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Manifesto olímpico ou como a história passa pela gente – e a gente não vê

O ouro de Sarah Menezes e o bronze de Yane Marques - Fotos: AFP

O ouro de Sarah Menezes e o bronze de Yane Marques – Fotos: AFP

As Olimpíadas acabaram há trocentos dias, eu sei, e as Paralimpíadas, relegadas ao limbo, estão aí. Mas só agora bateu aquela coisa de escrever, de botar para fora algo que foi comentado – percebido, sentido – durante os Jogos. Sabe como é, depois de Londres, todo mundo que trabalhou no evento, daqui ou de lá, retomou a sua vidinha. Uma coisa, no entanto, ainda está engasgada: a gente não tem a menor noção da importância histórica de certas coisas ou deixa histórias maravilhosas se perderem – serem esquecidas? adormecidas? – durante os anos entre Olimpíadas.

Li há alguns dias sobre o assunto no sempre espetacular Blog do Menon, no post “A história passa. E nem sempre se percebe na hora”. Ele estava lá, em Londres, e notou, como o título diz, que a história passa e nem sempre se percebe na hora. Isso ajudou a formatar e clarear melhor o meu pensamento. Daqui, a gente – eu e quem estava mais perto de mim nos Jogos – também notamos isso, com outra conotação, mas percebemos como – e quanto, de quantidade mesmo – isso acontece.

A coisa é bem simples. Existem histórias que você sabe que serão espetaculares. Daquelas que você pode parar seis meses antes dos Jogos e começar a escrever um texto redondo, perfeito, condizente com a grandiosidade da coisa. Claro, muito desse texto vai pro limbo quando a coisa acontece, simplesmente porque o fato em si é tão grandioso que parte do que você pensou acaba – ainda bem – graças à emoção do momento. Se não houvesse isso, todo bom jornalista teria pronto o texto do ganha, perde e empata antes de todos os jogos de futebol.

Bolt, a lenda em Londres - Foto: AFP

Bolt, a lenda em Londres – Foto: AFP

Um exemplo espetacular: Michael Phelps. Outro: Usain Bolt. Ninguém nunca ganhou tantos ouros ou tantas medalhas na história olímpica como Phelps. Ninguém nunca havia vencido os 100 m e os 200 m em duas Olimpíadas seguidas – some a isso os ouros nos 4×100 m em Pequim e em Londres e você terá um inédito dono de seis vitórias olímpicas nas provas mais velozes do atletismo. Ambos são lendas. A história, aquela dos almanaques, dos livros, foi escrita dias atrás, na minha, na sua frente, seja na TV no Brasil, no Camboja, na casa do cacete, seja diante dos olhos de quem estava lá em Londres.

Outras histórias me chamaram a atenção. Sarah Menezes, 22 anos, a pequena notável e toda sua história de superação, passando do Piauí até a conquista da primeira medalha feminina de ouro no judô nacional, primeira medalha do Brasil em Londres. Yane Marques, 28 anos, e toda sua história de superação, passando de Afogados da Ingazeira até a conquista da primeira medalha brasileira no pentatlo moderno, última medalha do Brasil em Londres. Histórias legais e bacanas, exemplos de vida, mas que a gente só ficou sabendo por causa de um fator: o pódio.

Há quatro anos, Sarah perdia na estreia em Pequim. Também na China, Yane foi a 18ª colocada. Elas nasceram no mesmo lugar que a Sarah e a Yane que ganharam medalhas em Londres. Ambas tinham as mesmas histórias de superação, eram os mesmos exemplos de vida. Mas só se tornaram manchetes porque subiram ao pódio. Sem eles, seguiriam como “anônimas olímpicas”, ou seja, como a maior parte da delegação brasileira.

Pensando nisso, acho que, no Brasil, existe, sei lá, uma dúzia de jornalistas preocupados bem mais em saber – e contar – quem são esses “anônimos olímpicos”, essas pessoas que batalham a vida inteira e representam o país no maior momento do esporte mundial. Acredito que são abnegados, gente olhada meio torto por quem acredita que notícia mesmo é Corinthians, é Flamengo, é Ganso sai ou não sai do Santos, é Neymar vai ou não vai para o Real Madrid ou o Barcelona. Claro que isso é importante, mas não é só disso que vive o esporte – e nem o jornalismo.

