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UFC 151: o evento que não aconteceu e que não tem hora para acabar

Pôster do UFC 152, por enquanto - Foto: Divulgação

Pôster do UFC 152, por enquanto – Foto: Divulgação

O UFC 151 foi cancelado, mas parece que não tem hora para acabar. Cada dia que passa, pinta uma nova historinha, um detalhezinho aqui e ali que aumentam ainda mais o debate sobre a bizarrice toda.

Primeiro, foi Jon Jones quem assumiu a culpa. Quer dizer, ele disse que a culpa foi dele, mas que a decisão foi acertada. Algo como, “fiz o certo, galera, mas, sabe como é”. Dá a nítida impressão que é mais um caso de a corda estourando no lado mais fraco.

“Estou carregando a cruz da minha decisão. Se há alguém que pode ser culpado, eu assumo toda a responsabilidade pelo UFC 151 ter sido cancelado. Peço as mais sinceras desculpas a todos atletas e fãs que desperdiçaram tempo ou dinheiro. Estou me sentindo péssimo por tudo isso.”

“As criticas me incomodam, mas tenho de enfrentar minha decisão, de ser o homem que eu sou. Quanto mais a audiência, maiores são as críticas. Muita gente sempre estará me avaliando, mas tenho de ficar feliz com o que é melhor para mim. No fim do dia, sei que fiz a melhor escolha para mim e para minha família.”

Bom, minha opinião sobre o assunto segue a mesma e pode ser lida no post anterior, no irrepreensível texto “Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White”.

O detalhe sórdido ficou a cargo de Dan Henderson, até então, o mocinho da história. Afinal, ele se machucou em cima da hora, certo? Bem, mais ou menos. O veterano admitiu que a lesão no joelho não aconteceu bem na véspera do evento, mas duas semanas antes. Ok, tudo bem, a gente compreende, o cara achava que ia se recuperar a tempo, mas não rolou. Tudo isso seria normal se não fosse por uma observação: Chael Sonnen é da mesma equipe que Hendo.

Daí, o anúncio da lesão às vésperas não teria nada a ver com se recuperar a tempo ou não, mas sim como estratégia para ajudar o amigo de treino que está subindo de categoria e já pinta como um contender. Com Sonnen aparecendo como rival de Jones a oito dias do evento, não teria como o campeão dizer “não”. Mas, sabe como é, o MMA é uma caixinha de surpresas, e o campeão disse o improvável “não”.

Hendo, é claro, negou a teoria da conspiração. Mais: disse que o boato foi plantado pelo técnico de Jones, Greg Jackson, que foi apontado por Dana White como uma espécie de diabo na terra. Foi dele o improvável “não” que culminou no cancelamento do UFC 151.

Quero acreditar que Hendo agiu de maneira correta, tentou se recuperar até onde deu e viu que não dava mesmo. No entanto, o que tem de bandido travestido de mocinho no mundo do esporte – e o MMA não é uma exceção – não é brincadeira. Fatalmente, esse jogo de equipe será um boato eterno, ou melhor, será a grande notícia do UFC que não aconteceu até que surja a próxima historinha, o próximo detalhezinho. E, assim, o UFC 151 entra para os almanaques como o evento que não aconteceu e que não tem hora para acabar.

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Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White

Jones x Belfort, UFC 152 - Reprodução/UFC.com

Jones x Belfort, UFC 152 – Reprodução/UFC.com

Depois da desistência de Dan Henderson, por lesão…

Depois de Jon Jones não aceitar o combate com Chael Sonnen…

Depois de Lyoto Machida ser anunciado como rival de Jones…

Veio a bomba. Em plena madrugada brasileira, explodiu a notícia de que Lyoto acabara de desistir de enfrentar o campeão dos meio-pesados. Eis que surge Vitor Belfort como uma espécie de salvador da pátria, e o UFC confirma o carioca como o rival de Jones no UFC 152, dia 22 de setembro, em Toronto, no Canadá.

