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Pitacos e histórias bacanas do UFC on FX2: Alves x Kampmann

Thiago Alves na pesagem do UFC on FX2 - Foto: Josh Hedges/Zuffa

Thiago Alves na pesagem do UFC on FX2 - Foto: Josh Hedges/Zuffa

Presunçoso o título desse post, não? O UFC on FX 2, nesta sexta-feira, na Austrália, tem um card dos mais divertidos. Um lutão, e teríamos um baita UFC. Como é um evento menor, faltou esse “lutão”, mas a diversão são garantida.

Começando pelo fim, o combate principal reúne o brasileiro Thiago “Pitbull” Alves e o dinamarquês Martin Kampmann. Os dois são velhos de guerra em matéria de UFC, já deram e levaram muita porrada, e o confronto promete.

Thiago é um daqueles caras que você olha e fala: não dá para ele perder. Tem uma mão pesada pra caramba e um chão dos mais eficientes. O problema dele sempre foi o peso, ou, segundo a sua equipe, a imensa facilidade que ele tem para reter água no organismo. O conheci no UFC 100, em Las Vegas, em julho de 2009, e mesmo lá, ele sofreu para bater o peso e disputar o cinturão contra Georges St-Pierre.

Minha expectativa é de uma luta rápida, dois rounds, no máximo. Pitbull é agressivo, e Kampmann não fica atrás. O dinamarquês também sabe bater e tem um excelente repertório no chão. Enfim, um baita combate.

Sei que é a estreia do peso mosca no UFC, mas, para mim, não tem muito segredo. Dana White já falou que, quem vencer dos dois duelos, vai lutar pelo cinturão, provavelmente ainda neste ano. Vou no óbvio: Joseph Benavidez e Demetrious Johnson batem Yasuhiro Urushitani e Ian McCall, respectivamente, e depois se enfrentam pelo título.

Falando em título, o deste post citava histórias bacanas, mas, até agora, foi só achismo. Depois da enrolação, abaixo, algumas curiosidades do card australiano. E, claro, os tradicionais pitacos.

– O inglês Oli Thompson tinha fama em outra organização antes de entrar no UFC: ele participou de trocentos eventos do “Homem Mais Forte do Mundo” e foi vencedor da disputa na Grã-Bretanha em 2006.

– Daniel Pineda nasceu em Dallas, no Texas, e lutou 20 de suas 23 lutas (15 vitórias) em seu Estado natal. Dois combates foram na na vizinha Louisiana (duas derrotas) e um no Tennessee (uma vitória). Será seu primeiro evento fora dos EUA.

– Vocês se lembram de Steve Irwin, o “Caçador de Crocodilos”, que morreu em 2006 após ser atingido por uma ria? Pois Kyle Noke foi, por três anos, segurança do cara, e trabalhava com ele quando aconteceu a tragédia. O americano já lutava, mas foi a morte do chefe que o levou de vez para o MMA.

CARD PRINCIPAL
– Thiago Alves (BRA) x Martin Kampmann (DIN) – meio-médio
– Vamos pelo coração. Pitbull vence por nocaute.

– Joseph Benavidez (EUA) x Yasuhiro Urushitani (JAP) – moscas
– Benavidez confirma o favoritismo, mas só na decisão dos juízes.

– Demetrious Johnson (EUA) x Ian McCall (EUA) – moscas
– Johnson é um baita lutador e vence por submissão.

– Court McGee (EUA) x Constantinos Philippou (CHP) – médios
– Taí uma luta bem imprevisível e, por isso, meu palpite será pelo coração: é muito carisma ser lutador de MMA no Chipre, então, Philippou leva por nocaute.

CARD PRELIMINAR
– James Te Huna (NZL) x Aaron Rosa (EUA) – meio-pesado
– A mão de Rosa é pesada, mas Te Huna é guerreiro e vence por nocaute.

– Antonhy Perosh (AUS) x Nick Penner (CAN) – meio-pesado
– O veterano Perosh vem de duas vitórias, mas aposto no estreante – e invicto – canadense em decisão dos juízes.

– Cole Miller (EUA) x Steven Siler (EUA) – pena
– A experiência de Miller fala mais alto, e ele vence por decisão.

– Kyle Noke (AUS) x Andrew Craig (EUA) – médios
– Noke vence o estreante por nocaute.

– TJ Waldburger (EUA) x Jake Hecht (EUA) – meio-médio
– Lutinha enrolada, mas Waldburger (nome legal de falar) vence por nocaute.

– Mackens Semerzier (EUA) x Daniel Pineda (EUA) – pena
– Pineda vence por submissão.

– Oli Thompson (ING) x Shawn Jordan (EUA) – pesados
– Duelo de estreantes no UFC. Thompson por nocaute.

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Anderson Silva, Jon Jones, GSP e a luta que ninguém quer ver

Jon Jones, Anderson Silva e GSP - Foto: Reprodução/UFC

Jon Jones, Anderson Silva e GSP - Foto: Reprodução/UFC

Julho de 2009. Logo depois do UFC 100, em Las Vegas, cruzo com um integrante da equipe de mídia da Zuffa, dona da franquia de lutas. No caminho para a sala de imprensa, falamos sobre a vitória de Georges St-Pierre sobre Thiago “Pitbull” Alves. O canadense não deu chances para o brasileiro e seguiu com o cinturão do peso meio-médio.

