Arquivo da tag: Adriano

Ronaldinho, Flamengo, a culpa de quem contrata e a dança

Ronaldinho e a bola - Foto: Maurício Val/Vipcomm

Ronaldinho e a bola – Foto: Maurício Val/Vipcomm

O Flamengo finge que paga, um monte de jogador finge que joga. Faz tempo que a máxima “vampetiana” existe e dá brecha para qualquer um entrar na Justiça com justiça. Assinou, meu caro, tem que pagar. Pelo menos deveria ser assim.

Ronaldinho não joga bola faz tempo. Se existe um cara que personifica a frase “ex-jogador em atividade”, é ele. Está estampado que não dá mais. Falta tesão, falta vontade, falta suor, sobra balada. É assim. Faz tempo.

Nada mais justo o torcedor flamenguista xingar o Ronaldinho. Mas, sabe como é, a culpa é só dele?

Todos os lugares que eu trabalhei contam com uma espécie de processo seletivo. Não basta ser indicado por alguém. Tem que ser indicado por alguém bom. Além disso, é prova, entrevista, dinâmica de grupo, enfim, trocentos pesos e medidas são usados. Hoje, isso é prática de qualquer empresa que se preze. Não dá mais para contratar batendo o olho no currículo.

Analisando o parágrafo acima, você vê como todos as variáveis depõem contra Ronaldinho. Talvez o fato de ele ser indicado pelo Pelé não adiantasse. Na prova de embaixadinha, seria capaz de deixar a bola cair. Em dinâmica de grupo, só passaria se fosse uma roda de pagode daquelas. E o currículo… Bem, faz tempo que nada de sensacional aparece no currículo dele.

Aí, eu penso: o Flamengo não sabia de tudo isso quando contratou? Quando fechou o negócio por zilhões de reais? Não estava na cara que seria um negócio de risco? A resposta, todos nós sabemos.

É claro que Ronaldinho tem culpa, já que não joga nada há muito tempo. O Flamengo também tem culpa, muita culpa, já que prometeu mundos e fundos para um cara que seria um gênio, mas foi apenas um rabisco. Enfim, um finge que paga, outro finge que joga.

Enfim, futebol das dancinhas, dançaram os dois, clube e ex-craque. Mais o clube, que fica, que o ex-craque, que passa. E como passa.

Mas, calma, torcedor, calma. O Adriano vem aí.

LEIA TAMBÉM
14/02/12 – Ronaldinho e a coerência de Mano
28/07/11 – Ronaldinho, um óbvio mistério do futebol

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Futebol

Futebol e uma questão de justa causa

Pesos e medidas diferentes. Dá a impressão que a gente tem que se acostumar com isso na vida. Não, não tem, e tem que se revoltar com certos pesos e medidas, justiças e injustiças.

Léo Rocha perdeu o pênalti ridículo para o Treze contra o Botafogo. Não mudo uma vírgula do que escrevi sobre o assunto. Daí, para o jogador ser demitido, vai uma distância muito grande.

“O campo, a bola, nada atrapalhou. Foi erro meu mesmo, eu peguei um pouco no canto da bola, a bola foi um pouco pro lado ali, fui infeliz. Todos os jogos que eu tive a oportunidade de bater pênalti eu bati no meio, então eu não tenho que provar nada para ninguém, para diretor nenhum. Eu não me arrependo de ter batido assim, só me arrependo de ter pegado mal na bola.”

Léo Rocha errou? Errou. Foi infantil? Sim. Assim como outros jogadores do time desperdiçaram cobranças de pênalti, perderam chances de gol, falharam na marcação, erraram em trocentos lances. O erro de Léo Rocha apenas foi o último e mais ingênuo, mas demissão? Demagogia, não?

Aí o Corinthians solta uma nota oficial dizendo que Adriano foi demitido por justa causa. No Rio, dizem que o Imperador pretende ir à Justiça contra o clube, alegando falta de tratamento médico. Hmmm. Peraí… Não era o Adriano que faltava às sessões – dizem, mais de 40! – de fisioterapia marcadas pelo clube? Não era Adriano que chegava sabe lá como para treinar?

É esse o mesmo Adriano, demitido por justa causa, que será contratado já já pelo Flamengo, a peso de ouro, com pompas de gênio. Já Léo Rocha…

“Ninguém gosta de perder o emprego né, foi uma notícia que me deixou muito triste.”

