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Libertadores em noite de pênaltis, vela, heróis improváveis e deuses do futebol

Vela na Vila Belmiro - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Vela na Vila Belmiro – Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Deve ser muito legal ser um dos deuses do futebol. Um dia, você e seus iguais sentam e falam: “Bom, hoje é gol no último minuto, hein? Faça-se a bola!”. No outro dia, um olha pra outro, aquele no canto dá um sorrisinho e diz: “O que acham de pênaltis?”. As divindades concordam, e assim é a segunda noite de quartas de final da Libertadores.

Dá para ter algumas leituras do duelo entre Santos e Vélez. Primeiro, acho que o time alvinegro é melhor que o rival, mas não confirmou essa superioridade nos dois jogos. Segundo, a equipe argentina é um das mais bem arrumadas do continente, sabe tocar a bola, sabe atacar, sabe se defender e, principalmente, soube marcar Neymar, apagadão tanto lá como cá.

Ou seja, o Santos jogou bem? Não. Em parte, culpa do próprio Santos, que parece cada vez mais refém de Neymar – e isso pode ser um problema ou uma solução. A outra parte foi culpa do Vélez.

Curioso como os heróis improváveis começaram a aparecer na Libertadores. Na quarta, mais uma vez, Paulinho e Santiago Silva foram os salvadores de Corinthians e Boca Juniores, respectivamente. Na quinta, a honra coube a caras como Leo, Alan Kardec e Jhonny Herrera, criticados, esquecidos e anos-luz de serem protagonistas de seus times.

Quem diria que Leo começaria uma jogada em alta velocidade, receberia de Ganso e tocaria com extrema precisão e sutilieza para Alan Kardec pegar de canhota e fazer o gol que o Santos precisava para respirar? Eu, com certeza, não. Os deuses do futebol, acho que sim.

Aí vem os pênaltis. Minha namorada pergunta: “Quem você acha que ganha?”. A resposta foi simples: “Se o Kardec fizer o primeiro, o Santos ganha”. Ele fez, os santistas foram convertendo os seus, os argentinos, perdendo. Foi aí que, antes do pênalti de Leo, a câmera do Fox Sports Brasil captou uma vela colada no alambrado (no vídeo abaixo, por volta de 4min40).

Pausa para reflexão.

Não devia ser a única vela colocada no gramado, muito menos a única vela acesa para a classificação santista. Minha mãe, palmeirense, vira e mexe acendia a sua para os santos palestrinos. Nem sempre ela era atendida, mas, sabe como é, mal não faz. A cena da vela acesa é mais uma daquelas sensacionais dessa Libertadores. Eu aqui, falando de deuses do futebol; em campo, Kardec, Papa e uma vela acesa. Metáforas e mais metáforas!

A vela acesa é aquela luz no fim do túnel. É o ponto de calor na noite fria. É algo que você não toca, mas simboliza tudo o que acredita. Enfim, a vela acesa é a cara da Libertadores, cara de futebol futebol, sabe?

E aí vem Leo, um tiozinho beirando os 40 anos, todo cheio de marra e garra, enfia a canhota na bola – dois lances santistas decididos com o pé esquerdo – e coloca o Santos na semi. A porrada no ar é sinal que o time ainda está vivo, sinal que o duelo com o Corinthians será absurdamente sensacional.

De novo, respirar fundo e ver a Universidade do Chile, a bela equipe da “La U”, atropelar o Libertad. Ahã. Se não fosse por Jhonny Herrera, aquele goleiro fraquinho que passou pelo Corinthians, o time paraguaio tinha despachado o favorito chileno. Mas os deuses queriam pênaltis, e foi a vez do ex-corintiano brilhar de novo e levar sua equipe para a semi. Foi aí que Jhonny Herrera desabou no chão, sinal que “La U” estava classificada mesmo após o sufoco, sinal que o duelo com o Boca Juniors será absurdamente especial.

Depois de uma noite de gols no finzinho, quando ninguém mais acreditava em mais nada, os deuses do futebol apelaram para o sofrimento dos pênaltis. Ainda colocaram heróis improváveis em campo, e até velas acesas. Que sacanagem, nobres divindades! E ainda estamos nas semifinais. Vixe!

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As imagens da rodada

Neymar comemora o golaço contra o Botafogo na Vila - Foto: Santos FC

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Luis Fabiano marca seu 1º gol na volta ao São Paulo - Foto Yasuyoshi Chiba/AFP

Luis Fabiano marca seu 1º gol na volta ao São Paulo - Foto Yasuyoshi Chiba/AFP

Universidad goleia o Flamengo do desolado Ronaldinho - Foto: Ricardo Moraes/Reuters

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P.S.: Ao clicar na foto, ela abre em tamanho maior. #ficadica

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