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Alvaro Pereira, o novo Jorge Wagner de Muricy

Alvaro Pereira na estreia - Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Alvaro Pereira na estreia – Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

“Acertamos na contratação.”

Alvaro Pereira chegou como um desconhecido para uns, uma esperança para outros. Lateral da seleção uruguaia, famoso por ser bom no apoio e por bater bem na bola, precisou de apenas alguns minutos em sua estreia para deixar bem claro: o São Paulo não contratou Alvaro Pereira, mas, sim, um novo Jorge Wagner para Muricy.

Jorge Wagner virou um dos símbolos da era vitoriosa do treinador no Morumbi. Cito alguns motivos: bom passe na saída de bola, bom posicionamento na defesa e no ataque e facilidade em botar a bola na área, além de ser o “rei” das bolas paradas. O meia nunca foi um gênio, mas um jogador dos mais úteis, especialmente sob o comando de Muricy.

Bastaram alguns instantes na estreia para perceber que Alvaro Pereira vai cair como uma luva no esquema do técnico. Logo, tem tudo para se tornar, rapidamente, um dos ídolos da torcida. Os motivos, e quaisquer semelhanças com Jorge Wagner não são, em hipótese alguma, um acaso:

– é o desafogo – ou seria a solução? – para a saída de bola

– compõe razoavelmente na defesa (Jorge Wagner defendia melhor), é extremamente útil no ataque (Alvaro Pereira tem mais explosão)

– sabe bater bem na bola, tanto para chutar a gol como, principalmente, especialmente, para cruzar a redonda para a área

– obviamente, graças ao motivo acima, dominou as bolas paradas

– ambos são canhotos; coincidência?

– não é um motivo, mas não duvido que, logo logo, o uruguaio deixará a lateral e virará meia

“Acertamos na contratação.”

Ganha uma mariola quem acertar o autor da frase. Muricy, claro. Ele fez ressalvas, mas aprovou o reforço logo na estreia. As razões são mais do que óbvias. O São Paulo contratou Alvaro Pereira, mas, para o treinador, ele ganhou um Jorge Wagner novinho em folha. Presentão!

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São Paulo, enfim, contrata um técnico; falta só um presidente

Ney Franco, novo técnico do São Paulo - Foto: Divulgação

Ney Franco, novo técnico do São Paulo – Foto: Divulgação

(Colocando o papo em dia, parte 1) Sempre achei que a contratação de Emerson Leão pelo São Paulo era algo, digamos, ilusório. Para mim, o clube ainda procurava um técnico. A renoação de contrato com ele não me fez mudar de ideia. Mas, a chegada de Ney Franco, sim.

Um indício é o período de contrato, até dezembro do ano que vem. Muito diferente dos dois meses propostos – e aceitos – por Leão no primeiro contrato. Claro, tenho certeza que contrato, a maioria das vezes, é feito para ser quebrado, mas, vai saber.

Outro fato são as categorias de base. O clube do Morumbi sempre foi uma espécie de celeiro de bons jogadores, mas muitos não conseguiram se firmar no time principal. Outros, nem foram aproveitados. Com pouco dinheiro no bolso, usar o que é produzido em casa é a única saída. E Ney Franco me parece a escolha certa para isso.

Aliás, foi com ele que Lucas fez a melhor apresentação de sua carreira, nos 6 a 0 sobre o Uruguai, na última rodada do Sul-Americano Sub-20, em fevereiro do ano passado. O resultado, além do título, levou o Brasil às Olimpíadas de Londres. Naquele dia, o meia-atacante fez chover, marcando três gols e dando dribles e mais dribles. Casemiro e Willian José também estavam naquele time.

Foi com Ney Franco, também, que o Brasil foi campeão mundial sub-20, em agosto de 2011. Bruno Uvini, Casemiro, Willian José e até Henrique formavam aquela equipe. Henrique, hoje emprestado ao Vitória, foi eleito o melhor jogador do mundo. Em sua carreira profissional no São Paulo, foram 14 jogos e 1 gol. Aliás, como profissional, foram 39 partidas, e apenas 6 gols marcados. Apenas para comparar, com Ney, no Mundial, ele foi o artilheiro, com 5 gols em 7 jogos.

