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Quando o MMA é esporte, quando o MMA é briga

O pavor de Chael Sonnen - Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC UFC

O pavor de Chael Sonnen – Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC UFC

Fui de um amadorismo tremendo ao escrever o texto “Silva x Sonnen 2: quando a luta vira briga”. Anderson Silva deu o show que todo mundo viu e, ainda no octógono, calou a minha boca.

“Não tenho nada contra o Chael. Ele desrespeitou meu país, mas isso é só uma luta. Acima de tudo, isso é esporte.”

Anderson Silva

“Acima de tudo, isso é esporte”, esse foi o grande detalhe que eu esqueci. Detalhe que separa o profissional vencedor, no caso, Anderson, do amador perdedor, no caso, eu e meu texto meia-boca.

Como já afirmei, a luta ganhou a proporção gigantesca especialmente pelas palavras de Chael Sonnen. Se foi orquestrado ou não, se foi “de coração” ou não, pouco importa. O que importa é que foi o “combate do século”, com uma vitória incontestável de um dos melhores lutadores que o esporte já viu. O olhar de terror de Sonnen na foto que abre esse post é uma das melhores fotos da história e ilustra bem o tamanho da genialidade do brasileiro.

Esporte, aliás, que ainda abre espaço para críticas, especialmente quando a agressividade se torna violência pura. Quando isso acontece? Quando o juizão fica ali vacilando e não para uma luta já encerrada. Foi isso que aconteceu no UFC on Fuel TV 4, justamente na luta principal.

Com uma bela cotovelada, Chris Weidman “apagou” Mark Muñoz, que caiu desacordado. Eu vi, você viu, até Mr. Magoo, famoso personagem cego dos desenhos animados, viu. Quem não viu foi Josh Rosenthal, o árbitro, ali do lado. Enquanto isso, Weidman batia sem dó no desacordado Muñoz. Duas horas depois, Rosenthal percebeu o estrago e pagou a luta (dá para ver o nocaute no vídeo abaixo, enquanto o UFC não tira do ar).

É por essas e outras que o MMA ainda sofre com críticas. Eu adoro o esporte, acho sensacional, espetacular, mas não dá para admitir um vacilo como esse. Afinal, é a vida do cara em jogo ali. Os árbitros, não apenas Rosenthal, têm que ficar mais ligador e, nesse caso, que paguem pelo excesso de zêlo ao invés de deixar a porrada comer solta.

O MMA, como provou Anderson Silva e, por que não, Chael Sonnen, é um baita esporte. Mas falhas como essa do juizão só dão pano pra manga para se perder torcedores e, pior, aumentar a antipatia. Pior ainda, com razão. Aí, o MMA vira briga. E briga é coisa de amador, não de profissional, nem de esportista.

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Minotauro, fratura e a imagem de uma dolorosa e dolorida derrota

Minotauro não ia bater. Perdeu uma luta ganha para Frank Mir e só bateu depois que algo aconteceu. Parecia um ombro deslocado, mas as imagens mostraram outra coisa. Jorge Guimarães, o “Joinha”, empresário do brasileiro, postou em seu Facebook uma foto da radiografia do braço direito de Minotauro: “Lyoto está bem e o Minota softeu uma fratura transversa no umero…”. Quem diria que uma das imagens que vai marcar o UFC 140 seria tirada horas depois do evento? Força, Minotauro!

Minotauro e seu braço fraturado - Jorge Guimarães/Facebook

Minotauro e seu braço fraturado - Jorge Guimarães/Facebook

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UFC 140: estômago, ombro, cabeça, força e precisão

Minotouro comemora a vitória sobre Tito Ortiz - Foto: Nick Laham/Getty Images

Minotouro comemora a vitória sobre Tito Ortiz - Foto: Nick Laham/Getty Images

O UFC 140 teve 12 lutas, mas três delas, venhamos e convenhamos, valiam alguma coisa, aquelas que tinham brasileiros no octógono. Foram três verdadeiros jogos de xadrez, com uma vitória nacional e duas derrotas, daquelas dolorosas. Uma noite de estômago, ombro, cabeça, noite de força e precisão.

Minotouro, talvez, fosse o mais “underdog” de todos os brasileiros no Canadá: vinha de duas derrotas e, se perdesse a terceira seguida, corria até o risco de perder o contrato com o UFC. Pela frente, Tito Ortiz, um dos lutadores mais carismáticos da história. Mais carismático do que perigoso, mas, sabe como é, o veterano já foi campeão dos meio-pesados e sabe bater.

