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Um exagero chamado Hulk, ou concordando com Romário

Hulk, uma convocação nebulosa - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Hulk, uma convocação nebulosa – Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

(Colocando o papo em dia, parte 2)

“O Hulk é um bom jogador, que tem futuro, mas ele é um jogador para Copa do Mundo, não para a Olimpíada. Temos vários outros jogadores acima de 23 anos, na minha opinião e de todo Brasil. Tinha que levar um jogador que imponha mais respeito.”

Romário, em entrevista à Reuters

Concordo com Romário. A seleção brasileira convocada por Mano Menezes para os Jogos Olímpicos de Londres é boa. O problema é que poderia ser melhor.

Como muito já foi dito sobre o tema, o jeito é ir direto ao assunto. Hulk é bom, mas não é um cara tão bom assim para aparecer como um dos eleitos acima de 23 anos. Eu levaria um zagueiro.

É simples. Thiago Silva é um monstro, o melhor zagueiro do planeta, incontestável e absolutamente necessário. Juan e Bruno Uvini não são ruins, mas, se um deles se machucar (toc, toc, toc), vamos com o zagueirão do Milan e mais um até o fim. Se o lesionado (toc, toc, toc) for Thiago (toc, toc, toc, ou melhor, toc, toc, toc, toc, toc, toc), não tem um defensor na reserva.

Melhor seria sacar Hulk da lista e levar um zagueiro para fazer companhia a Thiago Silva. Quem? Da pré-lista de 52, veiculada em março, os zagueiros acima de 23 anos eram David Luiz, Dedé e Luisão. Qualquer um formaria uma bela dupla com o zagueirão do Milan e ajudaria a dar experiência para a dupla reserva. Mais: teríamos uma dupla de reservas!

Sacando Hulk e colocando um zagueiro, arrumamos a casa lá atrás. Mas a lista de Mano apresenta uma outra falha no meio-campo, com a presença de apenas dois volantes, Rômulo e Sandro. Voltamos ao mesmo problema numerológico da zaga. Daí, penso que, com quatro defensores, um deles poderia fazer a função à frente da defesa em caso de necessidade, além de ter Danilo, o lateral, como opção para uma eventualidade.

Enfim, nada contra Hulk. Pelo contrário, se meu time – e, acho, o seu – contratasse o cara, seria um motivo de enorme felicidade. Na seleção principal, com 22 convocados, sua presença, hoje, é praticamente certa. Mas em uma lista apertada, na qual ele é exceção e, com o perdão do trocadilho, não é nenhum super-herói, acho um enorme exagero.

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A lista de Mano, a banalização da seleção e o choro

Mano Menezes - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Mano Menezes - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Nasci em 1978. Nos anos 80 e 90, falar em seleção era falar de pouca gente, de caras especiais. Claro, você podia tentar entender como certos “pernas de pau” eram convocados, mas a lista dos “mais ou menos” era bem menor do que a dos que eram bons de bola. Parece que isso mudou, e não é de hoje, mas Mano dá continuidade ao trabalho de banalização da seleção brasileira.

Não vou discutir os 36 garotos com idade olímpica, mas os 16 acima dos 23 anos. Sinceramente, parece que qualquer um joga na seleção. E, de fato, é isso mesmo, não?

Alguns nomes incluídos na lista não são titulares nem no time principal de Mano. Vira e mexe, ficam fora de convocações, como os goleiros Diego Alves e Jefferson, os laterais Adriano e Marcelo (que é muito bom), o meia Elias, e os atacantes Hulk e Jonas.

Outros caras foram descobertos recentemente pelo técnico. Muita gente pedia Hernanes (que é muito bom), mas o meia da Lazio, via de regra, era esquecido. Já Fernandinho é uma incógnita: só Deus sabe como ele joga no Shakthar.

Ou seja, a meu ver, a convocação desses caras citados acima pode ser explicada pela total falta de bom senso do treinador. Se nem no time principal ele usa esses jogadores com regularidade, qual é o real motivo de colocá-los em uma pré-lista para as Olimpíadas? Mais: qual deles é capaz de ser líder de um time de moleques atrás do único título relevante que o Brasil não tem?

Ainda na lista dos caras acima de 23 anos, Mano chamou quatro zagueiros. Se há um pouco de critério nisso, tendo a achar que pelo menos dois deles estarão em Londres: David Luiz, Dedé, Luisão e Thiago Silva (que é muito bom). O goleiro Júlio César (caso se recupere, é muito bom), o lateral Daniel Alves (que é muito bom) e o enganador Ronaldinho Gaúcho completam a lista.

Mano disse, recentemente, que tem um plano para Ronaldinho. Se o plano for levá-lo para as Olimpíadas, parabéns, Mano, por apostar no jogador mais insosso dos últimos anos. Ele já mostrou que não está nem aí para a bola, já mostrou que não é um cara capaz de liderar a molecada (ou ninguém lembra dos Jogos de Pequim-2008?) e tem mostrado uma bolinha ridícula desde que saiu do Barcelona. Belo plano, Mano, belo plano. Chamasse o Adriano então!

Nota do redator: o “!” é uma espécie de sinal de ironia, ok?

