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William, Maurício, Ricardinho e o Hall da Fama

William - Foto: Arquivo, Arte/Ricardo Zanei

William - Foto: Arquivo, Arte/Ricardo Zanei

Nunca fui superfã de vôlei, mas uma coincidência geográfica fez com que eu assistisse a trocentas partidas na minha infância. Nasci em Santo André, terra da Pirelli, e lá vi trocentos jogos de William, Xandó e companhia.

Graças a outra coincidência geográfica, William morava na rua da minha casa. Para ser mais preciso, segundo o Google Maps, a distância do meu lar para o prédio dele era de exatos 40 metros.

Quem vê o tamanho da minha circunferência corporal hoje não acredita que eu tive uma infância/adolescência totalmente esportiva. O Aramaçãn era uma espécie de segunda casa. Já o quintal do meu lar servia de quadra para a molecada, pois jogávamos futebol todos os dias. Literalmente.

Ali, no quintal, jogando bola, ou na calçada em frente de casa, falando bobagem, que eu e meus amigos tivemos a chance de vivenciar uma cena. Ou melhor, participamos dessa cena trocentas vezes: William tinha uma moto e, vira e mexe, saía com ela. A molecada ia ao delírio quando o via passando, e era um tal de gritar “William, William!”. Não teve uma única vez que a gritaria passou em branco: uma buzinadinha, uma brecadinha e um aceno, um “Fala aí, campeão”…

Lembro de um dia em que eu e mais dois, três amigos, estávamos a caminho de casa, na rua que separava a minha casa da dele, quando William, de moto, passou perto lado da gente e soltou um “E aí, campeões?”. Partiu dele, sabe? Sem palavras!

Outro fato marcante foi em 1984, quando o Brasil – aí vai de você – conquistou a medalha de prata ou perdeu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. A rua foi fechada para comemorar o retorno de William ao país. Virou um verdadeiro carnaval!

Imagino a cena hoje, quando qualquer jogadorzinho se vê no direito de negar um autógrafo para um moleque. Como disse Dana White, indignado com atletas de renome que se negam a atender torcedores, “Autógrafo é seu nome escrito em um papel, seu idiota”. William já era o melhor há tempos, consagrado, e ainda dava a sua atenção para os moleques que gritavam seu nome no meio da rua…

Por mais uma coincidência da vida, em 2002, e lá se vão 10 anos, fui trabalhar em uma assessoria de imprensa. Um dos clientes era o Açúcar União São Caetano, time de vôlei feminino, e quem era o técnico? O próprio William, agora com o sobrenome que todo treinador ganha, Carvalho.

William foi um monstro, um dos melhores levantadores da história. Mas aí veio o sucessor, Maurício, mais monstro ainda, um dos melhores levantadores da história. Enfim, surge Ricardinho, mais monstro ainda, um dos melhores levantadores da história.

O Brasil teve, nos últimos, sei lá, 30 anos, três dos melhores jogadores que passaram pelas quadras de vôlei do planeta. Com características únicas, eles foram responsáveis por entender o jogo como poucos, perceber detalhes aqui e ali que podem mudar uma partida, enfim, foram diferentes. Cada um a seu modo, cada um a seu tempo.

A escolha de Maurício para o Hall da Fama do vôlei é das mais justas, incontestável, até. Mas não dá para esquecer o que William fez, muito menos o que Ricardinho faz. Assim como Maurício, eles merecem essa honraria. Um jeito legal de imortalizar o tanto que esses caras fizeram pelo esporte.

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