Na verdade, quem mostrou “punch” foi Minotouro. Mostrou pegada e inteligência. Uma joelhada no lado esquerdo do estômago, na região do baço, levou Ortiz para o chão. Qual é a lógica de todo lutador quando derruba o outro: buscar golpes na cabeça do rival para terminar o combate. Minotouro, não: inteligente, socou o baço de Ortiz cirurgicamente até o veterano não aguentar mais. Força e precisão cirúrgicas, estratégia perfeita. Uma daquelas lutas para ver e rever.

Mir encaixa chave para vencer Minotauro - Foto: Nick Laham/Getty Images

Mir encaixa chave para vencer Minotauro - Foto: Nick Laham/Getty Images

Foi a vez do irmão gêmeo de Minotouro entrar no octógono. Minotauro vinha de uma vitória absurda no UFC Rio, embalado, bem treinado, enfim, totalmente preparado para a revanche contra Frank Mir. O norte-americano já foi campeão interino dos pesados, justamente quando nocauteou Minotauro.

A revanche estava nas mãos do brasileiro. Ele encaixou uma série de golpes, e Mir, literalmente, ficou com o rosto colado no chão do octógono. Essa era a hora de fazer, sim, como todo lutador que derruba o outro: soltar o braço até que o juiz pare a luta. Minotauro, não. Quis tentar uma imobilização improvável e deu a chance para Mir faz o que sabe, que é vencer no chão. Deu xeque uma, duas, 10 vezes, mas pareceu o bandido em filme de herói: não acabou com a história. Mir aproveitou a brecha e deu o seu xeque-mate: uma chave de braço perfeita, deslocando o ombro de Minotauro.

O brasileiro, do alto de suas 42 lutas na carreira, não poderia, de maneira nenhuma, deixar escapar uma vitória como essa. A luta acabou sendo impressionante em vários aspectos: a maneira como Minotauro deixou Mir virar o jogo, a maneira como Mir virou o jogo e a maneira como o ombro saiu do lugar instantes antes de Minotauro dar os três tapinhas e decretar sua derrota. Força e precisão cirúrgicas de um lado, estratégia extremamente errada de outro. Uma daquelas lutas para ver, rever e tentar compreender como tudo aconteceu.

Lyoto é apagado por Jones; imagem é forte - Foto: Nick Laham/Getty Images

Lyoto é apagado por Jones; imagem é forte - Foto: Nick Laham/Getty Images

O fim da noite reservou o duelo entre o campeão Jon Jones e o ex-campeão Lyoto Machida. Jones foi aclamado, recentemente, como uma espécie de novo Anderson Silva. A ascenção fulminante parece ter mexido com a cabeça do moleque de 24 anos: está marrento que só ele. A impáfia se tornou antipatia, e ele chegou a ser vaiado tanto na pesagem quanto em sua entrada no octógono.

Briga rolando, e a estratégia de Lyoto foi perfeita. Jones não achou o brasileiro no primeiro round e foi achado em algumas oportunidades. Jones percebeu que nome não ganha jogo, deixou a marra de lado no segundo round e mostrou sua maior virtude: a criatividade nos golpes.

Primeiro, o campeão conseguiu derrubar o brasileiro e, em seguida, usar uma da suas armas prediletas: o cotovelo. O corte profundo na testa foi o primeiro sinal de que Jones tinha entrado na luta. Lyoto levantou e, mesmo sangrando muito, tentou a reação. Mas o contragolpe de Jones foi espantoso, reflexo de sua enorme habilidade em encontrar espaços e terminar lutas.

Lyoto atacou, mas recebeu um direto em troca. Caiu, levantou, ganhou uma joelhada. Tentou respirar, mas Jones, ao invés de ir para os golpes na cabeça do rival, como todo lutador faz, armou um estrangulamento improvável. Em pé, de frente para o oponente, ele simplesmente apagou o brasileiro. A torcida atrás viu que Lyoto havia perdido a luta bem antes do lendário juiz Big John McCarthy decretar o fim. A cena que se segue é forte: Jones solta o brasileiro, que desaba desacordado. Nada de grave, mas, visualmente, é algo chocante. Tão chocante quanto a maneira que o campeão conseguiu a vitória. Força e precisão.

No resumo da ópera, Minotouro usou a cabeça para achar, no estômago, uma vitória das mais bonitas de sua carreira. Minotauro, com a luta ganha, perdeu a cabeça e viu, no ombro delocado, uma derrota das mais tristes de sua carreira. Jó Jones usou a cabeça para achar a cabeça de Lyoto e manter o cinturão. O UFC brasileiro teve finais distintos, com estômago, ombro e cabeça, mas, curiosamente, com uma linha comum: a linha da força e da precisão separou vencedores de derrotados. Esperemos os próximos rounds!

