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Obrigado, Luciano do Valle!

Fazer um gol é algo fácil. Uma cesta. Um ponto. Você está ali na tela, explodindo, a cores. Mas traduzir aquele momento único em palavras é algo difícil. Beira o impossível. Para poucos, muitos poucos mesmo. Luciano do Valle é um deles.

Foi ele que inventou um monte de esporte, um monte de mito. Foi ele que moldou o caráter esportivo de várias gerações. A minha, inclusive. 

A NBA é culpa dele. Passei a torcer pelo Chicago Bulls e Michael Jordan por causa dele. “Odeio” os Pistons e os Knicks por ele também. John Starks, que muita gente nem sabe quem é, eu “odeio” até hoje por culpa dele.

Torço pelo Buffalo Bills por causa dele. Conhece os Bills? Eu conheço porque Luciano inventou a NFL, o touchdown, o field goal e, pasmem, o Super Bowl.

Emerson Fittipaldi não existia se não fosse por ele. A Fórmula Indy, a Champ Car, enfim, esse mundinho da velocidade foi invenção dele. 

O boxe não existia até Maguila. Maguila só existiu por causa dele. Simples. 

Rivellino não era nada até Luciano inventar a seleção de masters. Uma geração gigantesca idolatrou Cafuringa por culpa dele. Eu, inclusive.

Sabe o vôlei? Não havia nem a quadra, nem a bola, nem nada. Foi Luciano do Valle quem criou isso. O vôlei foi ao Maracanã, meu Deus!
E o basquete? Oscar, Marcel, Hortência, Paula… Nada havia ali antes dele.
Até a sinuca ele inventou. Rui Chapéu faz parte do imaginário coletivo de uma geração até hoje. Rui Chapéu!

Em uma época sem internet, sem TV a cabo, com meia dúzia de canais (o 2, o 4, o 5, o 7, o 9, o 11 e o 13, esse, de Luciano), “criar” tudo isso, “inventar” tudo isso, desbravar tudo isso era, praticamente, impossível. Ele fez isso. Ele inventou esses esportes para um monte de gente. Gente como eu. Se hoje ele existe, o esporte, para mim, pelo menos, o grande culpado é Luciano do Valle.

Aí, essa gente como eu, hoje, toma um susto. Um baque. Por um momento, tudo para. Foi como se Jordan voasse, Jim Kelly lançasse, William levantasse, Rivellino batesse na bola, Maguila soltasse um direto, Rui Chapéu arriscasse uma tacada. Tudo em câmera lenta. No fundo, a lembrança da voz. Por vezes forte e firme. Por vezes, trêmula. Tanto faz. A voz, essa, imortal, ficou no ar.

De tudo que eu sou, boa parte se deve a ele, ao que ele narrou, à emoção da sua voz. Fazer um gol, uma cesta, um ponto, é fácil. Descrever a emoção disso em palavras, ao vivo, no ato, é para poucos. 

Ele vai. A voz fica, ficará eternamente. O legado, então, com certeza, nunca terá fim. Do fundo da alma, um eterno obrigado!

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Pelé, o Eusébio e uma comoção

Eusébio na série Heroes, obra de Richard Debenham

Eusébio na série Heroes, obra de Richard Debenham

Ele foi Pantera Negra. Foi mais, foi Pelé.

Eusébio colocou Moçambique no mapa. Colocou Portugal também. Colocou seu nome na história do futebol, colocou o futebol em seu nome. Virou sinônimo do esporte em uma nação. Em algumas nações.

Cada país tem o seu Pelé. Eusébio foi um deles. Ou melhor, Pelé foi o Eusébio brasileiro. Eusébio, bem, foi sempre Eusébio.

A morte dele, ou melhor, d’Ele, parou um país. Levou milhões às lágrimas. Uma nação. Algumas nações.

Frases feitas, clichês. Aos borbotões, são usados para explicar o quanto ele foi importante. Mas fico com uma palavra diferente: comovente.

Eusébio é um daqueles caras que fez o esporte transcender o gramado, a bola, o gol. Levou milhões às lágrimas mais de uma vez, em campo ou agora, fora dele. Comoveu. E vai comover sempre.

Portugal tem um Pelé. Ou foi o Brasil quem teve um Eusébio?

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Eusébio, o Pelé

Com a palavra…

Comovente a tristeza portuguesa! Descanse em paz, lenda!

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Wando, a luz, o raio, a estrela, o luar e, claro, o carmim

Wando - Foto: Divulgação

Wando - Foto: Divulgação

O que seria do mundo sem a rosa vermelha? Sem o vinho tinto melado? Sem o perfume doce? Sem aquela safadeza canalha no olhar?

Luz, raio, estrela e luar. Manhã de sol. O que acontece entre o luar e a manhã de sol? Iáiá, iôiô…

O que seria do mundo sem a loucura apaixonada? Que seria do planeta sem o beijo na boca? E quem nunca se jogou no chão de paixão?

O que seria do ser humano sem o doce do mel? Sem aquele pedido de canto da boca, “céu”? Sem aquela calcinha lançada no ar?

E o carmim? Talvez, a substância responsável pelo equilíbrio das forças terrenas. Sem o carmim, nada teria sentido. Como falar do vermelho do amor e da paixão sem o carmim? Impossível.

Hoje, com certeza, a vitrola naquela penteadeira toca triste. A calcinha, cor carmim, não vai sair da gaveta. Chora coração. Chora, coração.

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