Arquivo da tag: São Paulo

Alvaro Pereira, o novo Jorge Wagner de Muricy

Alvaro Pereira na estreia - Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Alvaro Pereira na estreia – Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

“Acertamos na contratação.”

Alvaro Pereira chegou como um desconhecido para uns, uma esperança para outros. Lateral da seleção uruguaia, famoso por ser bom no apoio e por bater bem na bola, precisou de apenas alguns minutos em sua estreia para deixar bem claro: o São Paulo não contratou Alvaro Pereira, mas, sim, um novo Jorge Wagner para Muricy.

Jorge Wagner virou um dos símbolos da era vitoriosa do treinador no Morumbi. Cito alguns motivos: bom passe na saída de bola, bom posicionamento na defesa e no ataque e facilidade em botar a bola na área, além de ser o “rei” das bolas paradas. O meia nunca foi um gênio, mas um jogador dos mais úteis, especialmente sob o comando de Muricy.

Bastaram alguns instantes na estreia para perceber que Alvaro Pereira vai cair como uma luva no esquema do técnico. Logo, tem tudo para se tornar, rapidamente, um dos ídolos da torcida. Os motivos, e quaisquer semelhanças com Jorge Wagner não são, em hipótese alguma, um acaso:

– é o desafogo – ou seria a solução? – para a saída de bola

– compõe razoavelmente na defesa (Jorge Wagner defendia melhor), é extremamente útil no ataque (Alvaro Pereira tem mais explosão)

– sabe bater bem na bola, tanto para chutar a gol como, principalmente, especialmente, para cruzar a redonda para a área

– obviamente, graças ao motivo acima, dominou as bolas paradas

– ambos são canhotos; coincidência?

– não é um motivo, mas não duvido que, logo logo, o uruguaio deixará a lateral e virará meia

“Acertamos na contratação.”

Ganha uma mariola quem acertar o autor da frase. Muricy, claro. Ele fez ressalvas, mas aprovou o reforço logo na estreia. As razões são mais do que óbvias. O São Paulo contratou Alvaro Pereira, mas, para o treinador, ele ganhou um Jorge Wagner novinho em folha. Presentão!

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

São Paulo, enfim, contrata um técnico; falta só um presidente

Ney Franco, novo técnico do São Paulo - Foto: Divulgação

Ney Franco, novo técnico do São Paulo – Foto: Divulgação

(Colocando o papo em dia, parte 1) Sempre achei que a contratação de Emerson Leão pelo São Paulo era algo, digamos, ilusório. Para mim, o clube ainda procurava um técnico. A renoação de contrato com ele não me fez mudar de ideia. Mas, a chegada de Ney Franco, sim.

Um indício é o período de contrato, até dezembro do ano que vem. Muito diferente dos dois meses propostos – e aceitos – por Leão no primeiro contrato. Claro, tenho certeza que contrato, a maioria das vezes, é feito para ser quebrado, mas, vai saber.

Outro fato são as categorias de base. O clube do Morumbi sempre foi uma espécie de celeiro de bons jogadores, mas muitos não conseguiram se firmar no time principal. Outros, nem foram aproveitados. Com pouco dinheiro no bolso, usar o que é produzido em casa é a única saída. E Ney Franco me parece a escolha certa para isso.

Aliás, foi com ele que Lucas fez a melhor apresentação de sua carreira, nos 6 a 0 sobre o Uruguai, na última rodada do Sul-Americano Sub-20, em fevereiro do ano passado. O resultado, além do título, levou o Brasil às Olimpíadas de Londres. Naquele dia, o meia-atacante fez chover, marcando três gols e dando dribles e mais dribles. Casemiro e Willian José também estavam naquele time.

Foi com Ney Franco, também, que o Brasil foi campeão mundial sub-20, em agosto de 2011. Bruno Uvini, Casemiro, Willian José e até Henrique formavam aquela equipe. Henrique, hoje emprestado ao Vitória, foi eleito o melhor jogador do mundo. Em sua carreira profissional no São Paulo, foram 14 jogos e 1 gol. Aliás, como profissional, foram 39 partidas, e apenas 6 gols marcados. Apenas para comparar, com Ney, no Mundial, ele foi o artilheiro, com 5 gols em 7 jogos.

Se vai dar certo ou não, o tempo vai dizer. Mas o fato é que, depois de nove meses, o São Paulo, enfim, contrata um técnico. Falta, agora, abrir eleições presidenciais. Aí, sim, o clube terá comando e não mandos e desmandos.

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

São Paulo procura técnico desde outubro, mas precisa de um presidente há muito tempo

Emerson Leão é demitido do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão é demitido do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão chegou ao São Paulo em outubro do ano passado, inicialmente com um contrato de dois meses. Mais de oito meses depois, ele é demitido do cargo. Minha opinião sobre isso se mantém intacta, é a mesma de “São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?”, texto que publiquei aqui no blog na data da contratação.