Segundo o site oficial da entidade, a nova mudança foi mais um capítulo da “série de eventos bizarros do dia”. Muita gente, muita gente mesmo, desceu a lenha em Jones. Mas, vamos por partes na “série de eventos bizarros do dia”:

Episódio 1: Dan Henderson – o cara se machucou a oito dias do evento, paciência. Uma lesão no joelho em qualquer garotão inspira cuidados. Em um cara de 42 anos, por melhor que seja o seu corpo e sua forma física, é algo, no mínimo, preocupante. Ou seja, culpa zero para o veterano na história.

Episódio 2: Chael Sonnen – sem Hendo, Chael, que já estava falando um monte contra Jones, apareceu como candidato à vaga. Dana White gostou da ideia, afinal, colocaria um tempero a mais no evento. Papo daqui, papo de lá, e a bola passou para as mãos do campeão.

Episódio 3: Jon Jones – Com a bola na mão, Jones conversa com seu staff. Entra em cena um cara chamado Greg Jackson, chefão da equipe que cerca o campeão. O técnico fura a bola cheia de Dana e Chael e diz “não”.

Episódio 3: Dana White – O dono do UFC fica puto, faz biquinho, fala um monte e cancela o UFC 151, primeira vez que algo do tipo acontece em 11 anos. Vou passar rapidamente por esse ponto, mas volto no assunto (abaixo, sob o título “A culpa de Dana”, tem toda a minha opinião sobre o tema). Em seguida, surge o nome de Lyoto, em nova data, em novo evento. Pôster feito, notícia confirmada, vamos que vamos.

Episódio 4: Lyoto Machida – Há exatos 20 dias, no UFC on Fox 4, Lyoto nocauteou Ryan Bader. Bela luta do brasileiro, bacana, legal, mais uma vez o brasileiro apareceu como um contender. Mas, quem se prepara para uma competição, sabe que, ao fim dela, no período de descanso, descanso é descanso. E foi isso que Lyoto fez. Apenas para constar, nos últimos dias, ele postou em seu Twitter oficial, @lyotomachidafw, dia 19, uma foto de seu churrasco à brasileira nos EUA. No mesmo dia, publicou que estava gravando um comercial (aqui, aqui e aqui, nas duas últimas, já no dia 20). No dia 22, já em Belém, dois posts, “Já estou na área galera,preparem se pra inauguração da nova academia na pedreira!!!!” e “Na Pedro Miranda!!Faltam poucos dias!!!”. Pedro Miranda é uma avenida em Belém, localizada no bairro Pedreira. Churrasco e comercial nos EUA, lançamento da academia em Belém. Acho que deu para perceber, apenas batendo o olho nos últimos eventos, que treinar não estava muito no calendário de Lyoto. E não tem nada de mal nisso, afinal, o cara lutou outro dia. Daí, é extremamente plausível a decisão de, depois do “sim”, pensar bem e falar um “não”.

Episódio 5: Vitor Belfort – O “não” de Lyoto não vazou para a imprensa e circulou, ao que parece, apenas nos bastidores do MMA. Pelo menos, aqui do Brasil, ninguém falava nisso. Mas, na madrugada, o próprio Vitor foi o primeiro a confirmar a desistência do seu compatriota e anunciar que enfrentaria Jones. Mais uma vez, o meio de comunicação foi o Twitter, em seu perfil oficial, @vitorbelfort. Abaixo, a mensagem com a última mudança de rumos do evento:

Mais ou menos ao mesmo tempo, Ariel Helwani, o melhor repórter do planeta quando o assunto é MMA, confirmava a mudança no conceituado site MMAFighting.com. A fonte do cara era outra, Dana White. Segundo o que Ariel apurou com o chefão, Lyoto achava que precisava de mais tempo para treinar e, durante o dia, Belfort já havia se oferecido para a vaga. Com a desistência de Lyoto, ao que parece, o único lutador de alto nível disponível era o carioca. E o martelo foi batido.

No meio disso tudo, quem ouviu poucas e boas foi Jon Jones, praticamente crucificado por Dana e pelos irmãos Fertitta, os caras que mandam no UFC. Pelo que falaram, deu até a impressão que a ideia era encerrar o contrato do campeão. Afinal, muita grana foi perdida com o cancelamento do evento. Mas, olhando por outros ângulos, será que Jones é o único culpado de tudo isso?

