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Zidane, Loco Abreu, um pênalti 13 e uma bicuda no meio do gol

A cavadinha 13, ato 1 do Treze - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 1 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

13 era uma gíria batuta, das antiga, miliano mêmo, que significava louco, doido, sem chance de responder por seus atos. Dizem que nasceu do palavreado policial, mas confesso que não achei a origem. De qualquer forma, apenas alguém completamente insano tenta bater um pênalti baixinho, com cavadinha, em uma disputa de mata-mata. Pois foi assim que o Treze (belo trocadilho) foi eliminado da Copa do Brasil pelo Botafogo.

A cavadinha 13 do Treze, ato 2 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 2 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Quem viu o jogo, viu. Quem não viu, tem uns vídeos no fim desse post. Enfim, o bravo Treze saiu de Campina Grande e arrumou um empate por 1 a 1 com o favorito Botafogo em pleno Engenhão, levando a decisão para os pênaltis. Um baita resultado, mas, nas penalidades, tudo poderia acontecer, e era a chance de a equipe paraibana selar a eliminação do primeiro time grande da competição.

A cavadinha 13 do Treze, ato 3 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 3 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Botafogo vencendo, 3 a 2. Se Léo Rocha fizesse, a decisão iria para as cobranças alternadas. Se perdesse, o sonho do Treze acaba ali. Não sei o que passa na cabeça de um jogador em um momento como esse. Apenas posso imaginar o turbilhão de ideias: bato colocado no alto? Enfio a bicuda no meio do gol? Chuto forte e seja lá o que Deus quiser? Espero o goleiro sair para tocar no canto?

A cavadinha 13 do Treze, ato 4 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 4 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Todas as variáveis são aceitáveis. Mas, a não ser que você seja extremamente fora de série – ou seu nome seja Loco Abreu e você esteja em uma Copa do Mundo -, a cavadinha está sumariamente vetada. É um lance que requer treino, habilidade, técnica, enfim, não é fácil de fazer. Ainda mais quando você está em um momento decisivo, fora de casa, com torcida contra: o emocional e o sangue frio vão pro escambau. Ou seja, cavadinha vetada, completamente vetada.

A cavadinha 13 do Treze, ato 5 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 5 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Eis que Léo Rocha resolve dar uma cavadinha. Não, meu querido, não. A bola saiu baixa, fraca, em cima do goleiro, enfim, foi uma das piores cobranças da história. Enfie o bico e mande a bola em São João do Meriti, mas não tente uma cavadinha em uma hora dessas. É melhor perder por ação, o bico, do que por omissão, a cavadinha.

A cavadinha 13 do Treze, ato 6 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 6 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Claro que, se fizesse, todo mundo iria aplaudir. Mas o “se”, infelizmente ou felizmente, não joga. A cavadinha terminou nas mãos de Jefferson, e o Botafogo avançou na Copa do Brasil. Treze, que coisa de 13…

A cavadinha 13 do Treze, ato 7 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 7 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Existem outros exemplos, mas eu vi dois caras arriscarem a cavadinha em momentos absurdos e saírem comemorando o gol. Zidane fez isso na final da Copa do Mundo de 2006. Final de Copa, olha só o tamanho da encrenca. Aí o francês vai lá, dá um tapa na bola e tudo certo. Quatro anos depois, Loco Abreu repetiu o feito, dando a vitória sobre Gana e a vaga ao Uruguai na Copa do Mundo. Quartas de final de Copa, amigo.

A cavadinha 13 do Treze, ato 8 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 8 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

É preciso ter um sangue congelado para dar a cavadinha, tanto na pelada de fim de semana, como em uma final de Copa, guardada as devidas e estratosféricas proporções. É preciso, ainda, ter técnica e saber que aquela cobrança é fruto de treino, treino, treino e mais treino. E, claro, é preciso ser louco, completamente maluco, ser 13 mesmo. Uma pena que, para o Treze, o que faltou foi cabeça. Ou uma bicuda no meio do gol.