Leão não conseguiu transformar o São Paulo em um time, equipe. Acho que o principal problema foi a ausência de habilidade do treinador no que deveria ser sua especialidade, ou seja, treinar. Sabe aquele lance de prazo de validade? Pois é, deve ser por isso. O choque na chegada camufla os erros táticos, mas, a longo prazo, eles vão aparecendo. No caso do São Paulo, está escancarado que o time não tem o mínimo de organização.

Quando o São Paulo contratou Leão, minha impressão era que o clube continuava atrás de um técnico. Aliás, em todo o seu período no clube, o ex-goleiro nunca teve um apoio maciço da diretoria, alguém que batesse na mesa e deixasse o cara trabalhar em paz. Pelo contrário, o treinador foi sabotado ali dentro em várias oportunidades. A mais clara delas foi o caso Paulo Miranda, que evidenciou a total falta de comando do clube.

E é aí o grande problema. Dane-se quem será o próximo treinador. Na verdade, o principal problema do São Paulo é o seu presidente. Juvenal Juvêncio ficou completamente entorpecido pelo poder. Perdeu o foco com a ausência do Morumbi na Copa do Mundo de 2014 e, dali para a frente, seu mandato degringolou. Mandato, aliás, perpetuado graças a uma manobra jurídica. Ou seja, tudo errado.

O São Paulo já foi, sim, um clube de vanguarda no assunto administração. Deu a cara para bater contra mandos e desmandos aqui e ali, achou soluções criativas para uma série de assuntos cá e acolá. Mas isso faz tanto tempo que parece estar num passado distante, quase esquecido.

Hoje, o São Paulo passa por uma crise política das mais graves de sua história. Nau à deriva. No comando, cambaleante, mas com um nariz empinado que só o dele, está lá Juvenal, impassivo, “soberano”. E é aí, por se achar tão “soberano” assim, slogan que estampou o tricampeonato brasileiro, que o dirigente se afundou. E vem afundando o time junto com ele.

Desde outubro o São Paulo procura um novo técnico. Mas, sinceramente, o buraco é mais embaixo. Ao invés de trocar de treinador, o clube deveria procurar uma renovação política e mudar, principalmente, de presidente, de diretoria. Se um dia, o sonho é voltar a ser vanguardista, tem que dar o primeiro passo agora. Arrumar a casa é o primeiro ato para arrumar o futebol. Sem Juvenal e sem tanta gente que já passou do tempo por ali.

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

Buenos Aires, ignorância e preconceito

"Bendito é o fruto do teu ventre", Catedral Metropolitana de Buenos Aires, abril/12 - Foto: Ricardo Zanei

"Bendito é o fruto do teu ventre", Catedral Metropolitana de Buenos Aires, abril/12 - Foto: Ricardo Zanei

(Para aquelas duas pessoas que lêem esse blog por causa das bobagens que escrevo sobre esporte, abro um parênteses para tocar em outro assunto, a meu ver, bem mais importante e relevante que gol, cesta e ponto…)

Ficar uma semana em outro país, qualquer que seja, é um aprendizado. Pode ser aqui do lado, mas as coisas são diferentes. O ar e a vida são outros. Melhores? Piores? Não sei, mas são outros.

Moro em São Paulo há cinco anos, depois de passar quase 29 na aprazível Santo André. Confesso que conheço muito pouco do meu Estado e, inclusive, dessas duas cidades. Por exemplo, fui uma vez para Sorocaba. Piracicaba, Joanópolis, Serra Negra, São Roque, idem. Fui duas para Campinas e Águas de Lindoia. Algumas para Mogi Mirim, terra da minha mãe. Nunca entrei na Igreja da Sé, nem no Parque Burle Marx ou no Parque do Carmo. Mas completei, na última semana, minha terceira passagem por Buenos Aires. No total, é quase um mês de Argentina na minha vida.

Curioso como tem tanta coisa aqui do lado que eu não conheço e, ao mesmo tempo, como consigo me virar e me sentir tão bem na capital argentina. Voltei após uma ausência de quase quatro anos. A desculpa foi o show do Foo Fighters. Mas, admito, foi apenas um pretexto para matar a saudade.

Aproveitei a semana para me desligar das coisas. Levei o laptop, mas me neguei a escrever nesse blog, bem como a bater o olho em qualquer assunto que lembrasse trabalho. Uma semana de descompressão, de vinho e tango, de bife de chorizo e Foo Fighters, de parrillas, morcillas e Quilmes.