“Ele é um ‘mister picture boy’, né? Lutou cinco rounds e parece que acabou de tirar o terno”, disse o rapaz, cujo nome me reservo a não citar. E é bem assim, GSP sai da luta como se não tivesse lutado. Na época, ainda com a adrenalina do meu primeiro UFC in loco pulsando, concordei com a análise e me calei. Hoje, provavelmente, perguntaria: “mas será que isso é tão legal assim?”.

Leio no excelente blog Na Grade do MMA, comandado pelo amigo Jorge Corrêa (e não é pela amizade que o blog é excelente), uma entrevista de Anderson Silva à “ESPN” nos EUA. Nela, o brasileiro admite enfrentar GSP.

“GSP é uma pessoa muito educada e gosto muito dele. Contra ele seria uma grande, grande, grande luta e isso realmente pode acontecer.”

O combate entre Anderson e GSP já foi tratado como um sonho pelo próprio UFC. O duelo seria algo como uma luta suprema, que definiria o melhor lutador “pound by pound” (em todos os pesos) da história. Seria mítico, inesquecível, histórico. Os superlativos aqui tratados foram lidos por mim nos últimos anos na imprensa especializada. Mas, fico com um único questionamento: será?

É fato que Anderson é um dos lutadores mais criativos da história. O cara sabe como poucos esconder seus golpes até o último momento e, via de regra, surpreende os rivais. Até hoje, no UFC, surpreendeu todo mundo. Parece que ele sempre tem um coelho na cartola, uma carta na manga…

Já GSP é uma espécie de robô do MMA. Tem técnica? Claro que tem, se não, não seria campeão por tanto tempo – ganhou seu segundo cinturão em agosto de 2008, defendeu o título em seis lutas e só não foi para a sétima por causa de lesão. Não espere um drible, uma finta, uma ginga sensacional dele. Não discuto a eficiência, mas suas lutas, venhamos e convenhamos, são chatas, mas muito, muito, muito chatas.

Enquanto Anderson é capoeira, é mutante, GSP é, digamos, ciência exata.

Se Anderson x GSP já foi um sonho, hoje, não é mais. Parece até meio sem sentido pensar num duelo entre os dois. Pelo momento, pela técnica, pela carreira… O brasileiro é infinitamente superior. Se já foi um combate dos mais esperados, hoje, ninguém quer ver.

Por outro lado, a luta mais esperada do momento reuniria Anderson e sua versão nos meio-pesados, Jon “Bones” Jones. São dois caras com estilos semelhantes, com golpes que fogem da lógica. Mas, ao que parece, esse é um duelo que só vai rolar no videogame. Pelo menos é que o brasileiro afirmou e o Na Grade do MMA reproduziu:

“Não pretendo mais subir de categoria. Ele tem outro peso. Treino com caras maiores, como Lyoto Machida e Minotauro e sei como é complicado. Sempre que encontro Jones, falo para ele manter o foco, pois se fizer isso, não terá adversários. Ele é melhor de todos. Ele levaria muita vantagem, é bem mais novo que eu e não seria algo tão interessante.”

Será, Anderson? Vou discordar de você. Seria interessante demais, uma daquelas lutas memoráveis. Seria tão dramático para o brasileiro subir de peso? Ele já lutou nos meio-pesados e, somados, James Irvin e Forrest Griffin duraram 4min24 no octógono (1min01 e 3min23, respectivamente). Dá para afirmar, com todas as letras, que seria “A” luta, de tirar o fôlego, de ser vista e revista e, sim, aquela que mereceria todos os superlativos citados acima.

Ao que parece, em breve, quem sabe no fim deste ano ou no ano que vem, teremos um Anderson x GSP. É claro que terá uma audiência absurda, mas, acredito, com aquele sentimento de “Puts, e se fosse o Jon Jones ali?”. Essa, sim, a luta que todo mundo quer ver.

P.S.: Não sei para as outras plataformas, mas, quem baixou o demo do game “UFC Undisputed 3” para PlayStation 3 tinha duas opções de luta: ou Wanderlei Silva x Quinton Rampage Jackson no ringue do extinto Pride, ou Anderson Silva x Jon Jones no octógono do UFC. Pelo menos no videogame, dava jogo. E como!

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Jon Jones, Anderson Silva e o cenário para o futuro do UFC

Anderson Silva e Jon Jones - Foto: Divulgação

Anderson Silva e Jon Jones - Foto: Divulgação

Seria pedante demais traçar quais serão os próximos passos do UFC diante do cenário atual do MMA. Mas, claro, como sempre, a gente dá pitacos aqui e ali e tenta entender, de uma maneira mais ampla e não apenas no âmbito esportivo, como as coisas acontecem.

