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Millôr Fernandes, 88, RIP, e uma folha em branco

Millôr - Foto: Site oficial/Millôr Online

Millôr - Foto: Site oficial/Millôr Online

É difícil entender como as coisas acontecem, como começam, como terminam e, especialmente, quando terminam. É um processo doloroso, que leva tempo para cicatrizar. A perda de Millôr Fernandes, pouco depois do adeus de Chico Anysio, é um desses processos.

Tendo a achar que o dono do mundo – ou dos mundos – acreditou que precisava dos dois para a festa ser completa em outro lugar. Sabe como é, Chico era vários em um, Millôr era um em vários, ou melhor, um pouco em nós.

A biografia de Millôr está em tudo que é site, jornal, revista. Foi, assim como Chico, um daqueles caras especiais. Suas linhas, escritas, rabiscadas, coloridas, falaram muito, mas muito mesmo, do que a gente não queria ouvir, ver, ler. Escancararam muita coisa que a gente tinha medo de saber. Enfim, abriu caminhos na nossa vida, no nosso pensar.

Fica, acima de tudo, uma lacuna, aquele vazio. Fica preto e branco, papel em branco. “Todo homem nasce original e morre plágio”, disse Millôr. Se um pouco de cada um puder copiar o que ele foi, seremos melhores.

“Quem confunde liberdade de pensamento com liberdade é porque nunca pensou em nada.”

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Chico Anysio, 80, RIP, e um sorriso eterno

Professor Raimundo - Foto: CGCom/TV Globo

Professor Raimundo - Foto: CGCom/TV Globo

Acho que os seres humanos especiais, inesquecívels, geniais, maravilhosos, são aqueles que não transbordam elogios, mas faltam palavras para defini-las. Por mais que se fale, tudo será pouco para a monstruosidade de Chico Anysio.

Ele foi uma das mentes mais criativas da história. Não digo apenas do humorismo, nem da TV, da história mesmo. Chico foi capaz de criar personagens – mais de 200! – absurdamente distintos. Todos, sem exceção, tinham vida própria, existiam por si só.

Fico pensando que tem um monte de cara por aí que faz um, dois personagens a vida inteira, e recebe tudo que é elogio. Não vejo demérito nisso, mas, imaginem criar mais de 200 – ! – personagens. É impressionante, impressionante.

Tenho 33 anos, quase 34, e Chico esteve ali por toda a minha vida. Ri muito, mas muito mesmo, com Alberto Roberto, Azambuja, Bento Carneiro, Bozó, Coalhada, Justo Veríssimo, Nazareno, Painho, Professor Raimundo, Tim Tones… São “apenas” nove exemplos de personagens inesquecíveis e hilários.

O mais impressionante de tudo isso era a caracterização de Chico. Cada um de seus, digamos, “alter egos”, tinha uma roupa própria, uma voz diferente, um ritmo distinto. Você batia o olho, por exemplo, no Professor Raimundo, e via o Professor Raimundo, não o Chico Anysio. Espetacular!

Esse texto poderia ter trocentos zilhões de caracteres, trocentos zilhões de elogios e, mesmo assim, seria pouco perto do que é Chico. Hoje, sem personagem, ele deixou no ar aquele minuto de silêncio. Mas, mesmo assim, acho que não é hora de choro. Proponho, sim, uma bela risada. Nada mais justo para quem sempre fez, faz e fará sorrir. Sempre.

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