Michael Phelps, a lenda em Londres - Foto: AFP

Michael Phelps, a lenda em Londres – Foto: AFP

O Brasil levou 257 atletas para Londres. Aposto que existem trocentas histórias boas no meio disso aí. Garanto que essa dúzia de jornalistas abnegados sabem muitas histórias e, tantas vezes, não conseguem contá-las. Em algumas vezes, contam tudo o que podem, mas ninguém vê, porque, claro, Corinthians, Flamengo e outros tantos dão mais audiência. Aí, anos depois, a gente – leia-se muito jornalista, leia-se 99,9999% de quem estava assistindo aos Jogos – fica sabendo que existem Sarahs e Yanes quando elas ganham alguma coisa.

Isso, aliás, tem muito a ver com o apoio governamental dado aos atletas. Devem ser poucos os países do mundo que recebem tanta grana para injetar no esporte. O problema é que, dos 100%, não garanto que a totalidade chegue às Confederações, nem que elas repassem um valor legal para as Federações, e por aí vai. Não há uma política de criação de atletas, afinal, os que ganham algo financeiramente são aqueles que ganharam algo esportivamente. A palavra que falta é investimento: dinheiro existe, mas há tanto pedágio sendo pago por aí que não sobra nada para quem realmente deveria receber, o atleta em formação. A palavra que sobra é, para não dizer outra coisa, bandalheira.

Quer um exemplo: Ketleyn Quadros. Você se lembra dela? A moça de Ceilândia foi a primeira mulher a ganhar uma medalha individual para o Brasil nos Jogos, e a primeira judoca a subir ao pódio. Foi um bronze histórico em Pequim, certo? Para a história, sim. Para ela, bem… Recentemente, ouvi uma entrevista à Rádio Bradesco Esportes na qual Ketleyn, que não se classificou para Londres, falava que não sabia qual seria sua próxima competição: o objetivo é lutar no Grand Prix, em Abu Dhabi, de 10 a 13 de outubro, mas a Confederação ainda não tinha informado se havia verba para a passagem. A moça é medalhista olímpica, cacete, e não tem verba para viagem? Ela, que há quatro anos foi uma baita história olímpica – claro, porque foi ao pódio -, agora batalha para competir, correndo o risco de meter a mão no bolso para viajar. É brincadeira…

O pior é que Ketleyn é apenas mais um exemplo do limbo do esporte nacional, esporte cada vez mais rico por fora, cada vez mais miserável por dentro. Esporte cheio de histórias, boas e ruins, e que passam batidas por 99,999999% das pessoas (jornalistas, inclusive, e eu me coloco nessa lista de ignorantes, no sentido de ignorar completamente muita coisa que está ao meu redor e que poderia virar algo sensacional visitando dois sites, dando dois telefonemas).

E aí chegam as Paralimpíadas, e tem um cara como Daniel Dias destruindo, com trocentas histórias para contar, mas a gente só lembra dele de quatro em quatro anos. Minto, de ano em ano, quando tem o prêmio Brasil Olímpico. E aí o mundo fala de Oscar Pistorius, mas um brasileiro aparece, Alan Fonteles, e acaba com o mito com uma vitória absurda nos 200 m T44. São incontáveis as histórias, mas a gente só foi correr atrás e contar porque ele ganhou. É fato. Se tivesse sido quarto colocado, ou ainda, bronze, nada seria dito ou escrito, como acontece com tantas outras histórias paralímpicas por aqui.

Alan Fonteles supera Oscar Pistorius nos 200 m T44

Esse texto é um grande desabafo. Desabafo por ver que a gente não se dá conta de histórias espetaculares de gente que já se mostrou imortal, como Phelps e Bolt. Desabafo por ver que a gente não se dá conta de histórias espetaculares de gente que está aqui ao nosso lado, de futuros atletas que podem alcançar o mais alto nível, mas damos mais valor àqueles nomes de sempre. Desabafo por ver que o esporte nacional – e a saúde, e a educação, e tudo mais – é tratado apenas e tão somente como interesse financeiro para gente que lucra, e muito, com isso, enquanto o atleta é só um degrau, uma “desculpa” para o enriquecimento alheio – e, claro, ilícito.

