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Romário, Bebeto e Ricardo Teixeira: questão de caráter

Bebeto e Romário - Foto: Arquivo, Arte/Ricardo Zanei

Bebeto e Romário - Foto: Arquivo, Arte/Ricardo Zanei

A diferença entre Romário e Bebeto, em campo, foi enorme. Fora dele, é gritante. Romário já foi amigo de Ricardo Teixeira, mas virou inimigo mortal. Se for para mudar de opinião, que seja pra melhor, e Romário fez isso. Já Bebeto sempre foi alinhado com o dono do futebol brasileiro e, ao que parece, ficou tristinho com a saída do manda-chuva. Fica no ar uma única questão: caráter.

Romário, deputado federal
Dei um print no que ele escreveu no Facebook, mas ficou um lixo, então você pode ler aqui embaixo ou na própria página de Romário no Facebook:

Romário no Facebook - Foto: Reprodução

Romário no Facebook - Foto: Reprodução

“Boa tarde, Galera!

Hoje podemos comemorar. Exterminamos um câncer do futebol brasileiro. Finalmente, Ricardo Teixeira renunciou a presidência da CBF. Espero que o novo presidente, João Maria Marin, o que furtou a medalha do jogador do Corinthians na Copa São Paulo de Juniores, não faça daquele ato uma constante na Confederação. Senão, teremos que exterminar a AIDS também.

Desejo boa sorte ao novo presidente e espero que a partir de hoje (acho muito difícil e quase impossível) a CBF dê uma nova cara para o nosso futebol.

Tô muito feliz em saber que participei deste momento de vitória e de mudança para o futebol brasileiro. Não só acredito, mas também espero, que uma limpeza geral deve ser feita na CBF. Só então, definitivamente, poderemos ficar tranquilos de que a mudança acontecerá em todos os sentidos.

Valeu, Galera. Abraço!”

Bebeto, deputado estadual
Bebeto deu uma longa entrevista ao “Arena SporTV”, na qual mostrou até uma voz embargada ao falar de Ricardo Teixeira. Para quem está na comissão do “legado da Copa”, defender o presidente da CBF é, no mínimo, ridículo. Fora as frase feitas de político mesmo, como “fazer o melhor para o nosso povo” e outros tantos blablablas. Assista à entrevista completa e tire suas conclusões. Abaixo, algumas frases de “efeito”:

“Fui pego de surpresa com a saída do Ricardo. Uma pessoa da imprensa me ligou e falou que ele tinha saído. Fico triste com o que aconteceu. Fui campeão mundial e melhor jogador da Copa América de 89 com ele como presidente.”

“Acho que não podemos esquecer o trabalho que ele fez na Seleção. Por mim, foi o homem forte que trouxe a Copa para o Brasil.”

“Temos que procurar fazer o melhor para o nosso povo.”

“Sou mais um voluntário, sempre pensando no povo brasileiro.”

“Fico triste pelo Ricardo ter saído. Foi quem me convidou para ser um dos membros do COL, mas a vida continua.”

[sobre o trabalho no COL] Acredito que não vai mudar nada e, se mudar, não tem problema nenhum.”

Uma pena que o vídeo não mostra Bebeto falando sobre Jérôme Valcke. O ex-jogador só ouviu falar que o interlocutor da Fifa tinha dito o que disse, mas acredita que houve falha na tradução. Sério, Bebeto, sério?

O resumo da ópera é simples: 2012, ano de eleição. Lembre-se disso!

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Dia de festa: o fim de Ricardo Teixeira e Ângelo Máximo

Ricardo Teixeira, adeus! - Foto: Divulgação

Ricardo Teixeira, adeus! - Foto: Divulgação

Chegou o dia, minha gente. Vamos colocar o bloco na rua. Sim, é dia de festa. Caiu o maior ditador do futebol mundial! E, finalmente, a Copa-2014 serviu para alguma coisa! Como diria Sandra de Sá, bye, bye, Teixeira, não precisa voltar!

São dois momentos, dois sentimentos que se unem. O primeiro é o de extrema felicidade. Caramba, eu achei que eu ia morrer e esse dia não ia chegar. Chegou! Ainda há esperança!

Ainda há esperança? O segundo sentimento é o de incerteza. Para falar a verdade crua, nessa hora zero, nada muda. A coroa segue com a mesma patotinha.

Mas, de qualquer forma, o mais difícil aconteceu. É o primeiro passo. Mais alguns bilhões e teremos o verdadeiro choque de decência que a nossa sociedade precisa, não apenas no futebol, mas em todos os níveis.

Sinceramente, eu ainda não acredito que Teixeira largou o osso. Caramba, caramba. Enfim, é dia de festa. E que festa. O maior carnaval fora de hora da história. E que não tenha hora pra acabar!

P.S.: É o tipo de festa que precisa de uma música que capte a felicidade do momento. Vai, Ângelo Máximo, solta a voz, meu garoto!

