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Brasil de sempre, explicações de sempre e quem precisa de uma reciclagem?

Ronaldinho: em preto e branco, apagado e sem brilho, um rascunho de craque - Foto: Mowa Press e Arte/Ricardo Zanei

Ronaldinho: em preto e branco, apagado e sem brilho, um rascunho de craque - Foto: Mowa Press e Arte/Ricardo Zanei

Não sei quantas pessoas pararam para assistir ao amistoso entre Brasil e Bósnia-Herzegóvina. Sei que o número é cada vez menor. Em parte, pela qualidade do futebol. Em parte, pelo discurso apresentado. O fato é que, começa jogo, acaba jogo, e as coisas seguem iguais: o futebol é nanico, e o discurso é o mesmo.

Separei algumas frases ditas depois da partida, todas ao SporTV. Abaixo delas, meus comentários. Acho que vou tornar esse post um espécie de “molde” para usar em todos os jogos da seleção. Não importa se perdeu ou ganhou, o papinho é sempre o mesmo. Divirta-se:

“Esse campo não ajuda a gente a fazer o ‘um-dois’ que estamos acostumados”, Thiago Silva

Acho Thiago um dos melhores zagueiros do planeta, mas acho que o último “um-dois” da seleção foi na Copa do Mundo de 2010, com as arrancadas de Maicon. E só. O campo não ajuda para os dois, zagueirão, a lógica é sempre essa. Ah, Ok, é mais fácil destruir que construir, mas não dá para colocar a culpa por um futebol ridículo no campo.

“O campo é muito difícil. A seleção gosta de tocar bastante a bola e o gramado não ajudou. Prejudica nosso estilo de jogo”, Hulk

É curioso ver Hulk falar em estilo de jogo, sendo que nem Mano Menezes tem ideia de como implantar um na seleção. Que o Brasil toca a bola, isso é fato. O atacante só esqueceu de dizer que toca feio demais…

“A qualidade deles na parte tática é impecável. Todos ficam atrás da linha da bola, fechados. Quando você joga contra uma equipe assim, o risco aumenta, pois eles só jogam no contra-ataque, e isso pode ser fatal. Felizmente, isso não aconteceu hoje”, Thiago Silva

Jogador de futebol deveria ser proibido de usar a desculpa do “adversário fechadinho”, da “forte marcação”, do “não deixou jogar”. Ou Thiago Silva achou que a Bósnia entraria em campo com dois zagueiros, três meias e cinco atacantes? Impressionante que ainda se use esse tipo de desculpa no futebol.

“A gente está fazendo de tudo para achar a forma ideal de jogar, como todo brasileiro gosta, que é dando show. Não foi o que a gente fez hoje, mas o mais importante foi a vitória”, Neymar.

Tirando o “importante foi a vitória”, dá para reaproveitar em qualquer jogo do time de Mano. Essa é para guardar na manga, hein?

“O Ronaldinho esteve abaixo, a jogada terminava nele. Não teve sequência com qualidade de passe. A equipe fluiu melhor com o Ganso, ele deu mais continuidade aos lances”, Mano Menezes.

Então, né… O Ronaldinho está abaixo desde 2006. Foi naquele ano que a bola passou a chegar nele e morrer por ali. A frase de Mano seria perfeita para justificar a ausência do Gaúcho em qualquer convocação. Mas, infelizmente, serve para justificar o óbvio: Ganso – e até minha falecida vó – jogaram só um pouco, bem pouco mesmo, mas foram melhor que o flamenguista.

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O resumo da ópera é simples: não dá mais para ficar jogando essa bolinha e dizer essas asneiras achando que o torcedor tem cara de palhaço. Acho que, hoje, o Brasil precisa, primeiro, fazer um time, dane-se qual será a maneira de jogar, mas só depois disso é que se pode pensar em jogar algo. Pode perder, mas que seja por ação, e não essa omissão, essa preguiça danada.

Reciclagem é a palavra para definir o momento. Reciclagem de bola, reciclagem de microfone. Quem precisa de uma reciclagem? Por favor, seleção, levante a mão. Já cansou a paciência essa bolinha de sempre, essas explicações de sempre.

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Brasil x Bósnia no Bruno José Daniel da Suíça: por que não aqui?

Bruno José Daniel, em Santo André - Foto: Divulgação

Bruno José Daniel, em Santo André - Foto: Divulgação


Não nasci há tanto tempo assim, mas sou da época que o Brasil jogava em estádios sensacionais. Também jogava, pasmem, em solo nacional. Hoje, parece que os locais escolhidos para receber a seleção são proporcionais ao futebol apresentado. Ou seja, o time de Mano Menezes só joga em estádio pequeno, o que contradiz com a (suposta?) grandeza do futebol tupiniquim.

Vejamos o palco do sensacional Brasil x Bósnia-Herzegóvina: a AFG Arena, um estádio multi-uso com capacidade para estratosféricos 19.694 torcedores. Essa verdadeira meca da bola fica na enorme cidade de St. Gallen, na Suíça, casa de quase 73 mil pessoas. Basicamente, um quarto da população cabe no estádio.

