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Espanha x Itália e a história de mais um brasileiro

Itália x Espanha, do meu sangue para a coleção de camisas - Foto: Ricardo Zanei

Itália x Espanha, do meu sangue para a coleção de camisas – Foto: Ricardo Zanei

Espanha x Itália, Itália x Espanha. Final da Eurocopa. Jogo daqueles de tirar o fôlego, de deixar o coração apertado. Não apenas pelo futebol, mas por ser um duelo que une histórias de vida, curiosamente, de tantos brasileiros. A minha, com certeza.

Da Itália, vieram Orlando, Mansueto e Zanei. Até onde sei, o Orlando veio de minha avó paterna. Mansueto e Zanei, do meu avô paterno. O encontro dos sobrenomes pode ter sido na Lombardia, nos arredores de Milão, ou em Trentino Alto Adige, pros lados de Trento.

Da Espanha, Parra, Hernández e Camargo. Meu avô materno era Parra Hernández, nascido em Salamanca. Minha avó, sinceramente, eu não lembro, mas o Camargo pode ter saído do norte da Espanha, mais precisamente Cantábria, colada no País Basco.

Quando pequeno, por influência da minha mãe filha de espanhol, adorava a “Fúria”. Zubizarreta, Hierro, Michel, Martín Vázquez, Sanchís, Nadal, Bakero, Ferrer, Goikoetxea, Sergi e, claro, Butrageño, são nomes que fizeram parte da minha infância. Da mesma forma, a herança italiana estava ali, e caras como Zenga, Massaro, Ancelotti, Ferrara, Bergomi, Vierchowod, Giannini, Donadoni, Mancini e Viali, além dos imortais Baresi, Maldini e Baggio.

Trocentos anos depois, minhas origens espanholas e italianas se encontram na decisão da Eurocopa. Se você pensar bem, minha razão genética de ser está toda ali. Talvez seja a final que mais explique muito do que sou, como sou ou por que sou. Assim, a final traz sentimentos, de pessoas, de sensações. Lembranças intensas e boas demais!

Todo mundo tem uma história. Algumas, mais claras. Outras, nem tanto. A decisão da Euro é, para muitos, mais um grande jogo de futebol. Para mim, é uma grande lupa sobre a minha história, a história de mais um brasileiro.

P.S.1: Um site legal para ter uma ideia geográfica de sobrenomes italianos é o Gens. De espanhóis, o MiParentela.
P.S.2: O palpite e a torcida: Itália, Azzurra! Mas, se der Espanha, o coração e a alma ficarão em paz!

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Essas “meninas”, um aniversário, três notícias maternais e o início de uma aventura

Era o segundo aniversário da minha melhor amiga. Segundo aniversário dela como mãe. Ok, a festa de aniversário no meio da tarde estragou completamente o feriado. É fato. A aniversariante sabe disso. Mas valeu a pena.

Quem diria que um aniversário traria notícias tão maravilhosas. Fiquei sabendo que minha nova casa está a caminho, o que é bem bacana. Vi de pertinho e pude curtir um pouquinho o herdeiro da aniversariante: quem diria, já está um homenzinho, andando pra lá e pra cá e vestindo até gravata! Sensacional e inexplicável o quanto esse moleque é especial!

E aí fico sabendo que uma amiga está grávida. Que duas estão grávidas. Que três estão, adivinhe só, grávidas! Notícias como essas, no mesmo dia, com a distância, sei lá, de minutos, são de deixar qualquer um embasbacado. Confesso que fiquei bobo. Ok, mais bobo.

É engraçado. São pessoas que eu conheço desde fevereiro ou março de 1998, quando, para o mal do jornalismo e para o bem das nossas vidas, ingressamos na gloriosa Universidade Metodista de São Paulo ou, simplesmente, Metô. Foi ali, no primeiro ano da faculdade, que elas cruzaram o meu caminho. De graça, ficamos amigos.

Amigos… Perdemos madrugadas fazendo trabalhos de faculdade, mas ganhamos muito mais madrugadas enchendo a cara. Compartilhamos muitas cervejas no boteco “da” Metô, bem como muitos cafés na casa da Dona Beth. Ficamos amigos de casos, rolos e namorados (elas, das minhas) de cá e de lá, alguns de gosto comum, outros de retumbante unanimidade negativa.

Vibramos com os primeiros empregos jornalísticos, xingamos as primeiras demissões jornalísticas. Discutimos, brigamos, demos o dedinho, fizemos as pazes, trocamos confidências, falamos alto, demos papelão. Demos muitas risadas, choramos, mas sempre voltamos a rir. Sempre juntos! Amizade!

Isso tudo só na faculdade… Tempo bom demais, em que tínhamos o luxo de ser completamente idiotas e nos divertir completamente com isso. Tínhamos a irresponsabilidade de deixar as coisas pra depois e, bem ou mal, de arcar com as consequências disso. Mas tínhamos, acima de tudo, uns aos outros, amigos cada vez mais unidos.

O tempo foi passando. Claro, os caminhos muitas vezes se desencontraram. Os passaportes, por outro lado, viraram uma aula de geografia. Os encontros se tornaram mais espaçados, mas a amizade, aquela, de graça, só aumentou.

Aí, em um inocente aniversário (não vou falar a idade, mas você está velha, há), surgem uma, duas, três notícias. Uma só já era para encher o coração de alegria. Duas, Ok, eu até aguento. Três foi demais!

Já sei que os próximos aniversários serão marcados cada vez mais cedo. Também sei que teremos que falar cada vez mais baixo. Pior: sei que, para alegria do meu fígado, beber uma cervejinha a mais será um ato de irresponsabilidade, uma “coisa feia”, dirão as mães. Mas sei também que serão os aniversários mais legais, mais celebrados, mais inesquecíveis.

É engraçado. Aquelas “meninas” que cruzaram meu caminho há tanto tempo, aquelas que me ajudaram em tantos momentos, que vivenciaram praticamente tudo da minha “vida adulta”, estão dando os passos mais importantes das nossas vidas. Digo nossas, porque sou tio postiço, e tenho idade mental suficiente para brincar de igual para igual com os futuros herdeiros.

É engraçado pensar que aquelas “meninas”, em breve, serão mães. Bastou uma notícia para que olhar (ou falar, viu, você que mora longe) para aquelas “meninas” tivesse um novo sentido: já dá para sentir aquela vibração boa, aquele algo mais que só uma mãe tem. Para mim, elas continuarão sendo “meninas”, mas com um brilho diferente. Caramba, eu sou um dos mais velhos, mas isso é adulto demais pra mim.

Existem dois momentos na vida que eu não sei bem o que falar, muito menos encontro palavras para explicar. Um, “meninas”, vocês presenciaram e foram fundamentais para que eu levantasse a cabeça. O outro é esse que vocês estão vivenciando e que, a partir de agora, de perto ou de longe, consciente ou inconscientemente, eu estarei vivenciando com vocês.

Ao voltar pra casa, ligamos para um dos futuros pais. Um daqueles caras que dá orgulho de fazer parte da sua vida, mas tem o defeito de torcer para aquele maldito time. “Vamos viver juntos essa aventura”, disse ele, para encher meus olhos das mais sinceras lágrimas. Sem dúvida, “meninas” e rapazes, estaremos juntos em mais essa. Em todas as próximas. E, para o azar de vocês e sorte para mim, para sempre!

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