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Virada de mesa, um bem para o futebol brasileiro

Torcida brasileira merece uma virada de mesa para o bem do futebol - Foto: Vanderlei Almeida/AFP

Futebol merece uma virada de mesa – Foto: Vanderlei Almeida/AFP

A virada de mesa é a melhor coisa que pode acontecer no futebol brasileiro em 2014. Não é questão de justiça, dane-se isso. A vida não é justa, o futebol, espelho do mundo fora dos gramados, não tem a menor obrigação de ser justo. O que manda é, sim, o bom senso. E o bom senso manda uma virada de mesa já.

Chegou a hora de um Brasileiro com 24 times, que é o melhor formato possível. A balela dos pontos corridos já deu. A fórmula perfeita une campeonato e torneio, classificação e mata-mata. É a hora de mudar.

Por quê?, pergunta você. Respondo eu: virar a mesa é a salvação do Brasileirão. Mais times, mais jogos, mais tudo. Entra mais dinheiro para os clubes com venda de ingressos e publicidade, os torcedores poderão ver mais suas equipes de coração – ao vivo no estádio, ao vivo em pay-per-view. Fomenta a economia: mais partidas, mais anunciantes, mais dinheiro sendo movimentado no país. Em um ano de Copa, é a dádiva que se esperava!

A ação do Ministério Público é uma falácia, assim como foram os argumentos mais do que flácidos dos torcedores da Portuguesa. O clube, sim, agiu corretamente: sem defesa, mal se defendeu. Com isso, abriu uma brecha para a virada de mesa. Foi a Lusa, sem querer ou querendo, quem criou a melhor situação possível para o futebol nacional.

O Flamengo, idem. Errou e não se defendeu. Apenas cumpriu tabela no tribunal. Se quisesse, mostrava sua força dos bastidores e faria de tudo para não perder pontos, mas não fez. Ponto positivo!

Ponto positivo também para o Fluminense! Agiu da forma mais correta possível, indo aos tribunais e mostrando argumentos extremamente convincentes. No entanto, nem era necessário: a Portuguesa já havia feito toda uma situação positiva para o futebol, e a presença tricolor foi nada mais nada menos do que mera formalidade jurídica.

Então, se tudo está certo, por que a virada de mesa? Porque a melhor maneira de agradar gregos e troianos é agradar todos. Unanimidade, sim, é a saída! Com 24 times, o Brasileirão se salva, acaba a discussão, acaba ação do MP, enfim, começa o futebol como deve ser de verdade, com quem deve estar na elite jogando na elite. Afinal, time grande não cai!

A virada de mesa é o que de melhor pode acontecer para o futebol brasileiro. Não vejo outra saída. É um murro na mesa, uma posição firme e coerente para salvar o esporte bretão. Mais do que uma necessidade, é uma obrigação moral e ética. É o sopro de decência que nós, como sociedade, precisamos.

P.S.: Leia também, “A falta que um sinal de ironia faz”

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Ao Santos, 100, uma reverência

Santos, 100 anos - Foto: Site oficial do Santos

Santos, 100 anos - Foto: Site oficial do Santos

Não sou santista, mas cresci cercado por eles. Tios, amigos, vizinhos. Na escola, confesso, eram poucos. No trabalho, eram muitos e, admito, insuportáveis.

Não vi Pelé, nem Coutinho. Ouvi falar de Pepe, Gilmar, Dorval, Pagão… Li muito sobre caras como Ramos Delgado, Carlos Alberto, Mauro, Zito… Nunca fui à Vila Belmiro, confesso, e isso pode até ser encarado como um desvio de caráter. Aprendi a gostar muito de Toninho Guerreiro, Pita e Serginho Chulapa, especialmente pelos feitos no Morumbi.

Santos, 100 anos

Curioso como cinco momentos não saem da minha cabeça quando o assunto é Santos. O primeiro, claro, não tem data registrada na minha memória, mas talvez seja o mais nítido de todos. Bruno José Daniel, Santo André vencendo por 1 a 0. Escanteio para o Santos, a zaga afasta, e Marcelo Fernandes – se não me falha a memória – acerta um petardo da intermediária e empata o jogo. Golaço.