Argentina 3 x 0 Bolívia, eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, estádio Monumental de Nuñez, nov/07 - Foto: Ricardo Zanei

Argentina 3 x 0 Bolívia, eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, estádio Monumental de Nuñez, nov/07 - Foto: Ricardo Zanei

Foi, ainda, uma semana de surpresas. Encontrei um dos meus melhores amigos lá. Moramos a, no máximo, 3 km de distância em São Paulo e não conseguimos nos encontrar. Aí, na mesmoa semana, eu vou passear, ele vai trabalhar, e matamos um pouco da saudade. Além disso, a linda Cecília, direto de Washington, resolveu dizer o seu primeiro “oi” e completou o trio de pequenos que chegou agora e já encheu as nossas vidas de alegria.

Sempre falo que sou suspeito para dizer qualquer coisa sobre Buenos Aires. É uma cidade linda e com uma aura indescritível. Os bairros são peculiares, cada um com sua identidade, encantos e surpresas. O Real tem vencido o Peso com facilidade, e isso ajuda, mas já ajudou muito mais. A comida é das melhores – leia-se “carne, carne, carne”, e que carne boa! -, e o vinho é de chorar. Enfim, é tudo realmente muito bom.

Mas percebi, lendo aqui e ali, que ainda tem brasileiro, mas muito brasileiro, do meu ciclo de amizades ou de pessoas próximas a mim, que são completamente ignorantes quando o assunto é Argentina e Buenos Aires.

Ignorante, no dicionário Houaiss:

Acepções
■ adjetivo de dois gêneros
1 que desconhece a existência de algo; que não está a par de alguma coisa
Ex.: um povo ainda i. da escrita
2 que denota a ignorância do autor ou daquele que é responsável por uma obra
Ex.: um livro i., um filme i.
3 sem malícia; puro, inocente
Ex.: uma alma cândida, i.
■ adjetivo e substantivo de dois gêneros
4 que ou quem não tem conhecimento por não ter estudado, praticado ou experimentado; incompetente, inexperiente
Ex.: i. em matemática, não passa de um i.
5 mal-educado, grosseiro; pretensioso, presunçoso
Ex.: maneiras i., é um i. que se acredita dono da verdade

Vi que ainda tem gente que nunca topou com um argentino, mas acha que todos são filhos da p***. Mais: que é um país ridículo, escroto, que não merece ser notado, quanto mais visitado. Enfim, além de ignorância, há o preconceito.

Preconceito, no dicionário Houaiss:

Acepções
■ substantivo masculino
1 qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico
1.1 idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão
2 atitude, sentimento ou parecer insensato, esp. de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância
Obs.: cf. estereótipo (‘padrão fixo’, ‘idéia ou convicção’)
Ex.: p. contra um grupo religioso, nacional ou racial, p. racial
3 conjunto de tais atitudes
Ex.: combater o p.
4 Rubrica: psicanálise.
qualquer atitude étnica que preencha uma função irracional específica, para seu portador
Ex.: p. alimentados pelo inconsciente individual

Claro que eu sabia que isso existia, mas em tempos de Facebook, Twitter e informação imediata, fiquei impressionado, com a quantidade de gente que pensa assim.

Há, sim, uma rixa verdadeira entre Brasil e Argentina. Uma única rusga, única, ela se limita apenas e tão somente ao futebol. Saiu disso, acabou, meu caro. Eles são Maradona, a gente é Pelé. A gente, olha que engraçado, é verde e amarelo, e eles são azul e branco. Complementares?

“¿Qué Ves?” – Divididos
¿Que ves?
¿Que ves cuando me ves?
Cuando la mentira es la verdad

O argentino acha, sim, que é o melhor do mundo. Afinal, se eles não acharem, quem é que vai achar? A diferença é que eles não precisam me chamar de filho da p*** para isso, nem falar que meu país é uma bosta. Pelo contrário, todos com quem falei em quase um mês, em períodos distintos, elogiaram o Brasil. Alguns, sem saber que eu era brasileiro. Bem diferente do que temos aqui, não?

O que me deixa mais preocupado é que esse tipo de ignorância e preconceito pode tomar outros níveis. Alguém aí em sã consciência sabe me explicar por que a pessoa A xinga a pessoa B por causa da cor da sua pele? Paralelamente, temo que A seja a mesma pessoa que xingue a pessoa B – ou C ou D ou… – apenas pela localização geográfica de seu local de nascimento. Preconceito e ignorância, crimes que andam, via de regra, juntinhos, de mãos dadas.

Voltar para casa de uma viagem sempre me deixa meio deprimido, mas logo passa. Voltar de Buenos Aires sempre é diferente, porque a depressão é mais profunda, simplesmente pelo fato de “voltar”. Voltar de Buenos Aires e me deparar com o que deparei, esse preconceito e essa ignorância descabidos, me deixa ainda mais cabisbaixo. Pensar que, com tanta informação por aí, ainda tem gente que se nega a abrir os olhos.