Se é pra levar o Ronaldinho, convoque um Kaká da vida. Se é pra convocar alguém que está mal, chame um que, pelo menos, corre e tem vontade de alguma coisa. Faz tempo que a seleção não tem sangue nas veias. Não sei se Kaká é o cara mais “sanguinário” do momento, mas, comparado com Ronaldinho…

Não tenho nada contra nenhum desses jogadores – a não ser o inexplicável Ronaldinho -, mas fico com a sensação de que a seleção está mais banalizada do que nunca. Se meu time contrata Elias ou Hernanes, por exemplo, é claro que eu ia achar bacana. Mas time é uma coisa, seleção é outra bem diferente.

Enfim, Mano não foi o primeiro a convocar jogadores comuns, mas é o cara que poderia não convocá-los hoje, mas prefere seguir no mesmo caminho fracassado. Por outro lado, temo que esse monte de “maios ou menos” seja o que há de melhor no nosso futebol. Aí, o negócio é sentar e chorar. Copiosamente.

P.S.: Clique e veja, no site da CBF, a lista completa dos convocados.

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Brasil de sempre, explicações de sempre e quem precisa de uma reciclagem?

Ronaldinho: em preto e branco, apagado e sem brilho, um rascunho de craque - Foto: Mowa Press e Arte/Ricardo Zanei

Ronaldinho: em preto e branco, apagado e sem brilho, um rascunho de craque - Foto: Mowa Press e Arte/Ricardo Zanei

Não sei quantas pessoas pararam para assistir ao amistoso entre Brasil e Bósnia-Herzegóvina. Sei que o número é cada vez menor. Em parte, pela qualidade do futebol. Em parte, pelo discurso apresentado. O fato é que, começa jogo, acaba jogo, e as coisas seguem iguais: o futebol é nanico, e o discurso é o mesmo.

Separei algumas frases ditas depois da partida, todas ao SporTV. Abaixo delas, meus comentários. Acho que vou tornar esse post um espécie de “molde” para usar em todos os jogos da seleção. Não importa se perdeu ou ganhou, o papinho é sempre o mesmo. Divirta-se:

“Esse campo não ajuda a gente a fazer o ‘um-dois’ que estamos acostumados”, Thiago Silva

Acho Thiago um dos melhores zagueiros do planeta, mas acho que o último “um-dois” da seleção foi na Copa do Mundo de 2010, com as arrancadas de Maicon. E só. O campo não ajuda para os dois, zagueirão, a lógica é sempre essa. Ah, Ok, é mais fácil destruir que construir, mas não dá para colocar a culpa por um futebol ridículo no campo.

“O campo é muito difícil. A seleção gosta de tocar bastante a bola e o gramado não ajudou. Prejudica nosso estilo de jogo”, Hulk

É curioso ver Hulk falar em estilo de jogo, sendo que nem Mano Menezes tem ideia de como implantar um na seleção. Que o Brasil toca a bola, isso é fato. O atacante só esqueceu de dizer que toca feio demais…

“A qualidade deles na parte tática é impecável. Todos ficam atrás da linha da bola, fechados. Quando você joga contra uma equipe assim, o risco aumenta, pois eles só jogam no contra-ataque, e isso pode ser fatal. Felizmente, isso não aconteceu hoje”, Thiago Silva

Jogador de futebol deveria ser proibido de usar a desculpa do “adversário fechadinho”, da “forte marcação”, do “não deixou jogar”. Ou Thiago Silva achou que a Bósnia entraria em campo com dois zagueiros, três meias e cinco atacantes? Impressionante que ainda se use esse tipo de desculpa no futebol.

“A gente está fazendo de tudo para achar a forma ideal de jogar, como todo brasileiro gosta, que é dando show. Não foi o que a gente fez hoje, mas o mais importante foi a vitória”, Neymar.

Tirando o “importante foi a vitória”, dá para reaproveitar em qualquer jogo do time de Mano. Essa é para guardar na manga, hein?

“O Ronaldinho esteve abaixo, a jogada terminava nele. Não teve sequência com qualidade de passe. A equipe fluiu melhor com o Ganso, ele deu mais continuidade aos lances”, Mano Menezes.

Então, né… O Ronaldinho está abaixo desde 2006. Foi naquele ano que a bola passou a chegar nele e morrer por ali. A frase de Mano seria perfeita para justificar a ausência do Gaúcho em qualquer convocação. Mas, infelizmente, serve para justificar o óbvio: Ganso – e até minha falecida vó – jogaram só um pouco, bem pouco mesmo, mas foram melhor que o flamenguista.

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O resumo da ópera é simples: não dá mais para ficar jogando essa bolinha e dizer essas asneiras achando que o torcedor tem cara de palhaço. Acho que, hoje, o Brasil precisa, primeiro, fazer um time, dane-se qual será a maneira de jogar, mas só depois disso é que se pode pensar em jogar algo. Pode perder, mas que seja por ação, e não essa omissão, essa preguiça danada.

Reciclagem é a palavra para definir o momento. Reciclagem de bola, reciclagem de microfone. Quem precisa de uma reciclagem? Por favor, seleção, levante a mão. Já cansou a paciência essa bolinha de sempre, essas explicações de sempre.

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