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A quarta Olimpíada do resto de nossas vidas

Aneis olímpicos - Foto: Reprodução

Aneis olímpicos – Foto: Reprodução

Essa é a minha quarta Olimpíada como jornalista, a quarta Olimpíada de São Paulo (perdedor, hein?). Cada uma teve a sua peculiaridade, muito, graças ao tempo. Sim, é babaca falar isso, mas o tempo – o meu e dos Jogos – moldou isso.

A primeira foi em 2000, ainda na faculdade, fazendo aquele frila divertido e mal pago apenas dos jogos de futebol. Foi divertido porque eu trabalhava de casa e uniu o útil e o agradável. Afinal, eu ia ver as partidas mesmo, e escrever sobre foi até um extra.

Quatro anos depois eu estava fazendo placar ao vivo, resultados e quadro de medalhas no UOL. Foi algo insano, trocentas horas de trabalho por dia que passavam voando. Era tanta informação que, falando francamente, não guardei quase nada no cérebro. Quem ganhou o jogo tal? Não sei, mas trabalhei nele. Foi cansativo e, talvez, a cobertura mais legal que eu participei.

Pequim foi, talvez, uma das maiores lições que eu tive na profissão. Trabalhando no site da Abril, o Abril.com, fazia-se de tudo: notinhas, placar ao vivo, resultados, medalhas, álbuns, enfim. O que imaginar, a gente fazia. O horário era ingrato, e foi a cobertura que mais me estragou na vida – fisicamente falando. Só para ter uma ideia, o primeiro dia de sono pós-olímpico foi literalmente quase isso, um dia inteiro dormindo. O corpo estava morto, mas, a cabeça, feliz.

Agora vem Londres. A expectativa é bem realista: muito trabalho, vida social nula, chance zero de medalha. A expectativa só vai ser confirmada – ou não – depois da cerimônia de encerramento. Expectativa bem mais realista do que a de muitos atletas brasileiros em Londres.

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O gol de Ganso

Ganso e o golaço - Foto: Ivan Storti/Divulgação Santos FC, Arte/Ricardo Zanei

Ganso e o golaço - Foto: Ivan Storti/Divulgação Santos FC, Arte/Ricardo Zanei

A surpresa talvez seja o fator que mais chama a atenção em qualquer disputa esportiva. É ela que faz com que aquele lance normal se torne algo espetacular e inesquecível. Sem ela, o esporte seria um marasmo. Mas, ela só existe graças aos gênios, monstros, craques, aos acima da média.

O gol de Paulo Henrique Ganso contra a Catanduvense foi um exemplo perfeito da surpresa. Bola na entrada da área, marcação distante, liberdade para soltar aquela cacetada para o gol. Aí, em um instante, em uma fração de segundo, ele bate o olho e resolver fazer o que ninguém pensou.

O toque por cobertura é perfeito por tantos motivos… A sutileza do movimento fez com Ganso escondesse o totózinho na bola até o último instante. O toque sai justo, a bola ganha a altura apenas e tão somente necessária para encobrir o goleiro. O goleirão se estica loucamente, plasticamente, mas não consegue evitar. E a bola, enfim, cai mansa nas redes.

Tudo bem, o adversário não era nenhum bicho de 7 cabeças, mas o time dos Santos fez o dever de casa. Além disso, abriu o segundo centenário com um gol daqueles especiais, espetaculares. Um belo cartão de visitas para os próximos 100, 200, 1000 anos.

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