Se vai dar certo ou não, o tempo vai dizer. Mas o fato é que, depois de nove meses, o São Paulo, enfim, contrata um técnico. Falta, agora, abrir eleições presidenciais. Aí, sim, o clube terá comando e não mandos e desmandos.

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São Paulo procura técnico desde outubro, mas precisa de um presidente há muito tempo

Emerson Leão é demitido do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão é demitido do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

Emerson Leão chegou ao São Paulo em outubro do ano passado, inicialmente com um contrato de dois meses. Mais de oito meses depois, ele é demitido do cargo. Minha opinião sobre isso se mantém intacta, é a mesma de “São Paulo contrata Leão: uma questão de semântica?”, texto que publiquei aqui no blog na data da contratação.

Leão não conseguiu transformar o São Paulo em um time, equipe. Acho que o principal problema foi a ausência de habilidade do treinador no que deveria ser sua especialidade, ou seja, treinar. Sabe aquele lance de prazo de validade? Pois é, deve ser por isso. O choque na chegada camufla os erros táticos, mas, a longo prazo, eles vão aparecendo. No caso do São Paulo, está escancarado que o time não tem o mínimo de organização.

Quando o São Paulo contratou Leão, minha impressão era que o clube continuava atrás de um técnico. Aliás, em todo o seu período no clube, o ex-goleiro nunca teve um apoio maciço da diretoria, alguém que batesse na mesa e deixasse o cara trabalhar em paz. Pelo contrário, o treinador foi sabotado ali dentro em várias oportunidades. A mais clara delas foi o caso Paulo Miranda, que evidenciou a total falta de comando do clube.

E é aí o grande problema. Dane-se quem será o próximo treinador. Na verdade, o principal problema do São Paulo é o seu presidente. Juvenal Juvêncio ficou completamente entorpecido pelo poder. Perdeu o foco com a ausência do Morumbi na Copa do Mundo de 2014 e, dali para a frente, seu mandato degringolou. Mandato, aliás, perpetuado graças a uma manobra jurídica. Ou seja, tudo errado.

O São Paulo já foi, sim, um clube de vanguarda no assunto administração. Deu a cara para bater contra mandos e desmandos aqui e ali, achou soluções criativas para uma série de assuntos cá e acolá. Mas isso faz tanto tempo que parece estar num passado distante, quase esquecido.

Hoje, o São Paulo passa por uma crise política das mais graves de sua história. Nau à deriva. No comando, cambaleante, mas com um nariz empinado que só o dele, está lá Juvenal, impassivo, “soberano”. E é aí, por se achar tão “soberano” assim, slogan que estampou o tricampeonato brasileiro, que o dirigente se afundou. E vem afundando o time junto com ele.

Desde outubro o São Paulo procura um novo técnico. Mas, sinceramente, o buraco é mais embaixo. Ao invés de trocar de treinador, o clube deveria procurar uma renovação política e mudar, principalmente, de presidente, de diretoria. Se um dia, o sonho é voltar a ser vanguardista, tem que dar o primeiro passo agora. Arrumar a casa é o primeiro ato para arrumar o futebol. Sem Juvenal e sem tanta gente que já passou do tempo por ali.

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo - Foto: Divulgação/VIPCOMM

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo – Foto: Divulgação/VIPCOMM

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Buenos Aires, ignorância e preconceito

"Bendito é o fruto do teu ventre", Catedral Metropolitana de Buenos Aires, abril/12 - Foto: Ricardo Zanei

"Bendito é o fruto do teu ventre", Catedral Metropolitana de Buenos Aires, abril/12 - Foto: Ricardo Zanei

(Para aquelas duas pessoas que lêem esse blog por causa das bobagens que escrevo sobre esporte, abro um parênteses para tocar em outro assunto, a meu ver, bem mais importante e relevante que gol, cesta e ponto…)

Ficar uma semana em outro país, qualquer que seja, é um aprendizado. Pode ser aqui do lado, mas as coisas são diferentes. O ar e a vida são outros. Melhores? Piores? Não sei, mas são outros.

