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Flamengo dança

A dança de Ronaldinho e Vagner Love - Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

A dança de Ronaldinho e Vagner Love - Foto: AP, Arte/Ricardo Zanei

Tenho como convicção que, para jogar futebol, tem que ter coração. Coração é raça, é vontade. É jogar o arroz com feijão no momento de seriedade, é enxergar a brecha e colocar entre as pernas no momento de picardia. É, antes de tudo, alma. Pode perder, mas tem que ter alma Por tudo isso, hoje, deve ser difícil demais torcer para o Flamengo.

Vi o VT do jogo contra o Olimpia. A desvantagem é que você perde toda a emoção da surpresa. O lado bom é que, sabendo mais ou menos como foram as coisas, você fica mais atento e consegue perceber os detalhes, ou melhor, consegue visualizar o tamanho das bobagens.

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Não vou enumerar os inúmeros erros da equipe de Joel Santana. Aliás, chamar o Flamengo de equipe é ser muito legal. É um bando de jogadores, sem a menor organização tática, cometendo falhas absurdas e infantis. E não dando a mínima.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a falta de coração. O Flamengo é um time morto, derrotado. A vontade de ganhar é ridícula, inexistente. Parece que os jogadores estão ali apenas para um momento: marcar um gol, sabe-se lá como, e cair na dança na comemoração.

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Nada contra as coreografias, acho até divertido. Mas tem coisa que soa falso demais. Em um time sem coração, sem raça, sem vontade, comemorar gol dançando sei lá o quê me parece uma afronta, uma provocação ao torcedor. Esse, sim, sofre com o time.

A realidade, para mim, é clara. O jogador dança ao fazer gol, o torcedor dança ao se esgoelar pelo time, e o Flamengo dança na Libertadores. No mesmo ritmo.

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Melhores momentos – Olimpia 3 x 2 Flamengo

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Sobre a alma e o “Bamos!”

Não importa o esporte, tem que ter alma. Não adianta ter garra, força, vontade. Ter alma é muito mais que tudo isso. Alma vem de um consciente que une um grupo em torno de um propósito.

Não precisa ser alto, forte. Não adianta ter técnica e habilidade. Ter alma é um acreditar acima de qualquer coisa. É superar limites físicos, mentais. É entender que, se tiver que correr mais para ajudar um companheiro, vou correr mais.

Ter alma é ter um sangue borbulhante, fervendo. É canalizar sua energia para a vitória. Se um jogador consegue isso, é um grande feito. Se um time consegue, ele se torna vencedor.

Depois de muito pensar sobre o jogo de ontem, cheguei à brilhante conclusão: o que falta na seleção brasileira é alma. Hoje, não temos os melhores jogadores do mundo, nem o melhor time do mundo. É ilusão pensar isso. Mas, pior que tudo, a seleção não tem alma.

Cruza-se uma fronteira, e ela, a alma, aparece. Eles não têm o melhor time do mundo, eles não têm os melhores jogadores do mundo. Mas eles têm alma.

E têm o “Bamos!”. Vi apenas o VT de Argentina x Uruguai, mas, ao final, o “Bamos!” estava ali. A cena: Forlán é levantado nos ombros por algum companheiro. No ar, aquele cara, que parecia ser o mais feliz do mundo naquele instante, solta um “Bamos!” pra todo mundo ouvir.

É uma espécie de grito de guerra, um mantra de união, que amedronta, intimida o oponente. É, como diria minha saudosa mãe, desopilar. Externar toda uma alegria, uma felicidade que não dá para conter. É mostrar que se está pronto para qualquer coisa. O “Bamos” traduz esse espírito, vem da alma.

Os uruguaios provam, há algum tempo, que têm alma. Um país pequeno, cativante, um povo acolhedor. Eles merecem, depois de tanto tempo, ter um time. Um time que se torna ainda mais forte com a alma do povo jogando junto. É um “Bamos!” coletivo.

Voltando da fronteira, cansa ouvir desculpas esfarrapadas. Cansa ouvir que o Brasil é sempre melhor e perde por A, B ou C. É difícil descer do salto e admitir que temos limitações (técnicas, físicas), que é preciso se formar um time, na acepção da palavra.

Uma recente propaganda do Gatorade (vídeo está no fim deste post) diz: “Eu não vi a seleção de 70. Também não vi a do bi, nem a do tetra. E a de 2002, eu quase não lembro. Mas, tudo bem. Por que agora é a vez dessa seleção. Agora eu vou ver como é bom torcer pelo Brasil”.

É esse tipo de soberba retratada na peça publicitária que faz com que o Brasil não tenha um time. Não tenha alma. Não tenha um “Bamos!”. É ridículo e patético.

Claro que a culpa não é da propaganda, pelamordedeus. Mas é o tipo de coisa que passa uma borracha num passado vitorioso, num passado de alma, de time, e colocam esse bando sem sangue como um Brasil imbatível. Jovem brasileiro, não viu times vencedores? Use o Google, o Youtube. Tá tudo aí, a um clique. Veja, aprenda. E não engula mais esse tipo de coisa.

O futebol brasileiro carece de alma.

O “Bamos!” de Forlán (pouco antes do minuto 6)

A propaganda do Gatorade

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