A frase acima, com certeza, não é de Adriano. Parecem mundos diferentes, mas são histórias do mesmo mundo, o da bola. Pesos e medidas distintos, causa justa, justa causa. É o futebol imitando a vida. Infelizmente.

P.S.: As frases em destaque foram retiradas da entrevista de Léo Rocha para a ESPN Brasil e podem ser vista aqui. Já a nota oficial da demissão de Adriano foi veiculada pelo site do Corinthians e pode ser vista aqui.

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

A lista de Mano, a banalização da seleção e o choro

Mano Menezes - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Mano Menezes - Foto: Divulgação, Arte/Ricardo Zanei

Nasci em 1978. Nos anos 80 e 90, falar em seleção era falar de pouca gente, de caras especiais. Claro, você podia tentar entender como certos “pernas de pau” eram convocados, mas a lista dos “mais ou menos” era bem menor do que a dos que eram bons de bola. Parece que isso mudou, e não é de hoje, mas Mano dá continuidade ao trabalho de banalização da seleção brasileira.

Não vou discutir os 36 garotos com idade olímpica, mas os 16 acima dos 23 anos. Sinceramente, parece que qualquer um joga na seleção. E, de fato, é isso mesmo, não?

Alguns nomes incluídos na lista não são titulares nem no time principal de Mano. Vira e mexe, ficam fora de convocações, como os goleiros Diego Alves e Jefferson, os laterais Adriano e Marcelo (que é muito bom), o meia Elias, e os atacantes Hulk e Jonas.

Outros caras foram descobertos recentemente pelo técnico. Muita gente pedia Hernanes (que é muito bom), mas o meia da Lazio, via de regra, era esquecido. Já Fernandinho é uma incógnita: só Deus sabe como ele joga no Shakthar.

Ou seja, a meu ver, a convocação desses caras citados acima pode ser explicada pela total falta de bom senso do treinador. Se nem no time principal ele usa esses jogadores com regularidade, qual é o real motivo de colocá-los em uma pré-lista para as Olimpíadas? Mais: qual deles é capaz de ser líder de um time de moleques atrás do único título relevante que o Brasil não tem?

Ainda na lista dos caras acima de 23 anos, Mano chamou quatro zagueiros. Se há um pouco de critério nisso, tendo a achar que pelo menos dois deles estarão em Londres: David Luiz, Dedé, Luisão e Thiago Silva (que é muito bom). O goleiro Júlio César (caso se recupere, é muito bom), o lateral Daniel Alves (que é muito bom) e o enganador Ronaldinho Gaúcho completam a lista.

Mano disse, recentemente, que tem um plano para Ronaldinho. Se o plano for levá-lo para as Olimpíadas, parabéns, Mano, por apostar no jogador mais insosso dos últimos anos. Ele já mostrou que não está nem aí para a bola, já mostrou que não é um cara capaz de liderar a molecada (ou ninguém lembra dos Jogos de Pequim-2008?) e tem mostrado uma bolinha ridícula desde que saiu do Barcelona. Belo plano, Mano, belo plano. Chamasse o Adriano então!

Nota do redator: o “!” é uma espécie de sinal de ironia, ok?

Se é pra levar o Ronaldinho, convoque um Kaká da vida. Se é pra convocar alguém que está mal, chame um que, pelo menos, corre e tem vontade de alguma coisa. Faz tempo que a seleção não tem sangue nas veias. Não sei se Kaká é o cara mais “sanguinário” do momento, mas, comparado com Ronaldinho…

Não tenho nada contra nenhum desses jogadores – a não ser o inexplicável Ronaldinho -, mas fico com a sensação de que a seleção está mais banalizada do que nunca. Se meu time contrata Elias ou Hernanes, por exemplo, é claro que eu ia achar bacana. Mas time é uma coisa, seleção é outra bem diferente.

Enfim, Mano não foi o primeiro a convocar jogadores comuns, mas é o cara que poderia não convocá-los hoje, mas prefere seguir no mesmo caminho fracassado. Por outro lado, temo que esse monte de “maios ou menos” seja o que há de melhor no nosso futebol. Aí, o negócio é sentar e chorar. Copiosamente.

P.S.: Clique e veja, no site da CBF, a lista completa dos convocados.

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol, Olimpíadas

Adriano, Manuel Bandeira e o Pneumotórax

Adriano - Foto: Junior Lago/UOL, Arte/Ricardo Zanei

Adriano - Foto: Junior Lago/UOL, Arte/Ricardo Zanei

“A vida inteira que podia ter sido e que não foi.”

