slow motion, ele é melhor que qualquer um. Tanto que ganhou. Mas poderia ter acelerado mais a luta.

E aí eu acho que o fator “adversário” pesou. Ex-amiguinho, ex-companheiro de treino… Jones respeitou demais Rashad. Teve chance de derrubar o ex-brother em algumas oportunidades, mas meio que deixou a luta rolar. Se fosse qualquer outro, acho que Jones iria para cima sem dó. Contra Evans, rolou uma certa compaixão pelo passado. Isso é bom? Não, mas é apenas uma suposição.

Jones agora tem Dan Henderson pela frente. O cara é veterano, mas ainda tem uma mão pesada. Foi ele o responsável pelo meu primeiro nocaute ao vivo, quando apagou Michael Bisping no UFC 100. Ainda tenho a cena completamente nítida na memória. Mas nem isso nem os bons resultados recentes serão capazes de melhorar a vida do desafiante contra o campeão. Para vencer, ele tem um round, um round. Depois, Jones sobra.

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Jones, Rashad e dois rounds

Jones x Evans  - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Jones x Evans - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei


Dessa vez eu não vou dar pitacos em tudo que é luta do UFC. A edição 145, que acontece neste sábado, tem o duelo entre Jon Jones, dono do cinturão dos meio-pesados, e Rashad Evans como combate principal. E, por isso, vou direto para o prato principal.

Quem acompanha um pouco sabe que eles eram amiguinhos, mas agora são inimiguinhos. Trocaram farpas desde que a luta foi definida. O clima esfriou nas últimas semanas, mas a pesagem foi tensa. Faltou pouco para que eles saíssem no tapa. De qualquer forma, o circo está pronto.

Já gostei mais de Rashad. É um cara com um bom jogo de chão, bom na trocação. Enfim, é um bom lutador. Mas, às vezes, ser bom não é o suficiente para que você fique no topo. Talvez por isso ele tenha apenas uma derrota na carreira, justamente quando na única vez que colocou seu cinturão em jogo: levou uma aula de Lyoto Machida e perdeu o título.

Pelo fato de ser bom e de ser “ex-amigo”, Rashad vai durar um pouco mais no octógono. Um round, com certeza. Três, se Jones quiser brincar. Como o atual campeão não é muito de enrolação, a luta acabará no segundo round. Nocaute, nocaute técnico, finalização, sabe Deus como Jones vai encerrar o assunto, mas, para mim, está claro que ele vai destruir e permanecer com o cinturão.

O palpite, então, é simples: Jones no segundo round. Podem cobrar depois.

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Anderson Silva, Jon Jones, GSP e a luta que ninguém quer ver

Jon Jones, Anderson Silva e GSP - Foto: Reprodução/UFC

Jon Jones, Anderson Silva e GSP - Foto: Reprodução/UFC

Julho de 2009. Logo depois do UFC 100, em Las Vegas, cruzo com um integrante da equipe de mídia da Zuffa, dona da franquia de lutas. No caminho para a sala de imprensa, falamos sobre a vitória de Georges St-Pierre sobre Thiago “Pitbull” Alves. O canadense não deu chances para o brasileiro e seguiu com o cinturão do peso meio-médio.

“Ele é um ‘mister picture boy’, né? Lutou cinco rounds e parece que acabou de tirar o terno”, disse o rapaz, cujo nome me reservo a não citar. E é bem assim, GSP sai da luta como se não tivesse lutado. Na época, ainda com a adrenalina do meu primeiro UFC in loco pulsando, concordei com a análise e me calei. Hoje, provavelmente, perguntaria: “mas será que isso é tão legal assim?”.

Leio no excelente blog Na Grade do MMA, comandado pelo amigo Jorge Corrêa (e não é pela amizade que o blog é excelente), uma entrevista de Anderson Silva à “ESPN” nos EUA. Nela, o brasileiro admite enfrentar GSP.

“GSP é uma pessoa muito educada e gosto muito dele. Contra ele seria uma grande, grande, grande luta e isso realmente pode acontecer.”

O combate entre Anderson e GSP já foi tratado como um sonho pelo próprio UFC. O duelo seria algo como uma luta suprema, que definiria o melhor lutador “pound by pound” (em todos os pesos) da história. Seria mítico, inesquecível, histórico. Os superlativos aqui tratados foram lidos por mim nos últimos anos na imprensa especializada. Mas, fico com um único questionamento: será?