Um dos sonhos da minha carreira era desbravar isso. É óbvio que eu não seria capaz de escrever biografias espetaculares dos 257 atletas brasileiros que foram para Londres (e sabe Deus quantos estarão no Rio), mas acredito que existam muitas histórias aqui e ali para serem contadas ou para serem acompanhadas. Um dia, quem sabe, eu consiga ver tudo isso com uma lupa, com uma visão mais ampla e mais rica, sei lá, criar uma cooperativa de grandes pautas, de grandes histórias, uma espécie de revista “Piauí” do esporte.

É um baita chavão isso, mas o esporte, como a vida, não é feito só de medalhas de ouro. Pelo contrário, perde-se muito mais do que se ganha, mas sempre há espaço para uma boa história. História que passa, e que vai passar sempre, mas que a gente não perca o bonde. Que a gente tenha cada vez mais capacidade – conhecimento, preparação – de perceber na hora. Ou antes da hora, independentemente de vitórias ou derrotas. Sonho? Utopia…

P.S.1: Por mais capacidade, conhecimento e preparação, existe a surpresa, existe o instante, o momento. Por mais capacidade, conhecimento e preparação, o jornalista não pode perder a emoção da surpresa, do instante, do momento. É isso que diferencia quem vê in loco do que quem vê na TV. Sem essa emoção, não faria o menor sentido mandar aquele batalhão de jornalistas em qualquer grande evento. É por essa emoção, que mexe com quem faz, quem transmite e quem vê, que o esporte é o que é. E, via de regra, a preparação ajuda, mas ajuda ainda mais se turbinada pela emoção. Por que não?
P.S.2: O vídeo acima provavelmente foi feito depois das Olimpíadas de Pequim e é impressionante como continua cada vez mais atual. Vi o link no não menos espetacular Blog do Birner, no post “Triste e Brilhante! O esporte pede desculpa”.
P.S.3: Repito, aqui, o link para o post do Blog do Menon, “A história passa. E nem sempre se percebe na hora”.

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A quarta Olimpíada do resto de nossas vidas

Aneis olímpicos - Foto: Reprodução

Aneis olímpicos – Foto: Reprodução

Essa é a minha quarta Olimpíada como jornalista, a quarta Olimpíada de São Paulo (perdedor, hein?). Cada uma teve a sua peculiaridade, muito, graças ao tempo. Sim, é babaca falar isso, mas o tempo – o meu e dos Jogos – moldou isso.

A primeira foi em 2000, ainda na faculdade, fazendo aquele frila divertido e mal pago apenas dos jogos de futebol. Foi divertido porque eu trabalhava de casa e uniu o útil e o agradável. Afinal, eu ia ver as partidas mesmo, e escrever sobre foi até um extra.

Quatro anos depois eu estava fazendo placar ao vivo, resultados e quadro de medalhas no UOL. Foi algo insano, trocentas horas de trabalho por dia que passavam voando. Era tanta informação que, falando francamente, não guardei quase nada no cérebro. Quem ganhou o jogo tal? Não sei, mas trabalhei nele. Foi cansativo e, talvez, a cobertura mais legal que eu participei.

Pequim foi, talvez, uma das maiores lições que eu tive na profissão. Trabalhando no site da Abril, o Abril.com, fazia-se de tudo: notinhas, placar ao vivo, resultados, medalhas, álbuns, enfim. O que imaginar, a gente fazia. O horário era ingrato, e foi a cobertura que mais me estragou na vida – fisicamente falando. Só para ter uma ideia, o primeiro dia de sono pós-olímpico foi literalmente quase isso, um dia inteiro dormindo. O corpo estava morto, mas, a cabeça, feliz.

Agora vem Londres. A expectativa é bem realista: muito trabalho, vida social nula, chance zero de medalha. A expectativa só vai ser confirmada – ou não – depois da cerimônia de encerramento. Expectativa bem mais realista do que a de muitos atletas brasileiros em Londres.

