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Diabo veste azul: Eto’o e a química com Mourinho

Foto do ano? Eto'o, o rei do clássico - Foto: Getty

Foto do ano? Eto’o, o rei do clássico – Foto: Getty

Chelsea 3 x 1 Manchester United. Samuel Eto’o 3 x 1 Red Devils. Ou seria Blue Devil 3 x 1 Reds de vergonha?

Samuel Eto’o sempre soube fazer gols. Sempre. Nasceu para isso. Veloz, habilidoso, exímio finalizador. O que mais de características um artilheiro precisa? Nenhuma. Ele sempre foi assim.

Mas quis o destino que um tal José Mourinho surgisse na vida do camaronês. Justo ele, que havia afirmado que não gostaria de trabalhar com o português. Mal sabia o atacante que seria com o “Special One” que ele somaria outros atributos à sua lista de qualidades: poder de marcação, recomposição no meio-campo, arranque de longa distância para o ataque.

Foi assim, na Inter de Milão, que Mourinho transformou um time limitado em campeão da Champions League. Diego Milito pode ter sido o grande matador daquela equipe dona da Europa em 2009-2010, mas, sem o esforço e desapego de Eto’o, duvido se iria tão longe.

A saída de Mourinho para o Real Madrid, em maio de 2010, mostrou muito bem o quanto aqueles jogadores entenderam o recado de um técnico. A despedida emocionada de Marco Materazzi, duro que nem pedra, mostra que os brutos também amam. E amaram muito aquele cara.

Ano vai, ano vem, e Mourinho volta ao Chelsea. O técnico pede, e Eto’o troca os zilhões do Anzhi por Stamford Bridge. Dane-se o salário, mas dizem por aí que ele abriu mão de mais de metade do que ele ganhava para ir para Londres. Você faria isso? “Ah, ele ganha milhões, é fácil”. Será? Confiança pouca, não?

Passa jogo, entra jogo, e pinta um Chelsea x United. Um time azul brigando pelo título palmo a palmo com Arsenal, Manchester City e, quem sabe, Liverpool, Tottenham e Everton. Um time vermelho que numa draga danada, lutando por um milagre para chegar à próxima Champions.

E vai o destino de novo abençoar Eto’o. Sorte no primeiro, posicionamento no segundo, oportunismo no terceiro. Um, dois, três gols, e o camaronês renasce sob o comando de Mourinho, mantém o Chelsea na briga e afunda ainda mais o United. Melhor, impossível. Que os deuses do futebol explicam. Ou os diabos, né, Red Devils?

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Como é fácil ser Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo, um cara iluminado - Foto: Getty

Cristiano Ronaldo, um cara iluminado – Foto: Getty

Dinheiro pra caramba, fama absurda, mulherada. Se pensar por esse lado, é muito, mas muito fácil ser Cristiano Ronaldo. Uma baba. Será?

Ele é o herdeiro, a ponta do iceberg de uma tríade de ídolos do futebol português. A coroa de Eusébio passou para Luis Figo e chegou a Cristiano Ronaldo. Ser craque ao lado de craques é, sim, uma baba. Ser craque na seleção de Portugal é bem mais complicado.

Pressão é a palavra. A expressão “família humilde” sempre esteve por ali. Surgiu na bola como prodígio, chegou ao Manchester United como esperança, foi para o Real Madrid com títulos e troféu de melhor do mundo nas mãos. Na Espanha, encarou um fantasma chamado Messi, um filme de terror e pânico intitulado “Barcelona”, com direito a cenas de crueldade. Fácil?

Com Portugal, foi fiel escudeiro de Luis Figo na derrota mais amarga em séculos: o título da Euro-2004, venhamos e convenhamos, em casa, diante da Grécia, estava mais do que ganho. Fácil?

Veio a Copa de 2006, e  o quarto lugar foi sensacional. Mas, como em quase tudo na vida, parece existir uma gigantesca obrigação dar um passo além sempre, de se provar que você pode aumentar seus limites diariamente. Parar nas quartas de final da Euro-2008 foi um passo atrás? O que dizer, então, da derrota para a Espanha nas oitavas de 2010? Fácil?

