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Santos não ganha doce por Damião e fica com dívida salgada

Se eu te ofereço um acordo que é bom para mim e ruim para você, e você aceita, quem vacila na história? Leandro Damião acertou com o Santos via a parceira Doyen Sports. Até aí, normal. O problema é que, o que todo mundo achava que seria de graça, na verdade, terá um custo salgado. Bola à parte, o papo aqui é grana, meu filho.

A matéria da intrépida Camila Mattoso no ESPN.com.br, “Santos vai ter de pagar por Leandro Damião, diz Doyen Sports”, é elucidativa. Pior, mostra o que já estava escancarado: em nota oficial, a parceira santista disse, em outras palavras, que não há nada de graça nesse mundo, e que o atacante só desembarcou na Vila Belmiro porque uma quantia vultuosa foi emprestada ao clube. O valor: míseros R$ 42 milhões, quantia é gigantesca, estratosférica.

Damião não vive grande momento e, de esperança de gols na seleção e candidato a 9 no Brasil na Copa, virou reserva no Inter. Ou seja, grana “braba” por um artilheiro que não tem arrancado suspiros há tempos. Parece um negócio fadado ao fracasso.

Claro, o objetivo de Damião é comer a bola e reconquistar Felipão. Convocado para a Copa, a meta é fazer gols no Mundial. Se isso se concretizar, o mercado europeu vai abrir os olhos e, principalmente, o bolso. O que fica no ar é que o Santos trabalha não para lucrar – lembremos, muito, mas muito mesmo do futebol é negócio -, mas para, no mínimo, se recuperar do “prejuízo”.

Obviamente, torço para que ele se recupere e voe na Vila. Mas o que me deixa encucado é que tem o Santos que torcer para que muitos “ses” aconteçam para que a conta se feche. Conta essa que está longe de ser barata ou fácil de ser quitada. De acordo com levantamento do ESPN.com.br, apenas 10 jogadores na história foram vendidos para o exterior por um valor maior que os R$ 42 milhões de Damião. Tenso, muito tenso.

Quando anunciada, a contratação de Damião pareceu um doce na boca dos santistas. Aos poucos, o sabor parece que vai mudando.

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De Ronaldo a Seedorf e Forlán, sem ser motivo de chacota

Seedorf com a bandeira do Botafogo - Foto: AGIF, Arte/Ricardo Zanei

Seedorf com a bandeira do Botafogo – Foto: AGIF, Arte/Ricardo Zanei

(Colocando o papo em dia, parte 3) Foi em um dia 9 de dezembro, no já longínquo ano de 2008, que o Corinthians anunciava a contratação de Ronaldo. E daí, né? O cara até já parou de jogar. Sim, mas o retorno do Fenômeno abriu as portas do futebol brasileiro para voos mais ousados, contratações de peso, que culminaram com Seedorf e Diego Forlán.

Antes de Ronaldo, falar que o melhor jogador da última Copa do Mundo e um dos meias mais talentosos do planeta nas duas últimas décadas seriam contratados por clubes brasileiros viraria motivo de piada. Se você ousasse dizer isso no boteco, ia ouvir o resto da noite. Era meio que fazer o time dos sonhos, e aí colocar esse tipo de jogador nele. Só em sonho pra esses caras jogarem aqui.

Forlán com a camisa do Inter - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Forlán com a camisa do Inter – Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Mas aí, Ronaldo veio. Veio a crise econômica mundial, veio a “marolinha” de Lula. E as coisas começaram a andar juntas, culminando no que está acontecendo nos últimos anos. Antes, grandes jogadores só voltavam para aquele seis meses de “me engana que eu gosto” e acabou. Hoje, eles voltam para jogar, ganhando a mesma bala que ganhavam lá fora. Afinal, o dinheiro do futebol não é tão diferente do dinheiro do mundo.

As contratações de Seedorf e Forlán são exemplos claros disso, como foram as de D’Alessandro, Deco, Fred, Ronaldinho Gaúcho, Luís Fabiano, Renato, Alex, Danilo, Jadson… A lista tem grandes jogadores, jogadores enormes, jogadores médios. Todos atuando aqui, em uma maré que eu temo que termine, mas isso é papo para outro boteco.

Não sei qual Seedorf vai jogar pelo Botafogo, nem qual Forlán vai defender a camisa do Inter. Se é bom ou ruim, se a conta fecha ou não, são outros quinhentos. Mas, hoje, o torcedor pode achar que é possível. E falar no boteco sem ter medo de sofrerr com piadas no resto da bebedeira…

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Coates, Neymar, Balboa, Pelé e o gol mais bonito do ano

Coates e o golaço - Foto: AFP, Arte/Ricardo Zanei

Coates e o golaço - Foto: AFP, Arte/Ricardo Zanei

Se o assunto for arrancada e drible, acho que o gol de Neymar, o segundo nos 3 a 1 do Santos sobre o Inter, o gol mais bonito do ano.

Se o papo for plasticidade, meu eleito é Sebastian Coates, do Liverpool, e seu chute acrobático, meio voleio, meio bicicleta, na derrota para o Queens Park Rangers. Fenomenal!