A culpa de Dana
Gosto de Dana. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente no UFC 100, em 2009, e o o cara dá entrevistas belíssimas, sinceras. Mas, nessa, sou obrigado a discordar de praticamente tudo que ele falou e, principalmente, fez.

O primeiro fato é: por que cancelar um evento inteiro apenas por causa da desistência de um dos lutadores do card principal? Ok, é a luta principal, um contender ao título se machucou, mas, peraí. O evento em si é tão fraco assim que nenhuma outra luta poderia assumir a vaga? Olhando bem, é isso mesmo, é fraco pra caramba. O co-main event era Jake Ellenberger versus Jay Hieron, e ouço daqui vocês pensando “quem contra quem?”. Pois é, a aposta foi tamanha em Jones x Hendo que esqueceram das outras lutas. Culpa de Dana? Sim. Culpa de Joe Silva, o matchmaker, o responsável por “casar” as lutas do UFC? Sim também.

Mas a chefia errou mais, e a culpa de Dana não para por aí.

O grande motivo de o card ser fraco atende pelo nome de “ganância” e não se admire se cruzar com outros cards bem “meia-bocas” por aí. O UFC tem contrato com 352 lutadores (61 brasileiros), e essa galera tem que trabalhar, ou seja, entrar no octógono. Assim, a companhia que fazia 12, 14 eventos por ano, agora trabalha, por enquanto, com 31 eventos apenas em 2012. O dobro, quase o triplo do que era há três, quatro anos. O negócio cresceu, inchou, e o jeito é fazer evento atrás de evento, mesmo com cards péssimos encabeçados por uma grande luta, como era o UFC 151. Claro, o card com nomes ruins pode acabar se tornando uma noite memorável de MMA, mas, no caso do UFC 151, deu para perceber que os outros nomes escalados eram tão fracos que o evento inteiro acabou cancelado, ou seja, nem a chefia gostou do que tinha pela frente.

Uma outra saída seria mudar apenas a luta principal e manter o restante do card. Seria um UFC ruim? Muita gente ia reclamar? Nêgo não ia comprar um PPV sequer? Dane-se. Aconteceu um imprevisto, mas nós, do UFC, vamos arcar com as consequências, inclusive financeiras, e vamos tocar o barco. Vai ter 15 caras na torcida? Beleza, encaramos essa. Mas acho que nem isso foi cogitado. Seria até uma maneira de respeitar o torcedor, aquele cara que se programou, que comprou ingresso, que comprou passagem, que reservou hotel. Sei lá, enche o torcedor de mimos, dá camiseta, boné, desconto de 70% na próxima compra de ingresso, paga a estadia do cara (consta que o Mandalay Bay, onde seria o evento, é da família Fertitta, ou seja, libera quarto e comida de graça pra galera, além de fichas pro cara se divertir no cassino). As opções para agradar são imensas. Garanto que, com atitudes assim, o prejuízo poderia ser financeiro, mas a imagem de uma “companhia do bem” ficaria inabalada. E mais: o torcedor seria tratado com um respeito ímpar. Mas…

Outro fator atende pelo nome de Sonnen. O cara pode não ser o melhor do mundo, mas não é um lutador que cai tão fácil. Vide Anderson Silva volume 1, Anderson Silva primeiro round – volume 2. Você pode dizer que o Spider destruiu o falastrão, e foi isso mesmo, mas pode confessar, ninguém está ouvindo: deu um friozinho na barriga quando ele comandou o primeiro assalto da última luta, não? Passou um filminho na cabeça, né? Somado a isso, se preparar para pegar o Hendo, um cara que adora a trocação e é bom nela, é uma coisa. Pegar Sonnen, um cara de chão, atuando num peso acima do dele, é outra. E, se foi dada a opção de Jones dizer “não”, por que tanto alarde, hein, mister Dana?