A Euro-2012 pareceu dar uma luz a Cristiano Ronaldo, e a derrota nos pênaltis na semifinal para a já conhecida Espanha veio como uma ressurreição. Mas a gangorra seguiu, e a campanha nas eliminatórias da Copa de 2014 beiraram a tragédia até a apresentação de gala no mata-mata com a Suécia. Do inferno ao céu, do inferno ao céu. Fácil?

Em meio a tudo isso, soma-se o fato de o português ter passado por duas equipes que sofrem pouca pressão da torcida, da mídia, do mundo: United e Real. Ganhou na quarta, é rei. Nem precisa perder no domingo, mas ouse empatar, e a coroa vai para o limbo. Bestial, besta. Fácil?

Ainda há um lado emocional de ser considerado o maior jogador de seu país na última década. Mais: a grande esperança de levar essa nação a um lugar nunca antes navegado no futebol mundial. Portugal não é um Brasil da vida em que ídolos vem e vão. Só para pensar nos últimos dez anos, Neymar, Ronaldinho, Kaká, Ronaldo, Rivaldo, Adriano, Robinho, e por aí vai. Faça um exercício de memória e cace sete jogadores excelentes de Portugal no mesmo período. Seis, vai. Ok, quatro. Fechamos em três. Enfim, fácil?

Lado emocional parte 2, Cristiano Ronaldo é herdeiro de Eusébio, faz parte da linha sucessória do gênio. O Pantera Negra foi monstruoso nos anos 60 e 70. Acompanhado por uma geração cheia de habilidade, “a melhor depois de Eusébio”, Figo veio no fim dos anos 80 e durou até outro dia como o cara que iria levar Portugal a alçar voos altos. Foi lindo, mas não rolou. Sobrou, então, nas costas de Cristiano Ronaldo. Algo como “olha, só tem você agora, vai lá e decide”, isso aos 49min do segundo tempo. Fácil?

Imagina a cabeça desse cara que decide semana sim, semana também, tanto no clube – e não é qualquer clube – como na seleção – e não é nenhum time dos sonhos -, e ainda tem que conviver diariamente com um fantasma do tamanho de Messi, uma sombra que ronda tudo que ele faz. O português é autor de um golaço, o argentino resolve marcar dois. O português ganha 33 jogos, o argentino vence  34. E por aí vai, rodada a rodada, campeonato a campeonato, ano a ano. Fácil?

Dinheiro pra caramba, fama absurda, mulherada. Se pensar por esse lado, é uma baba ser Cristiano Ronaldo. Se pensar por outros tantos, fica claro que nada caiu no seu colo. Para completar, justo agora, Eusébio, a inspiração maior, se foi. Uma Bola de Ouro em uma hora dessas seria o ápice, e o ápice veio. O choro, sincero, é a reação natural de quem sabe que nada caiu do céu. Fácil? Não, nem um pouco. Nem um pouco mesmo.

Pode chorar, gajo. Eu te entendo. 

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“Quem não chora, não mama”: ditados populares e um quinteto de artilheiros

Use o ditado que quiser. Se quem não chora, não mama, quem não chuta, não marca. No futebol atual, finalizar é, por um lado, quase um pecado. Por outro, um dom. Nêgo tem medo de enfiar o bico na bola ou, pior, não tem qualidade para isso. Mas, no caso, a melhor qualidade é a coragem.

Por isso, admiro caras como Suárez, Ibrahimovic, Falcao, Negredo, Van Persie. Acredito que eles foram o “quinteto fantástico” quando o assunto é chute a gol. O motivo é simples, quase elementar. Eles não têm medo de errar. Chutam de longe, de perto, com ângulo, sem, batem faltas e até cabeceiam. É a velha história: quem não tem cão, caça com gato. Eles caçam com qualquer coisa.

