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A falta que um sinal de ironia faz

Millôr Fernandes propôs, certa feita, criar um sinal ortográfico para a ironia. Não tenho a menor dúvida que seria uma das maiores invenções da história. Mais: ajudaria a salvar a perdida humanidade.

Imagina só como seria mais fácil a sua vida com isso. Imagina, só imagina como seria escrever algo e colocar um ponto de ironia. Imagina isso nas mídias sociais, e a ideia surgiu anos-luz antes dessa praga se alastrar.

(Abrindo um parêntese para as mídias sociais: tendo a achar que o celular não é coisa de deus, e as mídias sociais são uma espécie de tridente do capeta. Se bem usadas, são sensacionais. Mas, como muita gente não tem a menor ideia do que faz, e não serei eu o guru dessa fatia da humanidade, servem apenas para cutucar e machucar, especialmente, a sua – a minha – inteligência.)

Voltando ao ponto de ironia. Imagina que lindo o quanto ele evitaria explicações e pouparia tempo, muito tempo na sua vida.  Imagina, só imagina como tudo seria como deveria ser: mais simples, mais tranquilo, mais no ponto. De ironia.

Mas, como quase tudo tem um “mas”, acho que nem ponto de ironia salvaria certa fatia da humanidade. Fatia que tem razão sempre, que entende o que quer e quando quer, que compreende só o que convém, que tem um mundo próprio e não se importa com mais nada. Aí, nem a invenção de Millôr faria milagre.

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Millôr Fernandes, 88, RIP, e uma folha em branco

Millôr - Foto: Site oficial/Millôr Online

Millôr - Foto: Site oficial/Millôr Online

É difícil entender como as coisas acontecem, como começam, como terminam e, especialmente, quando terminam. É um processo doloroso, que leva tempo para cicatrizar. A perda de Millôr Fernandes, pouco depois do adeus de Chico Anysio, é um desses processos.

Tendo a achar que o dono do mundo – ou dos mundos – acreditou que precisava dos dois para a festa ser completa em outro lugar. Sabe como é, Chico era vários em um, Millôr era um em vários, ou melhor, um pouco em nós.

A biografia de Millôr está em tudo que é site, jornal, revista. Foi, assim como Chico, um daqueles caras especiais. Suas linhas, escritas, rabiscadas, coloridas, falaram muito, mas muito mesmo, do que a gente não queria ouvir, ver, ler. Escancararam muita coisa que a gente tinha medo de saber. Enfim, abriu caminhos na nossa vida, no nosso pensar.

Fica, acima de tudo, uma lacuna, aquele vazio. Fica preto e branco, papel em branco. “Todo homem nasce original e morre plágio”, disse Millôr. Se um pouco de cada um puder copiar o que ele foi, seremos melhores.

“Quem confunde liberdade de pensamento com liberdade é porque nunca pensou em nada.”

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