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Uma visita sem graça ou enchendo as sacolinhas

Visita e sacolinhas de compras - Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

Visita e sacolinhas de compras – Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

O Brasil não tem nenhuma medalha de ouro olímpica no futebol masculino principalmente graças à sua postura. Acho de uma arrogância absurda tirar o time da Vila Olímpica e deixar em um hotel de luxo, afastado de todo aquele clima bacana que une os Jogos.

Na verdade, as Olimpíadas só são o que são pelo clima que une atletas de todo o planeta. Ali, o cara do Sri Lanka dos 3.000 m com obstáculos almoça ao lado do indiano do badminton, flerta com a argentina do hóquei na grama e troca pins com o técnico de tênis de mesa da China. As pessoas se conhecem, conversam sabe Deus em que idioma, trocam informações e culturas, enfim, fazem aquele samba do criolo doido. O futebol brasileiro, bem, está fora de tudo isso.

A impressão que eu tenho é que os donos da CBF acham que a molecada é superior ao cara do Sri Lanka, ao indiano, à argentina, ao chinês. A impressão é que o futebol vale mais que o atletismo, o badminton, o hóquei na grama, o tênis de mesa. No fim, a medalha do futebol conta um pontinho na classificação, o mesmo que todos os outros esportes.

No fundo, a visita dos jogadores na Vila Olímpica ficou com cara de dia de folga no shopping. Sabe aquele dia que o técnico dá folga e todo mundo sai para fazer compras? Pois é. A cena que ficou foi essa. Ao invés de integração, de conhecer gente nova e culturas completamente distintas da sua, a seleção brasileira de futebol voltou para o seu ninho luxuoso com outra coisa: sacolinhas de compras. E muitos bichinhos de pelúcia.

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Iziane, “tudo eu” e o futuro do pretérito

Iziane na seleção, apenas um rascunho - Foto: Gaspar Nóbrega/CBB, Arte/Zanei

Iziane na seleção, apenas um rascunho – Foto: Gaspar Nóbrega/CBB, Arte/Zanei

Infelizmente, nunca vamos saber o tamanho que Iziane poderia atingir na seleção brasileira. Seria ela uma Hortência, uma Paula, uma Janeth? Não sei, nem você. Mas parece que ela acha que é maior que todas elas. Maior, até, que o próprio time nacional.

Essa é a única explicação que encontro para os desencontros da atleta. Potencial, a gente sabe desde sempre, ela tem para se tornar uma das maiores atletas do planeta. Mas, quando o assunto é cérebro e equilíbrio emocional, parece que a ala não saiu do berçário.

Eu sei, é forte falar isso, mas dói escrever essas palavras para uma jogadora que poderia ter conquistado tudo, comandado uma nova geração na seleção, se eternizado com a camisa do Brasil. Poderia. Futuro do pretérito. Aquele tempo verbal condicional. Ou seja, só Deus sabe o que seria.

Além de achar que pode tudo na hora que quer, tenho a impressão que Iziane é aquele tipo de pessoa que se acha vítima de tudo. “Sempre culpa minha”, deve dizer a atleta quando encosta a cabeça no travesseiro. Às vezes, nêgo vira bode expiatório mesmo. Mas, quando a história se repete, é difícil acreditar.

Iziane teve problemas com três técnicos da seleção: Paulo Bassul, Enio Vecchi e Luis Cláudio Tarallo (leia-se Hortência). O motivo sempre teve a ver com indisciplina, sempre teve a ver com se achar melhor do que é, sempre teve a ver com quebrar as regras.

Agora, o motivo é levar o namorado para a concentração no período de treinos na França. Uma vez? Não, “várias noites”, disse ela. É grave? Acho que não, existem pecados bem mais condenáveis no mundo, mas, no caso, regra e regra, e Iziane, aquela do “tudo eu, tudo eu”, quebrou mais uma.