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Ricardo Teixeira, Phil Collins e algo no ar

Ricardo Teixeira: sozinho - Foto: Fifa / Arte: Ricardo Zanei

Ricardo Teixeira: sozinho - Foto: Fifa / Arte: Ricardo Zanei

“I can feel it coming in the air tonight, oh lord
I’ve been waiting for this moment all my life, oh lord”

Dizem por aí que Ricardo Teixeira vai deixar a CBF nesta semana. Há alguma coisa no ar, diria Phil Collins, uma movimentação estranha acontecendo. Depois de décadas “desserviço” ao futebol, chegou a hora de desfrutar dos anos e anos de trabalho árduo. Nada mais justo…

I’ve seen your face before my friend
But I don’t know if you know who I am

Tudo indica que chegou a hora. O mandatário do futebol nacional – e de algumas coisas no futebol internacional – já começou a passar o bastão em quase toda a sua vida, digamos, como pessoa jurídica. Fechou coisas aqui e ali, repassou outras, enfim, seu nome não figura mais em nada.

Well, I was there and I saw what you did
I saw it with my own two eyes

No mundo da bola, o sonho de presidir a Fifa já era. As investigações sobre as ligações do dono da CBF com gente “boa e graúda” estão cada vez mais afiadas. A conexão com o governo Dilma é nula, pior (ou melhor), tem um quê de escárnio. Por fim, pessoas de sua confiança, por exemplo, Andrés Sanchez e Ronaldo, já assumiram posições-chave, seja na entidade, seja na Copa do Mundo de 2014. Tudo entregue.

So you can wipe off the grin, I know where you?ve been
It’s all been a pack of lies

A gente viu tudo o que foi feito em todos esses anos. A gente conhece esse cara, mesmo que ele não dê a mínima, ou melhor, c**** e ande para o que a gente pense e fale. O clamor popular! Espero que tudo aconteça na sexta-feira. Um ótimo dia para deixar a vida futebolística. Um excelente motivo para o carnaval ganhar mais cores, mais brilho, mais emoção. “A hora é essa”, diria Neguinho da Beija-Flor. Há algo no ar…

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O papel de Ronaldo na Copa de 2014: uma demagogia fenomenal

Ricardo Teixeira e Ronaldo - Foto: Mowa Press

Ricardo Teixeira e Ronaldo - Foto: Mowa Press

De forma oficial. Ronaldo agora faz parte do Conselho Administrativo do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014. Começou do jeito que o chefe supremo gosta, Ricardo Teixeira, dono do futebol brasileiro: falando bem, divertindo a imprensa e pregando uma demagogia fenomenal.

Alguns trechos chamaram a atenção:

“Tem uma remuneração. Adianto a vocês que eu abro mão, conversando com o Ricardo. Meu compromisso é com o povo.”

Todo executivo de toda grande empresa deve receber salário. Um baita salário, diga-se de passagem, para evitar a corrupção. Ronaldo não é executivo de uma grande empresa (não no COL), mas será parte da maior empreitada da história do futebol brasileiro. Não receber salário é uma demagogia absurda.

“Não vou me licenciar da 9ine. Não há nenhum tipo de conflito de interesses.”

Será? O cara simplesmente é chefe de uma empresa que representa tantas outras no ramo esportivo e também tem palavra no COL, que trabalha com “n” empresas para fazer a Copa do Mundo. Tem boi na linha nisso aí.

“Meu compromisso é com o povo brasileiro, é fazer com que seja o maior evento de todos os tempos e que o brasileiro se sinta orgulhoso desse evento.”

Que povo, Ronaldo? O brasileiro pode até ficar orgulhoso, o que eu duvido, mas a palavra povo não pode ser empregada quando o assunto é Copa do Mundo. A Copa é para um povo diferente, um povo endinheirado bem diferente do povo que mal assiste ao “Jornal Nacional”. O povo, povo mesmo, vai ver em casa, quem sabe, em uma TV novinha, paga em trocentas prestações e com garantia até 2018. Copa do povo era o Desafio ao Galo, feito pelo e para o povo.

Enfim:

“Eu sabia que eu seria alvo de críticas, desconfiança, mas resolvi enfrentar, sabendo até que eu poderia jogar pela janela toda uma história de sucesso, de credibilidade. Eu não tinha nada a ganhar com isso, só a perder. Mas a minha ambição de fazer com que as pessoas se aproximem, as partes se aproximem, o povo se sinta orgulhoso desse evento.”

Pois é, Ronaldo, sua conclusão foi coerente, mas, a atitude, não. O jogo mal começou, e você já está perdendo. Uma pena.

Simples: Ronaldo tem carisma, fala bem demais e é um ídolo mundial. Já fez um monte de bobagem na vida, e isso nunca manchou a sua imagem. Pelo contrário, mostrou que ele era humano, que os homens erram, mas também são capazes de fazer coisas incríveis. Sempre gostei muito de Ronaldo e só espero que ele não sirva como mais um fantoche, fazendo “stand up comedy” e divertindo a galera nas entrevistas enquanto, nos bastidores, tudo fede. Pode ser mais um erro na carreira do Fenômeno, o maior erro de todos? Não pode. Pelas companhias, já é.