Tem mais, o possível combate com Sonnen só teria um perdedor: Jones. Se ganhasse, não teria feito mais do que a obrigação de derrotar um cara que subiu de peso apenas para essa luta e que entrou na fila rumo ao título principalmente pelo excelente trabalho de falar – muito e muito e muito – e promover muito bem as suas aparições. Se perdesse, a imagem de Jones ficaria, aí sim, extremamente arranhada: como um campeão pode ser derrotado por um cara que subiu de peso e blábláblá? Pintaria a dúvida: será que ele é tão bom assim? E garanto, garanto mesmo, que viria a frase: “Por que Jones aceitou esse tipo de luta?”.

Aí, Dana joga tudo no ventilador e diz coisas do tipo:

“Chael Sonnen aceitou a luta com Jon Jones na última noite. Lá pelas oito ou nove horas da noite de ontem, aconteceu o que achei que não aconteceria em milhões de anos. Jon Jones disse ‘eu não enfrentarei Chael Sonnen com um aviso a oito dias do evento’. Isso nunca tinha acontecido com um campeão do UFC.”

“Nunca um lutador se recusou a enfrentar outro. Especialmente um cara, que não é apenas campeão mundial, mas supostamente é tido por muitos como o melhor pound-for-pound do mundo. Não posso fazer ninguém lutar contra ninguém. Não posso dizer ‘você vai lutar contra tal cara neste sábado e você tem que fazer isso’. Ou você é um lutador ou não é. Eu não posso te obrigar a lutar, mas não lutar, provavelmente, não é uma boa ideia.”

“Não acredito que essa é uma decisão que vai tornar Jon Jones popular com os torcedores, patrocinadores, distribuidores de TV a cabo, executivos de redes de TV ou outras figuras. Jon Jones tem sido um campeão que não é muito popular. Acho que algo como isso não vai fazer maravilhas com a sua popularidade.”

“Esse cara é um assassino do esporte. Greg Jackson nunca mais deveria ser entrevistado na vida, só por um psiquiatra.”

“Nós perdemos um monte de dinheiro. Dinheiro que já havia sido gasto. Estamos há oito dias do evento. O quanto isso vai nos machucar eu ainda não sei, pois é a primeira vez que acontece.”

“Quanto ao relacionamento com a gente, eu e Fertitta [Lorenzo] estamos enojados.”

Peraí, peraí, peraí… Como assim? Até outro dia, Jones era o queridinho da Zuffa, do UFC, do MMA, de todo o mundo. Ou não foi ele quem entrou com uniforme patrocinado justamente pelo UFC contra Rashad Evans em abril? A marca UFC, essa mesma, poderosa, que movimenta bilhões, pagou uma bolsa extra para ter o lutador que era a “cara” da franquia lutar usando o logotipo, não?

Peraí, peraí, peraí… Do dia 5 de fevereiro de 2011, quando ganhou de Ryan Bader, até 22 de setembro deste ano, serão 595 dias. Nesse período, Jones terá lutado seis vezes, contando Bader e já contabilizando Belfort. Em média, uma luta a cada 99 dias. E tudo lutinha tranquila: Bader, Shogun, Rampage, Lyoto, Rashad, Belfort. Uma pelo cinturão, quatro defesas de título. Desses, só Bader não teve o gostinho de ser campeão. Alguém, nos últimos tempos, entrou mais vezes no octógono do que Jones, com a responsabilidade de, aos 25 anos, derrubar todos esses cascas grossas?

Peraí, peraí, peraí… Ah, claro, eu ia me esquecendo: em todos esses eventos, há compromissos comerciais, não? Entrevistas coletivas, patacoadas de patrocinadores, um monte de perda de tempo para o atleta, mas que, no fim, gera dinheiro para o lutador (uma parte) e para o UFC (a maior parte do montante). Jones estava em todos eles, não? Fora as vezes em que apareceu no telão em algum UFC em que não estava lutando, inclusive aqui, no Rio, fazendo graça com a camisa da seleção brasileira. Esqueceu de tudo isso, Dana?

