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UFC 144, um exemplo de como errar palpites e um tal jornalismo

Ben Henderson (à dir.), o novo campeão dos leves - Foto: Divulgação/UFC

Ben Henderson (à dir.), o novo campeão dos leves - Foto: Divulgação/UFC

“Enfim, abaixo, os palpites totalmente científicos para o UFC 144. Não tenho medo de errar todos. Aliás, seria divertido se isso acontecesse.”

No sábado, fiz um post com os meus palpites sobre o UFC 144, intitulado “Pitacos do UFC 144: Japão imprevisível”. A frase acima, digna de Nostradamus, faz parte desse post e só comprova algo bem legal que está acontecendo no MMA: a surpresa.

Seria simples falar que foi falta de sorte de A ou B, que C acertou um daqueles golpes impossíveis e que D teve melhor estratégia que o rival. O fato é que o card do Japão já deixava no ar que seria bem difícil acertar quem ganharia cada luta. Os palpites, meramente chutados, mostraram que meu pé estava bem torto. E isso me deixa feliz.

A surpresa é um dos fatores que movem o esporte. Nem sempre o melhor vence, nem sempre o cara mais bem preparado tem sua mão levantada do fim do combate. Claro, quem treina e estuda mais tem mais chance, mas, sabe como é, um instante de vacilo e já era. O “Japão imprevisível” se confirmou.

Também é legal para mostrar duas coisas sobre aquele jornalista sabichão. A primeira: o cara pode estudar pra caramba sobre determinado assunto, mas, quando se fala em palpite, é meramente uma escolha. A segunda: o cara pode escolher antes e fazer uma análise “criteriosa” para justificar sua escolha. No fim, ambas convergem para o mesmo ponto: uma criança de dois anos poderia apontar os vencedores e ter mais sucesso que qualquer um.

Palpite é palpite e é legal, pro ego, acertar. Mas, se você erra, sinceramente, dane-se. Se você acerta tudo, aproveite a maré e jogue na Mega-Sena. Esse palpite aí eu queria acertar…

P.S.: Só pra constar, das 12 lutas do UFC 144, errei apenas 10 palpites e, graças a Jacke Shields e Riki Fukuda, o “vexame” não foi ainda pior.

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Pitacos do UFC 144: Japão imprevisível

Pôster do UFC Japão - Foto: Divulgação

Pôster do UFC Japão - Foto: Divulgação

Vi e revi esse car do UFC 144 para dar meus pitacos. Por melhor que seja o “casamento”, existem lutas em que você bate o olho e sabe quem vai vencer. Mas o evento japonês traz tanta coisa “além” do octógono que fica quase impossível pitacar.

Há o lado emocional da coisa, do retorno do UFC ao Japão, e só por isso as lutas já ficam mais tensas. É o palco do Pride, e todo mundo que já viu um evento do Pride vai lembrar um pouco do que era. A torcida japonesa é maluca, são vários lutadores locais em ação, e a galera vai empurrar. É mais ou menos como um UFC no Brasil: tudo pode acontecer.

Quando a coisa fica assim, o cara pode dizer que estudou muito e que o lutador A vai vencer. Mas, vamos falar a verdade: eu fiquei horas olhando o card e todos meus palpites são, basicamente, chutes. Isso não tira o fato de eu achar mesmo que o lutador A vai bater o B. Mas todos esses fatores podem jogar as suas previsões no limbo.

Enfim, abaixo, os palpites totalmente científicos para o UFC 144. Não tenho medo de errar todos. Aliás, seria divertido se isso acontecesse. E só colocaria o evento japonês na lista dos melhores da história, ou da década, ou do ano…

Arianny Celeste e a ring girl convidada para o UFC 144, Azusa Nishigaki, Miss Japão Universo 2008 - Foto: Divulgação/UFC

Arianny Celeste e a ring girl convidada para o UFC 144, Azusa Nishigaki, Miss Japão Universo 2008 - Foto: Divulgação/UFC

CARD PRINCIPAL

– Frankie Edgar (EUA) x Ben Henderson (EUA) – leve
– Henderson é bom, mas tendo a achar que Edgar vai atropelar. Campeão vence por submissão.

– Quinton Rampage Jackson (EUA) x Ryan Bader (EUA) – meio-pesado
– Mesmo depois da balança, mantenho o palpite. Adoro Bader, mas Rampage vence por nocaute e adia a sua aposentadoria

– Mark Hunt (NZL) x Cheick Kongo (FRA) – pesado
– Outra luta que promete. Kongo vence por nocaute e volta a sonhar mais alto no UFC

– Yoshihiro Akiyama (JAP) x Jake Shields (EUA) – meio-médio
– Lutão, hein, parte 2? Palpite polêmic: acho que Shields cala Saitama e vence por decisão

– Yushin Okami (JAP) x Tim Boetsch (EUA) – médio
– Lutão, hein? Okami se recupera da derrota para Anderson Silva e vence por submissão

– Hatsu Hioki (JAP) x Bart Palaszewski (POL) – pena
– Lutinha enrolada, mas Palaszewski nocauteia

– Anthony Pettis (EUA) x Joe Lauzon (EUA) – leve
– Aí é torcida mesmo, Lauzon vence por submissão

CARD PRELIMINAR

– Takanori Gomi (JAP) x Eiji Mitsuoka (JAP) – leve
– Puro chute. O estreante Mitsuoka vence por submissão

