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Minotauro, uma entrevista e um fato: os brutos também amam

Minotauro e seu bulldogue, Temaki - Foto Jorge Bispo/Trip

Minotauro e seu bulldogue, Temaki - Foto Jorge Bispo/Trip

Desde agosto, quando o UFC aconteceu no Rio, o MMA, ou melhor, os lutadores brasileiros, viraram celebridades. Primeiro, foi Anderson Silva, que apareceu na TV em tudo que é programa, além de estampar inúmeros comerciais. José Aldo, Shogun, idem. Agora, Junior Cigano. E, por fim, Minotauro.

O MMA foi alçado, enfim, a esporte. Isso, claro, traz trocentas leituras. Pretendo, claro, debater tudo que é ponto de vista aqui e expor o meu, que, pasmem, pode mudar se alguém tiver uma visão melhor que a minha. Uma coisa, é fato: se tivesse brasileiro só apanhando seria essa festa? Talvez não e, com certeza, não chegaria à TV aberta na Globo.

Brasileiros em alta são um prato cheio para qualquer emissora de TV. O vôlei, que ganha tudo, passa na TV aberta, não? Bem ou mal, sim. O basquete, que não ganha nada há décadas, foi sumindo. O futsal, desde Manoel Tobias e passando por Falcão, é uma festa nas manhãs de domingos, bem como o futebol de areia e o vôlei de praia, modalidades moldados para a TV. É de se pensar.

Mas a exposição desses caras na TV tem um lado positivo: desmistifica. Um lutador de MMA não é um super-herói, não tem superpoderes, não é um ser mitológico, nem quando seu apelido é Minotauro. Por acaso, vi ontem a entrevista do lutador baiano no programa da Marília Gabriela, no GNT. Não sei quando foi ao ar originalmente, mas foi bem legal.

Minotauro comemora nocaute sobre Schaub no Rio - Foto: TV/Arte

Minotauro comemora nocaute sobre Schaub no Rio - Foto: TV/Arte

Marília Gabriela é a melhor “perguntadora” desse país. E tem, a seu favor, o enorme qualidade de ouvir o que o entrevistado fala. Ela cria um clima leve, de bate papo, mas, ao mesmo tempo, tem a habilidade de bater quando tem que bater, ou de falar coisas que nenhum outro falaria.

Com Minotauro, não foi diferente. Pelo lado esportivo, Marília Gabriela arrancou de Minotauro confissões do tipo “passei muito tempo sem assistir a uma luta” e “já fiquei de saco cheio de lutar”. Mas é o lado pessoal que me chama a atenção: por exemplo, alguém aí já disse que ele tem as mãos mais lisas que as suas? Alguém aí já perguntou como é o lado feminino de um cara que vive e respira um ambiente predominantemente masculino? Ou alguém comentou sobre a foto de um brutamontes com um cachorrinho no colo, e o gigante ficou todo feliz com isso?

Foi uma bela entrevista e um exemplo de como tirar o lado super-herói que paira sobre os lutadores de MMA. Os caras são como qualquer outro esportista: tem casa, amigos, família, namoradas e, claro, um cachorro amigão chamado “Temaki”. Os brutos também amam? Sim, e dão boas entrevistas quando as perguntas certas são feitas.

P.S.: O link para um trechinho da entrevista de Minotauro com Marília Gabriela está no site do GNT. Acho que o pedacinho foi mal escolhido, poderia ser coisa melhor, mas dá uma palinha de como foi o papo.

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Ayrton Senna no Roda Viva em 1986: uma segunda-feira inesquecível

Ayrton Senna acelera para vencer o GP de Detroit de 1986 - Foto: Rainer Nyberg

Ayrton Senna acelera para vencer o GP de Detroit de 1986 - Foto: Rainer Nyberg

Enquanto todo mundo ficava falando de “CQC” e Rafinha Bastos, a TV Cultura, quase que silenciosamente, reprisou uma entrevista com Ayrton Senna, realizada em 15 de dezembro de 1986, ao programa “Roda Viva”.

Eu estava vendo futebol americano quando o amigo Gustavo Franceschini deu a dica no Twitter/Facebook. Até demorei para agradecer, porque o bate-papo estava tão bom que era difícil tirar os olhos da TV.

O programa, em si, é uma aula para quem é jornalista e para um monte de jogadorzinho ou atletinha que se acha dono do mundo.

A bancada é formada por caras como Claudio Carsughi, Fernando Calmon, Galvão Bueno, Marcelo Rezende, Reginaldo Leme, sob o comando de Rodolpho Gamberini. Tem até participações de Chico Land e de um Rubens Barrichello praticamente criança. Não tem muito dessa de frescura, muito menos de amizade: nêgo pergunta o que quer, do jeito que quer, e Senna, à época, uma espécie de “Neymar” da Fórmula 1, responde tudo.

Tudo? Bem, ele fala da “amizade” com Piquet, dá sua opinião sobre política, comenta o assédio das mulheres e se tem namoradinha aqui ou na Europa, fala até de salário de piloto, ri muito, chora um pouco. Se fosse hoje, na primeira, segunda pergunta, um entrevistadinho sairia do estúdio. Senna fica, e o resultado é um programa memorável.

Acabei publicando no Youtube (espero que a Fundação Padre Anchieta não tire do ar) um trecho em que Senna fala sobre a vitória no Grande Prêmio de Detroit (EUA), dia 22 de junho de 1986. A edição desse trecho pelo pessoal do Roda Viva é simples, maravilhosa e foi feita ao vivo, ou seja, mais uma aula.

Senna se emociona ao falar da vitória em Detroit

P.S.: Dei uma fuçada no Youtube e achei alguns vídeos com a entrevista, que podem ser encontrados aqui. Por uma dessas maravilhas do mundo moderno, se você não conseguir assistir à entrevista completa, ela está aqui, totalmente transcrita. Enfim, o programa é inesquecível, daqueles para ver e rever, e vale a pena correr atrás (foi lançado em DVD também). Fica a dica!

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