Peraí, peraí, e prometo que é o último peraí… Não foi Jones quem, outro dia, assinou contrato com a Nike e se tornou o primeiro, repito, o primeiro lutador do MMA da história a fechar com a superhipermega empresa de material esportivo? Ok, Anderson Silva luta com Nike, mas o contrato é com o Corinthians, não? Mas, voltando ao Jones, será que a Nike, aquela que tem contrato com caras como Michael Jordan e Ronaldo, apenas para citar dois exemplos dos mais simplórios, ia entrar no MMA assinando o primeiro contrato da história com um lutador sem prestígio ou popularidade?

O que era para ser um UFC se tornou, pra mim, uma tese que envolve organização, marketing, contratos de publicidade, obrigações de atletas, enfim, uma coisa de uma proporção gigantesca. Para quase todo o mundo, o grande culpado atende pelo nome de Jon Jones. Para mim, ele é apenas parte do processo e, no fim, o cara que mais tinha a perder. Dana, um cara que eu admiro, e várias outros integrantes do UFC erraram na condução e na solução do problema. Agora, terão de se contentar com Jones x Belfort, e meu palpite, desde já, é que o campeão continuará o mesmo. E aí, como será o clipe de apresentação de Jones? Será que a galera ainda vai encher a bola dele? Mais: será que Dana ficará feliz em colocar o cinturão mais uma vez em Jones? Cenas imperdíveis nos próximos capítulos…

P.S.: Nunca escrevi um post tão grande nesse blog, nunca demorei tanto para escrever um post. Afinal, são 5h26 da matina. Por isso, não vou reler. Se alguém chegou até aqui, por favor, me avise dos erros de português e digitação. Sabe como é, a essa altura do campeonato, quem está nocauteado sou eu.

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UFC 144, Pride e a volta do MMA ao Japão

UFC está de volta ao Japão - Foto: Divulgação

UFC está de volta ao Japão - Foto: Divulgação

Você escolhe. O Japão esperou 4.089 dias – ou 11 anos, 2 meses e 10 dias – para rever um evento do UFC. Desde o fim do Pride, já se vão 1.667 dias – ou 4 anos, 6 meses e 22 dias – sem uma grande apresentação de MMA no país. Enfim, o bom filho à casa torna, e a “meca” das artes marciais se reencontra com o UFC.

O Japão já teve o evento de maior prestígio do mundo das lutas, o Pride. Pode se dizer que era a maior competição de vale-tudo do planeta. As regras eram menos rígidas, o que gerava golpes mais violentos e lutas mais sangrentas. Só de lembrar dos “tiros de meta” dá calafrios…

Agora, o país vê o MMA, com normas que servem justamente para proteger os combatentes. Foi esse MMA, agressivo, mas sem a violência do vale-tudo, que conquistou o planeta. E, agora, tenta reconquistar o Japão.

O último UFC no Japão - Foto: Divulgação

O último UFC no Japão - Foto: Divulgação

Fuçando aqui, descobri que o último UFC por lá foi o 29, justamente o último antes da venda da franquia da SEG para a Zuffa. Foi lá que Tito Ortiz e Pat Miletich mantiveram seus cinturões. Foi lá que Dennis Hallman massacrou Matt Hughes em apenas 20 segundos, e Chuck Liddell venceu Jeff Monson após 15 minutos de combate. Foi lá que acabou o UFC “à moda antiga” e foi dado o primeiro passo rumo ao UFC que conhecemos hoje.

Foi graças ao Pride que alguns brasileiros conquistaram fama e prestígio internacional, em combates de tirar o fôlego. De cabeça, lembro das duas lutas entre Wanderlei Silva e Quinton Rampage Jackson, de Wanderlei contra Mirko Cro Cop, de Minotauro renascendo das cinzas contra Cro Cop e Bob Sapp, de Shogun e Minotouro em um duelo de arrepiar.

Tirando os brasileiros, o Japão foi palco da formação da lenda sobre Fedor Emelianenko e é a terra de um cara que foi muito odiado por aqui, Kazushi Sakuraba, o “Caçador de Gracies”, que ganhou nada mais nada menos de Royler Gracie, Renzo Gracie, Ryan Gracie e Royce Gracie. Um fenômeno.