Inexplicavelmente, o basquete feminino do Brasil se renova. Ou se renovava. Inexplicavelmente, pois, mesmo sem apoio de ninguém, grandes jogadoras sucediam grandes jogadoras. Uma delas, no entanto, resolveu quebrar o ciclo. Iziane poderia ser um mais uma dessas grandes jogadoras. Infelizmente, desencanou. A culpa é minha, sua, dos técnicos? Que nada. Quando o assunto é Iziane na seleção, a atleta pode se gabar de ter estragado uma história que poderia ser belíssima. Poderia.

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Um exagero chamado Hulk, ou concordando com Romário

Hulk, uma convocação nebulosa - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Hulk, uma convocação nebulosa – Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

(Colocando o papo em dia, parte 2)

“O Hulk é um bom jogador, que tem futuro, mas ele é um jogador para Copa do Mundo, não para a Olimpíada. Temos vários outros jogadores acima de 23 anos, na minha opinião e de todo Brasil. Tinha que levar um jogador que imponha mais respeito.”

Romário, em entrevista à Reuters

Concordo com Romário. A seleção brasileira convocada por Mano Menezes para os Jogos Olímpicos de Londres é boa. O problema é que poderia ser melhor.

Como muito já foi dito sobre o tema, o jeito é ir direto ao assunto. Hulk é bom, mas não é um cara tão bom assim para aparecer como um dos eleitos acima de 23 anos. Eu levaria um zagueiro.

É simples. Thiago Silva é um monstro, o melhor zagueiro do planeta, incontestável e absolutamente necessário. Juan e Bruno Uvini não são ruins, mas, se um deles se machucar (toc, toc, toc), vamos com o zagueirão do Milan e mais um até o fim. Se o lesionado (toc, toc, toc) for Thiago (toc, toc, toc, ou melhor, toc, toc, toc, toc, toc, toc), não tem um defensor na reserva.

Melhor seria sacar Hulk da lista e levar um zagueiro para fazer companhia a Thiago Silva. Quem? Da pré-lista de 52, veiculada em março, os zagueiros acima de 23 anos eram David Luiz, Dedé e Luisão. Qualquer um formaria uma bela dupla com o zagueirão do Milan e ajudaria a dar experiência para a dupla reserva. Mais: teríamos uma dupla de reservas!

Sacando Hulk e colocando um zagueiro, arrumamos a casa lá atrás. Mas a lista de Mano apresenta uma outra falha no meio-campo, com a presença de apenas dois volantes, Rômulo e Sandro. Voltamos ao mesmo problema numerológico da zaga. Daí, penso que, com quatro defensores, um deles poderia fazer a função à frente da defesa em caso de necessidade, além de ter Danilo, o lateral, como opção para uma eventualidade.

Enfim, nada contra Hulk. Pelo contrário, se meu time – e, acho, o seu – contratasse o cara, seria um motivo de enorme felicidade. Na seleção principal, com 22 convocados, sua presença, hoje, é praticamente certa. Mas em uma lista apertada, na qual ele é exceção e, com o perdão do trocadilho, não é nenhum super-herói, acho um enorme exagero.

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A lista de Mano, a banalização da seleção e o choro

Mano Menezes - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Mano Menezes - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Nasci em 1978. Nos anos 80 e 90, falar em seleção era falar de pouca gente, de caras especiais. Claro, você podia tentar entender como certos “pernas de pau” eram convocados, mas a lista dos “mais ou menos” era bem menor do que a dos que eram bons de bola. Parece que isso mudou, e não é de hoje, mas Mano dá continuidade ao trabalho de banalização da seleção brasileira.

Não vou discutir os 36 garotos com idade olímpica, mas os 16 acima dos 23 anos. Sinceramente, parece que qualquer um joga na seleção. E, de fato, é isso mesmo, não?

Alguns nomes incluídos na lista não são titulares nem no time principal de Mano. Vira e mexe, ficam fora de convocações, como os goleiros Diego Alves e Jefferson, os laterais Adriano e Marcelo (que é muito bom), o meia Elias, e os atacantes Hulk e Jonas.

Outros caras foram descobertos recentemente pelo técnico. Muita gente pedia Hernanes (que é muito bom), mas o meia da Lazio, via de regra, era esquecido. Já Fernandinho é uma incógnita: só Deus sabe como ele joga no Shakthar.