Não sou a pessoa mais viajada do mundo, nem a mais inteligente, muito menos a mais correta. Mas, de uma forma ou de outra, procuro me informar. Não apenas por ser jornalista e ter que, muitas vezes, repassar uma informação da maneira mais simples e clara possível. Mas como cidadão, sabe? Tenho meus preconceitos e minhas ignorâncias, mas a mente está aberta para qualquer assunto e experiência. Claro que correr atrás de informação e tentar aprender algo aqui e ali é difícil. Mais fácil mesmo é achar que, se não é igual a mim, é tudo filho da p***, escroto, desprezível. E haja ignorância e preconceito. Uma pena.

“Por una cabeza” – Carlos Gardel


P.S.: Obviamente, generalizei as coisas. Claro que tem argentino filho da p***, assim como tem brasileiro filho da p***. Claro que lá não é o paraíso, assim como aqui não é também. É assim em todo o lugar do mundo, não? Bom, vocês entenderam, né?

Deixe um comentário

Arquivado em Análises espertas do cotidiano

Luís Fabiano, maior que Raí

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Para quem nasceu no fim dos anos 80 ou nos anos 90, Raí é um nome especial. Se você não é são-paulino, ou você o odeia ou acha que ele não jogou nada. Se você é são-paulino, ele é um gênio. Pra mim, é o maior ídolo do clube. Maior até que Rogério Ceni. E não é que, contra o frágil Independente, Luís Fabiano se tornou maior que Raí? Quem diria!

Claro que o título desse post tem uma pegadinha e, obviamente, por mais que a torcida idolatre Luís Fabiano, o papel de Raí na história tricolor é inegavelmente maior que o do atacante. Mas, ao fazer o segundo na goleada na Copa do Brasil, o camisa 9 chegou aos 128 gols, superando o eterno camisa 10 na lista de maiores artilheiros do São Paulo.

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Zanei

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Zanei

Luis Fabiano fez quatro no jogo no Morumbi e agora soma 131 gols. É o nono maior artilheiro do clube do Morumbi e não será nenhuma surpresa que ele termine o ano na sétima posição. Maurinho, o oitavo, tem 136 gols. Leônidas, sim, Leônidas da Silva, imortal atacante da história do futebol brasileiro, contabiliza 144. Ou seja, Luís Fabiano está a 13 gols de Leônidas.

Curioso que, lendo aqui e ali, percebi que o fato passou desapercebido, mesmo sendo citado na transmissão do SporTV. Tudo bem que Raí não era um camisa 9 e nem tinha a função de matador, mas superar o número de gols de um cara que maior época em um fase das mais vitoriosas de um time no futebol nacional é um feito, no mínimo, memorável.

Ainda acha que é pouco? Dos 20 maiores artilheiros do São Paulo, Luís Fabiano tem a melhor média de gols: 0,735 (131 gols em 178 jogos). Mais: detém a quinta melhor média da história, atrás apenas de Waldemar de Brito (1,08), Friedenreich (0,83), Zezinho (0,80) e Friaça (0,74). Nada mal, hein?

Luís Fabiano pode não ser um gênio da bola e está longe de aparecer na lista dos melhores atacantes da história, do século, quem sabe, até, da década. Mas ele sabe muito bem como fazer gols e, pouco a pouco, vai escrevendo seu nome na história tricolor. Se ganhar um titulozinho aqui e outro ali, então, nem se fala… Independentemente disso, o grito Lu-ís-Fa-bi-a-no já está eternizado.

Luís Fabiano 4 x 0 Independente (PA)

P.S.: Os dados desse post foram retirados do site oficial do São Paulo e atualizados com os gols e jogos de Luís Fabiano na temporada 2012.

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

Lucas, amadurecimento e o mimimi

Lucas, do São Paulo - Idário Café/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Lucas, do São Paulo - Idário Café/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei


Não gosto de jogador mimimi. Aliás, não gosto de ser humano mimimi, mas vou tratar apenas do lado boleiro da coisa. No futebol, os níveis do mimimísmo são enormes. Imagino como deve ser o mimimi dentro de um elenco. Deve ser insuportável. Se, olhando de fora, já é chato pra caramba, penso que, vivendo aquilo, deve ser surreal.

Tem outras coisas que eu não gosto. Por exemplo, gente que usa as redes sociais para dar indireta, desabafar. Eu mesmo já fiz isso e, admito, é uma atitude das mais imbecis. Tendo a achar que seria bem mais útil falar a coisa toda na cara e resolver logo o assunto.

Lucas tem 19 anos e já foi apontado como uma das maiores esperanças do futebol do país. Na última semana, virou um enorme exemplo do mimimi no mundo da bola. Reclamou no Twitter, uhu! Ou seja, conseguiu, com uma atitude, unir duas coisas que eu abomino.

Com 19 anos, eu também era um mané. Hoje, ainda continuo sendo. Mas existem coisas que você aprende e leva para a sua vida. Pior que aquele papo de experiência, de amadurecimento, é verdade. O tempo passa e você fica menos idiota. Para quase todo mundo é assim.

