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A quarta Olimpíada do resto de nossas vidas

Aneis olímpicos - Foto: Reprodução

Aneis olímpicos – Foto: Reprodução

Essa é a minha quarta Olimpíada como jornalista, a quarta Olimpíada de São Paulo (perdedor, hein?). Cada uma teve a sua peculiaridade, muito, graças ao tempo. Sim, é babaca falar isso, mas o tempo – o meu e dos Jogos – moldou isso.

A primeira foi em 2000, ainda na faculdade, fazendo aquele frila divertido e mal pago apenas dos jogos de futebol. Foi divertido porque eu trabalhava de casa e uniu o útil e o agradável. Afinal, eu ia ver as partidas mesmo, e escrever sobre foi até um extra.

Quatro anos depois eu estava fazendo placar ao vivo, resultados e quadro de medalhas no UOL. Foi algo insano, trocentas horas de trabalho por dia que passavam voando. Era tanta informação que, falando francamente, não guardei quase nada no cérebro. Quem ganhou o jogo tal? Não sei, mas trabalhei nele. Foi cansativo e, talvez, a cobertura mais legal que eu participei.

Pequim foi, talvez, uma das maiores lições que eu tive na profissão. Trabalhando no site da Abril, o Abril.com, fazia-se de tudo: notinhas, placar ao vivo, resultados, medalhas, álbuns, enfim. O que imaginar, a gente fazia. O horário era ingrato, e foi a cobertura que mais me estragou na vida – fisicamente falando. Só para ter uma ideia, o primeiro dia de sono pós-olímpico foi literalmente quase isso, um dia inteiro dormindo. O corpo estava morto, mas, a cabeça, feliz.

Agora vem Londres. A expectativa é bem realista: muito trabalho, vida social nula, chance zero de medalha. A expectativa só vai ser confirmada – ou não – depois da cerimônia de encerramento. Expectativa bem mais realista do que a de muitos atletas brasileiros em Londres.

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Millôr Fernandes, 88, RIP, e uma folha em branco

Millôr - Foto: Site oficial/Millôr Online

Millôr - Foto: Site oficial/Millôr Online

É difícil entender como as coisas acontecem, como começam, como terminam e, especialmente, quando terminam. É um processo doloroso, que leva tempo para cicatrizar. A perda de Millôr Fernandes, pouco depois do adeus de Chico Anysio, é um desses processos.

Tendo a achar que o dono do mundo – ou dos mundos – acreditou que precisava dos dois para a festa ser completa em outro lugar. Sabe como é, Chico era vários em um, Millôr era um em vários, ou melhor, um pouco em nós.

A biografia de Millôr está em tudo que é site, jornal, revista. Foi, assim como Chico, um daqueles caras especiais. Suas linhas, escritas, rabiscadas, coloridas, falaram muito, mas muito mesmo, do que a gente não queria ouvir, ver, ler. Escancararam muita coisa que a gente tinha medo de saber. Enfim, abriu caminhos na nossa vida, no nosso pensar.

Fica, acima de tudo, uma lacuna, aquele vazio. Fica preto e branco, papel em branco. “Todo homem nasce original e morre plágio”, disse Millôr. Se um pouco de cada um puder copiar o que ele foi, seremos melhores.

“Quem confunde liberdade de pensamento com liberdade é porque nunca pensou em nada.”

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