– Norifumi Yamamoto (JAP) x Vaughan Lee (ING) – galo
– Será que a torcida ajuda? Acho que sim, e Yamamoto leva por decisão

– Riki Fukuda (JAP) x Steve Cantwell (EUA) – médio
– Fukuda vence por decisão e acaba com a saga de Cantwell no UFC

– Takeya Mizugaki (JAP) x Chris Cariaso (EUA) – galo
– Torcida ajuda, e Mizugaki vence por decisão

– Zhang Tiequan (CHN) x Issei Tamura (JAP) – pena
– Tiequan vence por submissão

Pesagem – UFC 144

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UFC 144, Pride e a volta do MMA ao Japão

UFC está de volta ao Japão - Foto: Divulgação

UFC está de volta ao Japão - Foto: Divulgação

Você escolhe. O Japão esperou 4.089 dias – ou 11 anos, 2 meses e 10 dias – para rever um evento do UFC. Desde o fim do Pride, já se vão 1.667 dias – ou 4 anos, 6 meses e 22 dias – sem uma grande apresentação de MMA no país. Enfim, o bom filho à casa torna, e a “meca” das artes marciais se reencontra com o UFC.

O Japão já teve o evento de maior prestígio do mundo das lutas, o Pride. Pode se dizer que era a maior competição de vale-tudo do planeta. As regras eram menos rígidas, o que gerava golpes mais violentos e lutas mais sangrentas. Só de lembrar dos “tiros de meta” dá calafrios…

Agora, o país vê o MMA, com normas que servem justamente para proteger os combatentes. Foi esse MMA, agressivo, mas sem a violência do vale-tudo, que conquistou o planeta. E, agora, tenta reconquistar o Japão.

O último UFC no Japão - Foto: Divulgação

O último UFC no Japão - Foto: Divulgação

Fuçando aqui, descobri que o último UFC por lá foi o 29, justamente o último antes da venda da franquia da SEG para a Zuffa. Foi lá que Tito Ortiz e Pat Miletich mantiveram seus cinturões. Foi lá que Dennis Hallman massacrou Matt Hughes em apenas 20 segundos, e Chuck Liddell venceu Jeff Monson após 15 minutos de combate. Foi lá que acabou o UFC “à moda antiga” e foi dado o primeiro passo rumo ao UFC que conhecemos hoje.

Foi graças ao Pride que alguns brasileiros conquistaram fama e prestígio internacional, em combates de tirar o fôlego. De cabeça, lembro das duas lutas entre Wanderlei Silva e Quinton Rampage Jackson, de Wanderlei contra Mirko Cro Cop, de Minotauro renascendo das cinzas contra Cro Cop e Bob Sapp, de Shogun e Minotouro em um duelo de arrepiar.

Tirando os brasileiros, o Japão foi palco da formação da lenda sobre Fedor Emelianenko e é a terra de um cara que foi muito odiado por aqui, Kazushi Sakuraba, o “Caçador de Gracies”, que ganhou nada mais nada menos de Royler Gracie, Renzo Gracie, Ryan Gracie e Royce Gracie. Um fenômeno.

Você deve estar se perguntando por que o UFC demorou tanto para voltar a um país que tem uma tradição milenar em lutas, não? Mesmo depois que a Zuffa comprou o Pride, em março de 2007, o domínio dos eventos de artes marciais seguiu nas mãos de gente graúda no Japão, e o UFC simplesmente não conseguia negociar com esses caras. As arestas foram se aparando e, depois de muito papo e muito mais dinheiro, chegou-se a um acordo.

A minha expectativa é que, além de renascer o MMA no país, a realização de um UFC sirva como o primeiro passo para a recuperação de algumas artes marciais no Japão. O milenar sumô, por exemplo, está à beira da falência, graças a desvios absurdos e resultados combinados em bolsas de apostas. O UFC não é o messias, longe disso, mas pode servir de exemplo e alavancar outras modalidades de lutas no país.

Música de abertura do Pride

Historinhas à parte, o evento deste fim de semana lembra, e muito, os realizados no Brasil. Alguns combates são bem legais, outros, especialmente do card preliminar, reúnem estrelas ou promessas locais. Confesso que tem lutador ali que eu nem sabia que existia. A novidade é um card principal inchado, com sete lutas, provavelmente atendendo a uma solicitação dos promotores japoneses.

O foco são as duas lutas principais, com Quinton Rampage Jackson x Ryan Bader e a disputa do cinturão dos leves entre Frankie Edgar e Ben Henderson. Mas uma outra luta me chama a atenção: Anthony Pettis x Joe Lauzon. São dois caras que adoram uma pancadaria, uma luta aberta. Lauzon é um dos lutadores que eu mais gosto de ver, principalmente pela versatilidade e pelo enorme coração. Ainda tem Yushin Okami x Tim Boetsch, Yoshihiro Akiyama x Jake Shields, e Cheick Kongo x Mark Hunt. Diversão garantida!

P.S.: Caros, já disse aqui e repito: em qualquer esporte, você tem que ser agressivo. Por isso, acho que o MMA e qualquer outra modalidade de luta agressiva, não violenta. O vale-tudo, sim, era violento, briga de rua. Goste ou não, o MMA é um esporte.

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