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Kaká sonha com a Copa; Felipão, não

Kaká contra a Croácia, em 2006; esperança de jogar em 2014 - Foto: Reuters

Kaká, Croácia, golaço em 2006; esperança de jogar em 2014 – Foto: Reuters

Babando, com sorriso no rosto e olhos marejados cheios de esperança, Kaká falou que sonha em ser convocado para a Copa do Mundo de 2014. Chegou a ser emocionante ver a vontade que ele mostrou em disputar mais um Mundial, vontade ampliada após Felipão “deixar as portas abertas” para seu retorno à seleção. A vontade é tamanha que ele toparia jogar “meia hora”, como fez em 2002. Mas, sejamos sinceros, não vai rolar.

Galvão Bueno conduziu muito bem a entrevista com o meia, veiculada no “Esporte Espetacular”. A proximidade do narrador com o jogador fez com que ele se soltasse e falasse sobre tudo: lesão, recuperação, Real Madrid e, por fim, seleção e Copa.

Claro que tem o lado ufanista da coisa, e isso ajudou no clima emotivo. Galvão disse torcer (um torcer com cara de “tenho certeza”) para ver o craque em campo ou no banco no Brasil x Croácia, dia 12 de junho, abertura da Copa. Kaká ficou besta com isso. Eu também ficaria, visualizaria, até.

O sonho é lindo, e tem que sonhar mesmo, mas é certeza que não vai rolar. Quem conhece a história de Felipão sabe que o técnico fecha a sua “Família Scolari” bem antes de um Mundial. O grupo está definido desde a Copa das Confederações, com uma ou outra dúvida, e Kaká, nem de longe, faz “cósquinha” nas dores de cabeça do treinador. “Portas abertas” é uma maneira educada e inteligente para não queimar um jogador do quilate de Kaká, mesmo que a história recente – ou nem tão recente assim – mostre que sua cotação está bem abaixo do que já foi.

Se ele estivesse quebrando tudo, rasgando a bola, arrancando como nunca, fazendo gols, sendo rei das assistências, rolaria ainda um clamor popular por sua convocação. Mas o meia ainda oscila demais, é pouco ou nada comentado no Brasil. Ou seja, segunda-feira chega e quase ninguém sabe se ele jogou ou não no fim de semana.

A chegada de Seedorf pode ser um novo alento para Kaká, mais um combustível em seu sonho de jogar a Copa. Acho, inclusive, que vai ajudá-lo a recuperar o bom futebol. Mas nem uma explosão vai fazer Felipão mudar de ideia.

Brasil x Croácia, primeiro jogo da seleção na Copa-2006. Um chute de canhota, de fora da área, 1 a 0, vitória do “quarteto fantástico”. Aquele, sim, foi o último grande lampejo de um Kaká já debilitado. Brasil x Croácia, abertura da Copa-2014. Kaká, jogue o que jogar até lá, verá pela TV.

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Kaká em noite de Marcelo: um alento

Kaká e Marcelo - Foto: Patrick Baz/AFP, Arte/Ricardo Zanei

Kaká e Marcelo - Foto: Patrick Baz/AFP, Arte/Ricardo Zanei


Fazia tempo que Kaká não jogava tanta bola. Foram 45min primorosos, daqueles de encher os olhos. Velocidade, arranque. Parecia até aquele Kaká dos velhos tempos, aquele do São Paulo, lapidado no Milan, vendido a peso de ouro ao Real Madrid. Aquele que a seleção tanto precisa.

Tudo bem, o Apoel não é a sétima maravilha do mundo, mas o time cipriota chegou às quartas de final da Liga dos Campeões, e isso é para poucos. Tudo bem que, depois do 1 a 0, as coisas ficaram mais fáceis. Mas já é alguma coisa.

Obviamente que eu não vou ficar aqui falando que Kaká deve ser convocado, que é o salvador da pátria. É só um jogo, mais um degrau em uma escala ascendente do meia. Parece que, aos poucos, ele vai reencontrando a boa forma. Futebol, ele tem. Resta saber se o corpo vai deixá-lo jogar.