P.S.: Enquanto penso sobre o assunto, taças de uísque deve estar tilintando por aí. Enquanto a gente esquente a cabeça, outra gente, bem mais gente que a gente, sorri de cabo a rabo. E, ao que tudo indica, sai de fininho, rindo à toa, ileso mais uma vez. Uma pena…

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Ricardo Teixeira, Andres Sanchez, Ronaldo, Luisa Marilac e questões de necessidade

Ricardo Teixeira, presidente da CBF - Foto: Divulgação

Ricardo Teixeira, presidente da CBF - Foto: Divulgação

“E teve boatos que eu ainda estava na pior. Se isso é tá na pior, pohan, quê que quer dizer tá bem, né?”, disse a filósofa Luisa Marilac. Quando se está ou se aparenta estar na pior, das duas, uma: ou você desmente com garbo e elegância, ou você se cerca de gente capaz disso e sai dos holofotes.

Quem diria que Ricardo Teixeira, até outro dia uma espécie de ser supremo do futebol, estaria em uma pior. Acuado cá e lá por uma avalanche de denúncias, ele até ameaçou desmentir com garbo e elegância, mas, sabe como é, optou por sair de fininho e colocar gente de sua confiança em posições estratégicas. Por posições estratégicas, leia-se: gente que vai dar a cara para bater.

Andres Sanchez foi o primeiro a aparecer. A relação com Teixeira foi se estreitando desde que ele assumiu a presidência do Corinthians. Não podemos esquecer que foi ele o chefe da delegação na Copa do Mundo de 2010. Agora, foi anunciado como diretor de seleções da CBF e, num futuro próximo, muito antes do que se imagina, será o novo presidente da entidade.

Em seguida, Ronaldo, que já foi Fenômeno nos gramados, entrou na barca. Ele deve confirmar em breve o que todo mundo já noticiou: foi convidado por Teixeira e aceitará ser o comandante do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014.

Vamos lembrar, rapidamente e sem detalhes, apenas três fatos cruciais do drama de Teixeira. A Fifa, na voz do não menos ardiloso Jérôme Valcke, secretário geral, já havia pedido mudanças nos interlocutores da Copa e colocado Teixeira de escanteio. Orlando Silva Jr. caiu no Ministério do Esporte. E ainda levou pau de Romário publicamente e viu sua bancada da bola ficar caladinha. Os boatos de que estava numa pior, na verdade, eram a mais pura verdade.

Do drama, Teixeira passou à trama. Precisava agir. Precisava encontrar quem assumisse os cargos que exigem a cara para bater, o confronto com a imprensa, as assinaturas aqui e ali e as explicações sobre isso e aquilo. Sabe como é, Teixeira não tem mais idade nem mais saco para isso tudo. A família está garantida por gerações, não precisa mais disso, né?

A filósofa Luisa Marilac

A trama foi, então, bem costurada. Andres, aquele que falou a torto e a direito que nunca seria presidente da CBF, disse que “não poderia virar as costas para a nação” e aceitou o cargo de diretor. Cargo para inglês ver, certo? É óbvio que o cargo é apenas um aquecimento para assumir a cadeira felpuda de Teixeira.

O mesmo aconteceu com Ronaldo. Entre tapas e afagos, eles novamente estão abraçados. Teixeira conseguiu tirar Ronaldo da tranquila posição de empresário para colocá-lo simplesmente no olho do furacão. Sabe como é, o Fenômeno tem carisma, é boa praça, a galera vai pegar mais leve com ele e deixar passar, a olhos nus, muita coisa que deveria ser vista, combatida, enjaulada.

O fato é que Teixeira precisava de Andres agora, assim como Andres precisou de Teixeira para barrar o Morumbi e conseguir a construção do tão sonhado estádio corintiano. Uma troca de favores, na qual o meu maior medo é ver a megalomaníaca criatura se tornar ainda maior que o criador. Ronaldo? Bem, ele não precisava de Teixeira, mas Teixeira precisava dele. O dono do futebol brasileiro precisou de uma bela pasta, um belo vinho, um belo convite e um belo “sim” para sorrir no final.

Luisa Marilac postou um dos virais mais famosos do Youtube para mostrar, com garbo e elegância, que não estava numa pior. Ricardo Teixeira foi pelo outro lado, fechou acordos com amigos capazes de defendê-lo para começar a sair dos holofotes. Imagino, agora, o presidente da CBF em casa, numa piscina, cercado por um belo sol europeu, tomando uns “bons drink” e dando uma mergulhadinha. Ele sai da água e manda aquele já histórico “E teve boatos que eu ainda estava na pior. Se isso é tá na pior, pohan, quê que quer dizer tá bem, né?”. Tudo, no fim, não passa de uma questão de necessidade.

P.S.: Para se ter ideia do tamanho do buraco, aconselho uma espiada no post no Blog do Juca Kfouri, “A última jogada de Ricardo Teixeira”. A foto diz mais que zilhões de palavras.

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O funk do Teixeira

Marcelo Adnet e mais uma obra de arte: “Sou Fifa”, o funk de Ricardo Teixeira.

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