Talvez tudo tenha acontecido muito rápido para Lucas. Em, sei lá, um ano, um ano e meio, o moleque passou de um garoto dos juniores para titular e principal esperança do São Paulo e do são-paulino. Mudou até o nome, tirou o apelido, Marcelinho, e adotou o do RG, Lucas.

Nesse meio-tempo, foi convocado para a seleção brasileira e chegou até a ser comparado com Neymar. Claro, um exagero, mas que rolou, rolou. É muita coisa ao mesmo tempo para a cabeça de um garoto.

Aí ele vai no Twitter e reclama de uma maneira, digamos, infantil. Parecia aquele garotinho tentando se eximir de toda e qualquer culpa por, sei lá, ter jogado bola no corredor e quebrado o vaso da mãe. Aí vem o jogo seguinte, contra a Portuguesa, e ele resolve que não dribla mais ninguém, que só vai tocar a bola. É mimimi demais, mesmo para um moleque de 19 anos, não?

Não sou superfã do Leão, mas acho que, nesse episódio, ele foi preciso:

“Ele não pode ser oito ou 80, tem que encontrar o meio termo. É isso que estamos tentando e é o que vamos fazer. Às vezes, se erra na medida. Estamos aqui para ajudar, apoiar, orientar, mas ele passa duas, três horas conosco, mas 21 horas fora, ai que começa a complicar, mas nada como um dia após o outro.”

Ou seja, a coisa é simples. Há a hora de driblar, há a hora de tocar a bola. Não tem grandes segredos, né? Mas, para o jogador de futebol, o entendimento disso tudo demora, tem todo um tempo de maturação. Ainda mais para quem é – ou se acha – acima da média. É o tal do amadurecimento.

Mas aí vem o empresário, o famoso Wagner Ribeiro, e diz um monte de asneira, como “Lucas está sendo mal administrado, mal trabalhado”. Desde quando empresário influencia na maneira como o jogador A ou B deve se portar em campo: E ainda tem a pérola maior, em entrevista à rádio Estadão/ESPN:

É como ter uma Ferrari. Você sabe que ela anda rápido, mas se tiver um piloto que não sabe dirigir, que não sabe trocar as marchas, o carro não vai bem. O Lucas é um Ferrari, um jogador de seleção brasileira, que não quer sair do São Paulo e que ama o clube.”

Sinceramente, é de embrulhar o estômago a análise de Wagner Ribeiro, não? E falando bobagens, ele só atrapalha o moleque e todo o amadurecimento que ele precisa para voltar a brilhar. Mais do que isso, para se firmar como um grande jogador. Por enquanto, é uma promessa. Uma bela promessa.

Espero que Lucas encontre logo esse amadurecimento. O único prejudicado, até agora, é ele mesmo. Sei que não sou ninguém para dar conselhos, mas Lucas, meu filho, a primeira coisa a fazer é parar com o mimimi. Erre um, dois, dez dribles. Mande um passe para o cara que está ao seu lado lá na Marginal. Mas, por favor, sem mimimi.

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

São Paulo, o time mais divertido de se ver

São Paulo, ainda desfigurado - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm e Arte/Ricardo Zanei

São Paulo, ainda desfigurado - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm e Arte/Ricardo Zanei

Você, aí, torcedor de qualquer time, está correndo os canais e descobre que vai passar um jogo do São Paulo. Pare tudo e assista. Com certeza, você não vai se repetir. Para o torcedor tricolor, tem sido um martírio, mas, para quem torce para outro time – ou contra aquele do Morumbi -, ver o São Paulo em campo é diversão garantida.

Tudo se deve a dois fatores. O primeiro, é um time em formação. O segundo: parece que tudo está acontecendo ao mesmo tempo no Morumbi. Jogadores chegam, alguns se machucam, outros se lesionam seriamente (Wellington, uma pena), tem cara suspenso… Aí o time tem que mudar toda hora, não acha o conjunto, enfim… Bata tudo que é problema no liquidificador e, basicamente, o que sai é o São Paulo.

Mas aí você assiste ao jogo e vê que, do meio para a frente, é um time bem armado, bacana de se ver. Tem toque de bola com o Jadson, com o Cícero, até com o Maicon. O Casemiro parece ter acordado de novo. O Cortez caiu como uma luva ali na esquerda. Lucas tem sido mais decisivo. Luis Fabiano se machuca, você pensa “e agora?”, mas um William José ressurge e desanda a fazer gols. Entra um Fernandinho e decide. Enfim, se você é são-paulino ou gosta do bom futebol, é divertido de ver!

Por outro lado, achei apenas uma expressão para definir a defesa tricolor: uma zona. Não vou entrar no mérito de que a marcação tem que começar com os atacantes e blablabla, mas, individualmente, a coisa está triste. Piris, cada vez mais, dá pinta de ser um jogador para time mediano, ou seja, está no lugar errado. Rodolfo está longe dos seus melhores dias. Paulo Miranda é uma tristeza, e Edson Silva começou bem, mas sumiu.

