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Iziane, “tudo eu” e o futuro do pretérito

Iziane na seleção, apenas um rascunho - Foto: Gaspar Nóbrega/CBB, Arte/Zanei

Iziane na seleção, apenas um rascunho – Foto: Gaspar Nóbrega/CBB, Arte/Zanei

Infelizmente, nunca vamos saber o tamanho que Iziane poderia atingir na seleção brasileira. Seria ela uma Hortência, uma Paula, uma Janeth? Não sei, nem você. Mas parece que ela acha que é maior que todas elas. Maior, até, que o próprio time nacional.

Essa é a única explicação que encontro para os desencontros da atleta. Potencial, a gente sabe desde sempre, ela tem para se tornar uma das maiores atletas do planeta. Mas, quando o assunto é cérebro e equilíbrio emocional, parece que a ala não saiu do berçário.

Eu sei, é forte falar isso, mas dói escrever essas palavras para uma jogadora que poderia ter conquistado tudo, comandado uma nova geração na seleção, se eternizado com a camisa do Brasil. Poderia. Futuro do pretérito. Aquele tempo verbal condicional. Ou seja, só Deus sabe o que seria.

Além de achar que pode tudo na hora que quer, tenho a impressão que Iziane é aquele tipo de pessoa que se acha vítima de tudo. “Sempre culpa minha”, deve dizer a atleta quando encosta a cabeça no travesseiro. Às vezes, nêgo vira bode expiatório mesmo. Mas, quando a história se repete, é difícil acreditar.

Iziane teve problemas com três técnicos da seleção: Paulo Bassul, Enio Vecchi e Luis Cláudio Tarallo (leia-se Hortência). O motivo sempre teve a ver com indisciplina, sempre teve a ver com se achar melhor do que é, sempre teve a ver com quebrar as regras.

Agora, o motivo é levar o namorado para a concentração no período de treinos na França. Uma vez? Não, “várias noites”, disse ela. É grave? Acho que não, existem pecados bem mais condenáveis no mundo, mas, no caso, regra e regra, e Iziane, aquela do “tudo eu, tudo eu”, quebrou mais uma.

Inexplicavelmente, o basquete feminino do Brasil se renova. Ou se renovava. Inexplicavelmente, pois, mesmo sem apoio de ninguém, grandes jogadoras sucediam grandes jogadoras. Uma delas, no entanto, resolveu quebrar o ciclo. Iziane poderia ser um mais uma dessas grandes jogadoras. Infelizmente, desencanou. A culpa é minha, sua, dos técnicos? Que nada. Quando o assunto é Iziane na seleção, a atleta pode se gabar de ter estragado uma história que poderia ser belíssima. Poderia.

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Quando o sumiço vira o assunto de um Brasil x Argentina

Mário Fernandes - Foto: Neco Varella/Freelancer

Mário Fernandes - Foto: Neco Varella/Freelancer

Agora, toda a semana, tem um Brasil x Argentina. Ok, exagero, mas, semana sim, semana não, fica sem graça. Não que esse torneiozinho mequetrefe tivesse alguma relevância, mas, ainda assim, só desvaloriza o confronto.

Pior: o que era para ser um clássico, para ter uma polêmica aqui ou ali entre os “inimigos”, virou assunto justamente pela ausência de um jogador. Nada de polêmica na convocação. Ele, Mário Fernandes, do Grêmio, foi chamado, mas resolveu não ir.

Segundo a CBF, “Mário Fernandes enviou ainda mensagem ao técnico Mano Menezes em que justifica a desconvocação por razões estritamente pessoais”. Mano respondeu, também no site oficial da entidade, ao dizer que “respeita os motivos abordados pelo jogador, mas ressalta que considera não serem os mesmos suficientes para futuras decisões envolvendo a seleção brasileira”.

Mas o mais divertido de toda a história é a sequência de fatos. Em 2009, pouco depois de ter trocado o São Caetano pelo Grêmio, no dia 13 de março, ele desapareceu. Surgiu quatro dias depois, na casa de um tio, em Jundiaí, dizendo que não iria mais para o clube tricolor. Em seguida, mudou de ideia.

Contratado pelo Grêmio como zagueiro, foi utilizado ora como lateral, ora na zaga. Teve lesões nos ombros, perdeu espaço, voltou ao time e se firmou. Ganhou a torcida, os técnicos que passaram pelo Grêmio, até ser chamado para a seleção principal.

Na segunda-feira, dia 5 de setembro, ele foi convocado para o primeiro jogo com a Argentina, o 0 a 0 sem graça no dia 14, em Córdoba. Brincou com a situação ao dizer: “Não posso sumir da seleção, né? É minha chance e espero aproveitar da melhor maneira”.

Não foi utilizado na partida, mas, depois dela, se mostrou satisfeito por fazer parte do grupo. “Quando a gente é convocado para a seleção é uma felicidade muito grande, então, é mostrar meu trabalho no Grêmio para ser convocado mais vezes.”

Aí, o cara é chamado mais uma vez, perde o voo, alega problemas pessoais e resolve não ir para a seleção. Parece piada! Mas, ainda bem que tivemos um Mário Fernandes para criar assunto antes desse Brasil x Argentina. Se não, seria a lenga-lenga de sempre. Aliás, deve ser por isso que o gremista resolveu ficar em casa…

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