Você deve estar se perguntando por que o UFC demorou tanto para voltar a um país que tem uma tradição milenar em lutas, não? Mesmo depois que a Zuffa comprou o Pride, em março de 2007, o domínio dos eventos de artes marciais seguiu nas mãos de gente graúda no Japão, e o UFC simplesmente não conseguia negociar com esses caras. As arestas foram se aparando e, depois de muito papo e muito mais dinheiro, chegou-se a um acordo.

A minha expectativa é que, além de renascer o MMA no país, a realização de um UFC sirva como o primeiro passo para a recuperação de algumas artes marciais no Japão. O milenar sumô, por exemplo, está à beira da falência, graças a desvios absurdos e resultados combinados em bolsas de apostas. O UFC não é o messias, longe disso, mas pode servir de exemplo e alavancar outras modalidades de lutas no país.

Música de abertura do Pride

Historinhas à parte, o evento deste fim de semana lembra, e muito, os realizados no Brasil. Alguns combates são bem legais, outros, especialmente do card preliminar, reúnem estrelas ou promessas locais. Confesso que tem lutador ali que eu nem sabia que existia. A novidade é um card principal inchado, com sete lutas, provavelmente atendendo a uma solicitação dos promotores japoneses.

O foco são as duas lutas principais, com Quinton Rampage Jackson x Ryan Bader e a disputa do cinturão dos leves entre Frankie Edgar e Ben Henderson. Mas uma outra luta me chama a atenção: Anthony Pettis x Joe Lauzon. São dois caras que adoram uma pancadaria, uma luta aberta. Lauzon é um dos lutadores que eu mais gosto de ver, principalmente pela versatilidade e pelo enorme coração. Ainda tem Yushin Okami x Tim Boetsch, Yoshihiro Akiyama x Jake Shields, e Cheick Kongo x Mark Hunt. Diversão garantida!

P.S.: Caros, já disse aqui e repito: em qualquer esporte, você tem que ser agressivo. Por isso, acho que o MMA e qualquer outra modalidade de luta agressiva, não violenta. O vale-tudo, sim, era violento, briga de rua. Goste ou não, o MMA é um esporte.

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O fim da linha para Fedor e o nocaute de Dana

Fedor (e) na derrota para Henderson - Foto:Josh Hedges/Forza LLC

Fedor (e) na derrota para Henderson - Foto:Josh Hedges/Forza LLC

Dana White, chefão do UFC, anunciou nesta quinta-feira que, depois de três derrotas seguidas, o contrato de Feder Emelianenko com o Strikeforce foi encerrado. Dana é co-proprietário da Zuffa Inc., que detém os direitos do UFC e do Strikeforce. Resumindo: Fedor foi demitido por Dana.

Fedor já foi laureado como o melhor lutador da história do MMA. Em algum momento de sua carreira, realmente, foi imbatível. Atacava como ninguém, aguentava porrada como ninguém, contra-atacava como ninguém, finalizava como ninguém. Era um monstro. O seu visual de “tiozinho barrigudo” parecia não colocar medo em ninguém, mas era entrar no ringue que a história mudava.

(Vale, aqui, um parênteses. O fato é que Dana nunca comprou a história de “melhor do mundo”, “melhor de todos os tempos”. Para o chefão do UFC, só é melhor quem vence os melhores. Se os melhores estão no UFC e você não enfrenta esses caras – porque, venhamos e convenhamos, não quer – , não tem como mensurar o quanto esse lutador é bom. Essa sempre foi e sempre será a crítica de Dana em relação a Fedor.)

Grandes momentos da carreira de Fedor

O russo estreou no MMA foi em maio de 2000. Até novembro de 2009, foram 31 vitórias, uma luta sem vencedor (“no contest”, contra Minotauro) e uma derrota para Tsuyoshi Kohsaka, em dezembro de 2000. Um currículo invejável. Fedor entrou para o Pride em junho de 2002. Enquanto o Pride foi grande, ele foi enorme. Em outubro de 2007, a Zuffa, sempre ela, comprou a franquia de lutas, e o monstro russo, sem contrato, basicamente não tinha com quem lutar.

