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Chorando com o título de um time que não é o meu

Torcida do Palmeiras na final - Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress, Arte/Ricardo Zanei

Torcida do Palmeiras na final – Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress, Arte/Ricardo Zanei

São 2h21 da manhã, e acabei agora minhas obrigações profissionais. Por causa delas, aliás, eu praticamente não assisti aos jogos da Copa do Brasil. Vi, por causa delas, a final. E foi na decisão, com o título palmeirense, que eu me vi chorando. Copiosamente. Por um time que não é o meu.

LEIA MAIS: Marcos: santo, imortal e a história de um “quase” palmeirense

Foi difícil terminar o trabalho da noite. O motivo foi a emoção. No caminho para o fim da labuta, me deparei, no Facebook, com algumas menções à minha mãe. Dona Zélia foi uma palmeirense fanática, daquelas malucas. Certa vez, ela me disse: “Tem três coisas na vida que eu amo: Deus, Palmeiras e você”. Provavelmente, a ordem era essa.

A primeira veio de uma prima minha, amada e querida, direto de Mogi Mirim, terra da minha mãe. “De alguma maneira, a Dona Zélia está mto feliz!”. Em seguida, veio meu sobrinho, direto de Santo André, minha terra. “Parabéns a maior torcedora do Palmeiras que já existiu. Parabéns Vó Zelia! O céu está em festa”, escreveu o moleque, hoje com 22 anos e trocentos centímetros maior que o tio. O detalhe é que minha prima é são-paulina. Meu sobrinho, corintiano.

Aliás, a história futebolística do meu sobrinho e da minha mãe é das mais divertidas: a cada fim de clássico com vitória do Corinthians, o telefone de casa tocava. Era o moleque, louco para tirar sarro da vó. Mais do que sarro, ele tirava a vó do sério, isso sim. Tanto que ela achou uma maneira das mais simples de não ter que ouvir mais desaforo e parou de atender o telefone. “Deixa tocar”, dizia. Eu via tudo de camarote e me divertia.

Na fria madrugada paulistana, a namorada, que vai acordar antes das 6h para trabalhar, dorme no quarto. Na sala, a TV está baixinha e, praticamente, só ouço o barulho das teclas do computador. Em meio a todo esse silêncio, tenho a nítida noção que, a qualquer momento, vou ouvir minha mãe explodindo de emoção, berrando, chorando com o Palestra dela.

Título que veio com um Felipão que era quase um deus para minha mãe. Título com os dedos de São Marcos e César Sampaio, dois caras que mereciam altares em casa. Até de Galeano, xingado e odiado tantas vezes por ela, amado e idolatrado eternamente por aquele gol contra o Corinthians.

Por tudo isso, caí no choro que nem criança. De soluçar, sabe? Por uma dessas coincidências da vida, me peguei, há pouco, enxugando as lágrimas palmeirenses na toalha com o escudo do meu time. Na fria madrugada paulistana, cá estou, chorando com o título de um time que não é o meu. Copiosamente.

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Enfim, Corinthians: insano

Corinthians, campeão da Libertadores - Fonte: UOL

Corinthians, campeão da Libertadores – Fonte: UOL

Demorou. Demorou muito, até, para que o Corinthians conquistasse a América. Demorou, mas o dia, insano, chegou. E como chegou.

Parecia uma teimosia quase infantil, sabe? Aquela coisa de fazer uma coisa, dar errado, ir lá de novo, fazer igual, dar errando de novo, ir de novo e de novo, fazer igual vez e vez, errar, errar, errar… Insanidade?

“Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes.”

Albert Einstein

Corinthians na Libertadores virou uma espécie de piada pronta. A queda antes mesmo da fase de grupos em 2011 pareceu o mais alto grau de teimosia, o atestado da insanidade.

O tombo foi grande, o maior deles, talvez. E, pela primeira vez, pareceu que o Corinthians tinha aprendido a lição. Veio o título brasileiro e, no calendário, mais um compromisso inadiável: a Libertadores 2012.

Dessa vez, nada de fazer o mesmo. Não teve nenhuma contratação milagrosa, nenhum supertime. Formou-se, sim, uma equipe. No comando, Tite. A missão não era o título, mas fazer diferente e, aí sim, esperar um resultado diferente.

equipe
substantivo feminino
1 conjunto de pessoas que se dedicam à realização de um mesmo trabalho
Ex.: e. de filmagem
1.1 Rubrica: esportes.
grupo de duas ou mais pessoas que, formando um conjunto solidário, participam de uma competição esportiva
Ex.: e. de futebol

Fonte: Dicionário Houaiss

O dicionário traz, como exempo de uso da palavra equipe, “equipe de futebol”. Curioso mesmo: tem tanto time por aí, a maioria, acredito, que não é equipe. Ou melhor, que está anos-luz de ser uma equipe.

