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“Quem não chora, não mama”: ditados populares e um quinteto de artilheiros

Use o ditado que quiser. Se quem não chora, não mama, quem não chuta, não marca. No futebol atual, finalizar é, por um lado, quase um pecado. Por outro, um dom. Nêgo tem medo de enfiar o bico na bola ou, pior, não tem qualidade para isso. Mas, no caso, a melhor qualidade é a coragem.

Por isso, admiro caras como Suárez, Ibrahimovic, Falcao, Negredo, Van Persie. Acredito que eles foram o “quinteto fantástico” quando o assunto é chute a gol. O motivo é simples, quase elementar. Eles não têm medo de errar. Chutam de longe, de perto, com ângulo, sem, batem faltas e até cabeceiam. É a velha história: quem não tem cão, caça com gato. Eles caçam com qualquer coisa.

Basta ver os lances – gols ou não – que esses caras criam. A bola vem toda torta, na intermediária, no campo molhado, e eles chutam. A bola bate aqui e rebate ali, quica pra lá, volta pra cá, e eles chutam. Quando a redonda chega macia, “pedindo me chuta, me chuta, me chuta”, como diria o imortal José Silvério, eles enchem o pé. Quem não arrisca, você sabe, não petisca.

Não tem marcação que sobreviva a tamanha “ousadia”. É comum a bola queimar no pé, e o passe para o lado, aquele que atrasa o jogo e ajuda a se livrar da pelota, se torna a melhor saída. O drible, bem, é uma opção, mas, sabe como é, pode dar errado. O chute? Esquece, nunca vai rolar acertar aquele retângulo branco. Com o quinteto, as opções aumentam exponencialmente: o passe é bom, o drible é demais, e o chute é a grande arma. Se tornam quase “imarcáveis” pela confusão mental que causam nos rivais, que ficam como cegos em tiroteios.

Se o trabalho enobrece o homem, esses nobres artilheiros labutam fazendo gols. Invertem a lógica: com eles, vale menos um pássaro na mão, vale mais um pombo sem asa voando. Enquanto eles estão em campo, há vida, há esperança. E há gols, muitos gols. Como diria o profeta Dadá Maravilha, “não existe gol feio, feio é não fazer gol”.

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City, um tango, um título e muita emoção

City, festa em campo, festa na galera - Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

City, festa em campo, festa na galera – Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

“Sabíamos que não estávamos conseguindo o campeonato, e em cinco minutos conseguimos dois gols. A verdade é que não sei como fizemos.”
Aguero, hoje, mais do que o genro de Maradona

Há muito o que se dizer sobre o título do Manchester City. Mas acho que a palavra-chave é emoção. Foi tudo, teve de tudo, mas, no fim, foi pura emoção.

Aproveitando os personagens argentinos da história, dá para dizer que foi um verdadeiro tango. A música, vira e mexe, ronda com o tom de tragédia, uma tragédia que vai se construindo aos poucos. A regra é que tudo dê errado, mas, às vezes, o cenário muda, e o que era para ser terrível se torna maravilhoso. O tango é assim. O futebol, muitas vezes, idem. O título do City foi muito, mas muito assim.

O último minuto da partida foi daqueles de arrepiar, de ver e rever e rever e rever. É capaz de ter gente já produzindo DVD apenas com isso, com toda a anatomia dos lances. Isso se já não estiver nas prateleiras de toda a Inglaterra.

Três imagens estão nítidas na minha cabeça, duas com o mesmo personagem, Aguero. A primeira é o gol da virada, um gol daqueles que só os predestinados são capazes de fazer. Último minuto do último jogo, último lance de 38 rodadas, último suspiro. Imagine o peso de ficar com a bola nesse instante, ainda mais precisando de um gol. Pois o argentino recebeu, dominou, driblou, marcou. Um sangue frio impressionante.

A segunda imagem foi sendo construída por todo o jogo. O 1 a 0, o empate do Queens Park Rangers, a virada. A cada lance, a torcida do City aparecia na tela. Era o tal do tango na tela, representado por um monte de gente que nunca tinha visto aquele time ganhar nada. Euforia, apreensão, desespero, esperança, explosão. A sucessão de sentimentos foi de chorar.

Por fim, Aguero falou para os canais ESPN, e a frase que mais me chamou a atenção abre esse post. Nada daquele papo de “acreditamos até o fim” e todo o blablabla que a gente está acostumado a escutar. Para mim, ele deixou claro que o time teve medo, pavor de perder o título. “A verdade é que não sei como fizemos” mostra que a virada veio totalmente no “vamo que vamo”, um misto de susto e oportunidade.

É por jogos como esse que ainda existe esse amor pelo futebol. Confesso que o esporte me deixa muito, mas muito desanimado em tantas oportunidades, mas basta 1 minuto assim para que o coração volte a pulsar e você relembre por que começou a amar a bola. A vitória do City foi um tango, foi do drama para a festa, foi humano. Humana como a festa impressionante da torcida com o gol salvador, festa em ritmo de obra de arte. Emocionante.