Moro em São Paulo há cinco anos, depois de passar quase 29 na aprazível Santo André. Confesso que conheço muito pouco do meu Estado e, inclusive, dessas duas cidades. Por exemplo, fui uma vez para Sorocaba. Piracicaba, Joanópolis, Serra Negra, São Roque, idem. Fui duas para Campinas e Águas de Lindoia. Algumas para Mogi Mirim, terra da minha mãe. Nunca entrei na Igreja da Sé, nem no Parque Burle Marx ou no Parque do Carmo. Mas completei, na última semana, minha terceira passagem por Buenos Aires. No total, é quase um mês de Argentina na minha vida.

Curioso como tem tanta coisa aqui do lado que eu não conheço e, ao mesmo tempo, como consigo me virar e me sentir tão bem na capital argentina. Voltei após uma ausência de quase quatro anos. A desculpa foi o show do Foo Fighters. Mas, admito, foi apenas um pretexto para matar a saudade.

Aproveitei a semana para me desligar das coisas. Levei o laptop, mas me neguei a escrever nesse blog, bem como a bater o olho em qualquer assunto que lembrasse trabalho. Uma semana de descompressão, de vinho e tango, de bife de chorizo e Foo Fighters, de parrillas, morcillas e Quilmes.

Argentina 3 x 0 Bolívia, eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, estádio Monumental de Nuñez, nov/07 - Foto: Ricardo Zanei

Argentina 3 x 0 Bolívia, eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, estádio Monumental de Nuñez, nov/07 - Foto: Ricardo Zanei

Foi, ainda, uma semana de surpresas. Encontrei um dos meus melhores amigos lá. Moramos a, no máximo, 3 km de distância em São Paulo e não conseguimos nos encontrar. Aí, na mesmoa semana, eu vou passear, ele vai trabalhar, e matamos um pouco da saudade. Além disso, a linda Cecília, direto de Washington, resolveu dizer o seu primeiro “oi” e completou o trio de pequenos que chegou agora e já encheu as nossas vidas de alegria.

Sempre falo que sou suspeito para dizer qualquer coisa sobre Buenos Aires. É uma cidade linda e com uma aura indescritível. Os bairros são peculiares, cada um com sua identidade, encantos e surpresas. O Real tem vencido o Peso com facilidade, e isso ajuda, mas já ajudou muito mais. A comida é das melhores – leia-se “carne, carne, carne”, e que carne boa! -, e o vinho é de chorar. Enfim, é tudo realmente muito bom.

Mas percebi, lendo aqui e ali, que ainda tem brasileiro, mas muito brasileiro, do meu ciclo de amizades ou de pessoas próximas a mim, que são completamente ignorantes quando o assunto é Argentina e Buenos Aires.

Ignorante, no dicionário Houaiss:

Acepções
■ adjetivo de dois gêneros
1 que desconhece a existência de algo; que não está a par de alguma coisa
Ex.: um povo ainda i. da escrita
2 que denota a ignorância do autor ou daquele que é responsável por uma obra
Ex.: um livro i., um filme i.
3 sem malícia; puro, inocente
Ex.: uma alma cândida, i.
■ adjetivo e substantivo de dois gêneros
4 que ou quem não tem conhecimento por não ter estudado, praticado ou experimentado; incompetente, inexperiente
Ex.: i. em matemática, não passa de um i.
5 mal-educado, grosseiro; pretensioso, presunçoso
Ex.: maneiras i., é um i. que se acredita dono da verdade

Vi que ainda tem gente que nunca topou com um argentino, mas acha que todos são filhos da p***. Mais: que é um país ridículo, escroto, que não merece ser notado, quanto mais visitado. Enfim, além de ignorância, há o preconceito.

Preconceito, no dicionário Houaiss:

Acepções
■ substantivo masculino
1 qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico
1.1 idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão
2 atitude, sentimento ou parecer insensato, esp. de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância
Obs.: cf. estereótipo (‘padrão fixo’, ‘idéia ou convicção’)
Ex.: p. contra um grupo religioso, nacional ou racial, p. racial
3 conjunto de tais atitudes
Ex.: combater o p.
4 Rubrica: psicanálise.
qualquer atitude étnica que preencha uma função irracional específica, para seu portador
Ex.: p. alimentados pelo inconsciente individual

Claro que eu sabia que isso existia, mas em tempos de Facebook, Twitter e informação imediata, fiquei impressionado, com a quantidade de gente que pensa assim.