Mas o Corinthians foi uma equipe, com uma doação exemplar. Ninguém, ali, ganhou jogo sozinho. Mas cada um sabia que, se correr um pouquinho cá e lá, se der um carrinho lá e acolá, dava para vencer. Apertado, no sufoco? Dane-se como, mas dava para vencer.

E foi assim. Tanto que, eu, você e todo mundo tem dia bom, dia ruim. Tem dia que você trabalha e fala: caramba, hoje, rendeu. Tem dia em que nada sai direito, mas o trabalho é feito. No futebol, no Corinthians, foi assim também.

Teve o dia do Cássio. Teve o do Ralf. Teve o do Danilo também. Paulinho e Castan tiveram vários dias legais. Até que chegou o dia do Emerson. E foi a noite das mais barulhentas de uma das maiores cidades do mundo.

Insanidade é sinônimo de loucura, alucinação. Insano é o maluco. O Corinthians passou da insensatez à loucura. Loucura saudável, bando de loucos. Enfim, a Libertadores. Insano.

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City, um tango, um título e muita emoção

City, festa em campo, festa na galera - Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

City, festa em campo, festa na galera – Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

“Sabíamos que não estávamos conseguindo o campeonato, e em cinco minutos conseguimos dois gols. A verdade é que não sei como fizemos.”
Aguero, hoje, mais do que o genro de Maradona

Há muito o que se dizer sobre o título do Manchester City. Mas acho que a palavra-chave é emoção. Foi tudo, teve de tudo, mas, no fim, foi pura emoção.

Aproveitando os personagens argentinos da história, dá para dizer que foi um verdadeiro tango. A música, vira e mexe, ronda com o tom de tragédia, uma tragédia que vai se construindo aos poucos. A regra é que tudo dê errado, mas, às vezes, o cenário muda, e o que era para ser terrível se torna maravilhoso. O tango é assim. O futebol, muitas vezes, idem. O título do City foi muito, mas muito assim.

O último minuto da partida foi daqueles de arrepiar, de ver e rever e rever e rever. É capaz de ter gente já produzindo DVD apenas com isso, com toda a anatomia dos lances. Isso se já não estiver nas prateleiras de toda a Inglaterra.

Três imagens estão nítidas na minha cabeça, duas com o mesmo personagem, Aguero. A primeira é o gol da virada, um gol daqueles que só os predestinados são capazes de fazer. Último minuto do último jogo, último lance de 38 rodadas, último suspiro. Imagine o peso de ficar com a bola nesse instante, ainda mais precisando de um gol. Pois o argentino recebeu, dominou, driblou, marcou. Um sangue frio impressionante.

A segunda imagem foi sendo construída por todo o jogo. O 1 a 0, o empate do Queens Park Rangers, a virada. A cada lance, a torcida do City aparecia na tela. Era o tal do tango na tela, representado por um monte de gente que nunca tinha visto aquele time ganhar nada. Euforia, apreensão, desespero, esperança, explosão. A sucessão de sentimentos foi de chorar.

Por fim, Aguero falou para os canais ESPN, e a frase que mais me chamou a atenção abre esse post. Nada daquele papo de “acreditamos até o fim” e todo o blablabla que a gente está acostumado a escutar. Para mim, ele deixou claro que o time teve medo, pavor de perder o título. “A verdade é que não sei como fizemos” mostra que a virada veio totalmente no “vamo que vamo”, um misto de susto e oportunidade.

É por jogos como esse que ainda existe esse amor pelo futebol. Confesso que o esporte me deixa muito, mas muito desanimado em tantas oportunidades, mas basta 1 minuto assim para que o coração volte a pulsar e você relembre por que começou a amar a bola. A vitória do City foi um tango, foi do drama para a festa, foi humano. Humana como a festa impressionante da torcida com o gol salvador, festa em ritmo de obra de arte. Emocionante.

P.S.: Para quem não viu ao vivo, a narração de Paulo Andrade, da ESPN, especialmente do terceiro gol do City, é de arrepiar. Os melhores momentos estão aqui, mas vale a pena procurar toda a sequência de lances. Emocionante.

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Jones, Rashad, cinco rounds e um round

Jon Jones mantém o cinturão - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Jon Jones mantém o cinturão - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

O resultado foi o esperado: vitória de Jon Jones. Eu sei, eu sei, não foi em dois rounds como a minha bola de cristal me disse, e a culpa é toda dela. Foram cinco rounds de algumas cacetadas e pelo menos três lições.

A primeira: Jones é muito superior, especialmente quando o assunto é forma física, que qualquer rival. Quanto mais a luta durar, melhor para ele.