P.S.: Para quem não viu ao vivo, a narração de Paulo Andrade, da ESPN, especialmente do terceiro gol do City, é de arrepiar. Os melhores momentos estão aqui, mas vale a pena procurar toda a sequência de lances. Emocionante.

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Xandão, o gol de calcanhar e as lendas do futebol

Xandão (93) antes do calcanhar e do golaço - Foto: Francisco Seco/AP

Xandão (93) antes do calcanhar e do golaço - Foto: Francisco Seco/AP

Tinha tanto para escrever sobre isso, mas é tão inacreditável que eu resolvi reciclar um post antigo. Quando Deivid perdeu aquele gol, sabe, aqueeeele, eu escrevi as linhas abaixo. Quando Xandão, aquele Xandão, sabe, aqueeeele, que teve uma passagem de sucesso estrondoso no São Paulo, faz um gol de calcanhar na Liga Europa, o mundo para.

Messi é um gênio, Neymar é um gênio, mas, diante das qualidades dos jogadores envolvidos, o gol de Xandão é uma das coisas mais inacreditáveis do futebol mundial. Da história da bola. É algo que rompe as leis da física, da química e, claro, do bom-senso. Paradigmas caíram. Enfim, só o texto abaixo para tentar explicar o que aconteceu.

O drible de Garrincha.

O chapéu de Pelé.

A magia de Maradona.

O passe de Didi.

O lançamento de Gerson.

A volúpia de Puskas.

A trivela de Rivellino.

A classe de Carlos Alberto Torres.

O arranque de Messi.

A explosão de Jairzinho.

A leveza de Tostão.

A versatilidade de Cruijff.

A falta de Rogério Ceni.

A frieza de Romário.

A delicadeza de Zidane.

Os gols de Ronaldo.

A cadência de Ademir da Guia.

O requinte de Baggio.

O faro de Careca.

O toque de Zico.

O chute de Van Basten.

A decisão de Rivaldo.

A enciclopédia de Nilton Santos.

O talento de Di Steffano.

As mãos de Gilmar.

A finta de Neymar.

A velocidade de Cristiano Ronaldo.

A bicicleta de Leônidas.

A lenda de Friedenreich.

O sonho de Milla.

A taça de Bellini.

A liderança de Beckenbauer.

O calcanhar de Sócrates.

O milagre de Marcos.

O gol de calcanhar de Xandão.

Texto original: “Deivid, o gol perdido e as lendas do futebol”, 23/03/12.

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Fifa, Lusa, beisebol, All Blacks, tragédia e City

Pílulas do fim de semana:

– Excelentes avanços no que diz respeito à minha jogabilidade no Fifa 12. Rivaldo se encaixou perfeitamente no novo esquema de jogo, e Luis Fabiano desandou a fazer gols.

– Como é legal a Portuguesa já garantir a vaga para a Série A do ano que vem. Vale um post sobre o tema: precisa mesmo de um time cascudo, duro, seco, para voltar à elite? Jorginho e seus comandados provam que não.

– Albert Pujols, jogo 3 da World Series, Texas Rangers 7 x 16 St. Louis Cardinals: 5 de 6 nas rebatidas, 3 home runs, 6 corridas impulsionadas. Não entende nada de beisebol? Ok, isso quer dizer, basicamente, que o cara teve a maior apresentação individual na final da MLB. Monstruoso! Pitaco: Cardinals levam o título em 4 a 3, hein!

– All Blacks confirmaram o favoritismo e conquistaram o título do genial Mundial de rúgbi. Final tensa com a França, que surpreendeu e engrossou demais o jogo no segundo tempo. Uma baita decisão, para fechar com chave de ouro uma competição sensacional.

– Novo domingo, nova tragédia. O que dizer da morte de Marco Simoncelli na MotoGP. O sentimento é o mesmo da última semana. O melhor, acho, é o silêncio, como forma de homenagem.

– Manchester United 1 x 6 Manchester City. Clássico local, uma das maiores goleadas da história. Se fosse aqui, Alex Ferguson teria sido demitido antes de chegar ao vestiário. Mas é lá, e ele fica. Assim como eu fico por aqui!

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Balotelli faz firula, perde gol feito, é substituído e briga com o técnico

Balotelli é um cara, digamos, complicado. Neste domingo, ele aprontou mais uma. Primeiro tempo, 31min, 1 a 0 para o Manchester City no amistoso contra o Los Angeles Galaxy, fim da turnê americana do time inglês.

Belo contragolpe, eis que Balotelli surge na cara do gol. É só fazer. Mas aí o diabinho cochicha no ouvido dele e dá tudo errado.

Balotelli leva esporro do companheiro de equipe, Dzeko. A câmera foca no técnico Roberto Mancini: felizão com o lance, ele levanta, esbraveja e, bem, veja o vídeo que é bacana.

Ah, só pra completar minha análise sobre Balotelli: um dia, alguém falou que ele jogava pra caramba, pra cacete, jogava demais. Ele acreditou. E pronto.

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