Lá atrás, o time começa com um Denis inconstante, o que é mais do que normal. Afinal, o cara vai treinar e tem um Rogério Ceni babando, louco para voltar. Olha para o banco e tem um cara como Emerson Leão, um dos melhores goleiros da história, gritando com ele. Tem que ter um sangue frio do caramba para assumir a posição e não vacilar. Piscou, levou gol.

Enquanto o São Paulo não se acertar como um todo, tenho certeza que seus jogos serão os mais divertidos de se ver. Hoje, é um time com um ataque insinuante e uma defesa vacilante. Quem sabe, em um, dois meses, essa equipe tenha um ataque ainda mais envolvente, mas ganhe uma defesa segura e consistente. Aí, o São Paulo tem tudo para agradar quem ele mais precisa, o seu torcedor. Por enquanto, é diversão garantida para todos os gostos, menos para o paladar tricolor.

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

Carnaval, falência e esperança: uma “apuração”

Palhaço, a fantasia diária do brasileiro - Foto: Divulgação

Palhaço, a fantasia diária do brasileiro - Foto: Divulgação

Existem assuntos que você pensa e reflete, mas só quando a realidade estapeia a sua cara é que você se dá conta de que o buraco é bem mais embaixo. Há muito o que se dizer do Carnaval de São Paulo. Muito mesmo. O que aconteceu na apuração – bela palavra, “apuração” – no Anhembi é digno de teses e teses de mestrado, doutorado e afins ao redor do planeta. O mais grave é perceber que não se trata apenas de carnaval, de torcida organizada, de bandalheira. O problema é a falência da cidade, da sociedade, do ser humano.

No mundo ideal, seria simples. Para tirar os marginais das escolas de samba, bastaria uma ação contínua da polícia. Se o problema fosse tirar as organizadas do samba e, óbvio, do futebol, idem. Polícia, fiche todo mundo, baixe com o camburão no barracão e cana.

Mas, sabe como é, isso dá trabalho. Se dá trabalho fichar uma galera, o que você acha de prender uma galera? Praticamente impossível. Aí, você ouve que o cara tem passagem por isso e aquilo, mas, “ficagem”, ninguém tem.

No mundo ideal, a polícia coibiria qualquer ação com a força necessária. Mas o problema é mais crítico quando defendem direitos humanos de marginais e esquecem de defender os direitos dos humanos.

A coisa consegue ser ainda pior quando há pesos e medidas distintas: no Pinheirinho, chega-se matando a torto e a direito; em Bertioga, tudo que é TV sabe nome e sobrenome de uma inocente menininha atropelada por um jet ski, mas, os assassinos, fugitivos, seguem anônimos, escoltados pelas autoridades; por falar em escolta, é mais fácil escoltar marginais, andar quase de mãos dadas, do que coibi-los e prendê-los, como foi feito na Marginal Tietê. Pesos e medidas.

Nota do autor: Pelamordedeus, não falo aqui de paixão clubística. Para mim, bandido é bandido, independentemente da camisa de time – ou de escola de samba – que usa ou que torce.

Imagine a cena: você está voltando do feriadão e se depara, em plena Marginal Tietê, com uma barreira de policiais, pessoas correndo pra lá e pra cá, um incêndio, fumaça pra todo lado. Imagine, agora, um casal, com seus filhos, nessa situação. A cena, de terros, pode não ficar apenas na minha e na sua imaginação.

Diante dessa zona generalizada, lguma autoridade de alto cleto se pronunciou? Na teoria, a cidade teria um prefeito, um cara que pegaria as rédeas da situação e tomaria atitudes. Poderia errar? Claro. Mas erraria por ação, não por omissão. Aliás, omissão é a palavra para definir o prefeito de São Paulo, não?

Paramos por aí? Claro que não. O problema é mais profundo. Infelizmente, hoje tem marginal em tudo que é setor da sociedade. É no samba, na bola, no jornalismo. O cara pode ser engravatado de último escalão e ser um bandido de mão cheia. Brasília está aí para nos dar esse ótimo exemplo.

Na base de tudo isso há, ainda, dois fatores que eu acho primordiais para o entendimento de todo o problema, não exatamente nessa ordem:

– Educação. No Brasil, isso é quase item de luxo. O ser humano que não recebe educação, que não aprende sobre limites, deveres e direitos, é um bicho solto na sociedade. Daí, para o outro ponto, é um pulinho…

– Consciência, noção, não ter ideia do que é certo e errado e querer sempre levar vantagem em tudo é algo que parece fazer parte do brasileiro. Não vou generalizar, é claro, mas como cobrar consciência se não há educação?