Há, sim, uma rixa verdadeira entre Brasil e Argentina. Uma única rusga, única, ela se limita apenas e tão somente ao futebol. Saiu disso, acabou, meu caro. Eles são Maradona, a gente é Pelé. A gente, olha que engraçado, é verde e amarelo, e eles são azul e branco. Complementares?

“¿Qué Ves?” – Divididos
¿Que ves?
¿Que ves cuando me ves?
Cuando la mentira es la verdad

O argentino acha, sim, que é o melhor do mundo. Afinal, se eles não acharem, quem é que vai achar? A diferença é que eles não precisam me chamar de filho da p*** para isso, nem falar que meu país é uma bosta. Pelo contrário, todos com quem falei em quase um mês, em períodos distintos, elogiaram o Brasil. Alguns, sem saber que eu era brasileiro. Bem diferente do que temos aqui, não?

O que me deixa mais preocupado é que esse tipo de ignorância e preconceito pode tomar outros níveis. Alguém aí em sã consciência sabe me explicar por que a pessoa A xinga a pessoa B por causa da cor da sua pele? Paralelamente, temo que A seja a mesma pessoa que xingue a pessoa B – ou C ou D ou… – apenas pela localização geográfica de seu local de nascimento. Preconceito e ignorância, crimes que andam, via de regra, juntinhos, de mãos dadas.

Voltar para casa de uma viagem sempre me deixa meio deprimido, mas logo passa. Voltar de Buenos Aires sempre é diferente, porque a depressão é mais profunda, simplesmente pelo fato de “voltar”. Voltar de Buenos Aires e me deparar com o que deparei, esse preconceito e essa ignorância descabidos, me deixa ainda mais cabisbaixo. Pensar que, com tanta informação por aí, ainda tem gente que se nega a abrir os olhos.

Não sou a pessoa mais viajada do mundo, nem a mais inteligente, muito menos a mais correta. Mas, de uma forma ou de outra, procuro me informar. Não apenas por ser jornalista e ter que, muitas vezes, repassar uma informação da maneira mais simples e clara possível. Mas como cidadão, sabe? Tenho meus preconceitos e minhas ignorâncias, mas a mente está aberta para qualquer assunto e experiência. Claro que correr atrás de informação e tentar aprender algo aqui e ali é difícil. Mais fácil mesmo é achar que, se não é igual a mim, é tudo filho da p***, escroto, desprezível. E haja ignorância e preconceito. Uma pena.

“Por una cabeza” – Carlos Gardel


P.S.: Obviamente, generalizei as coisas. Claro que tem argentino filho da p***, assim como tem brasileiro filho da p***. Claro que lá não é o paraíso, assim como aqui não é também. É assim em todo o lugar do mundo, não? Bom, vocês entenderam, né?

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Luís Fabiano, maior que Raí

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Para quem nasceu no fim dos anos 80 ou nos anos 90, Raí é um nome especial. Se você não é são-paulino, ou você o odeia ou acha que ele não jogou nada. Se você é são-paulino, ele é um gênio. Pra mim, é o maior ídolo do clube. Maior até que Rogério Ceni. E não é que, contra o frágil Independente, Luís Fabiano se tornou maior que Raí? Quem diria!

Claro que o título desse post tem uma pegadinha e, obviamente, por mais que a torcida idolatre Luís Fabiano, o papel de Raí na história tricolor é inegavelmente maior que o do atacante. Mas, ao fazer o segundo na goleada na Copa do Brasil, o camisa 9 chegou aos 128 gols, superando o eterno camisa 10 na lista de maiores artilheiros do São Paulo.

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Zanei

Luís Fabiano - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm, Arte/Zanei

Luis Fabiano fez quatro no jogo no Morumbi e agora soma 131 gols. É o nono maior artilheiro do clube do Morumbi e não será nenhuma surpresa que ele termine o ano na sétima posição. Maurinho, o oitavo, tem 136 gols. Leônidas, sim, Leônidas da Silva, imortal atacante da história do futebol brasileiro, contabiliza 144. Ou seja, Luís Fabiano está a 13 gols de Leônidas.

Curioso que, lendo aqui e ali, percebi que o fato passou desapercebido, mesmo sendo citado na transmissão do SporTV. Tudo bem que Raí não era um camisa 9 e nem tinha a função de matador, mas superar o número de gols de um cara que maior época em um fase das mais vitoriosas de um time no futebol nacional é um feito, no mínimo, memorável.