Ou seja, a meu ver, a convocação desses caras citados acima pode ser explicada pela total falta de bom senso do treinador. Se nem no time principal ele usa esses jogadores com regularidade, qual é o real motivo de colocá-los em uma pré-lista para as Olimpíadas? Mais: qual deles é capaz de ser líder de um time de moleques atrás do único título relevante que o Brasil não tem?

Ainda na lista dos caras acima de 23 anos, Mano chamou quatro zagueiros. Se há um pouco de critério nisso, tendo a achar que pelo menos dois deles estarão em Londres: David Luiz, Dedé, Luisão e Thiago Silva (que é muito bom). O goleiro Júlio César (caso se recupere, é muito bom), o lateral Daniel Alves (que é muito bom) e o enganador Ronaldinho Gaúcho completam a lista.

Mano disse, recentemente, que tem um plano para Ronaldinho. Se o plano for levá-lo para as Olimpíadas, parabéns, Mano, por apostar no jogador mais insosso dos últimos anos. Ele já mostrou que não está nem aí para a bola, já mostrou que não é um cara capaz de liderar a molecada (ou ninguém lembra dos Jogos de Pequim-2008?) e tem mostrado uma bolinha ridícula desde que saiu do Barcelona. Belo plano, Mano, belo plano. Chamasse o Adriano então!

Nota do redator: o “!” é uma espécie de sinal de ironia, ok?

Se é pra levar o Ronaldinho, convoque um Kaká da vida. Se é pra convocar alguém que está mal, chame um que, pelo menos, corre e tem vontade de alguma coisa. Faz tempo que a seleção não tem sangue nas veias. Não sei se Kaká é o cara mais “sanguinário” do momento, mas, comparado com Ronaldinho…

Não tenho nada contra nenhum desses jogadores – a não ser o inexplicável Ronaldinho -, mas fico com a sensação de que a seleção está mais banalizada do que nunca. Se meu time contrata Elias ou Hernanes, por exemplo, é claro que eu ia achar bacana. Mas time é uma coisa, seleção é outra bem diferente.

Enfim, Mano não foi o primeiro a convocar jogadores comuns, mas é o cara que poderia não convocá-los hoje, mas prefere seguir no mesmo caminho fracassado. Por outro lado, temo que esse monte de “maios ou menos” seja o que há de melhor no nosso futebol. Aí, o negócio é sentar e chorar. Copiosamente.

P.S.: Clique e veja, no site da CBF, a lista completa dos convocados.

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Brasil bate a Argentina no Pré-Olímpico: duas imagens de uma vitória animadora

Pré-Olímpico das Américas. Local: Mar del Plata. Argentina 71 x 73 Brasil. Jogo de gente grande. Fim de um jejum de 16 anos sem vitória sobre os vizinhos. Passo importante para a vaga olímpica? Calma, uma coisa de cada vez. Mas foi um passo gigantesco para elevar a confiança da equipe. A vaga ainda está distante, mas o Brasil mostrou que pode sonhar com ela. Basta jogar com força e concentração defensiva, como equipe, como time, como conjunto, que dá para sonhar. Um passo de cada vez, um dia de cada vez. Mas que foi bonito, isso foi. Abaixo, duas imagens que ilustram o momento:

Augusto Lima mostra como o Brasil tem que jogar para ir para as Olimpíadas: com quatro braços - Foto: AFP/Maxi Failla, presente no álbum do "iG Esporte"

O reserva Augusto Lima comemora e mostra como o Brasil tem que jogar para se classificar para as Olimpíadas de 2012: com quatro braços - Foto: AFP/Maxi Failla

Foto acima retirada do álbum do “iG Esporte”, que pode ser visto aqui

Tiago Splitter (15) e Guilherme Giovannoni (12) celebram a vitória brasileira; atletas podem ser a chave para a sonhada vaga olímpica - Foto: AP/Martin Mejia, presente no álbum do UOL Esporte

Tiago Splitter (15) e Guilherme Giovannoni (12) celebram a vitória brasileira diante da torcida argentina; atletas podem ser a chave para a vaga - Foto: AP/Martin Mejia

Foto acima retirada do álbum do “UOL Esporte”, que pode ser visto aqui

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