Adriano já foi o melhor atacante do mundo. Parecia unir tudo que um grande centroavante precisa: força física, presença de área, boa impulsão. Ainda tinha um chute de extrema violência de pé esquerdo, de dentro ou fora da área. E mais: sabia driblar, tocar, se posicionar para receber. Parecia perfeito. Parecia…

O Imperador reinou como o melhor fazedor de gols do planeta entre 2004 e 2006, mas foi um fiasco na Copa da Alemanha. Muito se falou da forma física de Ronaldo no Mundial, mas Adriano estava explodindo – de gordo. Se foi decisivo na Copa América de 2004 e um monstro, um monstro, na histórica Copa das Confederações em 2005, parou por aí.

Renasceu no Flamengo, em 2009, mas voltou a dormir no começou de 2010 e perdeu a sua vaga na Copa da Alemanha. Por mais que eu ache que Nilmar é um bom jogador, por mais que eu tenha gratidão por Grafite pelos serviços prestados ao meu time, não dá para um jogador do quilate de Adriano perder a vaga no Mundial para qualquer um deles. É inadmissível.

A última vez que o Imperador bateu uma bola honestamente foi no Flamengo. Saiu de lá para enganar os italianos da Roma, voltou para renascer – de novo? – no Corinthians, mas foi no Parque São Jorge que caiu de vez. Lesão no tornozelo à parte, o comprometimento mostrado por ele foi digno de um amador. Ou melhor, de um peladeiro, porque amadores são mais profissionais que ele.

Adriano é o jogador com mais chances na face da terra. Pise na bola uma vez como ele pisou com qualquer chefe que você tenha tido pra ver o que acontece. Com ele, nada muda, a vida segue, e é capaz ainda de rolar um cafuné. É um cara gente boa, um amor de pessoa, e blablabla. Saiu do Corinthians, mas, segundo consta por aí, vai acertar com o Flamengo em questão de horas, no mais tardar, dias. É só esperar. E será mais um papelão…

Pior de tudo é achar/saber que o caso de Adriano vai muito além do gigantesco jogador de futebol que poderia ter sido e que não foi. Os problemas dele são muito mais profundos do que perder um gol sem goleiro. Ele deveria cuidar do futuro, cortar os laços umbilicais com quem lhe prejudica e ter uma vida tranquila como pessoa física, com a cabeça tranquila. Tranquilidade que pessoa jurídica não tem: deixa pra lá, não dá mais, foi legal e tal, mas acabou. Na bola, ele foi Imperador por pouco tempo. Resta desejar que seu reinado fora dos gramados seja, tranquilo, calmo, alegre, como nos dias de moleque na Vila Cruzeiro. E especialmente duradouro.

P.S.: A frase que abre esse texto faz parte do poema “Pneumotórax”, de Manuel Bandeira. Diagnosticado com tuberculose antes dos 20 anos, o poeta foi desenganado pelos médicos e ficou, a vida toda, esperando a morte, que não chegava. Ele morreu aos 82 anos.

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

Taça das Bolinhas e assuntos que eu não aguento mais ouvir

Às vezes, muitas vezes, a imprensa fica martelando assuntos por séculos, sem chegar nunca a lugar nenhum. E não é apenas no âmbito esportivo: ouso dizer que o fenômeno se repete em todas as editorias.

Vi agora que o Flamengo ganhou sei lá o quê na Justiça e recuperou a Taça das Bolinhas, o que me fez pensar em assuntos esportivos que eu não aguento mais ouvir, falar, ler, ver…

Abaixo, a lista de temas que deveriam ser banidos e retomados apenas e tão somente se algo definitivo acontecesse:

– Taça das Bolinhas;

– Neymar no Barça? Neymar no Real?;

– Ganso no Corinthians;

– Dagoberto fora do São Paulo;

– Estreia de Adriano no Corinthians;

– Pelé no Mundial de Clubes;

– Felipão fica ou sai do Palmeiras;

– Tite fica ou sai do Corinthians;

– Mundial 2000 da Fifa (lembrança do amigo Flavio Nakano)

– Maradona ou Pelé?

– Messi ou Cristiano Ronaldo?

– Rogério Ceni x Marcos? (devo essa e as duas contribuições acima à amiga Paula Almeida)

A lista foi feita às pressas e conta apenas com temas do futebol paulista, mas, com certeza, é bem maior que isso. Aceito sugestões para ampliar o número de encheções de saco. Sem mais.

1 comentário

Arquivado em Futebol