Kaká brilhou, é fato, mas foi Marcelo quem me encheu mais os olhos. É habilodoso, tem velocidade, sabe driblar, enfim, é um lateral quase completo. Ainda precisa melhorar na marcação, mas, perto daquele dublê de ponta esquerda do começo de carreira no Fluminense, hoje dá para notar que ele evoluiu abdurdamente.

Foi uma noite dourada para o Real Madrid, daquelas que o torcedor não vai esquecer. Afinal, 3 a 0 é um passo enorme para as semifinais da Liga. Só um desastre tira a vaga dos merengues. Vaga esta conquistada graças ao futebol de Kaká e Marcelo. Finalmente, os brasileiros brilham lá fora, e brasileiros bons de bola. Ainda é pouco, mas é um alento.

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Ano do Dragão? Que nada, Ano do Ganso, sem Paulo Henrique

Ganso em ação pela seleção - Foto: Mowa Press / Arte: Ricardo Zanei

Ganso em ação pela seleção - Foto: Mowa Press / Arte: Ricardo Zanei

Eles pareciam uma coisa só. Como SandyeJunior e ChitãozinhoeXororó, NeymareGanso surgiu como a dupla de maior potencial do futebol brasileiro desde Pelé e Garrincha. Neymar decolou, ganhou asas, assumiu um cabelo escroto e conquistou o mundo. Ganso parou no tempo.

Era ele a nossa esperança de camisa 10 da seleção de Dunga, mas o técnico não o levou (não vou discutir se acertou ou não ao não convocar). Era, então, a nossa esperança de camisa 10 da seleção de Mano, mas as lesões atrapalharam. A dupla, NeymareGanso, se desfez.

Claro que muita coisa aconteceu entre o lançamento daquele garoto no time profissional do Santos, em janeiro de 2008, até agora. É curioso que, em quatro anos, Ganso tenha vivido tanto no futebol. Infelizmente, suas últimas manchetes referem-se a eventos extracampo. O que me leva a pergunta: ainda há esperança? A resposta é uma incógnita.

Acho que o primeiro revés da carreira de Ganso foi ganhar nome próprio. Pior: nome composto. Paulo Henrique é pomposo demais. Parece aquele garoto bem de vida que faz escola de manhã e à tarde e, à noite, é levado pelo motorista particular para o inglês (terças e quintas), judô (segundas e quartas),  e, não contente, às sextas, treina pólo no “country club”. Não dá.

Ganso, sim, é nome de jogador. A discussão é bacana e prometo escrever sobre o assunto, mas, com o perdão do trocadilho, tucanaram o Ganso. É um nome de respeito, autoexplicativo a partir do momento que você bate o olho no jogador. Mas, não. Os Paulos Henriques do mundo que me perdoem, mas Paulo Henrique não combina com Ganso.

Os imbróglios contratuais, o sai não sai do Santos, enfim, a tumultuada gestão da carreira contribuiu, e muito, para que a separação de NeymareGanso ficasse mais evidente. Como desgraça pouca é bobagem, vieram as lesões. A de joelho, a mais grave de todas, atrapalhou, e muito, o desenvolvimento daquele moleque que prometia ser uma espécie de novo Zidade, um novo Platini, um novo Zico, ou, na pior das hipóteses, um novo Kaká (por favor, sem comparações).

Não foi só o Santos que deixou de ter um camisa 10, mas a seleção perdeu o cara que arrumaria o meio-campo. Depois de tantos anos clamando por criatividade, por um toque de classe, finalmente, o Brasil teria o seu meia, aquele que resgataria a mística da camisa 10. Claro que estou exagenrando, mas não rolou nada disso.

A China comemora, em 2012, o Ano do Dragão de Água. Penso diferente. Acho que esse tem tudo para ser o Ano do Ganso, a hora do Ganso beber água. Ano de redenção, de redescoberta, de renascimento do já saudoso NeymareGanso, de passes inacreditáveis, de assistências impensáveis, de um cérebro anos-luz acima da média. Um ano sem dores de cabeça fora de campo, de paz com o Santos e, principalmente, livre de lesões. Espero, sinceramente, que o Paulo Henrique fique apenas no RG, e que o Ganso, aquele que a gente teve um gostinho de ver, reapareça. Para o bem do futebol e da seleção. E para tristeza do dragão…

P.S.: “Ganso, o Dragão Branco” poderia ser uma série sensacional, em que um meia habilidoso combate o mal com dribles e passes açucarados. Aviso ao pessoal do Santos que cobrarei royalties pela ideia. Afinal, sou jornalista.

