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Pequeno manual prático para ganhar – ou perder – do Boca Juniors

La Bombonera, palco da final - Foto: Ricardo Zanei

La Bombonera, palco da final – Foto: Ricardo Zanei

Rabisquei uma enorme análise tática, mas, ao fim, depois de escrever e escrever, percebi o óbvio: o Boca Juniors é um daqueles times sem mistério. Não tem suspense na escalação, não tem mudanças táticas mirabolantes. Assim, resolvi ir direito ao assunto e fazer um pequeno manual para se bater a equipe argentina – ou, se você preferir, para se vencer o Corinthians. Tudo depende da leitura…

O Boca atua num 4-4-2 sem frescura. A equipe de Julio César Falcioni joga com quatro defensores, três volantes (ou um volantão e dois meias recuados), um meia meia mesmo, dois atacantes. Simples.

Orión é um goleiro experiente, de 31 anos, mas ainda assim, inconstante. É capaz de pegar um chute de Rivellino no ângulo e, no lance seguinte, levar um gol de Xandão, em chute de canhota, sem força, do meio-campo.

A zaga é formada por Schiavi, 1,91 m, veteraníssimo de 39 anos, e Caruzzo, 1,83 m, 27 anos, que assumiu a vaga do lesionado Insaurralde. Aí, talvez, esteja o principal problema da equipe, principalmente pelas falhas nas bolas alçadas na área: afastar o perigo, muitas vezes, é um tormento para a dupla.

São dois laterais: Roncaglia, pela direita, ataca pouco e marca com deficiência, enquanto Clemente Rodrígues, pela esquerda, ataca. O carequinha é responsável pela saída de jogo, aparece bem à frente para cruzar, gosta de chutar de longe e de bater faltas. É um dos pontos altos do time.

O meio-campo começa com Somoza, volantão clássico, à frente da zaga. Pela direita, Ledesma é um meia recuado, com duas missões: a prioridade é ajudar na marcação, mas, se der brecha, avança. Pela esquerda, o cabeludinho Erviti tem velocidade para atacar e forma uma bela dupla com Clemente Rodríguez. A parceria é imprescindível para que o Boca agrida o Corinthians.

Centralizado está Riquelme. Minha opinião sobre ele está no texto “Boca e Libertadores e um capeta chamado Riquelme: feitos um para o outro”. É um meia clássico, o cara que pode decidir tudo com um tapa na bola. Um monstro!

No ataque, Mouche é um canhotinho que adora cair pela direita. Cruza bem, sabe driblar, enfim, é perigoso. Atenção redobrada também para Santiago “El Tanque” Silva, esse grosso que virou piada quando passou pelo Corinthians, mas que faz gols no Boca.

Riquelme - Foto: Ricardo Zanei

Riquelme – Foto: Ricardo Zanei


Como fazer um golzinho
O ataque do Corinthians não é nem um pouco avassalador, mas a zaga do Boca também não é a melhor do planeta. O problemão argentino é a bola alçada na área: levantar a redonda, especialmente da intermediária, pode ser o caminho. Dos sete gols sofridos, seis nasceram de cruzamentos para a área, três deles nas costas de Roncaglia.

Mas, sem um atacante de área, será que o Corinthians conseguirá tirar proveito disso? Por isso, é sempre bom ter um plano B. Se a zaga tirar, o rebote pode ser a saída. Dois gols nasceram, ambos dentro da área (ambos contra o Unión Española, um fora e um em casa), de bolas mal rebatidas pela defesa argentina.

Para fazer gol no Corinthians, pelo retrospecto na Libertadores, é necessário um fator imprescindível: sorte. Foram apenas três gols sofridos no torneio, dois na pequena área, um na marca do pênalti. O que falta no ataque corintiano, o tal “homem de área”, pode ser a solução xeneize. Palermo parou, mas, quem sabe, Santiago Silva pode ser a salvação.

Depois dessa análise espetacular, ficou claro que o jogo está praticamente definido. Quem leu sabe que a bola nem precisa rolar. Está na cara: o campeão será o… Quarta-feira, dia 4, a gente conversa.

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Um instante, gols e palavrões nas capas de jornais: essa é a Libertadores

Capas dos jornais "Lance!" e "Olé" - Fotos: Reprodução

Capas dos jornais “Lance!” e “Olé” – Fotos: Reprodução

O futebol é uma coisa de outro mundo. Por mais que seja um ambiente fétido, quando a bola rola, é difícil não se comover. Assim como na vida, um instante, um segundo, um piscar de olhos (use a metáfora que quiser)… pode alterar o rumo de tudo. A noite de quarta-feira da Libertadores foi um exemplo disso.