Foi até antes dessa época que os caminhos de Dana e Fedor se cruzaram. O russo ainda tinha contrato com o Pride quando houve um princípio de negociação. O namoro durou meses, e só se falava em Fedor no UFC. Mas ele assinou, no mesmo outubro de 2007, com a M-1 Global, um acordo para seis lutas.

Sem ir para o UFC e com o fim do Pride, em 2008, Fedor lutou pelo Affliction, torneio bancado pela marca de roupas famosa entre os fãs de MMA e com lutadores da M-1 Global. Derrotou Tim Sylvia de forma categórica, dando início a um novo namoro com o UFC.

No ano seguinte, Dana chegou a oferecer algo em torno de US$ 2 milhões por luta, mais bônus de cá e de lá, quantia inimaginável para um lutador de MMA até hoje. Fedor entraria no UFC já para disputar o título dos pesados contra Brock Lesnar, mas não aceitou. Curiosamente, foi mais ou menos nessa época que começou a derrocada do russo.

Dana descendo a lenha em Fedor ainda em 2009

Sua última vitória foi em novembro de 2009, pelo Strikeforce. Bateu muito em Fabrício Werdum em junho de 2010, mas foi imobilizado e perdeu para o brasileiro. Em fevereiro deste ano, levou um cacete de outro brasileiro, Antônio Pezão, e conheceu duas derrotas seguidas pela primeira vez na carreira.

Mas foi em março de 2011 que, finalmente, Dana se viu frente a frente com Fedor, quando a Zuffa anunciou a compra do Strikeforce. Quem tinha contrato com a franquia, passaria a ter contrato com a Zuffa. Mas, ao contrário do Pride, a franquia seguiria de forma independente. Digamos que, ao invés de comprar o passe de Fedor, Dana simplesmente comprou o time em que ele jogava.

Bastou uma luta para que Dana desse o troco em Fedor pelos “nãos” que ouviu em todas as propostas. No último sábado, o russo não durou um round diante do veterano Dan Henderson (o árbitro Herb Dean agiu corretamente em parar a luta? Não vou entrar no mérito). Terceira derrota em três lutas. Dana, com doses de crueldade, ainda esperou uns dias para anunciar o fim do contrato com o monstro russo.

(Abre novo parênteses. Enquanto Fedor levava porrada de Henderson, Dana “batia cabeça” em show do Rage Against The Machine” como bem mostrou o UOL em “Dana White entra no ‘bate-cabeça’ em show de rock e deixa de lado luta de Fedor”.)

Henderson e a vitória sobre Fedor

Ficam duas perguntas no ar. Dana deu o troco em Fedor pelos anos de negociação e nada de acordo? Dana é um cara bacana. Já tive a oportunidade de entrevistá-lo e, por incrível que pareça, de bater um papo com o cara em uma festinha organizada por ele mesmo antes do UFC 100. Dana fala o que quer e não está nem aí, ou seja, suas entrevistas sempre rendem alguma coisa. Ok, o cara é gente boa, mas, até aí, está longe de ser santo. E bobo, ele não é.

Acho apenas que ele provou seu ponto: se Fedor quer ser o melhor, tem que lutar com os melhores. Para isso, tem que assinar com o UFC. Mas, hoje, a história é outra: será que o UFC quer Fedor? Dana, tenho certeza, não quer. E fim da história.

Por falar em fim da história, a outra pergunta é: e agora, Fedor? O que fazer da vida? Lutar nos torneio de “sambo” por aí? Criar algum evento e lutar pela Europa sabe lá contra quem? Se aposentar? Enquanto a cabeça do russo deve ferver quando pensa sobre o futuro, acho que Dana dá um sorrisinho maroto interno quando pensa em Fedor. Não tenho ideia do que será de Fedor depois do primeiro e maior nocaute sofrido em sua carreira. Não, não foi Henderson o autor da façanha. Foi Dana.

Fedor fala sobre o futuro após derrota para Henderson

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