Botafogo 1 x 1 Treze – gols

Botafogo 3 x 2 Treze – disputa por pênaltis

P.S.: Loco Abreu é tão fora de si que, quando ele bate forte, no canto, ou enfia o bico na bola, perde. Na cavadinha, ele faz. Faz gol e faz jus ao apelido.

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Uruguai e a camisa mais bonita da história

Cavani e a camisa celeste - Foto: EFE/Robert Ghement

Cavani e a camisa celeste - Foto: EFE/Robert Ghement


Fico vendo as “atualizações” da camisa da seleção brasileira e todas elas são de dar dó, não? Um uniforme clássico, simples e bonito, com as cores da bandeira, se tornou sem graça, sem sal, sem açúcar. Banalizou, né? Não sei se vende bem – com o preço que está, não deve vender -, mas acho que, mais que o preço, é o visual. Feia que só ela.

Aí, outro dia, o Uruguai joga com a Romênia. Bato o olho na TV, e a combinação de cores dos times em campo é sensacional. Bonita de se ver mesmo. A camisa vermelha dos romenos é linda, digna de colecionador. Mas a camisa mais bela da história da bola é a do Uruguai.

Fucei aqui e ali e vi muita gente criticando o novo desenho. Pra mim, é sensacional. Azul celeste, golas e punhos em branco, número no peito, número nas costas em preto. Celeste, branco e preto, não tem como errar. Sem balangandãs. Simplicidade. Coisa linda.

Claro que o fator principal é o azul celeste. É impressionante como a cor parece trazer toda a história de um Uruguai desde os tempos em preto e branco. Carrega, em si, uma bagagem enorme, imensa. Tem um significado, sabe? Você bate o olho o sabe que ali estão os uruguaios.

Em tempos de modernidade, tecnologia, mudanças em uma velocidade gigantesca, mais uma vez, a simplicidade vence. É uma lição para o futebol, para a Nike e, por que não, para a vida. Em qualquer aspecto, a camisa celeste ainda é a mais bonita. Pra sempre.

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A íntima ligação entre o puxão de orelha de Lúcio e o “orgullo celeste”

"Orgullo celeste": Uruguai campeão da Copa América - Fonte: AFP

"Orgullo celeste": Uruguai campeão da Copa América - Fonte: AFP

O zagueiro Lúcio disse, durante a Copa América, que “o símbolo que vai à frente da camisa é mais importante do que o nome que vai atrás da camisa”.

O Uruguai comemorou a conquista da Copa América com uma camisa sem nome nas costas, “Orgullo celeste” na frente. Curioso, não?

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A “modinha” Uruguai

Uruguai campeão da Copa América 2011 - Fonte: AP

Uruguai campeão da Copa América 2011 - Fonte: AP

Virou “modinha” torcer para o Uruguai. A seleção celeste ganhou uma enorme leva de fãs brasileiros a partir da boa campanha na Copa do Mundo de 2010 e somou ainda mais adeptos com o título da Copa América.

Quem diria, o Uruguai, até outro dia esquecido, adormecido, motivo até de piada, virou a “modinha” do momento.

Muita gente critica esse “fenômeno”. Eu acho ótimo. Parece frase feita, mas prefiro que o exemplo seja o “nós”, o conjunto, o grupo, do que apenas o “eu”.

Qual é o time que mais encanta no mundo? Barcelona. Messi é genial? Sim. Só ele, o craque, ganha jogo? Taí a Argentina mostrando que não.

Hoje vivemos uma era muito especial do futebol coletivo. O Barcelona encanta por unir a qualidade técnica e tática de suas peças chaves. É o melhor time do mundo por isso. Messi brilha? Brilha muito, diria o filósofo. Mas brilham Xavi, Iniesta, Daniel Alves… O que seria de Messi sem um Villa? O que seria de Villa sem um Puyol? Pois é, um completa o outro. É um time.