Diante disso, a segunda lição é: seja lá qual for o adversário, é bom ir para cima de Jones no primeiro round. Como? Aí o problema é de quem entrar no octógono. O fato é que, a partir do segundo, o campeão passa a sobrar fisicamente, e a vida complica.

A terceira lição quem deu foi Rashad Evans, que achou um ou outro espaço na guarda de Jones e balançou o campeão pelo menos duas vezes. Ou seja, é ver e rever como os golpes entraram e tentar achar alguma brecha por aí.

Se eu esperava um nocaute no segundo round, é claro que fiquei decepcionado com a decisão em cinco. Esperava, claro, um Jones mais ligado, mais veloz, mais ativo no ataque. Claro que, mesmo em slow motion, ele é melhor que qualquer um. Tanto que ganhou. Mas poderia ter acelerado mais a luta.

E aí eu acho que o fator “adversário” pesou. Ex-amiguinho, ex-companheiro de treino… Jones respeitou demais Rashad. Teve chance de derrubar o ex-brother em algumas oportunidades, mas meio que deixou a luta rolar. Se fosse qualquer outro, acho que Jones iria para cima sem dó. Contra Evans, rolou uma certa compaixão pelo passado. Isso é bom? Não, mas é apenas uma suposição.

Jones agora tem Dan Henderson pela frente. O cara é veterano, mas ainda tem uma mão pesada. Foi ele o responsável pelo meu primeiro nocaute ao vivo, quando apagou Michael Bisping no UFC 100. Ainda tenho a cena completamente nítida na memória. Mas nem isso nem os bons resultados recentes serão capazes de melhorar a vida do desafiante contra o campeão. Para vencer, ele tem um round, um round. Depois, Jones sobra.

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Jones, Rashad e dois rounds

Jones x Evans  - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei

Jones x Evans - Foto: Al Bello/Getty Images, Arte/Ricardo Zanei


Dessa vez eu não vou dar pitacos em tudo que é luta do UFC. A edição 145, que acontece neste sábado, tem o duelo entre Jon Jones, dono do cinturão dos meio-pesados, e Rashad Evans como combate principal. E, por isso, vou direto para o prato principal.

Quem acompanha um pouco sabe que eles eram amiguinhos, mas agora são inimiguinhos. Trocaram farpas desde que a luta foi definida. O clima esfriou nas últimas semanas, mas a pesagem foi tensa. Faltou pouco para que eles saíssem no tapa. De qualquer forma, o circo está pronto.

Já gostei mais de Rashad. É um cara com um bom jogo de chão, bom na trocação. Enfim, é um bom lutador. Mas, às vezes, ser bom não é o suficiente para que você fique no topo. Talvez por isso ele tenha apenas uma derrota na carreira, justamente quando na única vez que colocou seu cinturão em jogo: levou uma aula de Lyoto Machida e perdeu o título.

Pelo fato de ser bom e de ser “ex-amigo”, Rashad vai durar um pouco mais no octógono. Um round, com certeza. Três, se Jones quiser brincar. Como o atual campeão não é muito de enrolação, a luta acabará no segundo round. Nocaute, nocaute técnico, finalização, sabe Deus como Jones vai encerrar o assunto, mas, para mim, está claro que ele vai destruir e permanecer com o cinturão.

O palpite, então, é simples: Jones no segundo round. Podem cobrar depois.

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Pitacos para o UFC 143

Roy Nelson em miniatura - Foto: Divulgação

Roy Nelson em miniatura - Foto: Divulgação

Sem rodeios, seguem os pitacos para o UFC 143.

CARD PRINCIPAL
– Nick Diaz (EUA) vence Carlos Condit (EUA) – campeão interino dos meio-médios

– Fabricio Werdum (BRA) vence Roy Nelson (EUA) – pesados
*comentário adicional e irrelevante: Roy Nelson é ídolo

– Josh Koscheck (EUA) vence Mike Pierce (EUA) – meio-médios

– Renan Barão (BRA) vence Scott Jorgensen (EUA) – galo

– Clifford Starks (EUA) vence Ed Herman (EUA) – médios

CARD PRELIMINAR
– Dustin Poirier (EUA) vence Max Holloway (EUA) – pena

– Edwin Figueroa (EUA) vence Alex Caceres (EUA) – galo

– Chris Cope (EUA) vence Matt Brown (EUA) – meio-médios

– Henry Martinez (EUA) vence Matthew Riddle (EUA) – meio-médios

– Rafael Natal (BRA) vence Michael Kuiper (HOL) – médios

– Stephen Thompson (EUA) vence Dan Stittgen (EUA) – meio-médios

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