É fato que Anderson é um dos lutadores mais criativos da história. O cara sabe como poucos esconder seus golpes até o último momento e, via de regra, surpreende os rivais. Até hoje, no UFC, surpreendeu todo mundo. Parece que ele sempre tem um coelho na cartola, uma carta na manga…

Já GSP é uma espécie de robô do MMA. Tem técnica? Claro que tem, se não, não seria campeão por tanto tempo – ganhou seu segundo cinturão em agosto de 2008, defendeu o título em seis lutas e só não foi para a sétima por causa de lesão. Não espere um drible, uma finta, uma ginga sensacional dele. Não discuto a eficiência, mas suas lutas, venhamos e convenhamos, são chatas, mas muito, muito, muito chatas.

Enquanto Anderson é capoeira, é mutante, GSP é, digamos, ciência exata.

Se Anderson x GSP já foi um sonho, hoje, não é mais. Parece até meio sem sentido pensar num duelo entre os dois. Pelo momento, pela técnica, pela carreira… O brasileiro é infinitamente superior. Se já foi um combate dos mais esperados, hoje, ninguém quer ver.

Por outro lado, a luta mais esperada do momento reuniria Anderson e sua versão nos meio-pesados, Jon “Bones” Jones. São dois caras com estilos semelhantes, com golpes que fogem da lógica. Mas, ao que parece, esse é um duelo que só vai rolar no videogame. Pelo menos é que o brasileiro afirmou e o Na Grade do MMA reproduziu:

“Não pretendo mais subir de categoria. Ele tem outro peso. Treino com caras maiores, como Lyoto Machida e Minotauro e sei como é complicado. Sempre que encontro Jones, falo para ele manter o foco, pois se fizer isso, não terá adversários. Ele é melhor de todos. Ele levaria muita vantagem, é bem mais novo que eu e não seria algo tão interessante.”

Será, Anderson? Vou discordar de você. Seria interessante demais, uma daquelas lutas memoráveis. Seria tão dramático para o brasileiro subir de peso? Ele já lutou nos meio-pesados e, somados, James Irvin e Forrest Griffin duraram 4min24 no octógono (1min01 e 3min23, respectivamente). Dá para afirmar, com todas as letras, que seria “A” luta, de tirar o fôlego, de ser vista e revista e, sim, aquela que mereceria todos os superlativos citados acima.

Ao que parece, em breve, quem sabe no fim deste ano ou no ano que vem, teremos um Anderson x GSP. É claro que terá uma audiência absurda, mas, acredito, com aquele sentimento de “Puts, e se fosse o Jon Jones ali?”. Essa, sim, a luta que todo mundo quer ver.

P.S.: Não sei para as outras plataformas, mas, quem baixou o demo do game “UFC Undisputed 3” para PlayStation 3 tinha duas opções de luta: ou Wanderlei Silva x Quinton Rampage Jackson no ringue do extinto Pride, ou Anderson Silva x Jon Jones no octógono do UFC. Pelo menos no videogame, dava jogo. E como!

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Minotauro, fratura e a imagem de uma dolorosa e dolorida derrota

Minotauro não ia bater. Perdeu uma luta ganha para Frank Mir e só bateu depois que algo aconteceu. Parecia um ombro deslocado, mas as imagens mostraram outra coisa. Jorge Guimarães, o “Joinha”, empresário do brasileiro, postou em seu Facebook uma foto da radiografia do braço direito de Minotauro: “Lyoto está bem e o Minota softeu uma fratura transversa no umero…”. Quem diria que uma das imagens que vai marcar o UFC 140 seria tirada horas depois do evento? Força, Minotauro!

Minotauro e seu braço fraturado - Jorge Guimarães/Facebook

Minotauro e seu braço fraturado - Jorge Guimarães/Facebook

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UFC 140: estômago, ombro, cabeça, força e precisão

Minotouro comemora a vitória sobre Tito Ortiz - Foto: Nick Laham/Getty Images

Minotouro comemora a vitória sobre Tito Ortiz - Foto: Nick Laham/Getty Images

O UFC 140 teve 12 lutas, mas três delas, venhamos e convenhamos, valiam alguma coisa, aquelas que tinham brasileiros no octógono. Foram três verdadeiros jogos de xadrez, com uma vitória nacional e duas derrotas, daquelas dolorosas. Uma noite de estômago, ombro, cabeça, noite de força e precisão.

Minotouro, talvez, fosse o mais “underdog” de todos os brasileiros no Canadá: vinha de duas derrotas e, se perdesse a terceira seguida, corria até o risco de perder o contrato com o UFC. Pela frente, Tito Ortiz, um dos lutadores mais carismáticos da história. Mais carismático do que perigoso, mas, sabe como é, o veterano já foi campeão dos meio-pesados e sabe bater.