O segundo foi em 1995, na semifinal do Campeonato Brasileiro. Acho que todo paulista, nem que por um instante, torceu por aquele time. Como jogava bola! Macedo, Marcelo Passos, Carlinhos… E, obviamente, o monstro Giovanni. Aquele jogo contra o Fluminense, o ficar no gramado o intervalo, e a transmissão épica da rádio Jovem Pan arrepiam até hoje, só de lembrar.

Santos 5 x 2 Fluminense, semifinal do Brasileirão-2005

Em 2002, a coisa toda foi engraçada. Estava na casa da namorada na época. Ela e a mãe estavam no quarto, assistindo a seiláoquê, e me deixaram na sala vendo a final do Brasileiro. Quando Robinho eternizou a pedalada, entortou Rogério e sofreu o famoso pênalti, eu surtei.

Surtei completamente com aquilo, a velocidade, a sincronia de movimentos, a capacidade de ainda driblar depois daquele show – e pensar que Robinho era apenas um menino de 18 anos! Perdi a linha, fui na varanda e gritei algo como “esse moleque é um gênio”. Era um prédio chique, e eu não esperava que seria tão xingado pelos corintianos. Devo ter gritado muito, ou a acústica da rua era especialmente boa, pois ouvi impropérios das varandas do outro lado da rua.

Só sei que, depois disso, a sogra e a namorada, sempre das mais comportadas no prédio, ficaram dias e dias sem abrir a varanda. A culpa, claramente, não foi minha, mas exclusivamente de Robinho.

Corinthians 2 x 3 Santos, final do Brasileirão-2002

Enfim, em 2003, eu tinha acabado de começar no UOL quando um, então colega de redação e, hoje, grande amigo, me convenceu a ir ao Morumbi ver a final da Libertadores contra o Boca. Tínhamos credenciais e, de alguma forma, poderíamos ajudar na cobertura, como fizemos.

Lembro que fomos com meu carro e estacionamos na casa do chapéu. Vimos o primeiro tempo em pé, já que não tinha lugar nem na sala de imprensa. Fiquei impressionado com a torcida do Boca, que não parava de cantar e calou o estádio como se estivesse em La Bombonera.

Com a bola rolando, lembro da maneira sufocante que o Boca marcava. O Santos tinha a bola, mas não conseguia chegar. O que o tal do Bataglia marcou o Diego foi algo fora do comum, impressionante. Por fim, na entrevista coletiva de Carlos Bianchi, assim que ele entrou na sala de imprensa, foi aplaudido de pé pelos jornalistas argentinos. Foi a primeira e única vez que eu vi um técnico ser aplaudido e que vi uma manifestação pública de integrantes da imprensa.

Santos 1 x 3 Boca Juniors, final da Libertadores-2003

Enfim, em maio de 2010, fui convencido por um amigo a assistir ao segundo jogo da final do Paulistão contra um dos melhores e mais breves times da história do Santo André. “Pô, Ganso e Neymar vão jogar. Daqui a pouco são vendidos, e a gente não viu esses caras ao vivo”, foi o argumento que me tirou de casa e me levou ao Pacaembu. Foi, sem dúvida, eletrizante!

Mais do que o título, a festa, ficou na memória toque de Ganso para o segundo gol santista. Até hoje, depois de ver e rever esse lance, eu não entendo como o meia viu que Neymar estava ali. Uma coisa de outro mundo, assim como a cena de ver um amigo atravessar correndo a Dr. Arnaldo e ficar no meio da avenida gritando loucamente quando o “Baleião”, o ônibus do Santos, tomava seu caminho de casa. Hilário e histórico!

Santos 2 x 3 Santo André, final do Paulistão-2010

Tudo isso para dizer que todo time grande é feito de vitórias e tropeços, de craques e pernas de pau, de dribles e gols, para lá e para cá. O Santos é grande, gigante, estratosférico. E isso valoriza ainda mais os seus rivais.

Ao Santos e aos santistas, a maior das reverências. Que venham mais 100, 1000 anos de vitórias e sorrisos, algumas derrotas e poucas lágrimas e, por que não, um ou outro título. Que venham mais zilhões de anos de Copertinos, Giovannis, Robinho e, para dar graça, um ou outro Boca ou Barcelona pelo caminho. Afinal, hoje, mais do que nunca, quem dá bola é o Santos.