Basta ver os lances – gols ou não – que esses caras criam. A bola vem toda torta, na intermediária, no campo molhado, e eles chutam. A bola bate aqui e rebate ali, quica pra lá, volta pra cá, e eles chutam. Quando a redonda chega macia, “pedindo me chuta, me chuta, me chuta”, como diria o imortal José Silvério, eles enchem o pé. Quem não arrisca, você sabe, não petisca.

Não tem marcação que sobreviva a tamanha “ousadia”. É comum a bola queimar no pé, e o passe para o lado, aquele que atrasa o jogo e ajuda a se livrar da pelota, se torna a melhor saída. O drible, bem, é uma opção, mas, sabe como é, pode dar errado. O chute? Esquece, nunca vai rolar acertar aquele retângulo branco. Com o quinteto, as opções aumentam exponencialmente: o passe é bom, o drible é demais, e o chute é a grande arma. Se tornam quase “imarcáveis” pela confusão mental que causam nos rivais, que ficam como cegos em tiroteios.

Se o trabalho enobrece o homem, esses nobres artilheiros labutam fazendo gols. Invertem a lógica: com eles, vale menos um pássaro na mão, vale mais um pombo sem asa voando. Enquanto eles estão em campo, há vida, há esperança. E há gols, muitos gols. Como diria o profeta Dadá Maravilha, “não existe gol feio, feio é não fazer gol”.

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Fifa, Lusa, beisebol, All Blacks, tragédia e City

Pílulas do fim de semana:

– Excelentes avanços no que diz respeito à minha jogabilidade no Fifa 12. Rivaldo se encaixou perfeitamente no novo esquema de jogo, e Luis Fabiano desandou a fazer gols.

– Como é legal a Portuguesa já garantir a vaga para a Série A do ano que vem. Vale um post sobre o tema: precisa mesmo de um time cascudo, duro, seco, para voltar à elite? Jorginho e seus comandados provam que não.

– Albert Pujols, jogo 3 da World Series, Texas Rangers 7 x 16 St. Louis Cardinals: 5 de 6 nas rebatidas, 3 home runs, 6 corridas impulsionadas. Não entende nada de beisebol? Ok, isso quer dizer, basicamente, que o cara teve a maior apresentação individual na final da MLB. Monstruoso! Pitaco: Cardinals levam o título em 4 a 3, hein!

– All Blacks confirmaram o favoritismo e conquistaram o título do genial Mundial de rúgbi. Final tensa com a França, que surpreendeu e engrossou demais o jogo no segundo tempo. Uma baita decisão, para fechar com chave de ouro uma competição sensacional.

– Novo domingo, nova tragédia. O que dizer da morte de Marco Simoncelli na MotoGP. O sentimento é o mesmo da última semana. O melhor, acho, é o silêncio, como forma de homenagem.

– Manchester United 1 x 6 Manchester City. Clássico local, uma das maiores goleadas da história. Se fosse aqui, Alex Ferguson teria sido demitido antes de chegar ao vestiário. Mas é lá, e ele fica. Assim como eu fico por aqui!

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Fernando Torres perde gol incrível; desgraça azul, festa vermelha

Não viu o gol perdido por Fernando Torres na derrota do Chelsea para o Manchester United? O clássico estava 3 a 1 para o time vermelho, e faltavam menos de 8 minutos para o fim. Fazer o gol era a chance que a equipe azul precisava para reagir e botar pressão nos últimos instantes.

O lance é lindo. Ramires dá um passe perfeito para Torres, que entra em alta velocidade por trás da zaga, dá uma pedalada para fintar o goleiro e fica ali, ele, a bola e o gol. O espanhol faz o mais difícil, pega na “oreia” da bola e manda à direita do gol, sem direção.

Claro que a desgraça de uns é o sucesso dos outros. Enquanto Torres, que ainda não disse a que veio no Chelsea, ficava ajoelhado, lamentando o inacreditável, a torcida do Manchester fazia uma festa absurda com o gol perdido. Uma imagem marcante, daquelas para ficar guardada na memória!

Torres lamenta, e a torcida do Manchester comemora - Foto: Reuters

Torres lamenta, e a torcida do Manchester comemora - Foto: Reuters

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