Daí, a sociedade chega a esse cúmulo. Já teve gente morrendo por causa de futebol. Agora, tem gente quase se matando por causa de samba. Por quê? Porque perdeu? Porque defende um time ou uma escola até as últimas consequências? Porque é mais fácil brigar do que ter ideias para debater? Porque é mais simples queimar um carro alegórico do que construir um?

Enquanto isso, pagamos zilhões de impostos e não recebemos nada em troca. Você tem carro? Então sabe que gasta-se pouco com IPVA, seguro OBRIGATÓRIO, pedágio, combustível… Tem casa e paga IPTU? Já viu quanto de imposto tem na sua conta de água, de luz, de telefone? Já pesquisou quanto o governo lucra com qualquer coisa que você compra? Já parou para ver o impostômetro? Já teve ideia de quanto dinheiro já foi desviado por engravatados país afora? Já pensou em ficar indignado com tudo isso ao invés de brigar por causa de samba e futebol?

Dizem por aí que a sociedade avançou. “Evoluiu” é a palavra. Mas o que aconteceu em São Paulo só mostra como o lado Neandertal ainda está presente no ser humano. Em muitos casos, as barbáries são tão absurdas que me fazem crer que o Neandertal era, sim, o evoluído da história. Neandertal, o nosso parente distante, aquele sem educação, sem consciência…

E o ciclo se fecha. Sem educação, é difícil ter consciência. Sem consciência, a sociedade vai à falência. A apuração de São Paulo e – por que não? – a morte da garotinha em Bertioga são dois gigantescos exemplos de uma sociedade falida, sucateada e nojenta em todos os níveis, do mais baixo ao topo da pirâmide. Fica a impressão que, pela força ou pelo dinheiro, conquista-se tudo. Aliás, bela palavra essa, “apuração”. Os fatos estão aí para ser apurados também e seriam apenas o começo de um longo trabalho. Mas, sinceramente, há esperança? A minha acabou faz tempo.

1 comentário

Arquivado em Análises espertas do cotidiano

Marcos: santo, imortal e a história de um “quase” palmeirense

Marcos e sua reza - Foto: Epitacio Pessoa/AE

Marcos e sua reza - Foto: Epitacio Pessoa/AE

Nasci são-paulino. Em casa, todo mundo era tricolor. Quer dizer, quase todo mundo. Minha mãe, essa intrusa no clã, era palmeirense. Todo mundo que conhece um torcedor alviverde sabe da insanidade que é conviver com esse tipo de pessoa. E eu tive o enorme prazer de crescer e viver ao lado de uma delas.

Meu pai morreu quando eu tinha 5 anos. Meus irmãos, filhos do primeiro casamento dele, são bem mais velhos do que eu (25 e 23 anos). Quando minha mãe ficou viúva, eles já beiravam os 30 e estavam cuidando de começar as suas respectivas família. Normal. Mas isso teve um impacto, digamos, alviverde na minha criação futebolística…

O primeiro jogo que eu fui ver no estádio foi com meu irmão mais velho, bem mais fanático que o do meio, um glorioso Santo André 2 x 1 XV de Jaú, no não menos glorioso estádio Bruno José Daniel, nos idos de 1983 (a foto do ingresso e a legenda escrita pela minha mãe não me deixam mentir). Mas a minha primeira lembrança de ver um jogo ao vivo tem íntima ligação com o Palmeiras.

Minha estreia nos gramados, em vitória do poderoso Santo André - Foto: Arquivo pessoal

Minha estreia no estádio, em vitória do poderoso Santo André - Foto: Arquivo pessoal

No dia 24 de maio de 1987, do alto dos meus quase 9 anos, fui com a louca da minha mãe assistir a um Santo André x Palmeiras. Estávamos nas cadeiras cobertas, e o teto balançava, tremia de dar medo. Na TV, à noite, descobrimos o motivo: uma invasão em massa tomou conta da cobertura das cadeiras. Zetti, então um jovem goleiro, que acabara de assumir a titularidade alviverde, perdeu ali, num chute do veterano Luís Pereira (sim, eu vi Luís Pereira jogar, ao vivo), sua invencibilidade de 1.238 minutos sem levar gol. Foi ali que a minha ligação com o Palmeiras começou a ficar mais, digamos, íntima.

Dois outros fatores levaram a isso: a minha mãe insana e a logística, já que era (e ainda é) bem mais fácil sair de Santo André e chegar ao Palestra do que deixar a cidade mais sensacional do ABC e vislumbrar o gigante Morumbi.

Minha mãe era do tipo de torcedora de estádio, de arquibancada. Pouco depois, quando eu passei a ter uma idade aceitável, uns 12, 13 anos, ela me carregava sempre que dava para o Palestra. Engana-se quem pensa que a gente ia de carro, estacionava lindamente e assistia aos jogos das cadeiras. Nada disso: o trem de Santo André até a Barra Funda demorava uns 50 minutos, e o ingresso era de arquibancada. E não ia só na boa, não: guardo até os ingressos de todos os jogos do time na Série B, que ela, orgulhosa, acompanhou ali, de pertinho. Tomei muita chuva naquele concreto!