Ainda acha que é pouco? Dos 20 maiores artilheiros do São Paulo, Luís Fabiano tem a melhor média de gols: 0,735 (131 gols em 178 jogos). Mais: detém a quinta melhor média da história, atrás apenas de Waldemar de Brito (1,08), Friedenreich (0,83), Zezinho (0,80) e Friaça (0,74). Nada mal, hein?

Luís Fabiano pode não ser um gênio da bola e está longe de aparecer na lista dos melhores atacantes da história, do século, quem sabe, até, da década. Mas ele sabe muito bem como fazer gols e, pouco a pouco, vai escrevendo seu nome na história tricolor. Se ganhar um titulozinho aqui e outro ali, então, nem se fala… Independentemente disso, o grito Lu-ís-Fa-bi-a-no já está eternizado.

Luís Fabiano 4 x 0 Independente (PA)

P.S.: Os dados desse post foram retirados do site oficial do São Paulo e atualizados com os gols e jogos de Luís Fabiano na temporada 2012.

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Lucas, amadurecimento e o mimimi

Lucas, do São Paulo - Idário Café/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei

Lucas, do São Paulo - Idário Café/Vipcomm, Arte/Ricardo Zanei


Não gosto de jogador mimimi. Aliás, não gosto de ser humano mimimi, mas vou tratar apenas do lado boleiro da coisa. No futebol, os níveis do mimimísmo são enormes. Imagino como deve ser o mimimi dentro de um elenco. Deve ser insuportável. Se, olhando de fora, já é chato pra caramba, penso que, vivendo aquilo, deve ser surreal.

Tem outras coisas que eu não gosto. Por exemplo, gente que usa as redes sociais para dar indireta, desabafar. Eu mesmo já fiz isso e, admito, é uma atitude das mais imbecis. Tendo a achar que seria bem mais útil falar a coisa toda na cara e resolver logo o assunto.

Lucas tem 19 anos e já foi apontado como uma das maiores esperanças do futebol do país. Na última semana, virou um enorme exemplo do mimimi no mundo da bola. Reclamou no Twitter, uhu! Ou seja, conseguiu, com uma atitude, unir duas coisas que eu abomino.

Com 19 anos, eu também era um mané. Hoje, ainda continuo sendo. Mas existem coisas que você aprende e leva para a sua vida. Pior que aquele papo de experiência, de amadurecimento, é verdade. O tempo passa e você fica menos idiota. Para quase todo mundo é assim.

Talvez tudo tenha acontecido muito rápido para Lucas. Em, sei lá, um ano, um ano e meio, o moleque passou de um garoto dos juniores para titular e principal esperança do São Paulo e do são-paulino. Mudou até o nome, tirou o apelido, Marcelinho, e adotou o do RG, Lucas.

Nesse meio-tempo, foi convocado para a seleção brasileira e chegou até a ser comparado com Neymar. Claro, um exagero, mas que rolou, rolou. É muita coisa ao mesmo tempo para a cabeça de um garoto.

Aí ele vai no Twitter e reclama de uma maneira, digamos, infantil. Parecia aquele garotinho tentando se eximir de toda e qualquer culpa por, sei lá, ter jogado bola no corredor e quebrado o vaso da mãe. Aí vem o jogo seguinte, contra a Portuguesa, e ele resolve que não dribla mais ninguém, que só vai tocar a bola. É mimimi demais, mesmo para um moleque de 19 anos, não?

Não sou superfã do Leão, mas acho que, nesse episódio, ele foi preciso:

“Ele não pode ser oito ou 80, tem que encontrar o meio termo. É isso que estamos tentando e é o que vamos fazer. Às vezes, se erra na medida. Estamos aqui para ajudar, apoiar, orientar, mas ele passa duas, três horas conosco, mas 21 horas fora, ai que começa a complicar, mas nada como um dia após o outro.”

Ou seja, a coisa é simples. Há a hora de driblar, há a hora de tocar a bola. Não tem grandes segredos, né? Mas, para o jogador de futebol, o entendimento disso tudo demora, tem todo um tempo de maturação. Ainda mais para quem é – ou se acha – acima da média. É o tal do amadurecimento.