Eu ia abrir esse texto falando sobre a vitória de Jon Jones sobre Quinton Rampage Jackson, mas acho que até a sua avó já tocou no assunto. Em resumo, o atual campeão não deu o show esperado e ficou longe de ser aquela luta sensacional que todos queriam ver (e, venhamos e convenhamos, dificilmente as disputas por título são assim, à exceção dos combates de Anderson Silva). Mas Jones é bom, muito bom mesmo, e ganhou de Rampage no chão. Show de bola!

Assim, o cenário do UFC no assunto disputa por títulos fica bem menos nebuloso. Abaixo, um raio-X do que pode acontecer nos próximos meses:

Pesados: obviamente, Cain Velásquez e Junior Cigano é o combate do ano. Quem ganhar deve enfrentar o vencedor de Brock Lesnar e Alistair Overeem, ex-Strikeforce, no UFC 141, dia 30 de dezembro. Minotauro corre por fora. As grandes lutas dos pesados saem desse grupinho de cinco gigantes. Frank Mir, Shane Carwin, Roy Nelson e companhia lideram o segundo pelotão. Fabricio Werdum pode voltar a brilhar se retornar ao UFC.

Meio-pesados: talvez seja a categoria com mais caras bons e, ao mesmo tempo, com um campeão muito melhor que eles (pelo menos atualmente). Pense bem, entre altos e baixos nas respectivas carreiras, Brandon Vera, Dan Henderson, Forrest Griffin, Lyoto Machida, Mauricio Shogun Rua, Minotouro, Phil Davis, Rampage, Rich Franklin e Ryan Bader estão na luta. Jones, absoluto na categoria não pela longevidade de seu cinturão (exatos 192 dias), mas pela ascensão meteórica de sua trajetória, vai colocar em jogo o título contra Rashad Evans. Acho que ninguém pensa em outro resultado que não seja uma nova vitória do campeão. Se isso acontecer, quem pega Jones? Revanche com Shogun? Disputa com Lyoto? O invicto Phil Davis? Ou a resposta que todos queriam ouvir: Anderson Silva?

Médios: outra categoria extremamente definida, já que não há ninguém no planeta capaz de deter Anderson Silva. Você pega a lista de lutadores da categoria e parece que o campeão já venceu todos eles 500 vezes. Dentro do peso, o único combate que eu vislumbro e que seria bem legal de acontecer por tudo que envolve é o round 2 entre Silva e Chael Sonnen. Quem sabe, depois, um round 2 contra Vitor Belfort. E é isso, não?

Meio-médios: também está ficando chato. Georges St-Pierre conseguiu o cinturão pela terceira vez em 2008 e, desde então, são seis vitórias e 1256 dias como campeão. Seu próximo rival seria Nick Diaz, mas o mané não foi a uma coletiva do evento e vai ser substituído por Carlos Condit na briga pelo cinturão no UFC 137, dia 29 de outubro. Diaz pega, no mesmo evento, BJ Penn. Ainda acho que BJ é um dos mais talentosos da categoria, mas sabe-se lá o que passa pela cabeça dele: tem hora que está animadão e superpreparado, tem hora que não está nem aí. Jon Fitch e Jake Ellenberger devem ser os próximos no caminho de St-Pierre.

Leve: Frankie Edgar é o campeão defende o título agora, no próximo UFC, o 136, dia 8 de outubro, contra Gray Maynard. O combate deve ser bacana: será a terceira vez que eles vão se encontrar, e Maynard é responsável pela única derrota da carreira de Edgar. Em janeiro, eles duelaram pela segunda vez, com empate (um juiz deu vitória de Maynard por 48-46, o outro deu vitória de Edgar pelo mesmo placar, e o terceiro anotou empate, 47-47). Se Edgar ganhar, pode ser o início de uma dinastia. Se perder, fica tudo em aberto, já que caras como Clay Guida, Ben Henderson, Thiago Tavares, Joe Lauzon, enfim, qualquer um pode se candidatar a brigar pelo título.

Pena: José Aldo é o cara e coloca o cinturão em jogo no UFC 136, contra Kenny Florian. A expectativa é de nova vitória do brasileiro, que vem sobrando na categoria e nunca perdeu no WEC/UFC (9 lutas, 9 vitórias). Hatsu Hioki, Chad Mendes, Diego Nunes e Tyson Griffin são os possíveis candidatos a disputar o cinturão com Aldo, uma espécie de Anderson Silva do peso pena.

Galo: a categoria, que, assim como o peso pena, veio do extinto WEC (divisão do UFC para os pesos mais leves), tem Dominick Cruz como atual campeão e disputa pelo título agora, dia 1º de outubro, contra Demetrious Johnson. O combate promete ser bem divertido, assim como tem sido a categoria, repleta de bons candidatos ao cinturão, como Brian Bowles, Joseph Benavidez, Miguel Torres e Urijah Faber, entre outros.

Mas, diante de todo esse cenário, a pergunta que fica no ar é: dane-se Silva x St-Pierre, queremos Silva x Jones. A bola está com o senhor, Dana White. O UFC não é melhor que o boxe por que dá para os torcedores as lutas que os torcedores querem ver? Pois bem, queremos Silva x Jones. E logo! Depois, pode até fechar o UFC, “mister” Dana.

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