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Fifa, Lusa, beisebol, All Blacks, tragédia e City

Pílulas do fim de semana:

– Excelentes avanços no que diz respeito à minha jogabilidade no Fifa 12. Rivaldo se encaixou perfeitamente no novo esquema de jogo, e Luis Fabiano desandou a fazer gols.

– Como é legal a Portuguesa já garantir a vaga para a Série A do ano que vem. Vale um post sobre o tema: precisa mesmo de um time cascudo, duro, seco, para voltar à elite? Jorginho e seus comandados provam que não.

– Albert Pujols, jogo 3 da World Series, Texas Rangers 7 x 16 St. Louis Cardinals: 5 de 6 nas rebatidas, 3 home runs, 6 corridas impulsionadas. Não entende nada de beisebol? Ok, isso quer dizer, basicamente, que o cara teve a maior apresentação individual na final da MLB. Monstruoso! Pitaco: Cardinals levam o título em 4 a 3, hein!

– All Blacks confirmaram o favoritismo e conquistaram o título do genial Mundial de rúgbi. Final tensa com a França, que surpreendeu e engrossou demais o jogo no segundo tempo. Uma baita decisão, para fechar com chave de ouro uma competição sensacional.

– Novo domingo, nova tragédia. O que dizer da morte de Marco Simoncelli na MotoGP. O sentimento é o mesmo da última semana. O melhor, acho, é o silêncio, como forma de homenagem.

– Manchester United 1 x 6 Manchester City. Clássico local, uma das maiores goleadas da história. Se fosse aqui, Alex Ferguson teria sido demitido antes de chegar ao vestiário. Mas é lá, e ele fica. Assim como eu fico por aqui!

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As imagens da rodada

Neymar comemora o golaço contra o Botafogo na Vila - Foto: Santos FC

Neymar comemora o golaço contra o Botafogo na Vila - Foto: Santos FC

Luis Fabiano marca seu 1º gol na volta ao São Paulo - Foto Yasuyoshi Chiba/AFP

Luis Fabiano marca seu 1º gol na volta ao São Paulo - Foto Yasuyoshi Chiba/AFP

Universidad goleia o Flamengo do desolado Ronaldinho - Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Universidad goleia o Flamengo do desolado Ronaldinho - Foto: Ricardo Moraes/Reuters

P.S.: Ao clicar na foto, ela abre em tamanho maior. #ficadica

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Santa Cruz: o Gigante acordou!

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

O título desse post não é meu: está no site oficial do Santa Cruz. Acho que é um daqueles casos que é uma torcida que tem um time, e não um time que tem uma torcida. São apaixonados, barulhentos, que lotam estádios como ninguém no Brasil. Mais de 60 mil pessoas assistiram ao empate sem gols com o Treze, resultado que colocou o time na Série C do Brasileirão e, espero, seja o primeiro passo rumo ao retorno à elite.

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

A torcida do Santa Cruz não merecia tanto sofrimento, mas, acredito eu, para cada um, valeu a pena a espera. Claro, é o primeiro degrau, mas, um clube com tanta tradição e, especialmente, uma torcida tão calorosa, não poderia ficar tanto tempo longe dos grandes campeonatos.

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

Que a festa continue na Série C, na B e na A. Ainda bem que ainda temos torcedores como esses no país. São eles que fazem com que o nosso futebol não definhe, por mais que a cartolagem tente afundar de vez o esporte em troca de bolsos, meias e sabe-se lá o que cheios de dinheiro.

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

Torcida do Santa faz a festa no jogo do acesso - Foto: Alessandro Varela/coralnet

A paixão, meus caros, é o que move o futebol. E não sei se existe, no Brasil, uma torcida tão apaixonada como a do Santa. Se alguém conhecer, me avise!

Festa da torcida – parte 1

Festa da torcida – parte 2

Festa da torcida – parte 3

Festa da torcida – parte 4

Festa da torcida – parte 5

Festa da torcida – parte 6

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