Mas aí vem o empresário, o famoso Wagner Ribeiro, e diz um monte de asneira, como “Lucas está sendo mal administrado, mal trabalhado”. Desde quando empresário influencia na maneira como o jogador A ou B deve se portar em campo: E ainda tem a pérola maior, em entrevista à rádio Estadão/ESPN:

É como ter uma Ferrari. Você sabe que ela anda rápido, mas se tiver um piloto que não sabe dirigir, que não sabe trocar as marchas, o carro não vai bem. O Lucas é um Ferrari, um jogador de seleção brasileira, que não quer sair do São Paulo e que ama o clube.”

Sinceramente, é de embrulhar o estômago a análise de Wagner Ribeiro, não? E falando bobagens, ele só atrapalha o moleque e todo o amadurecimento que ele precisa para voltar a brilhar. Mais do que isso, para se firmar como um grande jogador. Por enquanto, é uma promessa. Uma bela promessa.

Espero que Lucas encontre logo esse amadurecimento. O único prejudicado, até agora, é ele mesmo. Sei que não sou ninguém para dar conselhos, mas Lucas, meu filho, a primeira coisa a fazer é parar com o mimimi. Erre um, dois, dez dribles. Mande um passe para o cara que está ao seu lado lá na Marginal. Mas, por favor, sem mimimi.

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São Paulo, o time mais divertido de se ver

São Paulo, ainda desfigurado - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm e Arte/Ricardo Zanei

São Paulo, ainda desfigurado - Foto: Wagner Carmo/Vipcomm e Arte/Ricardo Zanei

Você, aí, torcedor de qualquer time, está correndo os canais e descobre que vai passar um jogo do São Paulo. Pare tudo e assista. Com certeza, você não vai se repetir. Para o torcedor tricolor, tem sido um martírio, mas, para quem torce para outro time – ou contra aquele do Morumbi -, ver o São Paulo em campo é diversão garantida.

Tudo se deve a dois fatores. O primeiro, é um time em formação. O segundo: parece que tudo está acontecendo ao mesmo tempo no Morumbi. Jogadores chegam, alguns se machucam, outros se lesionam seriamente (Wellington, uma pena), tem cara suspenso… Aí o time tem que mudar toda hora, não acha o conjunto, enfim… Bata tudo que é problema no liquidificador e, basicamente, o que sai é o São Paulo.

Mas aí você assiste ao jogo e vê que, do meio para a frente, é um time bem armado, bacana de se ver. Tem toque de bola com o Jadson, com o Cícero, até com o Maicon. O Casemiro parece ter acordado de novo. O Cortez caiu como uma luva ali na esquerda. Lucas tem sido mais decisivo. Luis Fabiano se machuca, você pensa “e agora?”, mas um William José ressurge e desanda a fazer gols. Entra um Fernandinho e decide. Enfim, se você é são-paulino ou gosta do bom futebol, é divertido de ver!

Por outro lado, achei apenas uma expressão para definir a defesa tricolor: uma zona. Não vou entrar no mérito de que a marcação tem que começar com os atacantes e blablabla, mas, individualmente, a coisa está triste. Piris, cada vez mais, dá pinta de ser um jogador para time mediano, ou seja, está no lugar errado. Rodolfo está longe dos seus melhores dias. Paulo Miranda é uma tristeza, e Edson Silva começou bem, mas sumiu.

Lá atrás, o time começa com um Denis inconstante, o que é mais do que normal. Afinal, o cara vai treinar e tem um Rogério Ceni babando, louco para voltar. Olha para o banco e tem um cara como Emerson Leão, um dos melhores goleiros da história, gritando com ele. Tem que ter um sangue frio do caramba para assumir a posição e não vacilar. Piscou, levou gol.

Enquanto o São Paulo não se acertar como um todo, tenho certeza que seus jogos serão os mais divertidos de se ver. Hoje, é um time com um ataque insinuante e uma defesa vacilante. Quem sabe, em um, dois meses, essa equipe tenha um ataque ainda mais envolvente, mas ganhe uma defesa segura e consistente. Aí, o São Paulo tem tudo para agradar quem ele mais precisa, o seu torcedor. Por enquanto, é diversão garantida para todos os gostos, menos para o paladar tricolor.

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