Foi graças à idolatria materna que eu conheci Ademir da Guia, Leão, Luís Pereira, César Maluco… Minha mãe amava esses caras, assim como amava Evair, Edmundo, César Sampaio, e um goleiro que começou a ganhar espaço no clube, um tal de Marcos. Mal sabia ele, ela, e tudo quanto é palmeirense, que aquele moleque que fez muita gente chorar com o título da Libertadores de 1999 se tornaria um dos maiores nomes da história da bola.

Não demorou muito para ganhar o apelido de “santo”, “São” Marcos. Um santo que se fere nas batalhas. Um santo que comete erros, que fala o que vem à cabeça, que tropeça, cai e levanta. Um santo verdadeiro. Um santo mortal em tudo o que faz e fez, e imortal exatamente por tudo que fez e faz. Um santo que, como todo santo, realizou milagres e levou milhares de fiéis ao delírio. Marcos foi um ídolo para a minha mãe, o maior ídolo de todos, e acho que peguei um pouquinho dessa idolatria dela para mim. É, de fato, o melhor goleiro que eu vi jogar, capaz de coisas impossíveis. Impossíveis, sim. Afinal, o cara é santo.

P.S.1: Antes que encham o meu saco, sou são-paulino, repito, mas não tenho medo de falar que Marcos foi o melhor goleiro que eu vi em campo, goleiro, aquele cara que fica entre as traves fazendo defesas inacreditáveis. E não é crime isso não! Depois dele, vem Zetti e, em terceiro, Rogério Ceni. Como ídolo, claro que Raí marcou a minha geração, mas é inegável que Ceni, pelo conjunto da obra, como personagem da história da bola, é um monstro.

P.S.2: Foi convivendo com minha mãe que eu, anos depois, descobri que ela havia me ensinado a respeitar as diferenças, a perceber que o esporte é legal, divertido, e é assim que tem que ser. Foi por isso que fiz jornalismo, e é por isso que você, único leitor desse blog, lê essas linhas. “Dona” Zélia era uma esportista de mão cheia, e só perdia a linha quando o neto, então um pequenino corintiano, malinha que só ele, mal esperava o juiz apitar um tropeço alviverde para ligar em casa e encher o saco da vó. Hoje, se ela estivesse viva, com certeza, daria risada de tudo isso.

P.S.3: A imagem que abre esse texto é a imagem mais marcante, para mim, de Marcos. Todo jogador de futebol tem as suas mandingas. Goleiro, então, nem se fala. Mas a maneira simples e intensa que Marcos se benzia antes dos jogos era sensacional. Curioso é que se repetia em todas as partidas, mas, para mim, sempre parecia algo novo. Coisa de santo…

9 Comentários

Arquivado em Futebol

São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?

Leão em sua primeira passagem pelo São Paulo - Foto: São Paulo/site oficial

Leão em sua primeira passagem pelo São Paulo - Foto: São Paulo/site oficial

Desde que Adilson Batista foi demitido, vejo, ouço e leio que o São Paulo quer um técnico de nome forte para chacoalar o elenco. Emerson Leão foi anunciado há pouco, e enxergo a contratação como mais uma questão de semântica do que de bola (belo trocadilho, hein?).

Para mim, é fato que o São Paulo precisa de algum técnico. As bolas da vez, pelo que dizem, eram Muricy, Autuori e Felipão, todas impossíveis hoje. Que outro nome seria o ideal para o time? Não sei, mas, a primeira vista, é até justificável a contratação de Leão, especialmente pela “tradição” que o treinador traz consigo.

O papo é o mesmo sempre que Leão chega a algum clube: ele mexe com o time, mas tem prazo de validade. Para tiro curto, ele é um mestre, seja para levar um time ao título/vaga na Libertadores, seja para fugir do rebaixamento. Passado o positivo choque inicial, o trabalho do técnico se choca com os egos de jogadores e vice-versa.

O contrato de Leão é até o fim do ano, com possibilidade de renovação. Prazo de validade? É para pensar.

É claro que o retrospecto de Leão no São Paulo é extremamente positivo. Entre 2004 e 2005, foram 45 jogos sob o comando do técnico, com 27 vitórias, 12 empates, 6 derrotas e um título paulista. O aproveitamento foi de 69% o que, hipoteticamente, daria a liderança do Brasileirão ao time do Morumbi.

Leão era o nome forte tão sonhado pela diretoria? Na vida real, não, mas, por questão de semântica, claro, sempre. Gosto do nome de Leão? Também não. Mas pode dar certo. E, pelo tempo de contrato, fica a impressão que o São Paulo continua atrás de um novo técnico.

1 comentário

Arquivado em Futebol