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MMA vai do VHS ao cinema e vê “esporte do futuro” chegar cedo

Capa da fita em VHS do UFC 1 - Foto: Divulgação

Capa da fita em VHS do UFC 1 - Foto: Divulgação

Metade da década de 90, 1994, 1995, talvez. Santo André, São Paulo. Eu era um moleque de 16, 17 anos, que passava boas tardes da semana na locadora perto de casa, Foto Muito Bom. Sabe aquelas famílias que se conhecem e se respeitam desde sempre, passando esse carinho para cada nova geração? Assim eram (são) os Zaneis e os Nakanos, donos da hoje extinta Foto Muito Bom.

Naquelas tardes, a gente colocava o papo em dia, falava muita bobagem, ria bastante, via algum filminho de graça. E eu sempre levava um filme para casa. Foi ali que eu descobri que existia um tal de “vale-tudo”, com nêgo dentro de uma ringue fechando dando porrada um no outro a torto e a direito. Foi ali que eu descobri que existia um gênio chamado Royce Gracie, que havia uma família, Gracie, que reinvantara o jiu-jitsu. Enfim, foi ali que, vendo e revendo aquelas fitas em VHS, que eu descobri o “vale-tudo”.

Dana White concede entrevista antes do UFC 100 - Foto: Ricardo Zanei/UOL

Dana White concede entrevista antes do UFC 100 - Foto: Ricardo Zanei/UOL

Sábado, 11 de julho de 2009, Las Vegas. Em uma sala perdida no Mandalay Bay Events Center, sem nenhuma parafernália (nem backdrop tinha), Dana White, chefão do UFC, falava com a imprensa estrangeira sobre o evento da noite, a histórica 100ª edição. Muitos mexicanos, alguns japonses e exatos cinco brasileiros formavam a lista de entrevistadores. Eu era um deles.

Dana falou sobre todos os assuntos. Estava felizão com a repercussão do evento, agradeceu a imprensa estrangeira por estar ali. Falou que eles tinham como meta entrar em três mercados: EUA, México e Grã-Bretanha, e haviam conseguido isso, e comemorou o número de pay per views que já haviam sido vendidos para o UFC 100.

Perguntei se o MMA era o esporte do futuro. Ele abre a resposta com: “O MMA é o esporte do futuro, não tenho dúvida disso. Eu também acho que é o esporte de hoje também”. A resposta completa está no vídeo abaixo:

Quarta-feira, 12 de outubro de 2011, Rio de Janeiro. Anderson Silva chega ao Cine Odeon com a família inteira para a primeira sessão no Brasil do documentário “Anderson Silva: Como Água”, que estreou no Festival do Rio.

“Em nenhum momento pensei que o MMA pudesse dar esse tipo de reconhecimento. Estou muito feliz e realizado”, disse Anderson, antes da apresentação do filme.

Anderson Silva na estreia de "Como Água" - Foto: PhotoRioNews

Anderson Silva na estreia de "Como Água" - Foto: PhotoRioNews

Entre o UFC 1, dia 12 de novembro de 1993, até a exibição de “Anderson Silva: Como Água”, passaram-se 6.543 dias, ou 17 anos e 11 meses. O vale-tudo virou MMA, criou regras e protegeu seus lutadores. O evento deixou os EUA, o México e a Grã-Bretanha e chegou a outros cantos do mundo, como Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, Emirados Árabes Unidos, e vai desembarcar no Japão em 2012.

As fitas em VHS viraram DVDs, Blu-rays e chegaram até as telas de cinema. No Brasil, basta ligar a TV para ver que Anderson Silva é a cara do MMA do país, participando de tudo que é programa e ainda entrando na sua casa nos intervalos comerciais. Virou ídolo.

Em menos de 20 anos, um negócio pioneiro e marginalizado chamado UFC se tornou a franquia mais valiosa do mundo esportivo. Há dois anos, Dana dizia que o MMA era o esporte do futuro, mas acho que nem ele pensaria que esse futuro chegaria tão cedo.

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