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Teófilo Stevenson, 60, RIP, o cara que estapeou os EUA

Alguém perguntou a Muhammad Ali o que teria acontecido se tivéssemos lutado, e ele disse que seria empate. Eu concordo.

Antes do MMA, havia o boxe. E havia uma lenda chamada Teófilo Stevenson.

Era um monstro, 1,90 m, 95 kg. Rápido, era difícil de ser acertado. Tinha uma esquerda invejável, batia, batia e batia de canhota. Tinha uma direita devastadora, usada, quase sempre, de forma única, “apenas” para finalizar os oponentes. Era um daqueles esportistas perfeitos.

Foi tricampeão mundial, tricampeão olímpico. Um currículo invejável. Mas seu maior feito foi se negar a ir para os EUA e lutar profissionalmente. Aí, sim, ele ganhou a maior batalha de sua vida.

Vale lembrar que Stevenson viveu no auge da Guerra Fria, e estapear os EUA era um feito maravilhoso para Cuba, União Soviética e afins. E ele estapeou os ianques a torto e a direito.

Teófilo Stevenson - Foto: Fighttoys

Teófilo Stevenson – Foto: Fighttoys

Dizem por aí que a oferta para deixar a ilha de Fidel e se tornar profissional chegou aos US$ 5 milhões. Dinheiro que arruma a vida de qualquer mortal hoje, imagine há 35, 40 anos? Era muita grana, mas não pagava tudo o que pairava por Stevenson, pelo comunismo, por todo aquele ar pesado da Guerra Fria.

Claro que virou rei em Cuba. Queridinho de Fidel, teve uma vida das mais confortáveis, graças aos benefícios do governo. Tudo pela luta, sem luvas, contra os EUA.

Se o mundo profissional teve Muhammad Ali, o mundo amador teve Teófilo Stevenson. Pasmem: antes do MMA, havia o boxe. E haviam lendas, também. Uma delas se chama Ali. A outra, Stevenson. Lendas que não morrem jamais.

Quem não gosta de boxe sempre diz: ‘Olhe para o Ali, ele lutou boxe a vida inteira e agora tem Mal de Parkinson’. Eu costumo responder: ‘Olhe para o antigo Papa. Ele tinha Parkinson e não lutava boxe’.

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O melhor da semana (6): um boxe dourado

Everton Lopes comemora a conquista do título mundial inédito - Foto: Reprodução de TV

Everton Lopes festeja a conquista do título mundial inédito - Foto: Reprodução de TV

O boxe olímpico é mais legal que o profissional. Claro, no profissa, rolam mais nocautes, mas as lutas estão tão chatas ultimamente que eu confesso que perdi totalmente a vontade de assistir. Com o boxe olímpico, a história é outra: pelo menos no Mundial, que aconteceu nesta semana no Azerbaijão, o que rolou foi um monte de luta franca, com trocas de golpes intensas. Enfim, o bicho pegou. E, pela primeira vez na história, o Brasil conquistou uma medalha de ouro.

Everton Lopes é o nome dourado do boxe nacional. A final, contra o ucraniano Denis Berinchyk, foi daquelas de tirar o fôlego. Foi cacetada para tudo que é lado. O brasileiro ganhou o primeiro round com ampla vantagem e perdeu os dois seguintes em contagem apertada, se sagrando campeão.

Nunca na história dessa país alguém tinha ido tão longe em um Campeonato Mundial. Antes de Everton, a única medalha brasileira na competição havia sido conquistada por José Rodrigues. Em 1986, nos EUA, ele perdeu na semi para o cubano Juan Torres Odelin. No boxe, não há disputa pelo terceiro lugar e, assim, ficou com o bronze.

Mas a história do boxe brasileiro no Mundial não teve apenas Everton como protagonista. Esquiva Falcão perdeu na semi, mas garantiu o bronze. E Robson Conceição, que perdeu para o agora bicampeão mundial e olímpico Vasyl Lomachenko, da Ucrânia, no tapetão (ganhou no ringue, mas a decisão foi revista posteriormente), completou o trio que já está classificado para as Olimpíadas de Londres-2012.

São três brasileiros nas Olimpíadas, três caras que têm que comemorar, e muito, essas conquistas. Só Deus sabe como o boxe olímpico ainda sobrevive nesse país, só Deus sabe o enorme esforço que essa molecada têm que fazer para viver apenas do esporte, só Deus sabe como o esporte, no Brasil, é uma profissão de fé. Dane-se o que vai acontecer em Londres: esses, e mesmo aqueles que não avançaram no Mundial, já são grandes vencedores.

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