Esse é um daqueles lances inesquecíveis. Primeiro porque o autor foi um zagueiro. Segundo porque o movimento no ar é perfeito. Terceiro porque ele pega em cheio na bola. Quarto porque o cara é uruguaio, e a Celeste tem carisma.

Golaço de Coates

Sempre que vejo alguem zagueiro tentando um lance mais ousado me lembro da bicicleta do norte-americano Marcelo Balboa, contra a Colômbia, na Copa de 1994. Infelizmente, a bola tirou tinta da trave, mas, independentemente disso, é uma das jogadas mais emblemáticas do futebol mundial. A reação do goleiro Tony Meola é o retrato disso.

O motivo? Voltando em 1994, os EUA eram taxados como um país incapaz de jogar o futebol. Pelé, Beckenbauer e tantas outras estrelas foram para lá nos anos 70 e 80, e a moda não pegou. Mas, naquela Copa, o time fez bonito e até passou de fase. Nomes como Meola, Alexi Lalas, Tab Ramos, Cobi Jones, Eric Wynalda e o próprio Balboa, sob a batuta de Bora Milutinović, colocaram os EUA no mapa da bola.

Quando o assunto é bicicletas no futebol, a de Balboa representa o mesmo que Pelé representa para os chutes do meio-campo. E o que Coates tem a ver com tudo isso? Na verdade, nada, mas é dele o gol mais bonito do mundo em 2012.

Bicicleta histórica de Balboa

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O São Paulo sabe a receita para o título ou o campeão na última rodada

Rogério Ceni em treno no São Paulo - Foto: João Neto/VIPCOMM

Rogério Ceni em treno no São Paulo - Foto: João Neto/VIPCOMM

É ridículo falar isso, pela situação e pelas palavras, mas os jogadores do São Paulo, mesmo antes da queda do técnico Adilson Batista, deram a receita para um time conquistar o Campeonato Brasileiro de 2011. Eu disse um time, ou seja, um time qualquer, não especialmente o São Paulo.

Vamos às frases, todas ditas depois da derrota para o Atlético-GO:

“Antes de voltar a pensar no título, temos que repensar nossa situação. Precisamos entender o que está acontecendo, não é possível ficar tanto tempo sem ganhar. Precisamos melhorar muito se ainda quisermos algo neste campeonato. O resultado é ruim, principalmente pelo que fizemos no primeiro tempo”, Luis Fabiano

“Não ganhamos há seis jogos, como vou falar sobre título? Tem de falar sobre ganhar o próximo jogo”, Rogério Ceni

Todos os times já tiveram altos e baixos, alguns demoraram mais para retomar a boa fase, outros caíram de vez, outros se recuperaram de vez. Analisar a situação e procurar uma resposta, como disse Luis Fabiano, é o começo do caminho. Não pensar lá no fim do campeonato e sim na próxima rodada, como afirmou Ceni, é o outro passo a ser dado.

Só discordo de uma frase:

“Todo mundo caiu de rendimento. Quando o time não está bem, o individual não aparece. Quando o coletivo vai bem, o individual aparece. Todo mundo está devendo um pouco, o time, principalmente. Eu não carrego o time nas costas, não sou o salvador da pátria”, Lucas

Lucas é jovem, é uma promessa, ainda tem uma vida inteira futebolística para crescer. Mas, se pensar assim, fica difícil. É nos momentos de dificuldade de um time que um cara melhor tecnicamente salva a pátria. O Flamengo, por exemplo, foi campeão porque o Adriano fez tudo que é gol na reta final ou o time estava batendo um bolão? Do outro lado da história, o Fluminense se salvou de um rebaixamento porque goleou todo mundo por 1 a 0 com gol de Fred ou porque o time se achou na reta decisiva?

Ninguém cobra de Lucas que carregue o time nas costas, mas o grande jogador (aquele acima da média) sabe que, na hora de decidir, é ele quem pode pegar a bola e, em um lance, matar o jogo. Esse é o último fator que completa tríade e faz com que os são-paulinos saibam, pelo menos nas palavras, o que é necessário para ser campeão: corrigir os erros, pensar jogo a jogo e, invertendo o que Lucas disse, contar com lampejos de A, B ou C para vencer os jogos mais duros.

Hoje, não consigo dizer se o Corinthians é melhor que o Vasco ou o Flamengo ou o Botafogo e por aí vai. Não conseguirei fazer essa distinção nem amanhã, nem na última rodada. Em um campeonato tão equilibrado como esse, com bons jogos, bons jogadores e nenhum time excepcional, será campeão quem fizer o dever de casa citado acima. O melhor time será campeão? Talvez. O que eu sei é que o campeão será aquele que terminar a última rodada em primeiro.

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Suécia, a terra do gol de letra

Em três dias, os suecos marcaram dois gols de letra. Nada mal, né? Na segunda-feira, Stefan Ishizaki, filho de pai japonês e mãe sueca, havia acabado de entrar em campo quando marcou o gol da vitória do Elfsborg sobre o Djurgarden. Na quarta, foi a vez de Zlatan Ibrahimovic, filho de pai bósnio com mãe croata, dar a sua contribuição para a literatura da semana no empate e posterior derrota nos pênaltis do Milan com o Inter.

A letra japonesa, digo, sueca, de Ishizaki

A letra bósnia e croata, digo, sueca, de Ibrahimovic

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