Aí surge o Uruguai. Já disse aqui: não é o melhor do mundo, näo tem os melhores jogadores do mundo, não joga bonito. Mas encanta. Näo tem a técnica barcelonista, mas supre suas deficiências com o maior coração da América, talvez de todo o planeta. É completamente diferente do Barça, mas é, na definição da palavra, um time.

O som do jogo: Uruguai campeón

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Sobre a alma e o “Bamos!”

Não importa o esporte, tem que ter alma. Não adianta ter garra, força, vontade. Ter alma é muito mais que tudo isso. Alma vem de um consciente que une um grupo em torno de um propósito.

Não precisa ser alto, forte. Não adianta ter técnica e habilidade. Ter alma é um acreditar acima de qualquer coisa. É superar limites físicos, mentais. É entender que, se tiver que correr mais para ajudar um companheiro, vou correr mais.

Ter alma é ter um sangue borbulhante, fervendo. É canalizar sua energia para a vitória. Se um jogador consegue isso, é um grande feito. Se um time consegue, ele se torna vencedor.

Depois de muito pensar sobre o jogo de ontem, cheguei à brilhante conclusão: o que falta na seleção brasileira é alma. Hoje, não temos os melhores jogadores do mundo, nem o melhor time do mundo. É ilusão pensar isso. Mas, pior que tudo, a seleção não tem alma.

Cruza-se uma fronteira, e ela, a alma, aparece. Eles não têm o melhor time do mundo, eles não têm os melhores jogadores do mundo. Mas eles têm alma.

E têm o “Bamos!”. Vi apenas o VT de Argentina x Uruguai, mas, ao final, o “Bamos!” estava ali. A cena: Forlán é levantado nos ombros por algum companheiro. No ar, aquele cara, que parecia ser o mais feliz do mundo naquele instante, solta um “Bamos!” pra todo mundo ouvir.

É uma espécie de grito de guerra, um mantra de união, que amedronta, intimida o oponente. É, como diria minha saudosa mãe, desopilar. Externar toda uma alegria, uma felicidade que não dá para conter. É mostrar que se está pronto para qualquer coisa. O “Bamos” traduz esse espírito, vem da alma.

Os uruguaios provam, há algum tempo, que têm alma. Um país pequeno, cativante, um povo acolhedor. Eles merecem, depois de tanto tempo, ter um time. Um time que se torna ainda mais forte com a alma do povo jogando junto. É um “Bamos!” coletivo.

Voltando da fronteira, cansa ouvir desculpas esfarrapadas. Cansa ouvir que o Brasil é sempre melhor e perde por A, B ou C. É difícil descer do salto e admitir que temos limitações (técnicas, físicas), que é preciso se formar um time, na acepção da palavra.

Uma recente propaganda do Gatorade (vídeo está no fim deste post) diz: “Eu não vi a seleção de 70. Também não vi a do bi, nem a do tetra. E a de 2002, eu quase não lembro. Mas, tudo bem. Por que agora é a vez dessa seleção. Agora eu vou ver como é bom torcer pelo Brasil”.

É esse tipo de soberba retratada na peça publicitária que faz com que o Brasil não tenha um time. Não tenha alma. Não tenha um “Bamos!”. É ridículo e patético.

Claro que a culpa não é da propaganda, pelamordedeus. Mas é o tipo de coisa que passa uma borracha num passado vitorioso, num passado de alma, de time, e colocam esse bando sem sangue como um Brasil imbatível. Jovem brasileiro, não viu times vencedores? Use o Google, o Youtube. Tá tudo aí, a um clique. Veja, aprenda. E não engula mais esse tipo de coisa.

O futebol brasileiro carece de alma.

O “Bamos!” de Forlán (pouco antes do minuto 6)

A propaganda do Gatorade

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