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Mano apela para Kaká e mostra que a seleção não tem um “10”

Kaká em ação pela seleção brasileira - Foto: AFP

Kaká em ação pela seleção brasileira - Foto: AFP

A discussão sobre a extinção do camisa 10 é das mais saborosas (texto sensacional do amigo Fernando Figueiredo Mello, republicado no blog do Juca Kfouri, mostra isso). Concorde ou não, o fato é que Mano Menezes ainda não achou um meia que o alegrasse. Na verdade, achou Ganso, mas as lesões fazem com que o santista esteja mais para um craque virtual do que real. Aí, ressurge Kaká, que não era lembrado desde a Copa do Mundo de 2010.

O meia do Real Madrid está jogando bem. Não é aquele Kaká do Milan, aquele que foi o melhor do mundo, mas é um Kaká melhor do que muito meia que Mano testou e não gostou. E é fato que o técnico não gostou do que viu dos seus comandados, tanto que “apelou” para Kaká.

Acho que a convocação chega em bom momento, e é interessante para os dois lados. A seleção precisa de Kaká, que está longe de ser um “meia clássico”, um cara de lançamentos espetaculares, mas é capaz de carregar a bola até o ataque e também sabe finalizar. Por outro lado, Kaká precisa da seleção para recuperar a auto-estima, para mostrar que ainda pode ser um jogador de elite.

E, para isso, nada melhor do que enfrentar Gabão (dia 10 de novembro) e Egito (14 de novembro). O primeiro rival é daqueles escolhidos a dedo para levantar o moral de qualquer jogador e qualquer time. O segundo, bem, se for o futebol habitual da equipe de Mano, teremos problemas. Se o elenco embalar, é outro jogo para ganhar e convencer.

Um time à portuguesa
Fiz a divisão dos países onde jogam os convocados por Mano. O fato curioso é que o elenco tem como base os times de Portugal, com seis convocados, mesma marca da Espanha. Para quem é fanático, será que alguma vez uma seleção brasileira teve seis jogadores que atuam no futebol português convocados? São ainda quatro da Inglaterra, três da Itália e da Ucrânia, e um da Alemanha.

Uma incógnita na lateral
Outra coisa curiosa: parece que a lateral esquerda ainda é uma dor de cabeça para o treinador. Ele chamou três atletas para a posição. Fico em dúvida se Marcelo é o titular (seria o meu), e Mano busca um reserva, ou se a briga pela posição está aberta (Bruno Cortês é, dos que atuam no Brasil, quem pode entrar na disputa). André Santos, ao que parece, terá que comer muito angu para voltar a ser queridinho do treinador.

Abaixo, a lista, que você pode ver em tudo que é site e eu, teimosamente, coloquei aqui também.

Goleiros
Neto (Fiorentina/ITA)
Diego Alves (Valencia/ESP)

Laterais
Daniel Alves (Barcelona/ESP)
Fábio (Manchester United/ING)
Marcelo (Real Madrid/ESP)
Adriano (Barcelona/ESP)
Alex Sandro (Porto/POR)

Zagueiros
Thiago Silva (Milan/ITA)
David Luiz (Chelsea/ING)
Luisão (Benfica/POR)

Meio-campistas
Lucas Leiva (Liverpool/ING)
Sandro (Tottenham/ING)
Fernandinho (Shakhtar Donestsk/UCR)
Elias (Sporting/POR)
Hernanes (Lazio/ITA)
Luiz Gustavo (Bayern de Munique/ALE)
Kaká (Real Madrid/ESP)
Dudu (Dínamo de Kiev/UCR)
Bruno César (Benfica/POR)
Willian (Shakhtar Donetsk/UCR)

Atacantes
Hulk (Porto/POR)
Jonas (Valencia/ESP)
Kleber (Porto/POR)

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