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Futebol e uma questão de justa causa

Pesos e medidas diferentes. Dá a impressão que a gente tem que se acostumar com isso na vida. Não, não tem, e tem que se revoltar com certos pesos e medidas, justiças e injustiças.

Léo Rocha perdeu o pênalti ridículo para o Treze contra o Botafogo. Não mudo uma vírgula do que escrevi sobre o assunto. Daí, para o jogador ser demitido, vai uma distância muito grande.

“O campo, a bola, nada atrapalhou. Foi erro meu mesmo, eu peguei um pouco no canto da bola, a bola foi um pouco pro lado ali, fui infeliz. Todos os jogos que eu tive a oportunidade de bater pênalti eu bati no meio, então eu não tenho que provar nada para ninguém, para diretor nenhum. Eu não me arrependo de ter batido assim, só me arrependo de ter pegado mal na bola.”

Léo Rocha errou? Errou. Foi infantil? Sim. Assim como outros jogadores do time desperdiçaram cobranças de pênalti, perderam chances de gol, falharam na marcação, erraram em trocentos lances. O erro de Léo Rocha apenas foi o último e mais ingênuo, mas demissão? Demagogia, não?

Aí o Corinthians solta uma nota oficial dizendo que Adriano foi demitido por justa causa. No Rio, dizem que o Imperador pretende ir à Justiça contra o clube, alegando falta de tratamento médico. Hmmm. Peraí… Não era o Adriano que faltava às sessões – dizem, mais de 40! – de fisioterapia marcadas pelo clube? Não era Adriano que chegava sabe lá como para treinar?

É esse o mesmo Adriano, demitido por justa causa, que será contratado já já pelo Flamengo, a peso de ouro, com pompas de gênio. Já Léo Rocha…

“Ninguém gosta de perder o emprego né, foi uma notícia que me deixou muito triste.”

A frase acima, com certeza, não é de Adriano. Parecem mundos diferentes, mas são histórias do mesmo mundo, o da bola. Pesos e medidas distintos, causa justa, justa causa. É o futebol imitando a vida. Infelizmente.

P.S.: As frases em destaque foram retiradas da entrevista de Léo Rocha para a ESPN Brasil e podem ser vista aqui. Já a nota oficial da demissão de Adriano foi veiculada pelo site do Corinthians e pode ser vista aqui.

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Zidane, Loco Abreu, um pênalti 13 e uma bicuda no meio do gol

A cavadinha 13, ato 1 do Treze - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 1 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

13 era uma gíria batuta, das antiga, miliano mêmo, que significava louco, doido, sem chance de responder por seus atos. Dizem que nasceu do palavreado policial, mas confesso que não achei a origem. De qualquer forma, apenas alguém completamente insano tenta bater um pênalti baixinho, com cavadinha, em uma disputa de mata-mata. Pois foi assim que o Treze (belo trocadilho) foi eliminado da Copa do Brasil pelo Botafogo.

A cavadinha 13 do Treze, ato 2 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 2 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Quem viu o jogo, viu. Quem não viu, tem uns vídeos no fim desse post. Enfim, o bravo Treze saiu de Campina Grande e arrumou um empate por 1 a 1 com o favorito Botafogo em pleno Engenhão, levando a decisão para os pênaltis. Um baita resultado, mas, nas penalidades, tudo poderia acontecer, e era a chance de a equipe paraibana selar a eliminação do primeiro time grande da competição.

A cavadinha 13 do Treze, ato 3 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 3 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Botafogo vencendo, 3 a 2. Se Léo Rocha fizesse, a decisão iria para as cobranças alternadas. Se perdesse, o sonho do Treze acaba ali. Não sei o que passa na cabeça de um jogador em um momento como esse. Apenas posso imaginar o turbilhão de ideias: bato colocado no alto? Enfio a bicuda no meio do gol? Chuto forte e seja lá o que Deus quiser? Espero o goleiro sair para tocar no canto?

A cavadinha 13 do Treze, ato 4 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 4 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Todas as variáveis são aceitáveis. Mas, a não ser que você seja extremamente fora de série – ou seu nome seja Loco Abreu e você esteja em uma Copa do Mundo -, a cavadinha está sumariamente vetada. É um lance que requer treino, habilidade, técnica, enfim, não é fácil de fazer. Ainda mais quando você está em um momento decisivo, fora de casa, com torcida contra: o emocional e o sangue frio vão pro escambau. Ou seja, cavadinha vetada, completamente vetada.

A cavadinha 13 do Treze, ato 5 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 5 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Eis que Léo Rocha resolve dar uma cavadinha. Não, meu querido, não. A bola saiu baixa, fraca, em cima do goleiro, enfim, foi uma das piores cobranças da história. Enfie o bico e mande a bola em São João do Meriti, mas não tente uma cavadinha em uma hora dessas. É melhor perder por ação, o bico, do que por omissão, a cavadinha.

A cavadinha 13 do Treze, ato 6 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 6 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Claro que, se fizesse, todo mundo iria aplaudir. Mas o “se”, infelizmente ou felizmente, não joga. A cavadinha terminou nas mãos de Jefferson, e o Botafogo avançou na Copa do Brasil. Treze, que coisa de 13…

A cavadinha 13 do Treze, ato 7 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 7 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Existem outros exemplos, mas eu vi dois caras arriscarem a cavadinha em momentos absurdos e saírem comemorando o gol. Zidane fez isso na final da Copa do Mundo de 2006. Final de Copa, olha só o tamanho da encrenca. Aí o francês vai lá, dá um tapa na bola e tudo certo. Quatro anos depois, Loco Abreu repetiu o feito, dando a vitória sobre Gana e a vaga ao Uruguai na Copa do Mundo. Quartas de final de Copa, amigo.

A cavadinha 13 do Treze, ato 8 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

A cavadinha 13 do Treze, ato 8 - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

É preciso ter um sangue congelado para dar a cavadinha, tanto na pelada de fim de semana, como em uma final de Copa, guardada as devidas e estratosféricas proporções. É preciso, ainda, ter técnica e saber que aquela cobrança é fruto de treino, treino, treino e mais treino. E, claro, é preciso ser louco, completamente maluco, ser 13 mesmo. Uma pena que, para o Treze, o que faltou foi cabeça. Ou uma bicuda no meio do gol.

Botafogo 1 x 1 Treze – gols

Botafogo 3 x 2 Treze – disputa por pênaltis

P.S.: Loco Abreu é tão fora de si que, quando ele bate forte, no canto, ou enfia o bico na bola, perde. Na cavadinha, ele faz. Faz gol e faz jus ao apelido.

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