Fico imaginando a seleção brasileira adentrando o surrado gramado do estádio Bruno José Daniel, o Brunão, casa do time da minha cidade, o Santo André. O site do clube diz que a “arena” andreense, que não é multi-uso, mas já recebeu shows de Menudos e Xuxa, tem capacidade para 15.157 pessoas. O recorde é de 21 mil. Vai dizer que, com a bolinha que o time de Mano Menezes vem jogando, não dava para calçar a chuteira no coração do ABC?

De acordo com estimativa do IBGE, com dados de 2011, Santo André tem 678.485 habitantes e é a 25ª cidade mais populosa do país. Você conhece Bayeux, na Paraíba? Eu nem sabia que existia, mas, pelo nome, poderia ser vizinha de St. Gallen. Pois bem, lá, em Bayeux, vivem 100.136 pessoas, e o município é o último colocado entre todos do Brasil com mais de 100 mil habitantes. À sua frente, existem 284 cidades. Mas, mesmo assim, a cidade paraibana, sede do estádio Lourival Caetano, para 2 mil torcedores, tem 27 mil habitantes a mais que a aprazível St. Gallen.

É a arborizada AFG Arena? Não, é o Lourival Caetano, em Bayeux; no Google Earth, todo estádio pode receber o Brasil e, hoje, pode mesmo, não? - Foto: Google Earth

É a arborizada AFG Arena? Não, é o Lourival Caetano, em Bayeux; no Google Earth, todo estádio pode receber o Brasil e, hoje, pode mesmo, não? - Foto: Google Earth

A diferença de Santo André e Bayeux para a cidade suíça é que ambas não pagariam a grana que alguém está bancando para levar a seleção para lá. St. Gallen deve ser linda: pelas fotos que vi, parece ser um destino sensacional para uma lua de mel ou um ótimo lugar para encher a cara de vinho e comer queijo até cansar. Mas, vai dizer que serve para receber a seleção? Não, né?

Diante disso, fico pensando no quanto o Brasil se apequenou nos últimos anos, principalmente graças ao dinheiro. É basicamente assim: pagou, levou. Penso também no quanto a seleção se distanciou da sua torcida, de como se tornou um time internacional e não nacional. Acho que é mais fácil você achar alguém identificado com Barcelona ou Real Madrid do que com o Brasil.

É triste tudo isso. O Brasil passará por St. Gallen e, amanhã, a cidadezinha suíça nem vai lembrar do que aconteceu. Se mandasse o jogo aqui dentro, em Santo André, ou Bayeux, ou Vespasiano, ou Simões Filho, ou Camaragibe, enfim, em qualquer cidade do nosso país, com certeza, aproximaria esse time da sua torcida. Mas, sabe como é, quem pode mais, chora menos. E lá vamos nós ver o Brasil jogar no Bruno José Daniel da Suíça, mas sem o mesmo charme do mítico estádio andreense…

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Ronaldinho e a coerência de Mano

Ronaldinho no Flamengo - Foto:Alexandre Loureiro/Vipcomm

Ronaldinho no Flamengo - Foto:Alexandre Loureiro/Vipcomm

Eis que Ronaldinho é convocado para o amistoso entre Brasil e Bósnia-Herzegóvina, dia 28 de fevereiro, na Suíça. E eu pergunto: por quê? Mano respondeu assim:

“Da primeira vez que convoquei o Ronaldinho, me perguntaram se era uma coisa de momento ou se fazia parte de um projeto. Estou me mantendo coerente com aquilo que disse. Eu fui muito cobrado recentemente nos balanços finais sobre a manutenção de uma base, e eu disse que a próxima etapa iria brindar isso. Não posso ficar trocando a todo momento por causa de um momento ruim. A fase agora exige um período melhor. As coisas serão mais estáveis.”

Realmente, estão mais estáveis. Ronaldinho, que não estava jogando nada no ano passado, continua não jogando nada nesse ano. Estabilidade 100%.

Curioso é que Ronaldinho não vive um bom momento desde que saiu do Barcelona. “Da primeira vez que convoquei o Ronaldinho, me perguntaram se era uma coisa de momento ou se fazia parte de um projeto”, disse Mano. Assim, isso me leva a crer que ele faz parte do projeto de Mano. Projeto olímpico? Projeto Copa? Tanto faz. Mas, aí, Mano é coerente de novo: dá medo nos dois.

Se antes a convocação de Ronaldinho servia para a molecada – leia-se os mais novos do elenco – tirar aquela foto com o ídolo ou, quem sabe, botar medo no adversário, hoje, nem isso. A convocação de Ronaldinho, de verdade, de coração, não serve para nada. Como a seleção não vinha jogando nada desde o ano passado, talvez tenha lógica. Ou melhor, coerência. E quanta coerência.

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