Na verdade, quem mostrou “punch” foi Minotouro. Mostrou pegada e inteligência. Uma joelhada no lado esquerdo do estômago, na região do baço, levou Ortiz para o chão. Qual é a lógica de todo lutador quando derruba o outro: buscar golpes na cabeça do rival para terminar o combate. Minotouro, não: inteligente, socou o baço de Ortiz cirurgicamente até o veterano não aguentar mais. Força e precisão cirúrgicas, estratégia perfeita. Uma daquelas lutas para ver e rever.

Mir encaixa chave para vencer Minotauro - Foto: Nick Laham/Getty Images

Mir encaixa chave para vencer Minotauro - Foto: Nick Laham/Getty Images

Foi a vez do irmão gêmeo de Minotouro entrar no octógono. Minotauro vinha de uma vitória absurda no UFC Rio, embalado, bem treinado, enfim, totalmente preparado para a revanche contra Frank Mir. O norte-americano já foi campeão interino dos pesados, justamente quando nocauteou Minotauro.

A revanche estava nas mãos do brasileiro. Ele encaixou uma série de golpes, e Mir, literalmente, ficou com o rosto colado no chão do octógono. Essa era a hora de fazer, sim, como todo lutador que derruba o outro: soltar o braço até que o juiz pare a luta. Minotauro, não. Quis tentar uma imobilização improvável e deu a chance para Mir faz o que sabe, que é vencer no chão. Deu xeque uma, duas, 10 vezes, mas pareceu o bandido em filme de herói: não acabou com a história. Mir aproveitou a brecha e deu o seu xeque-mate: uma chave de braço perfeita, deslocando o ombro de Minotauro.

O brasileiro, do alto de suas 42 lutas na carreira, não poderia, de maneira nenhuma, deixar escapar uma vitória como essa. A luta acabou sendo impressionante em vários aspectos: a maneira como Minotauro deixou Mir virar o jogo, a maneira como Mir virou o jogo e a maneira como o ombro saiu do lugar instantes antes de Minotauro dar os três tapinhas e decretar sua derrota. Força e precisão cirúrgicas de um lado, estratégia extremamente errada de outro. Uma daquelas lutas para ver, rever e tentar compreender como tudo aconteceu.

Lyoto é apagado por Jones; imagem é forte - Foto: Nick Laham/Getty Images

Lyoto é apagado por Jones; imagem é forte - Foto: Nick Laham/Getty Images

O fim da noite reservou o duelo entre o campeão Jon Jones e o ex-campeão Lyoto Machida. Jones foi aclamado, recentemente, como uma espécie de novo Anderson Silva. A ascenção fulminante parece ter mexido com a cabeça do moleque de 24 anos: está marrento que só ele. A impáfia se tornou antipatia, e ele chegou a ser vaiado tanto na pesagem quanto em sua entrada no octógono.

Briga rolando, e a estratégia de Lyoto foi perfeita. Jones não achou o brasileiro no primeiro round e foi achado em algumas oportunidades. Jones percebeu que nome não ganha jogo, deixou a marra de lado no segundo round e mostrou sua maior virtude: a criatividade nos golpes.

Primeiro, o campeão conseguiu derrubar o brasileiro e, em seguida, usar uma da suas armas prediletas: o cotovelo. O corte profundo na testa foi o primeiro sinal de que Jones tinha entrado na luta. Lyoto levantou e, mesmo sangrando muito, tentou a reação. Mas o contragolpe de Jones foi espantoso, reflexo de sua enorme habilidade em encontrar espaços e terminar lutas.

Lyoto atacou, mas recebeu um direto em troca. Caiu, levantou, ganhou uma joelhada. Tentou respirar, mas Jones, ao invés de ir para os golpes na cabeça do rival, como todo lutador faz, armou um estrangulamento improvável. Em pé, de frente para o oponente, ele simplesmente apagou o brasileiro. A torcida atrás viu que Lyoto havia perdido a luta bem antes do lendário juiz Big John McCarthy decretar o fim. A cena que se segue é forte: Jones solta o brasileiro, que desaba desacordado. Nada de grave, mas, visualmente, é algo chocante. Tão chocante quanto a maneira que o campeão conseguiu a vitória. Força e precisão.

No resumo da ópera, Minotouro usou a cabeça para achar, no estômago, uma vitória das mais bonitas de sua carreira. Minotauro, com a luta ganha, perdeu a cabeça e viu, no ombro delocado, uma derrota das mais tristes de sua carreira. Jó Jones usou a cabeça para achar a cabeça de Lyoto e manter o cinturão. O UFC brasileiro teve finais distintos, com estômago, ombro e cabeça, mas, curiosamente, com uma linha comum: a linha da força e da precisão separou vencedores de derrotados. Esperemos os próximos rounds!

Jones mantém o cinturão após derrotar Lyoto - Foto: Nick Laham/Getty Images

Jones mantém o cinturão após derrotar Lyoto - Foto: Nick Laham/Getty Images

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