Aquele ar pesado, aquele clima tenso. Mesmo sem torcer para nenhum dos envolvidos, caramba, não tinha como não se envolver em nenhuma das duas partidas. A dedicação dos caras em campo foi algo exemplar. Cada tufo de grama era disputado como se fosse o último. Fazia tempo que eu não acompanhava 180 minutos de raça, garra, de um futebol como deve ser.

Carleto fez um daqueles gols de Libertadores. Bateu em todo mundo, pegou a curva mais absurda do planeta, entrou no cantinho. Gol chorado, chorado, daqueles de levar às lágrimas e pensar: “É assim que se ganha um jogo de Libertadores”. Mas, sabe como é…

Do outro lado estava o Boca. Escolha a divindade que quiser, mas nem ela sabe explicar a aura que ronda esse time. Caramba, se bobear, não é a melhor equipe nem de Buenos Aires. Mas tem camisa, tem tradição e coloca isso em campo de uma maneira tão grandiosa que é necessário muito mais do que um gol de Libertadores para mandar o Boca para casa.

Aí o jogo está acabando, a bola bate em todo mundo, acerta a trave, o goleiro se estica, tira em cima da linha – e se o Cavalieri não toca? – e aparece Santiago Silva, aquele El Tanque que virou motivo de chacota quando jogou no Corinthians e enterra o Flu. Gol chorado, chorado, daqueles de levar às lágrimas e pensar: “É assim que se ganha um jogo de Libertadores”. Com o Boca, é assim…

Deu tempo, basicamente, de respirar fundo e começar tudo de novo com Corinthians e Vasco. O ar no Pacaembu devia estar pesando toneladas. Jogo brigado, carrinho daqui, esforço até a última gota de suor dali. Foi um primor tecnicamente? Claro que não, mas foi um baita jogo, baita jogo mesmo.

Sabe aquele instante? Aquele segundo? O piscar de olhos? Antes dele, Diego Souza estava com a faca, o queijo e a vaga na semifinal nas mãos. Gol feito, diria um. É só marcar, diria outro. Mas é Libertadores, o ar estava pesado, pesado. Um instante depois, um segundo depois, um piscar de olhos e o que era gol se tornou uma das maiores defesas de um goleiro corintiano, sei lá, no século.

Do tapinha de Cássio à cabeçada de Paulinho foi uma eternidade, mas passou no instante, segundo, piscar de olhos. Foi mais ou menos essa medida de tempo que o Vasco vacilou. Bastou isso, esse fio de cabelo, para que o Pacaembu viesse à baixo, para que Diego Souza virasse vilão e Paulinho, herói.

“Boca, Carajo!”, disse a capa do diário “Olé”. “PQPaulinho”, a do diário “Lance!”. Entendo as críticas, mas acho que tudo que é torcedor de Boca e de Corinthians soltou exatamente esses palavrões no momento do gol, do apito final, da batalha vencida. Não acho exageradas, acho, sim, que refletem o grito da galera, aquele grito entalado na garganta. Que noite, hein? Parafraseando os jornais… Carajo! PQP, que noite!

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A cara da Libertadores

Santiago Silva, vulgo El Tanque, ao fazer o gol da vitória do Boca Juniors sobre o Unión Española em La Bombonera - Foto: Reprodução de TV

Santiago Silva, vulgo El Tanque, ao fazer o gol da vitória do Boca Juniors sobre o Unión Española em La Bombonera – Foto: Reprodução de TV

Ele passou no Brasil e virou motivo de piada pelo futebolzinho apresentado pelo Corinthians. Qualidade técnica à parte, a comemoração de Santiago Silva no segundo gol do Boca Juniors sobre o Unión Española, em La Bombonera, foi sensacional. O gol saiu no finzinho e decretou a apertada vitória no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. Por tudo, a festa foi espetacular, digna de Libertadores. A cara da Libertadores.

Santiago Silva, vulgo El Tanque, ao fazer o gol da vitória do Boca Juniors sobre o Unión Española em La Bombonera - Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei

Santiago Silva, vulgo El Tanque, ao fazer o gol da vitória do Boca Juniors sobre o Unión Española em La Bombonera – Foto: Reprodução de TV, Arte/Ricardo Zanei


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