Jones mantém o cinturão após derrotar Lyoto - Foto: Nick Laham/Getty Images

Jones mantém o cinturão após derrotar Lyoto - Foto: Nick Laham/Getty Images

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Michael Oliveira, show e promessa

Adoro boxe. Desde moleque, assistia às lutas de Maguila no Show do Esporte, da TV Bandeirantes. Bons tempos! Meu saudoso tio Nico ligava em casa e avisava que o combate ia começar!. Mas, cara a cara, eu nunca tinha visto um combate. A primeira fez foi sábado, 16 de julho, no Desafio Internacional de Boxe/São Paulo Fight Night, tendo a promessa brasileira Michael Oliveira como estrela da noite.

Confesso que fiquei com dois sentimentos. Um, o esportivo e legal, de ver de perto a nobre arte. Não vou discutir com quem não gosta, mas, pra quem gosta, é bem bacana. Outro, o pasteurizado e chato, foi de achar tudo show de mais, feito mais para um público de VIPs do que pra galera.

Sim, eu sei que toda luta de boxe tem lá os seus VIPs. É bater o olho na primeira fila que estão lá aqueles que foram pra ser vistos. Mas, geralmente, há mais espaço físico pra galera, que não paga barato mas vai pra fazer a festa, do que para os engravatados.

O ingresso era gratuito. A movimentação, pelo que vi na quase 1h que fiquei na entrada, era maior para se descobrir o nome na lista do que nas bilheterias.

Talvez, fisicamente, houvesse mais gente na “arquibancada” (não era, bem, uma arquibancada). A galera chegou em vários ônibus (confesso que não prestei muita atenção, mas uma comunidade de Heliópolis estava presente). Os VIPs, bem…

(Abrindo um parênteses. Tive a oportunidade de cobrir a edição 100 do UFC, em julho de 2009, em Las Vegas. Ingressos mais caros passavam de US$ 1.000, mas tinha lá os ingressos a US$ 50. Ou seja, bem ou mal, foi um evento democrático. Metade da área VIP, ao lado do octógono, era, na verdade, para a impresa. A outra metade, para os VIPs. Resultado de tudo: 6 mil pessoas acompanharam a pesagem, gratuita, um dia antes, e 12 mil presenciaram o evento no dia seguinte. Não é boxe, é MMA, mas, talvez, seja um exemplo a ser seguido. Afinal, o UFC vem de anos de sucesso não por acaso.

Mas acho que não sou a pessoa que vai ter ideias geniais e recolocar o boxe nos holofotes. Não sou publicitário, não trabalho com marketing esportivo, nem tenho conhecimento sobre isso. Também não defendo ingessos a R$ 100. Só acho que, ao invés de ingressos gratuitos, outras fórmulas poderiam ser fomentadas: arrecadação de alimentos ou ingressos a R$1 com bilheteria revertida para instituições de caridade/escolas de boxe ou excursões de escolas de boxe para os eventos. Todas as modalidades reclamam da falta de recurso. Tá aí uma oportunidade de arrecadar algo. Pode ser pouco, mas acho que ajudaria. Enfim, é só uma ideia.)

Achei que houve também um exagero no aspecto show. Michael Oliveira chegou em uma limusine branca. Antes de sua entrada, chuva de papel picado. A luta, em si, foi até legal: equilíbrio nos dois primeiros rounds, cansaço do dominicado José “Minguito” Soto a partir do terceiro, nocaute brasileiro no sexto. Música tema de “Rocky” para comemorar a vitória do “Brazilian Rocky”. Shows de autógrafos e fotos para finalizar a noite.

Não sei se Michael Oliveira será um supercampeão. Sei que é uma promessa. Só acho que, para ser um ídolo, é preciso chegar, primeiro, na visão das massas. Depois, conquistar o coração do povo. Com luta em canal fechado e festa para poucos, o “Rocky brasileiro” corre o risco de ser uma celebridade para poucos.

##### Abaixo, algumas fotos tiradas por mim. A handycam da Sony DCR-SX44 é muito boa e funcional para vídeos, mas, para fotos, fica a desejar. Mas dá pra ter uma ideia de como foi o evento. #####

O ringue antes de Michael Oliveira x “Manguito”

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Chuva de papel picado para a entrada de Michael Oliveira

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Chuva de papel picado = papel picado no ringue

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Michael Oliveira x “Manguito”

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Manguito no chão após sofrer o nocaute

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Michael Oliveira após a luta

Pessoalmente, encontrar e dar uma de tiete com Miguel de Oliveira foi o momento alto da noite. Miguel é outro gênio do esporte nacional e merece um post à parte.

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